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terça-feira, 22 de junho de 2021

A Banalíssima República

 Opinião

Reli, depois de muitos anos - creio que desde alguma obrigação escolar, quando enfrentar esses textos parecia um tormento sem fim -, o conto A Sereníssima República, publicado por Machado de Assis, em 1882, na Gazeta de Notícias - e que reencontrei em uma coletânea de 50 textos realistas e naturalistas que comprei no Kindle por 1,99. Li na penumbra de um fim de dia, esquecido de quase tudo do conteúdo do conto, apenas com a lembrança baça de que não me era de todo estranho. E, na medida em que a história ia se desenrolando - narrada pelo personagem cônego Vargas, que então a oferecia a um público atento na forma de uma conferência, tão ao gosto daquele tempo, quando era possível saber as novidades das Ciências como quem apura o resultado das loterias -, não havia como eu me desvencilhar das tratativas atuais, no Congresso Nacional, de mais uma reforma eleitoral, focada agora nas urnas eletrônicas, ditas, sem qualquer prova ou evidência, como não confiáveis.

Aliás, como não se cansam de saber, inclusive as centenas de milhares de mortos dos últimos meses, a desconfiança tornou-se a nova moda no país, indo das vacinas às máscaras, passando pelas Universidades - verdadeiros antros de maloqueiros - e pela imprensa - toda mancomunada com os comunistas da grande potência oculta das Américas, a ilha de Cuba - e chegando mesmo a médicos e advogados, sendo que em relação a estes últimos, sem que se tenha conhecimento de grandes manifestações de desagravo.

A história fala de uma descoberta incrível, sobre uma comunidade de aranhas que falam e que resolvem, emulando Hobbes ou Locke, firmar um contrato social e estabelecer as regras da cidadania por meio do modelo da antiga República de Veneza que, como sabemos, tinha tanto de República quanto tinha de seca no inverno. O dito cônego relata então as dificuldades em ajustar o sistema, cuja eleição dos nomes para os cargos públicos eram escolhidos por um sorteio, retirando bolas de um saco feito pelas finíssimas teias elaboradas por dez aranhas conhecidas pelo epíteto de “mães da república”.

Na medida em que o processo apresentava “problemas”, buscava-se ajustá-lo alterando o tamanho ou a textura ou até mesmo a transparência do saco, para logo depois mudá-lo de novo, sem que se percebesse - ora, é para isso que serve a narrativa: para que nós, espertos leitores, percebamos - que o problema estava na falta de espírito republicano dos concorrentes aos cargos. E, mais uma vez, vi-me com a mente invadida pelo presente e pelos discursos em torno da importância de dar transparência às eleições, como em um déjà vu de outra obra mais recente, mas não menos clássica: 1984.

O conto termina com uma alusão a Ulisses, de Homero: as fiandeiras seriam Penélopes a fiar e a desfiar tapetes enquanto os embusteiros a cortejavam e consumiam tudo o que havia na despensa - pensando apenas em tirar o melhor do público em proveito próprio - à espera da volta do seu Odisseu, para produzir melhores dias. Um Odisseu não como personificação do salvador da Pátria, mas sim como esperança da restituição do elo fundamental de constituição da cidadania, quebrado e degradado pelos interesses privados, impudicos.

A perseverança à espera da sapiência, conclui o conto do bruxo do Cosme Velho. Só assim poderia haver res publica. O resto é só banalidade. E, como sabemos o que advém dela, o mal.

 


Daniel Medeiros - doutor em Educação Histórica e professor do Curso Positivo.
danielmedeiros.articulista@gmail.com
@profdanielmedeiros


VOZ PARA TODOS: A LUTA CONTRA O ETARISMO NA SOCIEDADE

Etarismo é o ato de discriminação às idades, sendo um tipo de preconceito que pode assumir muitas formas, desde atitudes individuais até políticas e práticas organizacionais que perpetuam a discriminação etária. O termo etarismo (ageism) foi utilizado pela primeira vez pelo gerontologista Robert N. Butler, nos Estados Unidos, para descrever a discriminação contra adultos mais velhos. No entanto, o conceito evoluiu para ser frequentemente aplicado a qualquer tipo de discriminação com base na idade, envolvendo preconceito contra crianças , adolescentes, adultos ou idosos .

A sociedade atual ainda encara o envelhecimento como uma dificuldade, com a visão de que haverá maior despesa com plano de saúde, remédios e o governo brasileiro alega que o sistema previdenciário não será sustentável ao longo dos próximos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil 13% da população tem mais de 60 anos, sendo que a partir de 2031 haverá mais idosos do que crianças e adolescentes, e em 2042 essa faixa etária alcançará o número de 57 milhões de brasileiros.

Enfrentar a discriminação etária exige uma nova compreensão do envelhecimento por todas as gerações sobre essa fase da vida. Precisamos eliminar os conceitos desatualizados de pessoas mais velhas como fardos e reconhecer a diversidade da experiência da velhice e as desigualdades do preconceito etário.

As pessoas com mais idade continuam sendo produtivas. Atualmente, as empresas estão abrindo vagas exclusivas para mais de 50 anos, a experiência acumulada pode agregar muito para a organização, como mostra no filme ‘Um Senhor Estagiário’, com Robert De Niro e Anne Hathaway. Neste ano, o programa The Voice iniciou uma temporada exclusiva para mais de 60 anos. Vemos que, felizmente, há uma movimentação da sociedade para abrir espaços para esse grupo etário.

No dia a dia do trabalho, dentro da agência em que atuo, está no DNA defender a pluralidade, diversidade e inclusão e alinhar com os propósitos dos clientes. É um olhar de igualdade para todas as pessoas, não importa a idade, origem ou etnia. Nos trabalhos de casting buscamos sempre oferecer um público diverso e selecionar pelo desempenho, simpatia e comunicação. Em todos os eventos híbridos são incluídos a tradução em libras e são esses detalhes que trazem o diferencial, não apenas dizer, mas praticar.

Além disso, a agência busca manter sempre a diversidade etária na organização, com contratação de pessoas em diferentes fases da vida, desde os jovens até os mais experientes. A MCM é composta por: 13,6% de 18 a 24 anos; 40,9% de 25 a 34 anos; 27,3% de 35 a 44 anos e 18,2% de 45 a 54 anos.

Para combater o etarismo é necessário se policiar assim como todas as formas de preconceito. Ter o olhar empático e compreender cada um, independente da idade todos são capazes de aprender, produzir e evoluir. Lembre-se que você também será um idoso no futuro, o respeito deve prevalecer sempre.

 


Marília Gersely - Head de Planejamento da MCM Brand Experience


Década do Oceano lembra importância do engajamento da sociedade para reverter ciclo de degradaçã

Fortalecer a cultura oceânica e promover inovações para o desenvolvimento sustentável são alguns dos objetivos da Década do Oceano (2021-2030)

Foto: Divulgação - Pixabay

O Dia Mundial do Oceano, comemorado no mês de junho, foi instituído durante a conferência Rio-92 para lembrar sobre a importância da conservação dos mares para a vida no planeta. Quase 30 anos depois, as ameaças ao ecossistema costeiro-marinho aumentaram, mas também cresceu a mobilização de autoridades, iniciativa privada e da sociedade civil organizada em torno do tema. Neste ano, a data é comemorada em conjunto com as primeiras ações da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), um esforço mundial coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para que os países unam esforços a favor da saúde do oceano.

Um dos principais objetivos da Década é disseminar conhecimento a respeito da importância do oceano para um futuro sustentável. “Precisamos conhecer mais para tomar melhores decisões, seja como indivíduos, instituições ou governos. Um oceano acessível, conhecido e valorizado por todos depende do fortalecimento da cultura oceânica, do entendimento da influência do oceano na nossa vida e da nossa vida no oceano. É essencial que as ações valorizem o engajamento de todos os setores, incluindo as comunidades tradicionais, empresas, sociedade civil e o poder público”, afirma Ronaldo Christofoletti, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para o pesquisador, que é assessor de Comunicação para a Década do Oceano, a sociedade precisa perceber que todos estão conectados de alguma forma com o ambiente marinho. “Diariamente, todos somos influenciados pelo oceano, mesmo sem nos darmos conta. Até quem está a quilômetros de distância do litoral depende diretamente do oceano para viver. Neste instante, mais de 50% do ar que respiramos vêm dos mares. A conexão passa pela economia, já que a maior parte do comércio circula pelo mar, mas também está na alimentação, no turismo, na saúde, no bem-estar, na cultura e na tradição”, observa o pesquisador.

Para Emerson Oliveira, gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, tão importante quanto ter consciência dos problemas é a busca por soluções. “Acreditamos muito no poder da inovação e na capacidade de mudar o olhar sobre os problemas. Com a Década, temos a oportunidade de rever a forma como cuidamos do oceano e, também, de imaginar e colocar em prática formas sustentáveis de usufruir de todos os seus benefícios. A ciência tem um papel fundamental nessa busca, mas também precisamos ampliar a cooperação com diferentes atores sociais, compartilhando diferentes saberes e experiências”, analisa.

A Fundação Grupo Boticário, que ao longo de 30 anos de história destinou cerca de 25% do total de investimentos em pesquisa científica para ecossistemas marinhos e regiões costeiras, é reconhecida pela Unesco e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação como representante da sociedade civil da Década do Oceano no Brasil. Além de apoiar e promover uma série de eventos para mobilizar e inspirar a sociedade em torno da questão, a Fundação tem o oceano como foco na edição deste ano da teia de soluções, iniciativa que busca soluções inovadoras para a conservação do oceano, de forma multidisciplinar e colaborativa.

 



Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN)

www.fundacaogrupoboticario.org.br

 

Fundação Grupo Boticário


Nós fazemos parte da política

Neste momento de crise de saúde pública no Brasil, enquanto acontece no Senado Federal a CPI da Covid-19, ou seja, a Comissão Parlamentar de Inquérito que apura as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia, muitas pessoas se perguntam: a comissão vai trazer respostas e benefícios para a sociedade ou tudo isso é apenas política?

Vivemos em um momento em que muitos se sentem afastados da política. Mas saúde pública se passa pela política. Políticas públicas e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) têm a ver com política. Vacinação depende de vontade e de pressão política.

Participação social e controle social são princípios organizativos do SUS, o que significa dizer que a população tem o direito de participar do processo de formulação e de controle das políticas públicas de saúde.

A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão assessor do Ministério da Saúde, prevê duas formas de participação social: através de consulta pública - onde a sociedade pode emitir sua opinião a respeito de uma decisão, e do paciente-testemunho - onde o paciente participa da reunião que se discute uma tecnologia em saúde, aportando a sua visão e experiência com aquela tecnologia.

Mas, apesar do direito à participação na construção de políticas públicas, percebemos que a maioria das pessoas não se vê como parte do processo de decisão. Talvez pela falta de conscientização política, talvez pela desesperança com pessoas políticas, talvez por falta de informação.

Como uma associação que apoia pacientes de doenças cardiorrespiratórias, parte da nossa missão na ABRAF é oferecer a pacientes e cuidadores informações de saúde, não apenas sobre tratamentos e acesso a serviços de saúde, mas também sobre garantias sociais e cidadania. Acreditamos que, para se mobilizar, as pessoas precisam de informação - até porque, se não souberem que têm este direito, como vão exercer a participação e o controle social no SUS?

Os estudiosos José Bernardo Toro e Nísia Maria Duarte Werneck nos inspiram a pensar que mobilizar é convocar vontades para uma mudança na realidade. Mobilizar é mostrar o problema e compartilhá-lo para que as pessoas se sintam co-responsáveis por ele e passem a agir na tentativa de solucioná-lo.

Desde 2016, a ABRAF promove ações com vista à atualização do protocolo clínico e diretrizes terapêuticas (PCDT) de Hipertensão Pulmonar (HP), buscando a incorporação de novas tecnologias, mais eficazes, para o tratamento de HP e a previsão de terapia combinada (uso de mais de um medicamento para controle da doença). Em uma dessas ações, um time de atletas amadores e voluntários, o Team PHenomenal Hope Brasil, percorreu cidades no Brasil para participar de corridas e encontrar pacientes e cuidadores para mobilizá-los a recolher assinaturas em prol da atualização do protocolo. Entregamos à Conitec 35 mil assinaturas, resultado de uma grande ação de mobilização social.

Neste momento, está sendo discutida a possibilidade de incorporação do medicamento Selexipague no SUS. A consulta pública está aberta até o dia 28 de junho e, inicialmente, a Conitec deu um parecer desfavorável. Ou seja, precisamos de mobilização social para reverter esta decisão, através da participação ativa de todos os interessados no tema. O link para participar é: encurtador.com.br/eDKMZ

Em paralelo, o protocolo de hipertensão pulmonar está, enfim, sendo atualizado. Contribuir para que pacientes e cuidadores se sintam capazes de participar de consultas públicas é, como dissemos, parte da nossa missão. Mobilizar as pessoas para que se sintam co-responsáveis pelo fortalecimento das políticas de saúde - não retirando, de forma alguma, a responsabilidade do Estado - é uma meta ainda maior. O direito à saúde caminha junto da cidadania e do direito à informação.



Paula Menezes - Presidente da ABRAF, advogada e pós-graduada em patient advocacy. É presidente da ABRAF desde 2014 e atuou como vice-presidente da Sociedade Latina de Hipertensão Pulmonar durante sete anos. 

Flávia Lima - Líder da ABRAF em Brasília, jornalista, especialista em Saúde Coletiva pela Fiocruz Brasília e líder da ABRAF em Brasília. 

ABRAF - Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas https://abraf.ong/


segunda-feira, 21 de junho de 2021

Como aprender a ser resiliente diante das adversidades da pandemia?

A psicóloga Rosangela Sampaio mostra 5 maneiras de desenvolver a resiliência, uma aptidão que aprendemos com experiências, e a pandemia pode servir como ensinamento

 

O surto mundial da doença Coronavírus (COVID-19) é uma fonte inesperada de estresse e adversidade para muitas pessoas.  

A resiliência pode nos ajudar a superar as adversidades, mas ela não é algo com que já nascemos: é construída ao longo do tempo, à medida que as experiências que temos interagem com a nossa composição genética individual e única.  

É por isso que todos nós respondemos ao estresse e às adversidades, como o da pandemia, de maneira diferente.  

Pense na resiliência como uma gangorra ou escala de equilíbrio, em que experiências negativas inclinam a escala em direção a resultados ruins e experiências positivas a inclinam em direção a bons resultados.   

O ponto onde a escala se equilibra é chamado de “fulcro” e, se estiver mais para um lado ou para o outro, pode tornar mais difícil ou mais fácil inclinar a escala de resiliência para o positivo.  

O ponto de apoio de todos está em um lugar diferente, ou seja, está aí a explicação de o porquê cada pessoa é diferente na facilidade com que podemos contrabalançar as dificuldades da vida.  

A boa notícia é que o ponto de apoio pode ser movido com o desenvolvimento de um conjunto de ferramentas de habilidades que você pode usar para se adaptar e encontrar soluções.  

Então, o que podemos fazer para construir e fortalecer a resiliência agora, durante a pandemia?  

E como podemos construir resiliência para planejar com antecedência tempos de crises futuras? 

Compartilho 5 dicas para que você desenvolva sua resiliência e habilidades de enfrentamento:

 

1 -  Construa crenças positivas em suas habilidades: a autoestima desempenha um papel essencial no enfrentamento do estresse e na recuperação de eventos desafiadores.

Lembrar você mesmo de suas forças pessoais e realizações fortalece sua autoconfiança, capacidade de responder e lidar com crises, além de ser uma ótima maneira de construir resiliência para o futuro;

 

2 - Encontre um senso de propósito em sua vida: diante de uma crise ou tragédia, encontrar um propósito pode desempenhar um papel importante na recuperação.

Envolver-se em sua comunidade, cultivar sua espiritualidade ou participar de atividades que são significativas para você são algumas possibilidades;

 

3 - Desenvolva uma forte rede de network: ter pessoas carinhosas e solidárias ao seu redor atua como um fator de proteção em tempos de crise, por isso, é importante ter por perto pessoas em quem você possa confiar, pois permite que você compartilhe seus sentimentos, ganhe apoio, receba feedback positivo e discuta insigths e soluções possíveis para os seus problemas.

As atividades que realizamos com os amigos nos ajudam a relaxar e dar risadas, ou seja, isso estimula o sistema imunológico, que geralmente se esgota durante o estresse;

 

4 -  Abrace a mudança:  a flexibilidade é uma parte essencial da resiliência. Aprendendo como ser mais adaptável, você será melhor equipado para responder quando confrontado com uma crise de vida.

Pessoas resilientes costumam utilizar esses eventos como um oportunidade de se ramificar em novas direções. Embora algumas pessoas possam ser esmagadas por mudanças abruptas, indivíduos altamente resilientes são capazes de se adaptar e prosperar;

 

5 - Aceite as coisas que você não pode mudar: mudar uma situação desafiadora nem sempre é possível. Se for esse o caso, reconheça e aceite as coisas como elas são, concentrando-se em tudo o que você tem controle.

Portanto, tente aprender na vida com todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Podemos nos autoconhecermos e ressiginificarmos muitas coisas quando mudamos nosso olhar diante dos fatos. 

Aproveite e confira mais dicas sobre resiliência no Programa Mulheres Em Flow sobre “Como Melhorar a Qualidade de Vida”

 

Rosangela Sampaio - psicóloga (CRP06/130574) especializada em Psicologia Clínica e Positiva, atua com mentorias para o público feminino no projeto “Mulheres em Flow, é coach de carreira, além de apresentadora do programa Mulheres em Flow.Também assina o capítulo “O poder do autoamor”, da obra “Autoamor – Um caminho para regulação emocional e autoestima feminina”, além da coordenação editorial e coautoria dos livros “Sem Medo do Batom Vermelho”, onde aborda a rivalidade feminina, e “Mulheres Invisíveis”, sobre violência contra a mulher. 

@rosangelasampaiooficial e @mulheresemflowoficial

 

É fome? Cinco dicas para distinguir os sinais da fome real e da emocional

Respeitar os sinais de saciedade do corpo e a disposição de mudar o comportamento alimentar são essenciais para o sucesso do seu plano alimentar, diz nutricionista



Tem dia que o estomago vira um "buraco negro" e nenhum alimento dá a sensação de saciedade. Já em outros dias, o pensamento não para de sugerir algo para beliscar. Mas, será que isso é fome de verdade?

Segundo Tayse Correa, nutricionista parceira da FIT FOOD, o corpo emite sinais diferentes para descrever a real demanda por comida. "Com fome fisiológica, você não fica seletivo. Come o que tiver na frente. O estômago ronca, pode haver irritabilidade e uma leve dor de cabeça", diz.

Diferente disso, a fome emocional acontece para preencher um vazio geralmente associado à alguma emoção como, ansiedade, tristeza, felicidade - e até mesmo, medo de passar fome. "Você sente vontade de comer alimentos específicos e come pelo simples fato do alimento estar disponível, sem respeitar a saciedade", afirma a nutricionista.

Para quem precisa enxugar alguns quilos, melhorar hábitos ou tratar alguma questão de saúde através da alimentação, Tayse puxa a orelha: "Não basta ter um plano alimentar maravilhoso, cheio de estratégias eficientes elaboradas por um profissional, se o paciente obedece sua fome emocional o tempo todo".

Para ter mais consciência sobre os sinais da fome real e favorecer a mudança do comportamento alimentar, a nutricionista sugere algumas práticas diárias diante da comida. Experimente:

Saia do automático. "Sempre reflita sobre os motivos que te levam a comer. Com a prática, isso também fica automático de uma maneira que é favorável a você e não à comida".

Pergunte a si mesmo antes de comer: "Isso é fome real?". "Esteja atento a sensação que chega e mude o comportamento para ser coerente com os sinais do corpo;

Experimente sentir fome fisiológica para comer, sem horários das refeições ou regras. É importante para distinguir os sinais de fome e saciedade. "Pelo menos por um tempo, a experiência também deve ser praticada por pessoas que precisam ter uma rotina alimentar".

Esteja presente no momento da refeição e a cada impulso que o leva à comer. "Se não corresponder aos sinais da fome real, interrompa o consumo no momento. Tome um copo de água e se entretenha com outra possibilidade disponível, até que a fome real se faça presente outra vez".


Pergunte-se também: está prazeroso? estou satisfeito? ou estou comendo só porque o alimento está disponível? "Isso inclui aquela sobra no prato, que muitas vezes não queremos jogar fora".




FIT FOOD

www.fitfoodbrasil.com



Latinex Brands

www.latinex.com.br

Terapeuta ensina "segredos" para transformar um relacionamento amoros

Como ter um bom relacionamento amoroso? Terapeuta com mais de 1,2 milhão de seguidores na Internet revela uma visão surpreendente sobre os relacionamentos amorosos. E oferece algumas dicas e sugestões inusitadas para uma verdadeira tranformação na qualidade das relações.


Melhorar o próprio relacionamento amoroso ou mesmo construir um novo relacionamento feliz e saudável é o sonho de muita gente, especialmente em tempos de isolamento social. Mas você sabia que as mulheres, mais do que os próprios homens, têm um poder muito grande para transformar positivamente suas relações? É o que explica a terapeuta Catia Simionato. “Ao invés de reclamar ou se sentir vítima do parceiro, a mulher precisa entender que a energia feminina é muito mais poderosa e transformadora do que a energia masculina. Isso significa que, em grande parte dos casos, a solução para o relacionamento pode estar dentro dela mesma. E isso está ao alcance de qualquer mulher, com mudanças de atitudes e posturas que não são muito complicadas”, explica Simionato. “Mas atenção: não estamos falando de relacionamentos abusivos ou violentos. Mulheres que enfrentam isso devem procurar ajuda da Justiça e se afastar imediatamente dos seus parceiros”, ressalta ela.

Segundo a terapeuta, a questão de melhorar o relacionamento amoroso é um dos assuntos mais procurados no seu canal Ser Felicidade, que reúne cerca de 1,2 milhão de seguidores no YouTube, Instagram, Facebook, Telegram e Spotify. Mais de 90% desse público é formado por mulheres. É o maior espaço da Internet brasileira voltado para o tema “expansão da consciência”. E, por isso, Catia resolveu compartilhar seus conhecimentos sobre este assunto por meio de um retiro online chamado “Papo de Sereia”, que vai acontecer, pela Internet, nos dias 25, 26 e 27 de junho.

Catia é responsável por todos os conteúdos do canal Ser Felicidade. Ela é especialista em desenvolvimento pessoal, autoconhecimento, expansão da consciência e meditações, além de ser professora espiritual. Conta atualmente com cerca de 2.000 alunos e os vídeos publicados na sua página do YouTube (www.youtube.com/c/SerFelicidade) já tiveram, no total, mais de 107 milhões de visualizações desde 2016.


MELHORAR O RELACIONAMENTO AMOROSO EQUILIBRANDO AS ENERGIAS

Muitas mulheres enfrentam dificuldades para viver um relacionamento realmente saudável, amoroso e feliz. E, pela experiência, pesquisas e estudos de Catia Simionato, o motivo disso é que as mulheres simplesmente erram na hora de lidar com o poder da energia feminina e tentam controlar tudo, o tempo todo, e assim assumem o papel da energia masculina no relacionamento ou na família, de forma inconsciente. Essa é a receita perfeita para diminuir ou acabar com a atração do seu parceiro por ela, e até mesmo da própria mulher perder o interesse por ele.

Quantas vezes você já ouviu uma mulher bem-sucedida ou simplesmente com muita atitude e capacidade de resolver os problemas reclamar dos homens com uma postura menos pró-ativa ou chamar o seu parceiro ou ex de “banana”, “sem iniciativa” ou “inseguro”? É disso que fala Catia.

Ela viveu esses desafios na própria vida, anos atrás, antes do atual casamento, e foi em busca de conhecimentos para entender melhor como funcionam, de fato, os relacionamentos entre homem e mulher. Um tipo de jornada que ela própria já havia explorado, antes, ao viajar pelo mundo conhecendo alguns dos mais renomados professores espirituais. Desta vez, sua viagem foi pela Internet, onde conheceu uma coach norte-americana chamada Rori Raye, que faz sucesso nos Estados Unidos ensinando às mulheres um conjunto de habilidades para lidar com seus parceiros, o que inclui uma “mudança de chave”: a capacidade de experimentar apenas “ser” e não mais se esforçar sempre para “fazer”. Seu trabalho inclui orientar as mulheres a expressarem seus sentimentos em palavras e uma linguagem corporal que um homem não apenas percebe, mas também se sente mais atraído pela parceira.

Depois de realizar cursos com Rori, inclusive uma mentoria presencial nos Estados Unidos, Catia conheceu outra coach de relacionamento, também norte-americana, com quem se aprofundou mais na sua busca: Adrienne Everheart. Com ela, Catia desenvolveu ainda mais seu entendimento sobre as diferenças entre as energias feminina e masculina, como equilibrá-las na mulher e, sobretudo, como estimular esta energia feminina para melhorar o relacionamento amoroso.

Na vida moderna, a mulher saiu de dentro de casa e foi para o mercado de trabalho competir com o homem e crescer profissionalmente, atingindo postos importantes de liderança e sucesso. Para isso, porém, muitas mulheres estimularam demais sua energia masculina, que é a capacidade de liderar, resolver problemas e ser pró-ativa, competências necessárias no mundo corporativo, e típicos da energia masculina.

Todos os homens e mulheres possuem as duas energias, mas normalmente as mulheres têm a energia feminina em maior intensidade, enquanto nos homens, claro, prepondera a energia masculina. “Sabe o que realmente atrai um homem? A energia feminina”, diz Catia. O que é energia feminina? Ela tem a ver com as emoções da mulher. Esqueça aquela história que homens não gostam de ouvir sobre as emoções das mulheres. Eles gostam. Mais do que isso, se sentem atraídos por elas. Homens querem saber sobre os problemas e fragilidades da mulher para que eles possam resolver tudo. Para serem o “herói” da história. Sua energia tem tudo a ver com ser o “herói”.

E, no fim das contas, o que é a mulher nesta história? “É a princesa encantada que será salva pelo herói, como nos Contos de Fadas. Essa é uma boa definição de como funcionam os relacionamentos. Se não há uma princesa em perigo, se não há uma mulher contando ao homem seus sentimentos e fragilidades, o modo herói dele não é ativado – e isso reduz a atração dele por ela. E dela por ele, afinal a princesa deseja ser salva pelo herói – e quando não é, ela mesma o critica”, explica a terapeuta.

“Será que a mulher deixa o homem à vontade para ele colocar em prática o seu instinto natural (de cuidar, proteger, salvar) ou muitas mulheres resolvem tudo sozinhas, com seu excesso de iniciativa? Com excesso de energia masculina!”, questiona Catia. É super positivo e necessário a mulher ter esse comportamento no mercado de trabalho, por exemplo. Mas, em casa, para um relacionamento amoroso prosperar, é importante existir mais equilíbrio. A mulher precisa “ser” mais e “fazer” menos.

Para ilustrar essa explicação, Catia lembra mais uma vez da “princesa” sentada dentro de um barco sendo levada por um “herói” que rema o tempo todo na direção que ele achar melhor. Ela não está fazendo nada. Está apenas sendo ela mesma. E deixando que ele tome suas próprias decisões. Relacionamentos amorosos saudáveis precisam de exemplos assim. Menos é mais em relacionamentos, em diversos aspectos.

Um erro clássico da mulher é correr atrás demais dos seus namorados, sobretudo no início. “Como sair dessa, com naturalidade, e como saber esperar e ser feliz consigo mesma enquanto dá a chance do homem (o herói) tomar a atitude no seu tempo, sem cobranças, sem demonstrações exageradas de afeto por ele, sem a mulher parecer carente ou desesperada?”, esse é o desafio de muitas mulheres na opinião de Catia.


COMO NASCEU O “PAPO DE SEREIA”

Tempos depois de todos esses estudos sobre relacionamentos, em 2018, Catia promoveu um retiro espiritual para um grupo de clientes femininas no Havaí. O tema do encontro não eram os relacionamentos. Nos momentos de folga, porém, quando Catia acompanhava suas alunas na praia, ela ouvia repetidamente reclamações sobre namorados e maridos. Muitas das suas alunas, fossem namoradas ou esposas, tinham problemas com seus relacionamentos. E, assim, de maneira informal, à beira do mar, Catia começou a compartilhar tudo que aprendeu sobre relacionamentos, especialmente a questão do equilíbrio entre energia feminina e masculina nas mulheres. Era literalmente um “papo de sereia”.

E a terapeuta mostrou para elas que a mulher tem mais poder nos relacionamentos, simplesmente porque sua energia é mais poderosa. A mulher, se quiser, pode ser a responsável pela qualidade do relacionamento, e não há nada de machista nesta afirmação. Falamos de energias, sentimentos e atitudes simples no dia a dia.

O homem, como um espermatozóide, fica feliz quando conquista, quando vence, quando “invade”. Essa é a sua energia natural. Já a energia da mulher é ficar feliz quando ela está bem com ela mesma, com seu corpo, com suas decisões. É uma energia que reforça o “eu me amo”, “eu compreendo minhas emoções”, “não corro atrás de homem”, “deixo meu companheiro colocar as emoções dele para fora”. Isso tudo é muito mais poderoso do que a energia masculina.

Nessas conversas, Cátia dava, entre outras dicas, um exemplo prático e divertido para qualquer mulher testar com um homem. Numa conversa com seu parceiro, em vez de falar “eu acho”, diga a mesma coisa de um jeito diferente. Diga “eu sinto”, e em seguida diga o que acha a partir dos seus sentimentos. Essa é uma forma poderosa de conectar a energia feminina à masculina. Até pessoas próximas de Catia, que estavam nesse evento, tiveram seus relacionamentos transformados com esses ensinamentos.


RETIRO ONLINE EXCLUSIVO

 Catia Simionato vai realizar, pela primeira vez, um treinamento exclusivo sobre o tema – o “Papo de Sereia”. Será um retiro online, durante três dias, para falar apenas sobre relacionamentos amorosos. A programação inclui cinco aulas nos dias 25, 26 e 27 de junho, pela Internet. As inscrições estão abertas. Para mais informações, o público pode acessar www.serfelicidade.com.br/contato.

 

Dia do Cérebro: Conheça alguns livros para exercitar e desenvolver sua mente

Gerd Altmann/Pixabay
Acervo do Bookplay, streaming de educação, inclui livros, audiolivros e revistas que têm o cérebro como foco


A estrutura cerebral dos humanos modernos surgiu há cerca de 1,7 milhão de anos, diz estudo publicado neste ano liderado por especialistas da Universidade de Zurique (UZH), na Suíça. Mesmo com os avanços nos estudos, ainda há muito o que se aprender sobre como funciona este órgão, que tem uma data própria de celebração: o Dia Mundial do Cérebro (22 de junho). Apesar disso, alguns mistérios já foram decifrados, como, por exemplo, que podemos exercitá-lo e como isso pode afetar o nosso dia a dia.

A maneira como vemos o mundo e o modo como interagimos com ele altera a maneira como o mundo reage a nós. "Este é um fato incontestável que é esquecido com excessiva facilidade. O nosso jeito de ser, a nossa opinião sobre as coisas, a nossa atitude diante da vida, o que eu chamo de mentalidade afetiva, influencia o nosso mundo, afetando nossa saúde, nossa riqueza e o nosso bem-estar", afirma Elaine Fox, no livro Cérbero Cinzento, Cérebro Ensolarado.

Para nos ajudar a desenvolver e decifrar este órgão, o Bookplay, streaming de educação, aproveitou a data para listar algumas obras disponíveis em seu acervo que ensinam como exercitar e treinar a mente.

"O cérebro foi o maior presente que recebemos da evolução das espécies, e já está na hora de aprendermos a valorizá-lo e fazer da nossa mente uma máquina sofisticada e consciente", afirma Luiz Fernando Garcia, autor de O Cérebro de Alta Performance.


Livros

- Os segredos para ter memória forte e cérebro sempre jovem, de Renato Alves

- O cérebro com foco e disciplina, de Renato Alves

- O cérebro de alta performance, de Luiz Fernando Garcia

- Faça seu cérebro trabalhar para você, de Renato Alves


Audiolivros

- Cérebro Cinzento, Cérebro Ensolarado, de Elaine Fox

- Treine seu Cérebro para ser Feliz, de Da. Teresa Aubele, Dr. Stan Wenck e Susan Reynolds

- Mente Limpa, de Rossano Sobrinho

- Mentes Geniais, de Alberto Dell Isola


Revistas

- Mente Curiosa

- Segredos da Mente


Bookplay

Psicóloga lista características que ajudam a diagnosticar o Transtorno de Borderline

O Transtorno de Personalidade Borderline virou tema de novas discussões após a participação da modelo Raissa Barbosa no reality ‘A Fazenda’, da Record. Diagnosticada com o transtorno antes mesmo de se confinar na atração, Raissa acabou recebendo recentemente outro diagnóstico, o de depressão, que veio após ela sofrer com uma forte crise de ansiedade em casa sozinha. A modelo chegou a ser socorrida na emergência, após machucar a própria mão durante a crise que a acometeu.  

A psicóloga Maria Rafart fala sobre como é a personalidade Borderline. “No Transtorno de Personalidade Borderline, quem sofre também causa muito sofrimento. Todos nós temos nossa personalidade, e para a Psicologia, possuir uma personalidade íntegra quer dizer que interagimos de forma saudável com quem nós somos e com o mundo ao redor. É um misto de compreender a si mesmo como um ser único, com fronteiras claras entre si e o outro, saber o próprio valor, direcionar-se com seus objetivos de curto prazo com coerência, junto com a compreensão de quem é o outro, apreciar as experiências alheias e ter vínculos saudáveis com terceiros”.  

A profissional ainda cita como diagnosticar este tipo de transtorno. “Os critérios para este diagnóstico devem ser muito bem observados por profissionais da Psicologia e Psiquiatria, para que não haja confusão com os transtornos que o uso de substância causam, ou confusão com a fragilidade típica do período da adolescência, por exemplo. O Transtorno de Personalidade Borderline tem as seguintes características: você encontra uma pessoa que tem uma autoimagem muito instável (ou seja, ela oscila muito entre ‘se achar’ ou se sentir a pior das pessoas); pode ser instável também em seus objetivos, o que a transforma naquela pessoa ‘que não sabe o que quer’, ou ‘que muda de plano como quem muda de roupa’”. 

Sobre relacionamentos de quem sofre com o transtorno, Maria Rafart explica. “O Borderline pode se relacionar também de forma instável, ora amando, ora odiando, ora sentindo-se desvalorizado, ora carente e implorando por atenção. A cereja do bolo do transtorno de personalidade borderline é a sua impulsividade: a pessoa pode se expor a riscos dos mais variados, ser hostil demais, e ser muito explosiva. É como se a pessoa não fosse muito ‘adaptada’ ao mundo. Daí o termo ‘border’, que quer dizer limite, fronteira. O borderline oscila entre o mundo real e um mundo imaginário muito persecutório. Pode sentir uma sensação de grande vazio interior. Pode ainda ter explosões de estresse, caso se sinta provocada ou injustiçada. Pode mudar de opinião e direcionamento profissional com muita frequência, o que causa mais frustração ainda, em fases cíclicas”.  

A carência costuma gerar muito estresse em pessoas com borderline. “O borderline não entende muito o outro, pois na maior parte das vezes está preocupado com as injustiças que ele acha que o outro comete. É uma pessoa que implora por carinho, às vezes de um jeito brusco. Quando não consegue o que quer, entra em grande conflito. A carência do borderline faz com que ele tenha medo de ser abandonado, e esteja sempre prevendo o pior nos seus relacionamentos. Causa tanto estresse com isso, que os relacionamentos realmente acabam, pela sua própria insegurança de separação”. 

“Os sentimentos de raiva são mal processados pelo borderline, e ele pode ser muito hostil e facilmente irritável. Há prováveis causas genéticas que podem ser acentuadas pelo comportamento, e por isso, a indicação e de acompanhamento psiquiátrico para medicação adequada a alguns sintomas, como ansiedade, e terapia, onde o paciente pode trabalhar melhor a sua tolerância à frustração e a sua noção de realidade”, finaliza a psicóloga.

 

A importância da Avaliação Psicossocial na manutenção de um ambiente laboral saudável

Como o mapeamento do perfil psicossocial pode impactar nas ações preventivas das empresas e na saúde do trabalhador


As incertezas a respeito do fim da pandemia, a pressão de se equilibrar numa economia em recuperação, os desafios do trabalho remoto forçado, além das oportunidades reduzidas de descanso e férias, foram fatores que resultaram em níveis significativos de estresse nos profissionais brasileiros, fazendo com que aspectos como saúde mental e bem-estar estejam no topo das prioridades das empresas em 2021, de acordo com 28% dos recrutadores entrevistados pela Robert Half, na 15ª edição do ICRH (índice de Confiança Robert Half), estudo que revela as perspectivas de contratação e expectativas atuais do mercado de trabalho e para os próximos 6 meses). A saúde mental é a maior preocupação de 2021 quando o assunto é gestão de pessoas.

Ainda de acordo com o ICRH, 52% dos profissionais consideram que a sensação de equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho piorou ou se manteve igual desde o início da pandemia. Os principais motivos apontados pelos colaboradores são a piora da saúde mental (32%), a falta de contato próximo com a equipe e gestores (16%) e espaço físico inadequado para o trabalho (10%).

No mundo, um trabalhador morre por acidente de trabalho ou doença laboral a cada 15 segundos. De 2012 a 2020, 21.467 desses profissionais eram brasileiros — o que representa uma taxa de 6 óbitos a cada 100 mil empregos formais nesse período, aponta o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, elaborado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Estima-se que doenças e acidentes do trabalho produzam a perda de 4% do PIB global a cada ano. No caso do Brasil, esse percentual corresponde a aproximadamente R$ 300 bilhões, considerando o PIB de 2020.

Nesse cenário, a Avaliação Psicossocial - instrumento de fundamental importância para as estratégias de prevenção dos acidentes no trabalho e para promover a saúde preventiva dos trabalhadores -, é ainda mais importante. É por meio dela que são contemplados os aspectos comportamentais, psicopatológicos, cognitivos e de personalidade, usando de ferramentas que avaliam o colaborador para mapear seu perfil psicossocial. É uma ferramenta determinante para indicar se um indivíduo pode desenvolver atividades em espaços confinados ou em altura, por exemplo.

         Para Ricardo Pacheco, médico, gestor em saúde, presidente da ABRESST (Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho) e diretor da OnCare Saúde, a Avaliação Psicossocial, assim como outros exames e atendimentos multidisciplinares, são imperativos para identificar fatores pessoais que possam contribuir para a ocorrência de atos inseguros e acidentes no ambiente de trabalho, principalmente em funções de maior risco, como trabalho em altura ou confinamento, e deve fazer parte da estratégia preventiva nas empresas. “Estamos falando de cuidar de pessoas, dentro e fora do ambiente de trabalho; ação que passa pela Avaliação Psicossocial de indivíduos que passam por momentos bons e ruins na vida, principalmente em tempos de pandemia. Uma atividade de alto risco não pode ser desempenhada por um trabalhador que está com o psicológico instável, e só uma análise profissional pode determinar isso”, destaca.

         Ele lembra ainda que as atividades grau de risco 1 e 2 (baixo e muito baixo) também sofrem impacto com a pandemia de Covid-19 e precisam de atenção quanto à análise psicossocial. “Principalmente relacionado ao absenteísmo, com trabalhadores tomados pelo medo de contaminação e com a insegurança de que o local de trabalho realmente segue os protocolos sanitários”, destaca Ricardo Pacheco.

         O médico ainda afirma que os dados de suicídios podem aumentar por conta da pandemia. “Os últimos dados oficiais no Brasil, divulgados em 2020, são de 2018. Ainda vai demorar um tempo para sabermos os números do ano passado, quando começou a pandemia, mas, muito possivelmente as taxas de suicídio vão aumentar”, lamenta o presidente da ABRESST.


Normas Regulamentadoras que indicam a avaliação psicossocial

Está em andamento a criação de uma nova norma específica para Avaliação Psicossocial. Contudo, contamos com NRs que abordam o assunto e que exigem que as empresas que possuam ambientes adversos de trabalho submetam seus funcionários à essa análise para a emissão do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO).

Para o presidente da ABRESST e diretor da OnCare Saúde essa análise determina o perfil do profissional. Isso porque os riscos inerentes ao trabalho em alguns ambientes podem colocar os funcionários em condições extremas, comprometendo as respostas cognitivas, comportamentais e emocionais. Assim, a Avaliação Psicossocial tem como objetivo analisar aspectos que compõem o perfil do indivíduo e buscar informações desse trabalhador em diversos contextos, identificando os riscos que podem surgir”, enfatiza o médico Ricardo Pacheco.


Conheça algumas das NRs que exigem a Avaliação Psicossocial:

·         NR-35 – Trabalho em altura

Os funcionários que atuam em atividades em altura superior a dois metros devem passar pela avaliação, segundo a norma. Isso vale para trabalhos em plataformas, escadas ou andaimes e objetiva prevenir riscos de queda.

·         NR-33 – Trabalho em áreas confinadas

O espaço confinado é qualquer área com meios limitados de entrada e saída, com ventilação insuficiente para remover contaminantes ou onde haja deficiência ou enriquecimento de oxigênio. Por não ser projetada para ocupação humana contínua é sempre importante a realização da avaliação psicossocial e exame médico voltado às patologias que poderão originar mal súbito e queda.

·         NR-20 – Trabalho com inflamáveis e combustíveis

A NR-20 estabelece os fatores de risco de acidentes em atividades de extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis. Trabalhar em áreas com inflamáveis e combustíveis, com risco de vazamentos e explosões é um fator significativo de estresse que precisa de Avaliação Psicossocial detalhada.

 

·         NR-18 (segundo a nova redação publicada em 2020) - Condições de Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção

Consta na nova redação da norma, no título 18.4 Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) que: “18.4.1 São obrigatórias a elaboração e a implementação do PGR nos canteiros de obras, contemplando os riscos ocupacionais e suas respectivas medidas de prevenção”, portanto, a Avaliação Psicossocial certamente deverá ser um instrumento importante, como medida preventiva.


Como se dá a Avaliação Psicossocial

Ricardo Pacheco completa afirmando que a Avaliação Psicossocial deve ser realizada por um profissional habilitado como psicólogo ou psiquiatra. “Já a indicação do exame deve partir do médico coordenador do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da empresa. A periodicidade deve ser indicada pelo profissional responsável, pois mesmo que o funcionário seja contratado em boas condições de saúde (física e mental), poderá sofrer com fatores estressores ao longo do tempo, o que pode comprometer suas atividades e saúde”, adverte o médico e diretor da OnCare Saúde.

Essa análise é realizada por um profissional bem treinado que tem uma compreensão dos padrões regulatórios e conhecimento de psicologia do trabalho e avaliação psicológica. As avaliações são inseridas em circunstâncias específicas e variam de acordo com as atividades específicas da empresa e as funções desempenhadas pelos funcionários. A avaliação é composta por testes psicológicos e questionários de avaliação psicossocial e que têm o objetivo de investigar a personalidade, fatores individuais e organizacionais que podem afetar à saúde do colaborador.

 

OnCare Saúde


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