Pesquisar no Blog

quarta-feira, 14 de março de 2018

Professores da FGV alertam que pais devem acompanhar e educar o acesso de crianças à internet



Setenta por cento das crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos afirmam ter encontrado pornografia acidentalmente na internet enquanto navegavam por outros motivos. O dado é da pesquisa produzida pela organização inglesa GuardChild. Para evitar que casos como esses aconteçam na sua família e com amigos, o coordenador do MBA em Marketing Digital André Miceli e a professora Regina Lima, pesquisadora do tema, ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV) dão dicas de como controlar e proteger os seus filhos.

"É necessário ter limites claros na quantidade de tempo conectado. Além disso, toda família deve implementar a Política de Porta Aberta, em que os pais devem sempre interagir com seus filhos durante o tempo no computador. Verifique os games que eles estão jogando ou o que eles estão procurando. Deixe-os saber que você está interessado e prestando atenção. Quando possível, especialmente com crianças mais novas, sente-se com elas, assista e interaja", diz André Miceli.

A pesquisadora da FGV Regina Lima afirma ainda ser muito importante, para quem cuida de uma criança, que esteja atento, além da interação nas redes sociais, ao vício no uso. Segundo ela, as crianças com pouca idade que receberam tablets ou outros dispositivos estão desenvolvendo uma relação nada saudável com a tecnologia. "Em muitos casos, elas ficam menos interessadas em atividades como esportes e leitura, além estarem mais propensas a insônia e irritabilidade. A pesquisa de imagens cerebrais mostra que esses dispositivos afetam o córtex frontal do cérebro da mesma forma que uma droga. Na verdade, o uso de tecnologia é tão excitante que eleva os níveis de dopamina tanto quanto o sexo", alerta a especialista.

Miceli explica que temos que educar as próximas gerações sobre como usar a internet. Para o professor da FGV, temos que garantir que cada criança possa encontrar uma maneira própria e saudável de se relacionar com a tecnologia. "A educação é a ferramenta mais importante nesse processo. O interessante é que, se por um lado a tecnologia pode atrapalhar as crianças, por outro, pode ser uma aliada dos pais", diz o especialista.
Aplicativos - André Miceli e Regina Lima ressaltam que recursos podem ajudar no bloqueio de aplicações e sites indevidos. Eles afirmam que o botão de pânico, caso a criança ou adolescente estejam em perigo, pode ser usado, além da localização e histórico dos lugares visitados. Ainda de acordo com os professores da FGV, é possível ainda definir limites de tempo de uso, rastrear textos e contatos.


Os especialistas, entretanto, alertam que os próprios recursos de controle devem ser usados com parcimônia. "Combater o vício, a pedofilia e fazer da tecnologia uma aliada na educação deve ser um objetivo de todos os pais. Mesmo com todos os recursos disponíveis é fundamental que a família entenda que o diálogo e o amor continuam sendo os recursos mais eficientes nesse processo", complementa Regina Lima. 


Universidade pública e fundos de investimento



A universidade pública não é gratuita, mas mantida pelos recursos dos cidadãos. E por que a Constituição brasileira escolheu determinar esse tipo de destinação para parte dos nossos recursos amealhados pelo Estado? Porque a universidade pública é uma espécie de Fundo de Investimentos no Futuro da Nação. Funciona assim: o Estado usa parte dos recursos de todos e constrói prédios, equipa-os com o que há de melhor, contrata os melhores profissionais, remunera-os dignamente, oferece um plano de carreira consistente, cobra resultados na forma de ensino, pesquisa e extensão e oferece para a sociedade.

Bom, não dá para oferecer isso a todos na sociedade. Por isso, faz-se uma prova de seleção, na qual se verifica quais membros da comunidade reúnem as condições necessárias para usufruir desse investimento, desenvolvendo habilidades e conhecimentos capazes de serem reinvestidos na sociedade na forma de mão de obra qualificada, novas ideias e projetos, enfim, ensino, pesquisa e extensão. Um círculo virtuoso. Uma ideia incrível, fruto da união das ideias democráticas mais festejadas e admiradas no planeta. Coisa de gente moderna e civilizada!

Ou seja, o binômio “público e gratuito” não traduz duas, mas uma ideia, republicana e democrática. Se, muitas vezes, jovens cujos pais têm condições financeiras, digamos, abundantes ingressam em seu ambiente de cultura, investigação e conhecimento, o Estado Democrático de Direito supõe que outros mecanismos de arrecadação de tributos já buscaram, nos recursos desses pais, os valores adequados para não apenas sustentar a permanência gratuita do filho, como financiar outros estudantes, filhos de famílias sem a mesma pujança econômica. Mas, se esses pais com muitos recursos não pagam os impostos devidos ou o sistema tributário injusto tira mais dos pobres que dos ricos, não me parece que seja criando mensalidades que isso vai se resolver.

Só para dar um exemplo: por que não criar um imposto sobre grandes fortunas, igrejas e templos ou cobrar uma taxa sobre os Refis e destinar para a universidade pública? Há tantas formas de financiar, há tantas formas de manter essa que é uma das expressões mais claras de que queremos e podemos construir uma sociedade na qual filhos de ricos, pobres, brancos, negros e indígenas possam estudar em condições iguais em oportunidades e, juntos, aprender que o futuro pode ser assim também para mais e mais pessoas em todo o país.

Como já disse, a Constituição imaginou a educação como pública e gratuita para os que nela frequentam e estudam, e não para o resto da sociedade. Porque, assim como fazemos quando aplicamos nosso dinheiro em um fundo de investimentos, não reclamamos que o banco cobre uma taxa de administração para gerir bem nossos recursos e, assim, garantir para nós um futuro mais tranquilo e feliz. Então, mal comparando, é algo assim que acontece com a universidade. A gratuidade para aqueles que poderiam pagar mensalidades (e lembre-se: eles pagam, exceto se os seus pais não estiverem recolhendo os tributos devidos!) é uma espécie de taxa de administração que a nação cobra para manter este espaço de liberdade, igualdade e fraternidade. Não parece coisa de país moderno e civilizado? Pois é.





Daniel Medeiros - doutor em Educação pela UFPR e professor no Curso Positivo.


Posts mais acessados