O
Transtorno do Processamento Auditivo (TPA), que afeta a capacidade de
interpretação dos sons, deve ser tratado a partir dos seis anos de idade
Você com certeza já ouviu
falar em perda de audição. Mas sabe o que é transtorno do processamento
auditivo? Ele ainda não é muito conhecido, mas pode causar inúmeros prejuízos,
especialmente para as crianças, já que a maioria dos pais – e até muitos
médicos – desconhece o assunto.
Alguns sintomas, como falta de
concentração; desinteresse; hiperatividade e isolamento social – comportamentos
verificados em muitas crianças – podem levar a diagnósticos como Dislexia ou
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No entanto, esses
mesmos sintomas podem ser também consequência do Transtorno do Processamento
Auditivo, ou TPA, um problema auditivo reconhecido pela medicina há apenas 15
anos e por isso ainda pouco diagnosticado pelos médicos. E o que é pior: o mal
pode estar afetando milhares de brasileirinhos que desconhecem que têm o
problema.
O transtorno afeta a
capacidade de compreensão dos sons e pode prejudicar o desenvolvimento
intelectual desde a infância. A criança ouve normalmente, mas não consegue
interpretar o que ouve. É como se as palavras e demais sons fossem apenas
ruídos.
“A criança ou adolescente com
TPA não consegue discriminar os sons quanto à sua localização e amplitude e não
reconhece ou não compreende o significado de cada som presente no ambiente. Com
isso, o mundo se transforma em uma incômoda confusão de barulhos desconexos e
embaralhados”, explica Marcella Vidal, Fonoaudióloga da Telex Soluções
Auditivas.
De acordo com neurologistas,
todo o esforço feito por quem tem o transtorno para entender o que acontece ao
redor é demasiado para o cérebro. Chega uma hora que o cérebro não resiste e
“desliga”. Por isso, as pessoas com TPA são sempre muito distraídas e perdem o
foco de atenção muito rápido sobre o que está acontecendo à sua volta.
“Em condições normais,
localizar o som é entender a sua origem, direção e distância; é perceber o que
é o badalar do sino da igreja, a buzina de um carro. Logo, ter uma
boa audição e ouvir bem nem sempre é o suficiente para compreender os sons e
como esses sons são processados no cérebro”, explica a fonoaudióloga da Telex,
que é especialista em Audiologia Infantil.
Quem sofre com o TPA também
tem a fala e a leitura prejudicadas, uma vez que o processo de linguagem se
desenvolve ao mesmo tempo que o da audição. Com isso, a criança pode não
aprender a falar nem a ler bem, já que é necessário associar as palavras ao som
que elas têm.
O diagnóstico é dado
geralmente na fase de alfabetização da criança, uma vez que o aluno começa a
apresentar perda de memória de curto prazo; pouca concentração e incapacidade
de leitura e escrita, na escola. O que acontece é que essas crianças ouvem
claramente a voz do professor mas têm dificuldade para entender o enunciado de
problemas e interpretar textos, atropelando as palavras durante a leitura, com
grandes prejuízos na fase de alfabetização. Muitos ainda são diagnosticados de
forma incorreta. A boa notícia é que o problema pode ser contornado.
“É de extrema importância que
o diagnóstico seja efetuado o quanto antes para que os problemas no aprendizado
sejam superados mais facilmente. O cérebro humano tem, principalmente durante a
infância, uma grande flexibilidade. Com o tratamento fonoaudiológico e o apoio
de uma equipe pedagógica, desde cedo, a criança tem grandes chances de obter um
ótimo desempenho escolar, pois seu cérebro será treinado para desenvolver rotas
alternativas para driblar o transtorno”, orienta Marcella.
O diagnóstico do Transtorno do
Processamento Auditivo é consolidado por um fonoaudiólogo por meio de testes
especiais que descartam outros problemas. “Na maior parte dos casos, o
sistema auditivo periférico (tímpano, ossículos, cóclea e nervo auditivo) está
totalmente preservado. Por isso são realizados procedimentos um pouco mais
elaborados do que as análises audiométricas comuns. É preciso avaliar o
desenvolvimento linguístico e o comportamento auditivo, por exemplo. A idade
mínima adequada para efetuar tal estudo é a partir dos seis anos de idade.
Os exames apontarão em quais
habilidades auditivas a criança tem maior dificuldade e isso servirá de
orientação para a escolha do plano de tratamento, do treinamento auditivo
que o fonoaudiólogo conduzirá com a criança, em um trabalho terapêutico de
médio a longo prazo” explica a especialista.
A tecnologia também vem
ajudando a criança com Transtorno do Processamento Auditivo. O Sistema de
Frequência Modulada (FM), conhecido como FM Amigo, da Telex Soluções Auditivas,
permite a comunicação direta de pais e professores com crianças e jovens que
apresentam dificuldades auditivas, mesmo aqueles sem perda auditiva periférica,
que é o caso do TPA. Para esses casos, o Kit FM disponível nas lojas da Telex é
composto pelo transmissor Amigo T31 e o receptor FM Amigo Star. O sistema
funciona fazendo com que a voz de quem está com o transmissor (microfone) seja
amplificada e transmitida diretamente para receptor Amigo Star que está na
orelha da criança, sem reverberação ou ruído de fundo, mantendo o sinal da
fala original, alto e claro. Isso faz com que a criança volte sua atenção mais
facilmente para o que está sendo explicado em sala de aula, sem esforço de
escuta.
Não se sabe ao certo como o
TPA surge, mas acredita-se que a falta de estímulos sonoros durante a infância
seja uma das causas. As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os
sons se desenvolvem até os 13 anos. Até essa idade, as notas musicais, as
palavras e os barulhos do dia a dia vão lentamente ensinando o cérebro a lidar
com a audição. Alguns pesquisadores destacam que crianças com lesões ou
inflamações frequentes no ouvido médio podem desenvolver o TPA. Doenças
neurodegenerativas, rubéola, sífilis e toxoplasmose ou mesmo alcoolismo,
dependência química materna e até mesmo anóxia no parto também podem causar o
transtorno. Porém, nada ainda foi comprovado cientificamente.
Dicas para pais e professores
de crianças com TPA:
- É preciso manter
silêncio na hora do estudo, na escola e em casa; ambientes barulhentos
prejudicam ainda mais a concentração das crianças com TPA;
- Na escola a criança deve sentar-se
o mais perto possível do professor e ficar afastada de portas e janelas, para
ficar protegida de ruídos;
- Deve-se procurar falar de
forma clara e pausada, de frente para a criança e, sempre que possível,
fornecer as instruções e atividades bem perto dela;
- A criança deve ser
incentivada pelos pais e professores no esforço de aprendizagem, para obter
melhor desempenho nos estudos e aumentar sua autoestima;
- Tecnologias como o uso do FM
Amigo é uma das soluções que irá dar suporte para a criança em sala de aula.
