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quarta-feira, 14 de março de 2018

Cinco perguntas sobre competências pessoais mais utilizadas em entrevistas no Brasil



 Michael Page mostra como os recrutadores avaliam candidatos a partir das habilidades citadas no currículo ou em redes sociais

As empresas estão mais atentas na hora de avaliar um candidato por suas competências pessoais, sejam elas descritas no currículo ou em perfis profissionais, como o Linkedln. Por trás disto há o objetivo de prever o potencial desempenho do candidato em tarefas práticas dentro da organização.

“Em resumo, através de uma série de perguntas comportamentais, os recrutadores conduzem o candidato a exemplificar como, quando e porquê ele usou suas habilidades e pontos fortes em resoluções dentro do trabalho, em tarefas que deram resultados efetivos para a empresa e o fizeram crescer profissionalmente”, afirma João Paulo Klüppel, gerente executivo da Michael Page, consultoria global de recrutamento de média e alta gerência.

A partir de sua base de dados, a Michael Page organizou uma lista com modelos de perguntas mais utilizadas pelo mercado em 2017. As questões foram baseadas em competências pessoais dos candidatos e divididas em cinco categorias: competências individuas, administrativas, analíticas, interpessoais e motivacionais.  

Confira abaixo a análise de João Paulo Klüppel, consultor da Michael Page.


1 – Descreva uma situação importante onde você usou uma ideia particular para resolver um problema da companhia
“Essa questão é direcionada às competências individuais. É neste momento que o recrutador/ou profissional que estiver em contato com o candidato vai querer entender como se desenvolveram valores como determinação, persistência, conhecimento, independência, decisão de riscos e integridade pessoal, ou seja, competências que florescem no indivíduo. Portanto, são de dentro para fora”, diz o headhunter da Michael Page.  


2 – Conte sobre um momento em que você levou uma equipe a alcançar seu objetivo.
 “Quando o candidato ouve essa pergunta, é sinal de que o recrutador deseja compreender a sua real capacidade de tomar conta de outras pessoas, assumir a liderança, priorizar o pensamento estratégico, tocar planos de ação e melhorar o controle administrativo. É uma pergunta típica sobre competências administrativas. Um dos setores que abriga exemplos abundantes dessa questão é a área de Marketing, até pela característica de formação em Humanas das pessoas, que são fortes em Comunicação, mas em geral precisam de maior auxílio de funções de muito detalhamento técnico, checagem orçamentária e controle de processos”, define o gerente executivo da Michael Page.

3 – Dê exemplos de como você identificou um problema na rotina de trabalho, olhando com mais proximidade para a situação/projeto.  

“A capacidade de enxergar erros, e princípios de soluções, escondidos em números ou detalhes do dia a dia, está associada à competência analítica. Ao ouvir a pergunta citada acima, o candidato deve comentar com clareza as suas habilidades de tomada de decisão, quando ele apresentou algum grau de inovação, aprendizado prático e atenção aos detalhes. O setor de Varejo é bom exemplo de segmento onde a competência analítica pode evitar erros gravíssimos em indicadores de desempenho”, comenta Klüppel.

4 – Descreva uma situação em que você uniu pessoas para trabalharem juntas. “Bem, essa é uma questão intuitiva, mas que nem sempre é tão bem respondida pelos candidatos. Aqui, o recrutador deseja saber as virtudes colaborativas, de persuasão, ou seja, as competências interpessoais do candidato. Empresas de todos os portes, dos mais variados setores, estão estruturadas à base de equipes que atuam em vários projetos ao mesmo tempo e um bom exemplo é o das startups e de algumas gigantes da Tecnologia. Para a gestão dessas companhias, quanto mais colaborativas elas são, mais probabilidade essas marcas terão de crescer.


5 – Comente um caso onde você trabalhou o máximo que pôde e teve a sensação de não estar sendo reconhecido, mas ainda assim, continuou a tarefa até a entrega final. “Apesar de ser uma pergunta aberta, é neste momento que o candidato deve apresentar suas competências motivacionais. Afinal, quando algo não está bem dentro do trabalho, o que realmente é capaz de manter uma pessoa em pé e forte até o final do seu objetivo? Sem dúvida, é o poder de motivação. Nesses casos, o recrutador quer compreender os níveis de resiliência, orientação de resultados, foco e iniciativa do candidato, e tudo isso está atrelado à motivação”, finaliza o gerente executivo da Michael Page.

Tutorial Michael Page: conheça as técnicas utilizadas para responder perguntas baseadas em competências

Não existem respostas prontas no mundo corporativo, porém é possível traçar um norte que ajuda bastante na ora de organizar o pensamento e descrever com clareza as próprias habilidades. “Em qualquer momento da carreira, quando um candidato ou profissional já consolidado tiver que responder objetivamente a qualquer questão sobre as suas competências, a técnica do STAR é um bom caminho, pois nada mais é do que um anagrama que nos ajuda a lembrar de quatro pensamentos-chave, bastante úteis para expor as qualidades”, ensina o especialista da Michael Page
.

Confira a estrutura de anagrama do STAR: 

• Situação – lembrar onde e quando você precisou usar seus conhecimentos 

• Tarefa – descrever a atividade que lhe exigiu resolução de problemas

• Ação – explicar o passo a passo e a motivação durante o trabalho

• Resultado – detalhar as consequências positivas do que foi realizado 

“Ter uma técnica para responder a perguntas de uma entrevista pode ajudar bastante, porém, o mais importante é que o candidato tenha um entendimento profundo de todos os pontos que podem ser levantados sobre sua experiência de trabalho, e mais do que isso, sobre as coisas que o inspiram a melhorar a cada dia”, conclui João Paulo Klüppel, da Michael Page. 





Dia do Consumidor: dia de repensar como construir relações concretas de verdade



No dia 15 de março é comemorado o Dia Mundial do Consumidor. Uma data ainda pouco lembrada no varejo e na indústria. Apesar de ter sua importância, e trazer às lojas algumas poucas e simples ações, é uma data longe de ser um Black Friday, e talvez seu objetivo tenha outro potencial - muito maior do que o do aumento de promoções e vendas em um único dia.

Para ser bem sincero, nunca vi nenhuma ação muito bem elaborada para essa data. A maioria são descontos simples, coisas de pouco impacto, feitas diretamente pelas lojas, e muitas vezes, focadas em dar felicitações. Para mim, não é sobre isso que essa data se trata. Cerca de 90% das vendas ainda são realizadas em pontos de venda físicos, e isso se deve à experiência, à relação com o consumidor.

Não estou condenando descontos ou felicitações, porém acredito que deveríamos aproveitar o Dia do Consumidor para realmente repensar até que ponto ele é realmente o nosso foco, como marca. É um momento de pensar quem é aquele indivíduo para a sua empresa, e de que maneira ele deve pode ser conhecido e ser reconhecido. 

Tudo começa com algumas questões simples: até que ponto entendo e me relaciono com o consumidor? Meu PDV oferece uma boa experiência de compra? Tenho uma relação com o emocional do meu público? É preciso colocar o cliente no centro da questão, no alvo, e explorar o que se aprende com ele. Em minha carreira, eu me deparei com diversas ferramentas interessantes para realizar esses processos. Um das que mais me agradou é aquela que geralmente utilizamos para desenhar ou conceber projetos, a metodologia Mind Map, sendo construída com o cliente no centro.

Com o consumidor no centro, você traz conexões para o mapa, que representa diversos aspectos, características e tarefas que estão ligados a atingir o objetivo. A maioria das empresas falam de público alvo, comportamento e cultura, mas a maioria tem um conhecimento muito superficial dos seus clientes. O Mind Map ajuda a alinhar uma coleção gigantesca de dados sobre o cliente, que, se devidamente usados, criam uma persona profunda e complexa do consumidor. E é justamente esse aprofundamento que vai gerar o conhecimento necessário para ajudar a marca a atender as aspirações de seus clientes. 

Sabendo de todos esses aspectos emocionais e racionais se ganha uma série de possibilidades de ações para com o cliente. É possível cruzar interesses do consumidor. Um cliente que gosta de jogos digitais, e é alvo de um pub, ou bar, por exemplo, pode encontrar uma ação ligada a seu hobby dentro de um estabelecimento, e se fidelizar a ele. Basta saber se a parcela de gamers que também frequentam bares é grande, e compensa um investimento na ação. 

O consumidor frequenta pela experiência, pela diversão, mas consome. É preciso ir além do seu produto, tocar aspectos da vida. A maioria das empresas se adequa muito pouco, ou nada, a seu público alvo. A maior parte das vezes, se fala algo da boca para fora. Sempre se olha muito para dentro da empresa, não para fora. O cliente só muda de marca porque não desenvolve um amor por ela, e a culpa disso é dessa fraca relação. Coletar dados é trabalhoso, compreender o cliente mais ainda, mas compensa.

O Big Data está aí para ajudar nesse processo. Ferramentas tecnológicas sempre ganham destaque e podem ser realmente úteis para consumidor e loja. Certa vez fiz um trabalho para uma marca famosa de vestuário. Eles aproveitaram a tecnologia para monitorar o consumidor da entrada à saída.

Assim, sempre que ele pegava uma peça de roupa, e se dirigia ao provador, uma tela recebia a informação da peça retirada da gôndola e sugeria peças que combinavam com o mesmo estilo, ainda na cabine. Isso facilita a entrega do produto. Outra loja no segmento esportivo descobriu que tinha grande visitação para o uso de suas redes, bolas, quadras, etc. O cliente ia à loja para “brincar”. Isso ajudava a construir uma relação de afeto com a marca.

Quanto mais se conhece o consumidor melhor. Na indústria isso fica mais difícil, pois eles não estão no PDV, mas é para isso que o Big Data é compartilhado. São detalhes como esses que ampliam a experiência da compra.

Por fim, o processo todo é coroado com algo em que ainda pecamos muito: a valorização de quem atende o consumidor. Seja online ou presencial, ainda damos pouco valor em remuneração, treinamento e planos de carreira para quem está em contato direto com o cliente - e isso é um dos maiores erros possíveis.

Fica como reflexão para esse 15 de março. Pense nesses três aspectos: compreender o cliente, usar ferramentas de Big Data e valorizar o vendedor. Esses são os pontos chave para melhorar a relação marca x consumidor, e com isso construir um varejo melhor, mais eficiente, e com marcas cada vez maiores e mais amadas.





Red Lemon Agency

 

A inflação e o planejamento do crescimento da economia



Uma pressão inflacionária pode existir quando a demanda por bens e serviços excede a produção. A grande procura por bens causa uma alta da inflação.

A procura por bens ou a demanda agregada da sociedade é constituída pelo valor que a sociedade realiza na compra por bens de consumo (C), nas despesas ou gastos nos bens destinados aos investimentos (I) desta sociedade, nas despesas públicas ou no valor dos gastos do governo (G) e no resultado líquido da balança comercial ou seja, o valor das exportações menos o valor das importações (X-M). Esta composição de valores totaliza o produto interno bruto (PIB) de um país.

Caso a demanda seja superior aos bens ou aos recursos disponíveis da economia, o resultado é uma pressão inflacionária. É a situação em que o aumento da demanda agregada ou do PIB real faz com que uma sociedade procure aumentar o seu limite a produção.  Caso não ocorra este aumento de produção, os preços dos bens disponíveis nesta sociedade terão os seus valores aumentados.
Um aumento no nível do PIB, além da capacidade de oferta de produtos da economia, causará um aumento no preço de todos os produtos disponíveis.   O excesso de compras da sociedade eleva os preços dos bens ofertados que estão em quantidade insuficiente para a sociedade.

A política em que o governo atua para mover a economia para o seu potencial de produção é chamada de política de estabilização e procura gerar a quantidade de produto para atender a sociedade sem causar inflação. Entretanto, no caso do Brasil, a quantidade de bens para atender a necessidade de produtos da sociedade atinge áreas e valores que podem chegar a ser elevados e até desconhecidos – por estarem espalhados em diversos setores e em várias regiões geográficas – e sem acompanhamento ou atendimento por muitos anos.

Assim, existe uma grande ausência de produtos e serviços na sociedade. Existe uma grande pressão demandante.  Atingem segmentos e regiões com grandes necessidades de bens. Existe uma demanda reprimida, particularmente em infraestrutura, serviços essenciais e em diversos setores industriais básicos para o crescimento do país.

A inflação controlada deste momento, um sucesso, apresenta muito menos desafios do que planejar a sua trajetória futura. A trajetória futura da inflação deve ser proposta juntamente com uma política de crescimento. Esta Política de Crescimento do País requer conhecer e planejar os atuais aspectos da demanda reprimida, planejar a forma de reduzir o desemprego, conhecer a indústria, suas características e a qualidade da capacidade instalada e da ociosa, e que ao entrar em operação pode causar uma inflação de custos.

 Requer planejar conhecendo diversos aspectos como o uso de itens de insumos ou de energéticos utilizados, além das perdas de processo entre outros. Requer conhecer as cadeias produtivas do mercado internacional e suas tendências. Esta política de planejamento é fundamental para evitar nova retomada da inflação.  Este planejamento é necessário para não gerar o retorno de uma política recessiva.  A política recessiva que foi utilizada pelo Brasil deveria ter sido usada apenas para obter sucessos anti-inflacionários no curto prazo. Entretanto, por ter sido empregada sequencialmente por vários anos, gerou consequências de difícil solução no presente.






Agostinho Pascalicchio - doutor em Ciências pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, mestre em Teoria Econômica pela University of Illinois at Urbana-Champaingn/USA, é professor universitário nas áreas de economia, engenharia econômica e de energia na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Responsável pela avaliação financeira de projetos na Comunidade Européia.


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