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quarta-feira, 14 de março de 2018

Dia do Consumidor: dia de repensar como construir relações concretas de verdade



No dia 15 de março é comemorado o Dia Mundial do Consumidor. Uma data ainda pouco lembrada no varejo e na indústria. Apesar de ter sua importância, e trazer às lojas algumas poucas e simples ações, é uma data longe de ser um Black Friday, e talvez seu objetivo tenha outro potencial - muito maior do que o do aumento de promoções e vendas em um único dia.

Para ser bem sincero, nunca vi nenhuma ação muito bem elaborada para essa data. A maioria são descontos simples, coisas de pouco impacto, feitas diretamente pelas lojas, e muitas vezes, focadas em dar felicitações. Para mim, não é sobre isso que essa data se trata. Cerca de 90% das vendas ainda são realizadas em pontos de venda físicos, e isso se deve à experiência, à relação com o consumidor.

Não estou condenando descontos ou felicitações, porém acredito que deveríamos aproveitar o Dia do Consumidor para realmente repensar até que ponto ele é realmente o nosso foco, como marca. É um momento de pensar quem é aquele indivíduo para a sua empresa, e de que maneira ele deve pode ser conhecido e ser reconhecido. 

Tudo começa com algumas questões simples: até que ponto entendo e me relaciono com o consumidor? Meu PDV oferece uma boa experiência de compra? Tenho uma relação com o emocional do meu público? É preciso colocar o cliente no centro da questão, no alvo, e explorar o que se aprende com ele. Em minha carreira, eu me deparei com diversas ferramentas interessantes para realizar esses processos. Um das que mais me agradou é aquela que geralmente utilizamos para desenhar ou conceber projetos, a metodologia Mind Map, sendo construída com o cliente no centro.

Com o consumidor no centro, você traz conexões para o mapa, que representa diversos aspectos, características e tarefas que estão ligados a atingir o objetivo. A maioria das empresas falam de público alvo, comportamento e cultura, mas a maioria tem um conhecimento muito superficial dos seus clientes. O Mind Map ajuda a alinhar uma coleção gigantesca de dados sobre o cliente, que, se devidamente usados, criam uma persona profunda e complexa do consumidor. E é justamente esse aprofundamento que vai gerar o conhecimento necessário para ajudar a marca a atender as aspirações de seus clientes. 

Sabendo de todos esses aspectos emocionais e racionais se ganha uma série de possibilidades de ações para com o cliente. É possível cruzar interesses do consumidor. Um cliente que gosta de jogos digitais, e é alvo de um pub, ou bar, por exemplo, pode encontrar uma ação ligada a seu hobby dentro de um estabelecimento, e se fidelizar a ele. Basta saber se a parcela de gamers que também frequentam bares é grande, e compensa um investimento na ação. 

O consumidor frequenta pela experiência, pela diversão, mas consome. É preciso ir além do seu produto, tocar aspectos da vida. A maioria das empresas se adequa muito pouco, ou nada, a seu público alvo. A maior parte das vezes, se fala algo da boca para fora. Sempre se olha muito para dentro da empresa, não para fora. O cliente só muda de marca porque não desenvolve um amor por ela, e a culpa disso é dessa fraca relação. Coletar dados é trabalhoso, compreender o cliente mais ainda, mas compensa.

O Big Data está aí para ajudar nesse processo. Ferramentas tecnológicas sempre ganham destaque e podem ser realmente úteis para consumidor e loja. Certa vez fiz um trabalho para uma marca famosa de vestuário. Eles aproveitaram a tecnologia para monitorar o consumidor da entrada à saída.

Assim, sempre que ele pegava uma peça de roupa, e se dirigia ao provador, uma tela recebia a informação da peça retirada da gôndola e sugeria peças que combinavam com o mesmo estilo, ainda na cabine. Isso facilita a entrega do produto. Outra loja no segmento esportivo descobriu que tinha grande visitação para o uso de suas redes, bolas, quadras, etc. O cliente ia à loja para “brincar”. Isso ajudava a construir uma relação de afeto com a marca.

Quanto mais se conhece o consumidor melhor. Na indústria isso fica mais difícil, pois eles não estão no PDV, mas é para isso que o Big Data é compartilhado. São detalhes como esses que ampliam a experiência da compra.

Por fim, o processo todo é coroado com algo em que ainda pecamos muito: a valorização de quem atende o consumidor. Seja online ou presencial, ainda damos pouco valor em remuneração, treinamento e planos de carreira para quem está em contato direto com o cliente - e isso é um dos maiores erros possíveis.

Fica como reflexão para esse 15 de março. Pense nesses três aspectos: compreender o cliente, usar ferramentas de Big Data e valorizar o vendedor. Esses são os pontos chave para melhorar a relação marca x consumidor, e com isso construir um varejo melhor, mais eficiente, e com marcas cada vez maiores e mais amadas.





Red Lemon Agency

 

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