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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nossa história depois das Olimpíadas




O Brasil tem de extrair não só honrarias, mas ganhos reais, das Olimpíadas. A Vila Olímpica não deve ser, simplesmente, desmoronada, depois do encerramento dos jogos. Um país e uma cidade carente têm de valer-se desses episódios históricos para obter melhoramentos em favor de seu povo. Não é, tal proposição, avessa ao denominado "espírito olímpico".

Entretanto, muitos poderão pensar e propor em sentido contrário. Afinal, grande parte dos custos das Olimpíadas foi suportado pela iniciativa privada, que, no Brasil, não imagina filantropias e, sim, compensações, sempre. É hora de mudar esse sentido de patrimonialismo privado que deixa ao Estado deveres que deveriam ser compartilhados. Depois criticam o Estado pesado e os impostos cobrados, o que é procedente, mas não podemos criticar algo quando não somos exemplares.

A Vila Olímpica, mantida com seus principais equipamentos, será de alta importância para nossos jovens, a redução da violência e complemento de nossa educação formal. Além disso, espaços poderão ser ocupados para a educação estrita e necessária, sem a qual dizimam-se nossas esperanças de um grande país futuro.

Evidentemente, essas medidas deverão ser resultado de negociações e não de imposições ou expropriações injurídicas, que poderão ser questionadas, como sempre, em nosso Judiciário. O espaço ficará e a iniciativa privada deverá continuar emprestando suas forças e seu apoio para termos no Rio de Janeiro e no Brasil grandes e preparados espaços educacionais, em conjunto com o esteio dos recursos humanos.  Os meninos e os pais dos meninos dos morros agradecerão imensamente; os brasileiros conscientes de que a solidariedade, e não o egocentrismo, que caracteriza boa parte de nossa elite econômica, idem.

É hora de o 1% de nossa sociedade, composto dos privilegiados, mudem sua mentalidade. Não se propõe socialismo ou esquerdismo estereotipado, mas sentido de solidariedade que ultrapassa os estreitos limites de uma sociedade de classes com inclinação para perpetuar-se como uma sociedade de castas. Não se trata de romper o capitalismo, mas de administrá-lo com inteligência, pois somente os regimes do bem-estar social sobreviverão no mundo.  Os demais serão implacavelmente corroídos pelo tráfego de drogas, pelo crime organizado, pelos ataques selvagens, inclusive ao patrimônio público e, mais ainda, pela perda do norte na bússola de nossa juventude. E pela periclitação de nossa vida e saúde em nossas portas, em nossas ruas, praças e sinaleiros, em ordem tal que nossa existência se tornou insuportável, hoje, no Brasil. Pobres daqueles que nutrem a mentalidade de, simplesmente, deixar de lado suas raízes e emigrar.

Deveríamos inserir em nossos currículos escolares, como matéria obrigatória, desde os primórdios até o fim dos cursos universitários, uma disciplina denominada "Justiça". Algo muito mais profundo que cidadania e análise de problemas brasileiros, que fazem parte do drama da justiça. E que não deve se confundir com a instituição judiciária, mas com o aprendizado do sentimento e da percepção filosófica da justiça, que nos enreda a todos, que nos põe em sociedade numa síntese superior à simples soma das partes, que esteja a todo momento inserida no cérebro dos homens, tanto para exigir como para abdicar, sob o signo superior do equilíbrio de um grupo humano sobrevivente em um dado planeta.

Já se conta com o desapontamento, a desmontagem desse momento mágico, a tristeza que sucederá ao grande momento olímpico brasileiro. Discordamos profundamente. Além do aproveitamento material do que nos legaram os jogos, é necessária a expansão da educação criativa em todo o território nacional. E, para tanto, a imprescindível colaboração entre a iniciativa privada e o Estado, cujo tamanho está insuportável e deve ficar circunscrito ao que realmente interessa a nosso povo, livre da corrupção, que começa com propinas e termina com o costume crônico de inchá-lo cada vez mais para gastar em quinquilharias nada importantes para nosso crescimento social e humano.

Um dos principais expedientes de nossos regimes ditatorias consistiu em tornar cada vez mais intelectualmente esquálida nossa gente. As disciplinas críticas, incluindo-se a história da filosofia universal, foi simplesmente erradicada de nossos currículos médios pela última ditadura castrense, que abriu os primeiros buracos por onde começamos a descer até hoje, sem que a democracia, que se seguiu ao regime militar,  tomasse consciência, desde logo, dos rompimentos que precisávamos fazer,  em relação a  um projeto de poder perverso de dominação de um grande povo, reduzido a um rebanho que amanhece todos os dias no mesmo diapasão, o de sobreviver para morrer, talvez com alguns mirrados reais de aposentadoria.

A educação formal, a educação crítica e a educação esportiva deveriam emergir, de pronto, desse grande momento histórico em que passamos ao mundo muito de nossos problemas, mas, também, muitas virtudes desse povo eclético, originário de todas as partes do orbe, capaz de transformar-se e de manter a alegria que tomou conta de seus corações nos jogos olímpicos como nossa rotina diária, qualificada e construtiva no processo evolutivo da humanidade.



Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado subscritor da respectiva petição inicial e poeta. Autor do livro Universo Invisível, membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas. 


Atletas com hemofilia vencem barreiras pelo esporte



Federação Brasileira de Hemofilia destaca que a coagulopatia hereditária não impede atletas de praticarem esportes

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro têm sido o centro das atenções do mundo inteiro e os atletas participantes desta edição têm se destacado pela excelente atuação e, principalmente, pelas emocionantes histórias de vida. 

 A história não é diferente no caso de atletas com disfunções hemorrágicas. A hemofilia, por exemplo, não impediu que os atletas Francesco Fiorini, Enrico Mazza e Luca Montanha participassem da 45° edição da maratona de Nova York, um dos maiores eventos esportivos do mundo. E também não impossibilitou que o britânico Alex Dowsett atingisse altas velocidade sobre uma bicicleta e se tornasse um campeão reconhecido internacionalmente. No imaginário popular, ainda está impregnada a ideia de que pessoas com hemofilia são frágeis e não podem praticar esportes, mas a profilaxia possibilita mais liberdade e qualidade de vida para essas pessoas.

A presidente da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), Mariana Battazza Freire, ressalta que os atletas com hemofilia em competições são uma inspiração para a nova geração. "Eles são a prova de que o tratamento de profilaxia individualizado é totalmente eficaz e permite que todas as pessoas com coagulopatias trabalhem, se divirtam, treinem e estejam em igualdade de condições com as pessoas sem coagulopatias. Não podemos negar: um atleta com hemofilia é o símbolo da autonomia, da liberdade do sucesso do tratamento.”

 A presidente da FBH pontua ainda a necessidade de acompanhamento médico adequado, pois um atleta de alto rendimento com hemofilia precisa de um acompanhamento profissional muito estrito em relação ao seu treinamento e à reposição antecipada de fator de coagulação.

 Segundo Mariana, a prática regular de um esporte, associada à profilaxia e acompanhamento médico adequado, resulta em aumento da resistência muscular diminuindo os riscos de lesões articulares, além de trazer benefícios emocionais. “O esporte ajuda a aliviar o estresse do cotidiano, favorece a socialização e traz bem-estar emocional”, destaca.

Saiba mais:
A hemofilia é uma disfunção crônica, genética, não contagiosa, sendo que 1/3 dos casos ocorrem por mutação genética e 2/3 por hereditariedade. Existem dois tipos, que podem ser classificados entre leve, moderada e grave. A hemofilia A é a mais comum e representa 80% dos casos, ela ocorre devido deficiência do Fator VIII (FVIII) de coagulação no sangue. Já a hemofilia B acontece pela deficiência do Fator IX (FIX).



 Federação Brasileira de Hemofilia

O que difere o 4º lugar do Ouro? Entenda as diferenças com psicanalista Dra. Lelah Monteiro



Somos todos atletas! Quem faz essa afirmação é a Dra. Lelah Monteiro, sexóloga da rádio Globo, coaching e terapeuta familiar.

“Atletas da vida como uma mãe que cuida dos filhos, de toda família, da casa, um esposa exemplar (muitas trabalham fora) e ainda cuidam da beleza. Um jovem, que mesmo não estudando em colégio particular e ter tido dificuldade na infância, passa com honra em uma grande universidade”, explica Lelah.

Os jogos olímpicos podem nos servir de grande exemplo de superação e para questionarmos a importância da autoestima, de valores essenciais para vida. A terapeuta familiar responde por que estamos vendo alguns atletas que são favoritos falharem na hora H?

“Inspiração, motivação, confiança. Saber controlar as emoções e a ansiedade são princípios fundamentais para os vencedores. Sejam atletas ou não. Na vida profissional ou pessoal ter um foco e ir atrás dos sonhos faz grande diferença na hora de ganhar Ouro ou estar no 4º lugar”, diz Lelah, fazendo uma metáfora. Mais dicas:

- Crie um planejamento;

- Desenvolva metas para cumprir com prazos;

- Não desista de seus sonhos, fracasso faz parte para a vitória;

- Mude suas atitudes e direção, se for preciso;

- Seja líder e não ditador;

- Escute e aprenda com quem sabe;

- Seja feliz e positivo na vida;

- Faça o bem para as pessoas;

- Tenha sempre por perto pessoas que gostem de você e te apoiam;

- Inspire-se nos grandes líderes;

- Se ame e não deixe que a opinião dos outros atrapalhe seus objetivos!

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