Ferramenta foi apresentada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia durante o encontro que acontece até sábado (10), em conjunto com Congresso Mundial de Cardiologia
A
cada 72 segundos, uma pessoa morre por doença cardiovascular no Brasil. Até o
dia 8 de outubro, às 11h, o número acumulado de óbitos chegava a 334.898,
segundo o Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)
que passa a integrar o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma lançada
pela entidade em parceria com a World Heart Federation (WHF). Os dados mostram
uma média de 1.194 mortes por dia, ou cerca de 50 óbitos por hora.
Apresentado
no dia de abertura do 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio
de Janeiro, no Riocentro, Zona Sudoeste carioca, em conjunto com o Congresso
Mundial de Cardiologia, o novo Hub reúne dados epidemiológicos sobre as
principais doenças cardiovasculares no Brasil em um ambiente único. A
plataforma permite consultar números absolutos, taxas, séries históricas
oficiais e estimativas comparáveis internacionalmente, além de visualizar
indicadores por estado, sexo e faixa etária.
A
iniciativa busca facilitar o acesso e a interpretação de informações sobre
saúde cardiovascular para pesquisadores, jornalistas, comunicadores, criadores
de conteúdo de ciência, profissionais de saúde, gestores públicos e demais
interessados. Além de reunir diferentes bases de dados, a ferramenta oferece
recursos de visualização, comparação e exportação que permitem explorar os
indicadores e produzir conteúdos baseados em evidências.
O
Hub utiliza dados de mortalidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade
(SIM), do Ministério da Saúde do Brasil, e estimativas epidemiológicas do
Global Burden of Disease (GBD) 2023. Para o cálculo das taxas de mortalidade
com dados do SIM, são utilizadas estimativas populacionais disponibilizadas
pelo DataSUS, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Mortes
cardiovasculares caem 36% nos últimos 20 anos
Entre
os dados disponíveis no novo Hub estão as séries históricas de mortalidade
observadas entre 2000 e 2024, assim como projeções para os próximos anos.
Segundo as estimativas, se mantida a tendência registrada nas últimas duas
décadas, o Brasil teria um aumento de 10,8% nas mortes por doenças
cardiovasculares até 2030, passando de 417.550 mortes em 2024 para 462.573 em
2030.
O
cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma, ressalta
que as projeções representam cenários prováveis caso as tendências observadas
nas últimas duas décadas se mantenham. “Ou seja, a previsão não determina
exatamente qual será o patamar em 2030, principalmente se houver mudanças
significativas na prevalência de fatores de risco, na ampliação do acesso ao
diagnóstico e ao tratamento e na implantação de políticas públicas de
prevenção.” Além disso, alterações na qualidade dos registros de óbitos também
podem modificar os resultados.
Os
dados reforçam a importância de intervenções capazes de alterar essa
trajetória, como o controle da hipertensão e do diabetes, a redução do
tabagismo, o combate à obesidade e ao sedentarismo e o atendimento oportuno de
casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Ribeiro
ressalta que esforços nessas áreas resultaram na queda drástica da taxa de
óbitos nos últimos 20 anos. Em 2024, a taxa de mortalidade padronizada por
idade era de 195 óbitos a cada 100 mil habitantes, uma redução de 36% com
relação aos anos 2000, em que a taxa era de 306,4 óbitos por 100 mil.
Alagoas tem
maior taxa de mortalidade cardiovascular entre os estados
A
nova plataforma também permite visualizar diferenças entre os estados
brasileiros. Nos dados apresentados pelo Hub, o estado de Alagoas registra a
maior taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares, com 245,5 óbitos por
100 mil habitantes.
Na
sequência aparecem Amapá, com 225,1 óbitos por 100 mil habitantes, e Mato
Grosso do Sul, com 220,4.
Gláucia Maria Moraes de Oliveira, editora-chefe da revista ABC Cardiol e também coordenadora da plataforma, afirma que a visualização por estado permite identificar diferenças regionais e comparar indicadores de mortalidade, incidência, prevalência e fatores de risco, oferecendo uma perspectiva mais detalhada sobre o cenário cardiovascular brasileiro.
“Sabemos que o Brasil, com suas dimensões continentais, não pode ser avaliado
apenas com o olhar nacional, pois cada região tem seus desafios e acertos na
prevenção e cuidado com a saúde cardiovascular.”
Dados podem
ser visualizados, comparados e exportados
O
Hub foi desenvolvido para tornar a consulta às estatísticas cardiovasculares
mais simples e permitir que diferentes públicos explorem os dados de acordo com
suas necessidades.
A
plataforma reúne indicadores de mortalidade, incidência, prevalência e fatores
de risco, além de medidas que permitem dimensionar a carga das doenças
cardiovasculares sobre a população, como os anos de vida saudável perdidos
(DALYs), anos de vida perdidos por morte prematura (YLLs) e anos vividos com
incapacidade (YLDs). Os dados podem ser apresentados em diferentes formatos de
visualização, incluindo sobrepostos ao mapa do Brasil, séries temporais,
rankings estaduais e comparações por sexo e faixa etária.
Também
é possível exportar os resultados para utilização em pesquisas, reportagens,
apresentações e outros conteúdos. O sistema disponibiliza link permanente e
citação automática, facilitando a referência aos dados utilizados.
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