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| Foto: Camila Hampf Hospital Pequeno Príncipe |
A alta hospitalar após o transplante de medula óssea (TMO) é um momento muito aguardado pelas famílias, mas também traz uma série de dúvidas: o que a criança pode comer? Quando fazer a vacinação? Pode voltar à escola? E quais sinais exigem atenção médica?
Embora a criança esteja em casa, o tratamento ainda
exige cuidados específicos enquanto o sistema imunológico se recupera, para
reduzir o risco de infecções e outras complicações. Referência nacional e um dos
maiores centros do Brasil e da América Latina em transplante de medula óssea em
pacientes pediátricos, o Hospital Pequeno Príncipe enfatiza os
principais cuidados que devem ser seguidos em casa após o procedimento.
Por que os cuidados continuam depois do
transplante?
Quando a medula transplantada começa a funcionar, o organismo passa a produzir células de defesa. No entanto, essas células ainda precisam de tempo para amadurecer e atuar de maneira eficiente. Por isso, a recuperação do sistema imunológico após o transplante de medula óssea acontece de forma gradual.
Os primeiros cem dias depois do TMO são considerados um período de cuidados mais intensos. Quando o paciente está bem e não apresenta complicações que exijam permanência hospitalar, a equipe pode autorizar a alta para casa. Mesmo assim, as medidas para reduzir o risco de infecções continuam.
“Por volta dos seis meses, quando os exames mostram uma boa recuperação imunológica e não há outras condições que exijam restrições, começamos a liberar algumas atividades e iniciar a retomada do calendário de vacinação específico para pacientes transplantados”, explica a médica responsável pelo Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Pequeno Príncipe, Cilmara Cristina Kuwahara.
É importante lembrar que não existe um prazo único
para todas as crianças. Cada paciente é avaliado individualmente, e as
liberações dependem dos exames, da condição clínica, das complicações
apresentadas e dos medicamentos utilizados.
Quais são os principais cuidados após o
transplante de medula óssea em crianças?
A alta hospitalar não significa o fim
do acompanhamento. Mesmo em casa, a criança continua realizando consultas e
exames para que a equipe acompanhe a recuperação da medula e do sistema
imunológico e o surgimento de possíveis complicações.
Por isso, a principal orientação é
seguir individualmente as recomendações da equipe responsável pelo transplante
e entrar em contato sempre que surgir alguma dúvida ou alteração no estado de saúde
da criança.
Limpeza do ambiente
O ambiente doméstico deve permanecer
limpo, seco, arejado e livre de mofo. Para evitar que a poeira fique suspensa
no ar, a orientação é utilizar pano úmido em vez de vassoura. Também é
recomendado evitar cortinas, tapetes, almofadas e brinquedos de pano no quarto,
bem como trocar a roupa de cama pelo menos duas vezes por semana. Sempre que
possível, é indicado que o paciente tenha um banheiro exclusivo. Quando isso
não for possível, a limpeza diária do ambiente será fundamental.
Higiene pessoal e da pele
O banho deve ser realizado diariamente,
com xampu e sabonete neutros. Se houver cateter, ele precisa ser protegido para
não entrar em contato com a água. As toalhas devem ser de uso exclusivo do
paciente e trocadas diariamente. Para evitar irritações, são indicados
hidratantes e desodorantes sem perfume e sem álcool. Perfumes e talcos precisam
ser evitados. Também é importante manter as unhas curtas e limpas.
Saúde bucal
Após o transplante, a redução da
produção de saliva pode aumentar o risco de cáries. Por isso, o acompanhamento
odontológico é importante e deve ser realizado conforme orientação médica. Os
lábios também podem precisar de hidratação, com produtos adequados, como
manteiga de cacau, óleo mineral ou protetor labial com filtro solar. A recomendação
é utilizar escova de dentes extramacia e creme dental infantil, realizando a
higiene depois das refeições e antes de dormir.
Higiene das mãos
Lavar as mãos corretamente é uma das
principais formas de prevenir infecções. A higiene deve ser feita com água
corrente e sabão, esfregando as palmas, entre os dedos e embaixo das unhas,
especialmente: antes e depois das refeições, de manipular as medicações e de ir
ao banheiro. E após brincar e estudar.
Alimentação
Nos primeiros períodos posteriores ao TMO,
a alimentação precisa ser preparada preferencialmente em casa, seguindo as
orientações do médico e do nutricionista. O objetivo é reduzir o risco de
contaminação por microrganismos. Os alimentos devem ser frescos, bem higienizados
e adequadamente cozidos. Alimentos com maior risco de contaminação, como carnes
malpassadas, peixe cru, embutidos e alguns produtos enlatados, podem permanecer
restritos por mais tempo. Frutas, verduras e saladas também são introduzidas de
acordo com a avaliação da equipe.
Uso de máscara
O paciente deve utilizar máscara
descartável até que a equipe médica autorize a suspensão. Ela é especialmente
importante durante consultas, passeios e quando houver contato com outras
pessoas. Em casa, pode ser dispensada quando a criança estiver na presença dos
familiares que convivem habitualmente com ela.
Animais de estimação
O contato com animais deve ser evitado
inicialmente. Pelos, fezes e urina podem carregar microrganismos capazes de
provocar infecções em um organismo com a imunidade comprometida. Em geral, a
equipe espera pelo menos os primeiros cem dias para avaliar a possibilidade de
retomada do contato. No entanto, a liberação depende da condição clínica da
criança, das características do animal e da realidade de cada família.
Vacinação
Antes de liberar as vacinas, a equipe
avalia a recuperação do sistema imunológico por meio de exames e outros
critérios clínicos. A partir dessa avaliação, é elaborado um calendário vacinal
específico para pacientes transplantados, seguindo as recomendações das
sociedades médicas especializadas.
Medicamentos
Os medicamentos prescritos devem ser
administrados nos horários e nas doses orientadas pela equipe. Nenhum
medicamento pode ser interrompido, alterado ou substituído por conta própria.
Se a criança apresentar enjoos, vômitos ou qualquer dificuldade para tomar os
remédios, a família deve entrar em contato com a equipe.
Saúde emocional
O período pós-transplante pode
representar uma grande mudança na rotina da criança e de toda a família. Restrições
de contato social, afastamento da escola, mudanças na alimentação e limitações
para brincar ou realizar determinadas atividades podem gerar frustração ou
insegurança. Por isso, quando necessário, a família pode conversar com a equipe
sobre suporte psicológico e outras formas de apoio durante a recuperação.
Atividade física
Apesar das restrições, é importante
evitar que a criança permaneça o dia todo deitada ou parada. Pequenas
atividades dentro de casa podem ajudar na manutenção da autonomia e da massa
muscular. A atividade física deve sempre ser adaptada à idade, às condições
clínicas e à recuperação de cada paciente, evitando risco de queda ou
possibilidade de ferimentos.
Exposição ao sol
A exposição direta ao sol é restrita
nos dois primeiros anos após o TMO. A radiação solar está diretamente ligada ao
surgimento, reativação ou piora da doença do enxerto contra o hospedeiro
(DECH).
Volta às aulas
A volta à escola e a outras atividades
com maior contato social geralmente é considerada a partir de aproximadamente
seis meses, desde que o paciente apresente boa recuperação imunológica e tenha
iniciado o esquema de vacinação indicado. O objetivo é proteger a criança
justamente durante a fase em que o sistema imunológico ainda está em
recuperação.
O que evitar após o transplante de
medula óssea em crianças?
- Contato
com pessoas com doenças infectocontagiosas ou respiratórias, como gripe,
COVID-19, sarampo e catapora.
- Ambientes
com aglomeração, como shoppings, cinemas, supermercados, lojas e outros
locais públicos.
- Excesso
de visitas em casa.
- Contato
com animais de estimação, plantas e materiais de obras ou reformas.
- Piscinas,
praias, açudes e lagoas, até liberação médica.
- Brincadeiras
que possam provocar quedas, cortes ou outros ferimentos.
- Exposição
direta ao sol.
- Uso
de maquiagem, perfumes, cosméticos ou produtos que possam irritar a pele.
Quais sinais exigem atenção?
É importante procurar orientação diante
de qualquer mudança no estado de saúde, como:
- febre
igual ou superior a 37,8°C;
- dor
em qualquer parte do corpo;
- alteração
na cor ou no cheiro da urina;
- dor
ou ardência ao urinar;
- sangramentos;
- mudança
na cor ou consistência das fezes;
- alterações
na pele ou na boca;
- tosse
ou falta de ar;
- enjoo
e vômitos;
- contato
com pessoas que tenham doenças infecciosas;
- acidentes,
cortes, queimaduras ou mordidas de animais;
- alterações
no cateter, como vermelhidão, secreção, sangramento ou inchaço.

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