Pesquisar no Blog

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dor no ombro, a inteligência artificial pode ajudar?

Magnific
 IA
Estudo com 46 pacientes avaliou programa digital baseado em IA para acompanhar exercícios de reabilitação; SBCOC alerta que tecnologia deve ser usada como complemento à avaliação e orientação de profissionais 

 

Para quem está tratando uma dor no ombro, fazer os exercícios em casa faz parte da rotina. Mas será que a tecnologia pode ajudar o paciente a realizar esses movimentos da maneira correta e manter o tratamento entre uma consulta e outra? Essa é uma das possibilidades que a inteligência artificial começa a trazer para a reabilitação. Um estudo publicado em 2026 acompanhou 46 pacientes com dor relacionada ao manguito rotador e avaliou o uso de um programa digital com IA e visão computacional durante os exercícios realizados em casa. 

No estudo, os participantes foram divididos em dois grupos e fizeram o tratamento durante 12 semanas. Um deles recebeu fisioterapia convencional, enquanto o outro fez o mesmo tratamento associado a um programa digital baseado em inteligência artificial. Por meio da visão computacional, a ferramenta fornecia feedback em tempo real e monitorava o desempenho dos pacientes durante os exercícios. Ao comparar os dois grupos, os pesquisadores encontraram diferenças em alguns momentos do acompanhamento, principalmente em relação à dor e à função do membro superior. 

“A inteligência artificial pode ser uma ferramenta interessante para ampliar o acompanhamento do paciente durante a reabilitação. Ao utilizar a câmera para analisar a execução dos exercícios e oferecer feedback em tempo real, a tecnologia pode contribuir para que o paciente tenha mais segurança ao realizar os movimentos em casa e facilitar o acompanhamento entre as consultas ou sessões de fisioterapia”, explica o Dr. Eduardo Malavolta, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC). 

Apesar dos resultados, o uso da inteligência artificial exige alguns cuidados. A dor no ombro pode estar relacionada a diferentes problemas e, por isso, não deve ser considerada um diagnóstico por si só. Para identificar a causa da dor e definir o tratamento mais adequado, é necessária uma avaliação feita por um profissional de saúde, que pode considerar o histórico do paciente, o exame físico e, quando necessário, exames de imagem. 

Outro ponto de atenção é que a inteligência artificial não deve ser usada pelo paciente para tentar identificar sozinho a causa da dor ou decidir como deve ser tratado. As ferramentas disponíveis podem apresentar informações incorretas, incompletas ou desatualizadas, além de nem sempre deixarem claras as fontes utilizadas. Por isso, mesmo com os avanços da tecnologia, a orientação de profissionais continua sendo fundamental para definir a conduta mais adequada para cada paciente. 

“É importante evitar que o paciente use a inteligência artificial para tentar tratar sozinho uma situação que deveria ser avaliada por um profissional. A mensagem que precisamos passar é de equilíbrio entre inovação e segurança, entendendo a IA como uma ferramenta complementar, e não como substituta do médico ou do fisioterapeuta. O futuro não é IA no lugar do profissional, mas profissional utilizando IA para cuidar melhor do paciente”, conclui.



Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC)

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados