Para
Nelson Lins, fundador da Selfit e da Face Doctor, crescer não significa apenas
abrir novas unidades, contratar mais pessoas ou investir mais dinheiro: antes
de acelerar, é preciso entender se o negócio está realmente preparado para
sustentar o próximo passo
O
Brasil vive um momento de forte empreendedorismo. Apenas nos primeiros sete
meses de 2026, foram abertos 3,6 milhões de novos negócios no país, número
quase 14% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, segundo
dados do Sebrae. Mas entrar no mercado é apenas o primeiro passo. O desafio
seguinte é construir um negócio capaz de sustentar uma nova fase de expansão.
O
último trimestre do ano costuma concentrar discussões sobre planejamento, metas
e orçamento para os próximos meses. É nesse período que muitos empresários
começam a desenhar o crescimento que esperam alcançar em 2027, seja aumentando
o faturamento, abrindo novas unidades, conquistando mercados ou ampliando
equipes. Antes disso, porém, existe uma pergunta ainda mais importante: a
empresa está realmente preparada para crescer?
Para
Nelson Lins, empresário e fundador da Selfit e da Face Doctor, um dos erros
mais comuns é tratar a expansão apenas como uma questão financeira. “Não
adianta vender mais se a operação não acompanha, abrir novas unidades se você
não consegue manter o padrão ou contratar mais pessoas sem ter lideranças
preparadas. Crescer é muito mais complexo do que simplesmente aumentar de
tamanho”, afirma.
Com
experiência na construção e expansão de negócios, Nelson acredita que o
planejamento para um novo ciclo precisa começar com uma análise honesta sobre o
momento atual da empresa. Antes de acelerar em 2027, ele sugere que todo
empreendedor responda a cinco perguntas:
1.
Minha operação consegue crescer sem perder qualidade?
Um
negócio pode funcionar muito bem em determinada escala e apresentar problemas
quando cresce rapidamente. Processos informais deixam de funcionar, a
comunicação se torna mais complexa e a experiência do cliente pode ser
comprometida.
“Enquanto
a empresa é pequena, muitas coisas dependem diretamente do fundador. Mas chega
um momento em que isso deixa de ser possível. Se o negócio depende de uma
pessoa para tudo funcionar, ele ainda não está preparado para escalar. Para
mim, a pergunta é simples: se a empresa dobrar de tamanho amanhã, aquilo que
funciona hoje continuará funcionando?”, explica Nelson.
2.
Tenho as pessoas e lideranças certas para o próximo ciclo?
Crescer
também aumenta a complexidade da gestão. Novas unidades e equipes maiores
exigem líderes capazes de tomar decisões sem depender do fundador a todo
momento.
“Não
existe crescimento sustentável quando tudo precisa passar por uma única pessoa.
Em algum momento, o papel do empreendedor muda. Você deixa de fazer tudo e
passa a construir uma empresa capaz de funcionar com boas pessoas e boas
lideranças. Acredito que investir em gente não significa apenas contratar mais.
É preciso desenvolver líderes, delegar responsabilidades e criar clareza sobre
quem toma cada decisão”, afirma.
3. Meu
caixa suporta os desafios que vêm junto com a expansão?
A
expansão costuma ser associada ao aumento de receita, mas também aumenta
custos, riscos e a necessidade de capital. Abrir uma unidade, entrar em uma
nova cidade ou ampliar uma operação exige investimento antes que os resultados
apareçam.
“O
faturamento não é um sinônimo de saúde financeira. A empresa pode vender muito
e, ainda assim, enfrentar problemas de caixa. Crescer sem planejamento
financeiro pode transformar uma oportunidade em um problema. Por isso, sempre
recomendo olhar além da expectativa de retorno e avaliar quanto custa crescer,
quanto tempo a nova operação leva para amadurecer e qual margem de segurança
existe caso os resultados não aconteçam como o planejado.”, alerta.
4. A cultura
da empresa acompanha esse crescimento?
Quanto
maior a empresa, mais difícil é manter o alinhamento apenas pela proximidade.
Valores, comportamentos e formas de trabalhar precisam estar claros para que a
cultura não se perca durante a expansão.
“Quando
a empresa cresce, você não consegue mais estar em todas as conversas. É aí que
a cultura se torna fundamental. As pessoas precisam saber o que a empresa
acredita e o que é inegociável. A cultura de uma empresa não pode ser só
discurso. cultura não é apenas discurso. Ela precisa aparecer nas contratações,
nas decisões dos líderes e na forma como a empresa se relaciona com clientes e
equipes”, explica Nelson.
5.
Estou crescendo por estratégia ou apenas porque surgiu uma oportunidade?
Nem
toda oportunidade precisa ser aproveitada. Uma nova cidade, um novo produto ou
uma possibilidade de investimento podem parecer boas ideias, mas precisam fazer
sentido dentro da estratégia do negócio.
“Empreendedor
é muito movido por oportunidade, e isso faz parte. O problema é quando a
empresa começa a dizer sim para tudo. Crescer também exige saber o que não
fazer. Antes de definir metas para 2027, é preciso entender não apenas onde a
empresa quer chegar, mas por que quer chegar lá e o que precisa preservar
durante o caminho”, afirma.
No
fim, o empresário acredita que o planejamento de crescimento deveria começar
menos com uma meta de faturamento e mais com um diagnóstico do negócio. “Todo
mundo gosta de falar sobre acelerar, mas pouca gente fala sobre preparação.
Antes de colocar o pé no acelerador, você precisa ter certeza de que a empresa
tem estrutura para sustentar a velocidade”, finaliza.
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