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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

5 medidas para promover a inclusão de pessoas com deficiência no trabalho

Divulgação
/ Felipe Afonso
No Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física, Felipe Afonso aponta caminhos para ampliar a acessibilidade, combater o capacitismo e garantir oportunidades de desenvolvimento profissional

 

Celebrado em 11 de outubro, o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física chama atenção para a importância da inclusão, da acessibilidade e da igualdade de oportunidades em diferentes espaços da sociedade. No mercado de trabalho, esse debate envolve não apenas a contratação, mas também a criação de ambientes acessíveis, processos seletivos inclusivos e condições para que profissionais com deficiência possam se desenvolver e ocupar diferentes posições. 

A partir dessa perspectiva, o autor de Nuances do Silêncio e Nuances da Exclusão, usuário de aparelhos auditivos desde a adolescência e desenvolvedor de software Felipe Afonso apresenta melhorias necessárias para tornar o mercado de trabalho mais inclusivo. Confira abaixo:


  1. Entender qual acessibilidade aquela pessoa realmente precisa

Antes de seguir manuais sobre como incluir pessoas com deficiência no trabalho, é preciso conversar com quem vai trabalhar ali. Quais barreiras essa pessoa enfrenta de verdade? Quais adaptações fazem diferença no seu dia a dia? As empresas às vezes estão tão preocupadas com as supostas dificuldades de um candidato com deficiência que acabam eliminando-o do processo seletivo. 

Enquanto isso, a pessoa já tem autonomia e precisa apenas de ajustes pontuais, como um horário de trabalho diferente ou alguém disponível quando precisar de ajuda. Outras pessoas podem precisar de adaptações mais amplas. Mas como descobrir isso sem perguntar? A preocupação deveria servir para identificar e oferecer as condições necessárias ao trabalho, não para justificar a exclusão. 


  1. Parar de tratar a deficiência como um risco para a empresa

É natural que uma empresa avalie o que um candidato pode oferecer. O problema começa quando, diante de uma pessoa com deficiência, a pergunta passa a ser: “Onde posso encaixar essa pessoa sem correr o risco de prejudicar minha empresa?” 

Antes mesmo de conhecer suas competências, a empresa já está tentando limitar o espaço que ela pode ocupar. 

A pergunta poderia ser outra: “Quais competências esse candidato tem e quais condições podemos oferecer para que ele trabalhe e evolua na carreira?”. Isso exige olhar para a trajetória, o potencial e as necessidades daquela pessoa, sem deixar que a deficiência responda por tudo. 


  1. Investir em capacitação, mas também em convivência real

Cursos sobre inclusão podem ajudar. Mas não adianta acumular horas de treinamento enquanto as pessoas com deficiência continuam isoladas das conversas, dos projetos e das decisões da equipe. Cada pessoa tem seu próprio jeito de se comunicar, trabalhar e se relacionar. Não faz sentido tratar pessoas com deficiência como um grupo com o qual se aprende a lidar seguindo as instruções de um curso. 

A convivência exige abertura para perguntar, ouvir, errar e corrigir. Nenhum certificado dispensa esse trabalho. 


  1. Oferecer perspectivas de crescimento e ser honesto sobre elas

Se a empresa contrata uma pessoa com deficiência apenas para cumprir a cota, sem qualquer perspectiva de desenvolvimento, precisa deixar isso claro desde a contratação. Essa transparência não resolve a falta de oportunidades, mas evita alimentar expectativas que a empresa não pretende atender. 

Para as empresas que desejam realmente desenvolver esses profissionais, o primeiro passo é admitir que não têm todas as respostas. É preciso construir caminhos com eles, conhecer suas ambições e oferecer condições concretas de aprendizado, participação e promoção. Ter uma deficiência não significa ter menos vontade de crescer. 


  1. Ouvir antes de decidir como incluir

Esse é o ponto mais importante. As empresas contratam pessoas com deficiência e as submetem a um processo de integração já definido, sem perguntar se aquele processo faz sentido para elas. Quando a pessoa finalmente é ouvida, muitas decisões sobre sua rotina já foram tomadas. Ela pode até apontar os problemas, mas encontra pouca disposição para mudar o que já está pronto. 

A participação precisa começar antes dessas decisões e continuar durante a relação de trabalho. Isso significa perguntar, testar adaptações, acompanhar os resultados e mudar o que não funciona. Se a pessoa só pode participar depois que tudo foi decidido, qual é o espaço real que ela tem nessa inclusão? 

 

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