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sábado, 10 de outubro de 2026

4 erros que travam resultados no treino de pernas

Fisiologista explica como identificar e corrigir as falhas de execução mais comuns nos exercícios de membros inferiores: do joelho que cede para dentro à busca por uma amplitude maior do que o corpo consegue controlar
 

O treino de pernas reúne alguns dos exercícios mais exigentes da musculação e é justamente neles que se concentram falhas de execução capazes de travar a evolução, como compensações que reduzem a eficiência do movimento, dificultam a progressão de carga e aumentam a demanda sobre articulações e tendões. A boa notícia é que os erros mais frequentes costumam seguir padrões já mapeados que podem ser superados com orientação adequada. O fisiologista e preparador físico Antonio Brandão, especialista do aplicativo de treino Befit, lista os quatro principais e o passo a passo para corrigi-los.
 

1. Joelho que cede para dentro (valgo dinâmico) 

Em exercícios como agachamento e afundo, um dos erros mais observados é o valgo dinâmico, quando o joelho se desloca para dentro durante o movimento. O padrão pode estar ligado à mobilidade do tornozelo, à força e ao controle da musculatura do quadril e à coordenação entre quadril, joelho e tornozelo. Quando se repete associado a desconforto ou falta de controle, altera a distribuição de forças e aumenta a demanda sobre estruturas como articulações e tendões. 

“Não basta simplesmente dizer para a pessoa empurrar o joelho para fora. É preciso entender por que aquele padrão está acontecendo e ajustar os diferentes fatores envolvidos antes de pensar em aumentar a carga”, afirma Brandão. O especialista orienta a reduzir temporariamente o peso, escolher uma variação em que seja possível controlar o movimento e progredir aos poucos em complexidade e carga.
 

2. Complexidade demais nos exercícios unilaterais 

Começar por variações avançadas do afundo, passada e agachamento búlgaro, que exigem equilíbrio e estabilidade, é um erro frequente. No búlgaro, por exemplo, um banco muito alto para apoiar a perna de trás dificulta a estabilização e pode gerar compensações no joelho, no quadril e no tronco. A instabilidade ainda faz o praticante gastar parte da capacidade apenas para se equilibrar, o que torna as repetições inconsistentes e trava a progressão de carga. A correção é simplificar: apoio mais baixo, só o peso corporal no início e aumento gradual de amplitude, complexidade e carga conforme o controle se consolida.
 

3. Lombar que assume o trabalho do glúteo 

Em exercícios como extensão e abdução de quadril, é comum ampliar o movimento usando a pelve e a coluna lombar, o que reduz o controle do quadril e pode gerar desconforto na região. A recomendação é manter o tronco estável com ajuda da musculatura do core e, se necessário, reduzir amplitude ou carga até executar sem compensações. “Se ainda assim não for possível realizar o movimento com esse controle, insira exercícios para a região do core associados ao movimento de quadril, como o dead bug e o perdigueiro”, esclarece o educador físico.
 

4. Amplitude maior do que a capacidade atual

Outro engano é acreditar que quanto maior a amplitude, independentemente da forma, melhor o exercício. Segundo Brandão, ultrapassar a capacidade atual de mobilidade e controle gera compensações na pelve, no tronco e na trajetória dos joelhos. O ideal é começar pela amplitude em que há controle e boa organização do movimento e ampliá-la progressivamente, à medida que mobilidade e força evoluem. “O objetivo não é alcançar uma profundidade específica a qualquer custo, mas utilizar uma amplitude que seja adequada à capacidade individual e ao objetivo do exercício”, completa.

 

A execução correta desses e de outros exercícios pode ser consultada na biblioteca gratuita do Befit, que reúne mais de 500 movimentos guiados com orientação em vídeo, disponível em appbefit.com/pt-br/exercicios/.



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