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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Chuvas prolongadas disparam crises de rinite e problemas respiratórios

Especialistas alertam que umidade elevada e ambientes fechados favorecem a proliferação de mofo e ácaros, transformando o interior das residências em gatilho para alergias

 

Com a sequência de dias chuvosos, o aumento da umidade dentro das residências tem provocado uma onda de crises respiratórias. Embora a chuva não seja a causa direta da rinite, a combinação de umidade, pouca ventilação e superfícies que demoram para secar cria o cenário ideal para a proliferação de mofo e ácaros, principais vilões da saúde respiratória nesta época.

Especialistas explicam que a permanência prolongada em ambientes fechados e mal ventilados durante os temporais potencializa a inalação dessas partículas, desencadeando inflamações nas vias aéreas.

"A umidade favorece a proliferação de fungos, responsáveis pelo mofo, e a proliferação de ácaros. Essas partículas ficam suspensas no ar e, quando inaladas, podem desencadear a inflamação das vias respiratórias, causando sintomas alérgicos como espirros, coriza, obstrução nasal e tosse, além de poder agravar a asma", alerta a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).


O perigo invisível dentro de casa

O mofo nem sempre se apresenta em manchas visíveis nas paredes. O cheiro característico, mesmo sem sinais aparentes, já é um indicativo de alerta para a saúde respiratória.

"O cheiro pode indicar excesso de umidade e crescimento de fungos em locais escondidos, como atrás de móveis, dentro de armários, forros, paredes ou aparelhos de ar-condicionado. Uma pista importante é perceber se os sintomas pioram em determinado cômodo e melhoram quando a pessoa sai do ambiente", pontua a Dra. Roberta Pilla.

A Dra. Maura Neves, médica otorrinolaringologista e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), reforça que o ambiente interno deve ser rigorosamente observado quando os sintomas se manifestam logo ao acordar, aumentam com o cheiro de umidade ou somem fora de casa.

"Nem toda reação ao ambiente significa rinite alérgica. Mas vários dias de umidade, pouca ventilação e superfícies que demoram para secar favorecem mofo e ácaros, fatores que podem piorar espirros, coceira, coriza e obstrução nasal", destaca a Dra. Maura Neves.


Como agir e o que evitar

Para combater o problema, a principal recomendação médica é eliminar a origem da umidade, corrigindo vazamentos, infiltrações e goteiras. Medidas como afastar móveis de paredes frias, ventilar banheiros e cozinhas, e manter a umidade interna abaixo de 60% com o auxílio de desumidificadores ou aparelhos de ar-condicionado com filtros limpos fazem diferença.

As médicas alertam, contudo, sobre medidas paliativas ineficazes, como pintar por cima do mofo, usar aromatizadores para disfarçar o cheiro, recorrer a umidificadores sem necessidade ou misturar produtos de limpeza na tentativa de higienizar as superfícies.

A avaliação médica com um otorrinolaringologista torna-se indispensável quando os sintomas são persistentes, prejudicam o sono, afetam a qualidade de vida ou exigem o uso repetido de medicamentos. A exposição contínua pode manter a mucosa respiratória inflamada, dificultando o controle de condições como a rinite e a asma.
 

Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF

 

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