Orientações
atualizadas de autoridades de saúde reforçam que embalagem original, validade,
armazenamento e possíveis interações devem ser considerados antes de colocar
medicamentos na mala
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Dor de cabeça, febre, desconfortos
gastrointestinais e outros sintomas inesperados podem surgir durante uma
viagem. Por isso, incluir alguns medicamentos na bagagem é um hábito comum. O
problema começa quando a preparação é feita sem verificar como os produtos
devem ser transportados, quais são suas contra indicações ou se podem ser
combinados com outros tratamentos.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência,
Tecnologia e Qualidade em parceria com o Datafolha, divulgada pelo Conselho
Federal de Farmácia em 2025, ouviu 2.009 brasileiros e mostrou que 64%
acreditam que a atuação do farmacêutico reduz as chances de automedicação. O
dado chama atenção para a importância da orientação profissional mesmo diante
de medicamentos conhecidos ou já utilizados anteriormente.
1. Tirar os medicamentos das
embalagens originais
Transferir comprimidos para potes ou organizadores
pode economizar espaço, mas dificulta a identificação do medicamento, de sua
concentração, lote e validade.
Na edição 2026 do Yellow Book, publicada em abril
de 2025, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos
recomenda que viajantes internacionais mantenham os medicamentos em seus
recipientes originais e identificados. A orientação também reduz problemas em
fiscalizações e facilita a identificação do produto em uma emergência.
2. Viajar sem a bula ou sem
acesso às informações do medicamento
A bula reúne indicações, contra indicações,
possíveis reações adversas, interações e orientações de uso. Em atualização
realizada em abril de 2026, a Anvisa reforça que esse documento possui função
sanitária e reúne informações necessárias para o uso seguro do medicamento.
Caso a versão impressa não esteja disponível, o
Bulário Eletrônico da agência permite consultar gratuitamente bulas atualizadas
pelo nome comercial ou pelo princípio ativo. Isso vale também para medicamentos
identificados por marcas comerciais, como Spidufen,
cuja bula pode ser consultada antes ou durante a viagem sempre que houver
necessidade de confirmar alguma orientação.
3. Não conferir a validade antes
de fechar a mala
Medicamentos que permanecem durante meses em
bolsas, nécessaires ou armários podem chegar à próxima viagem já vencidos. A
Anvisa orienta conferir na embalagem tanto a data de validade quanto
informações como número do lote e registro do produto.
Também é recomendado observar alterações de cor,
cheiro, textura ou aparência, mesmo quando o medicamento ainda estiver dentro
do prazo indicado.
4. Ignorar temperatura e
condições de armazenamento
Deixar medicamentos no carro, expostos diretamente
ao sol ou próximos de fontes de calor pode comprometer as condições previstas
pelo fabricante. O Ministério da Saúde indica que sejam armazenados em locais
secos e frescos e que produtos que exigem refrigeração sigam orientações
específicas.
Em viagens longas, a condição de transporte merece
atenção especial, principalmente quando o medicamento depende de determinada
faixa de temperatura.
5. Escolher medicamentos sem
considerar o próprio histórico de saúde
Ter utilizado um produto anteriormente não significa
que ele seja adequado em qualquer situação. Mudanças no estado de saúde, novos
tratamentos, alergias, gestação ou outras condições podem alterar os riscos
envolvidos.
O Ministério da Saúde recomenda que viajantes que
utilizam medicamentos regularmente conversem com o médico antes da viagem e
levem quantidade suficiente para o período, acompanhada da prescrição quando
necessária.
6. Tratar medicamentos
conhecidos como automaticamente seguros
A familiaridade não elimina contraindicações. A
mesma atenção deve ser aplicada aos medicamentos isentos de prescrição, a
disponibilidade sem exigência de receita não substitui a leitura da bula nem a
avaliação de possíveis restrições individuais ou interações com outros
produtos.
A orientação ganha importância quando a farmacinha
reúne medicamentos de diferentes classes para situações distintas, já que nomes
conhecidos ou experiências anteriores não bastam para determinar segurança em
um novo contexto.
7. Combinar medicamentos sem
verificar possíveis interações
Um dos maiores riscos está em utilizar
simultaneamente produtos sem saber se possuem princípios ativos semelhantes ou
se interagem entre si. O Yellow Book 2026 destaca que interações entre
medicamentos devem fazer parte da avaliação realizada antes de viagens, principalmente
entre pessoas que já fazem tratamentos contínuos.
A preparação da farmacinha, portanto, começa antes
da escolha do que colocar na mala. Conferir embalagens, bulas, validade,
condições de conservação, tratamentos em andamento e regras do destino reduz
situações evitáveis e permite buscar orientação profissional antes do embarque,
e não apenas quando um problema já apareceu.
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