Especialista explica em quais situações os
medicamentos à base de cannabis podem ser indicados, os cuidados necessários e
por que o acompanhamento médico é fundamental
Apesar
do crescimento do mercado de cannabis medicinal no Brasil e do aumento do
número de pacientes que utilizam tratamentos à base de canabinoides, muitas
dúvidas ainda cercam o tema. Afinal, quem pode usar? Quais doenças podem ser
tratadas? Existe idade mínima? E qual a diferença entre um medicamento
prescrito por um médico e os produtos vendidos sem controle?
Segundo
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil possui uma
regulamentação específica para produtos de cannabis destinados a fins
medicinais, permitindo a prescrição médica e o acesso de pacientes mediante
acompanhamento profissional. A agência também destaca que esses produtos devem
atender a critérios de qualidade, segurança e controle sanitário para sua
comercialização no país.
Atualmente,
o uso medicinal da cannabis vem sendo estudado e empregado principalmente em
condições como epilepsias refratárias, dores crônicas, espasticidade associada
à esclerose múltipla e outros distúrbios neurológicos. Também existem
prescrições para pacientes com transtornos do espectro autista, doença de
Parkinson, ansiedade e insônia, sempre mediante avaliação médica
individualizada. Entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a
Academia Brasileira de Neurologia destacam o avanço das pesquisas envolvendo
canabinoides em diferentes condições clínicas, embora os níveis de evidência variem
conforme a doença analisada.
"A
cannabis medicinal vem sendo cada vez mais estudada e incorporada à prática
clínica em diferentes especialidades. Hoje, existem evidências científicas que
apoiam seu uso em diversas condições, especialmente aquelas relacionadas ao
sistema nervoso e ao controle da dor. Mas é importante reforçar que não existe
uma indicação genérica. Cada caso deve ser avaliado por um profissional
habilitado", explica Juliana Komel, farmacêutica e co-CEO da ALKO do
Brasil.
Quem pode receber prescrição?
Ao
contrário do que muitas pessoas imaginam, não existe uma faixa etária
específica para o uso de medicamentos à base de cannabis. Crianças, adultos e
idosos podem receber indicação médica, desde que haja justificativa clínica e
acompanhamento adequado.
Nos
últimos anos, o tratamento ganhou visibilidade principalmente em casos de
epilepsia infantil de difícil controle, mas atualmente também é utilizado por
pacientes com doenças neurodegenerativas, dores persistentes e transtornos que
afetam significativamente a qualidade de vida.
Cannabis medicinal é diferente do uso recreativo
Uma
das principais dúvidas da população está relacionada à diferença entre cannabis
medicinal e uso recreativo.
Os
medicamentos utilizados em tratamentos médicos passam por processos de controle
de qualidade, possuem concentrações definidas dos canabinoides e são utilizados
com objetivo terapêutico, seguindo protocolos e acompanhamento profissional.
"Existe
uma diferença muito importante entre o uso medicinal e o uso recreativo. Quando
falamos de medicamentos à base de cannabis, estamos falando de produtos
desenvolvidos para fins terapêuticos, com controle de qualidade,
rastreabilidade e acompanhamento médico. O foco é sempre a segurança do
paciente", destaca Juliana.
Quais os principais cuidados?
Especialistas
alertam que a automedicação pode representar riscos. A escolha do produto, da
concentração e da dosagem deve considerar fatores como idade, histórico de
saúde, uso de outros medicamentos e objetivos terapêuticos.
Por
isso, o primeiro passo para quem deseja entender se a cannabis medicinal pode
ser uma opção é buscar orientação médica.
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