Médico de família destaca que consultas regulares permitem a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento, reduzindo riscos à saúde masculina
Hipertensão arterial, saúde mental, diabetes e saúde sexual e
reprodutiva estão entre as principais causas de atendimento da população
masculina na Atenção Primária à Saúde (APS), que é o nível de cuidado focado na
promoção da saúde e controle de doenças crônicas, de acordo com o Ministério da
Saúde (MS). O médico da Família e Comunidade da Amparo Saúde, Pedro Pina,
salienta que, embora muitas dessas doenças se desenvolvam de forma silenciosa,
grande parte dos homens só procura atendimento médico quando os sintomas apresentam
gravidade e já comprometem a qualidade de vida. Para evitar essa situação, ele
afirma que a realização de check-ups periódicos é fundamental para a prevenção,
o diagnóstico precoce e o tratamento das enfermidades antes de se agravarem.
“Parte dessa resistência dos homens em cuidar da saúde decorre de
tabus, desinformação e medo do diagnóstico”, pontua Pina, acrescentando que,
“felizmente, esse cenário vem mudando, principalmente entre os mais jovens, mas
ainda é necessário fortalecer uma cultura de prevenção, mostrando que cuidar da
saúde é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com a família”.
Dados do MS apontam que a principal causa de atendimentos
relacionados à saúde do homem na APS, em todo o país, é a hipertensão arterial,
com um total de 7.395.120 atendimentos em 2025. O número não corresponde a
consultas únicas, já que uma mesma pessoa pode ter buscado o médico mais de uma
vez. Já na atenção especializada, no mesmo ano, foram registrados 1.778.794
atendimentos ambulatoriais e 31.280 internações por diabetes; 734.599
atendimentos e 15.165 internações por hipertensão; 53.308 atendimentos por
episódios depressivos; e 1.590 atendimentos e 134 internações por infertilidade
masculina.
Saúde do homem vai além do câncer de próstata
O médico Pedro Pina ressalta que um dos equívocos mais comuns é
associar a saúde do homem apenas ao câncer de próstata. “O acompanhamento deve
ser amplo e começar na vida adulta e, idealmente, ser contínuo ao longo de todo
o ciclo de vida, não apenas após os 40 ou 50 anos. Pessoas com histórico
familiar de doenças cardiovasculares, diabetes ou alguns tipos de câncer, além
de fatores como tabagismo, obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de
álcool, podem necessitar de avaliações mais precoces e acompanhamento mais
frequente”, afirma ele, reforçando que a medicina baseada em evidências
recomenda que cada avaliação seja indicada de forma individualizada.
Pina acrescenta que os homens devem cuidar da saúde do coração, já
que as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte no
Brasil, com mais de 1.100 óbitos diários, de acordo com o “Cardiômetro”, da
Sociedade Brasileira de Cardiologia. “Hipertensão arterial e colesterol elevado
são doenças que afetam o coração e que, frequentemente, evoluem sem sintomas
nas fases iniciais, o que evidencia um acompanhamento frequente para o
diagnóstico precoce, principalmente se há fatores de risco. Detectar
precocemente permite controlar a doença antes do surgimento de complicações
como infarto e AVC”, afirma.
O médico ainda destaca que alguns cânceres, como o colorretal e,
em situações específicas, o de próstata, assim como diabetes mellitus e doença
renal crônica, podem ter melhores desfechos quando diagnosticados
oportunamente.
Saúde mental e Atenção Primária
A atuação da Atenção Primária à Saúde é essencial para identificar
problemas de saúde mental que, muitas vezes, passam despercebidos, como
ansiedade e depressão. “Muitas vezes, homens não relatam tristeza
espontaneamente, mas apresentam irritabilidade, insônia, fadiga, dores
persistentes, aumento do consumo de álcool ou queda no desempenho profissional.
O médico de família busca compreender o contexto de vida, faz perguntas abertas
e, quando necessário, utiliza instrumentos validados para rastreamento. O
cuidado em saúde mental deve ser integrado ao acompanhamento da saúde física e
livre de estigmas”, informa.
Além das doenças crônicas, o especialista chama atenção para outra
importante causa de mortalidade masculina: as mortes por causas externas, como
acidentes de trânsito e episódios de violência. Segundo ele, comportamentos de
risco frequentemente estimulados por padrões culturais de masculinidade também
precisam fazer parte das ações de prevenção.
“Além disso, é fundamental avaliar vacinação, saúde sexual, uso de
álcool e outras drogas, atividade física, alimentação e qualidade do sono. Um
bom check-up é centrado na pessoa, considerando seu contexto de vida, seus
fatores de risco e suas necessidades, e não apenas uma lista de exames”, diz.
Responsabilidade sobre o autocuidado
O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados
para evitar complicações graves. “O maior medo do homem, muitas vezes, não é a
morte, é o sofrimento. Ninguém gostaria de viver em cima da cama, sem gozar das
suas capacidades. Por isso, é importantíssimo que os homens assumam a
responsabilidade sobre o autocuidado, porque a prevenção não está em fazer
exames indiscriminadamente, mas em realizar consultas periódicas, identificar
fatores de risco, atualizar vacinas, receber orientação sobre hábitos saudáveis
e realizar os exames que realmente trazem benefício. O objetivo é viver mais,
com qualidade de vida e independência”, conclui o médico.
Amparo Saúde
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