Especialistas alertam que umidade elevada e
ambientes fechados favorecem a proliferação de mofo e ácaros, transformando o
interior das residências em gatilho para alergias
Com
a sequência de dias chuvosos, o aumento da umidade dentro das residências tem
provocado uma onda de crises respiratórias. Embora a chuva não seja a causa
direta da rinite, a combinação de umidade, pouca ventilação e superfícies que
demoram para secar cria o cenário ideal para a proliferação de mofo e ácaros,
principais vilões da saúde respiratória nesta época.
Especialistas
explicam que a permanência prolongada em ambientes fechados e mal ventilados
durante os temporais potencializa a inalação dessas partículas, desencadeando
inflamações nas vias aéreas.
"A
umidade favorece a proliferação de fungos, responsáveis pelo mofo, e a
proliferação de ácaros. Essas partículas ficam suspensas no ar e, quando
inaladas, podem desencadear a inflamação das vias respiratórias, causando
sintomas alérgicos como espirros, coriza, obstrução nasal e tosse, além de
poder agravar a asma", alerta a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista
e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia
Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
O perigo
invisível dentro de casa
O
mofo nem sempre se apresenta em manchas visíveis nas paredes. O cheiro
característico, mesmo sem sinais aparentes, já é um indicativo de alerta para a
saúde respiratória.
"O
cheiro pode indicar excesso de umidade e crescimento de fungos em locais
escondidos, como atrás de móveis, dentro de armários, forros, paredes ou
aparelhos de ar-condicionado. Uma pista importante é perceber se os sintomas
pioram em determinado cômodo e melhoram quando a pessoa sai do ambiente",
pontua a Dra. Roberta Pilla.
A
Dra. Maura Neves, médica otorrinolaringologista e doutora pela Universidade de
São Paulo (USP), reforça que o ambiente interno deve ser rigorosamente
observado quando os sintomas se manifestam logo ao acordar, aumentam com o
cheiro de umidade ou somem fora de casa.
"Nem
toda reação ao ambiente significa rinite alérgica. Mas vários dias de umidade,
pouca ventilação e superfícies que demoram para secar favorecem mofo e ácaros,
fatores que podem piorar espirros, coceira, coriza e obstrução nasal",
destaca a Dra. Maura Neves.
Como agir e o
que evitar
Para
combater o problema, a principal recomendação médica é eliminar a origem da
umidade, corrigindo vazamentos, infiltrações e goteiras. Medidas como afastar
móveis de paredes frias, ventilar banheiros e cozinhas, e manter a umidade
interna abaixo de 60% com o auxílio de desumidificadores ou aparelhos de
ar-condicionado com filtros limpos fazem diferença.
As
médicas alertam, contudo, sobre medidas paliativas ineficazes, como pintar por
cima do mofo, usar aromatizadores para disfarçar o cheiro, recorrer a
umidificadores sem necessidade ou misturar produtos de limpeza na tentativa de
higienizar as superfícies.
A
avaliação médica com um otorrinolaringologista torna-se indispensável quando os
sintomas são persistentes, prejudicam o sono, afetam a qualidade de vida ou
exigem o uso repetido de medicamentos. A exposição contínua pode manter a
mucosa respiratória inflamada, dificultando o controle de condições como a
rinite e a asma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário