Especialista explica como a inteligência artificial já faz parte da rotina de alunos e professores
Seja para elaborar trabalhos, pesquisar conteúdos, criar planos de
aula ou personalizar atividades, ferramentas baseadas em IA já são utilizadas
por alunos e professores em diferentes etapas do ensino. Agora, o desafio não é
decidir se elas devem estar presentes no ambiente escolar, mas compreender como
podem ser incorporadas de forma responsável e pedagógica.
De acordo com a pesquisa TIC Educação 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 70% dos estudantes do Ensino Médio utilizam
inteligência artificial generativa para realizar pesquisas escolares.
Entre os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental,
esse percentual é de 39%, enquanto 15% dos estudantes dos anos iniciais
também já fazem uso da tecnologia. Apesar da rápida adoção,
apenas 32% dos estudantes afirmam ter recebido orientação da escola sobre como
utilizar essas ferramentas da melhor forma , evidenciando um
descompasso entre o avanço tecnológico e a preparação das instituições de
ensino.
Outro levantamento, esse da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) aponta que mais
da metade dos professores brasileiros já utilizam recursos de inteligência
artificial para apoiar atividades como planejamento de aulas, criação de
exercícios, adaptação de conteúdos e elaboração de avaliações. Ao mesmo tempo,
muitos profissionais ainda relatam falta de capacitação específica para
explorar todo o potencial dessas ferramentas de maneira segura.
Para Giovanni La Porta, CEO da Vortice.ai e especialista em
inteligência artificial, a IA deve ser utilizada como um recurso de apoio ao
processo de aprendizagem, e não pode ser vista como um substituto da construção
do conhecimento.
"A inteligência artificial é uma tecnologia de apoio à tomada
de decisão e à construção do conhecimento. Ela automatiza tarefas operacionais
e amplia o acesso à informação, mas não substitui competências cognitivas
complexas, como pensamento crítico, interpretação, argumentação e capacidade de
resolver problemas. A escola deve integrar essas ferramentas de forma
estratégica, garantindo que a tecnologia potencialize e não substitua o
processo de aprendizagem".
Personalização
do ensino e inclusão entre os principais benefícios
Diferente dos modelos tradicionais, ferramentas baseadas em IA
conseguem adaptar conteúdos conforme o ritmo, as dificuldades e o perfil de
cada estudante, oferecendo exercícios personalizados, explicações alternativas
e feedbacks praticamente em tempo real.
Essa capacidade também representa um crescimento importante para a
educação inclusiva. Recursos como leitura automática de textos, legendas em
tempo real, tradução, adaptação da linguagem, síntese de conteúdos e
assistentes conversacionais contribuem para ampliar o acesso ao conhecimento
por estudantes com deficiência visual, deficiência auditiva, dislexia,
Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), por exemplo e
outras necessidades específicas.
"A IA consegue reduzir barreiras que antes dificultavam o acesso
ao aprendizado. Um aluno pode receber uma explicação em outra linguagem,
transformar um texto complexo em algo mais acessível ou contar com recursos de
acessibilidade instantaneamente. Isso amplia oportunidades, mas exige
acompanhamento do professor para que a tecnologia realmente promova
inclusão", explica Giovanni.
Além dos ganhos para os estudantes, a inteligência artificial
também pode reduzir o tempo gasto pelos professores com tarefas operacionais,
permitindo maior dedicação ao acompanhamento individual das turmas.
Dependência da IA e plágio
Uma das principais dificuldades está relacionada à dependência
excessiva da tecnologia. Quando utilizada apenas para gerar respostas prontas,
a IA pode reduzir o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como pesquisa,
escrita, interpretação e pensamento crítico. Em vez de construir conhecimento,
o estudante passa apenas a reproduzir conteúdos produzidos pela ferramenta.
Outro ponto de atenção é o plágio. Com a facilidade para gerar
textos completos em poucos segundos, cresce a preocupação das instituições de
ensino em diferenciar o uso responsável da inteligência artificial da simples
cópia de conteúdos. Como consequência, muitas escolas e universidades vêm
reformulando seus métodos de avaliação, priorizando apresentações orais,
projetos, resolução de problemas e atividades desenvolvidas em sala de aula.
"A pergunta que professores e escolas devem fazer e
supervisionar, é a forma que o aluno utiliza a IA dentro de sala de aula. A
tecnologia pode contribuir para organizar ideias, o problema surge quando ela
substitui completamente o processo de aprendizagem. É necessário
equilibrar", afirma Giovanni.
IA
exige letramento digital e novas competências
À medida que a inteligência artificial se consolida nas escolas,
cresce a necessidade de desenvolver o chamado letramento em IA, conjunto de
competências que permite compreender o funcionamento dessas ferramentas. Em vez
de competir com a tecnologia, educadores podem intervir como mediadores da
aprendizagem.
“Ferramentas como ChatGPT, Gemini,
Microsoft Copilot, Claude, NotebookLM,
Khanmigo e plataformas voltadas à criação de planos de
aula, apresentações e atividades pedagógicas já fazem parte da rotina de muitas
instituições de ensino. No entanto, nenhuma delas substitui a mediação
pedagógica”, conclui Giovanni.
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