82% acreditam que as mudanças climáticas já afetam a vida no país, 54% já sofreram impactos diretos e 72% avaliam que o Brasil não cuida do meio ambiente como deveria
Durante anos, as
mudanças climáticas foram tratadas como um problema do futuro. Hoje, elas já
fazem parte da rotina dos brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de
Pesquisa Aerah House mostra que 82% da população acredita que eventos como
ondas de calor, enchentes e secas já afetam a vida das pessoas no país. Mais do
que isso: 54% afirmam ter sido impactados diretamente por problemas ambientais
ou climáticos nos últimos anos.
Os números ganham
ainda mais relevância em um momento em que especialistas acompanham a
possibilidade de formação de um novo episódio do El Niño, fenômeno climático
associado ao aumento das temperaturas globais e capaz de provocar efeitos
significativos no Brasil, como secas mais severas em algumas regiões, aumento
das chuvas em outras e maior ocorrência de eventos extremos.
Para Fernanda Faria,
sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, os dados mostram uma
mudança importante na forma como a população percebe a crise climática.
"Os dados mostram
que a mudança climática deixou de ser percebida como um problema distante para
se tornar uma experiência concreta. Os brasileiros não estão falando apenas
sobre algo que pode acontecer no futuro. Eles estão falando sobre enchentes,
secas, ondas de calor e outros eventos que já afetam seu cotidiano",
afirma.
A pesquisa também
identificou que 72% dos entrevistados acreditam que o Brasil não está cuidando
do meio ambiente como deveria. Para a especialista, esse resultado mostra que o
debate evoluiu.
"Existe não
apenas o reconhecimento do problema, mas também a percepção de que as respostas
ainda não estão acontecendo na intensidade necessária. A discussão deixou de
ser sobre a existência da crise climática. O debate agora é sobre seus impactos
e sobre a capacidade do país de enfrentá-los", explica.
Segundo Fernanda, a
possibilidade de um novo El Niño se soma a um cenário em que os brasileiros já
demonstram preocupação crescente com estabilidade e proteção.
"A pesquisa
mostra uma população que já vive sob pressão financeira, emocional e social.
Quando surge a possibilidade de novos eventos climáticos extremos, isso tende a
reforçar a percepção de instabilidade. Quanto maior a sensação de
imprevisibilidade, maior tende a ser a busca por segurança, planejamento e
proteção", destaca.
Na avaliação da
especialista, o clima também deixou de ser uma pauta restrita ao meio ambiente
e passou a influenciar diretamente aspectos econômicos e sociais.
"Quando secas
afetam a produção agrícola e pressionam o preço dos alimentos, quando enchentes
interrompem o transporte, o trabalho e a rotina das cidades, ou quando ondas de
calor aumentam problemas respiratórios e cardiovasculares, a questão climática
deixa de ser apenas ambiental. Ela passa a influenciar diretamente o custo de
vida, a saúde, a renda e a qualidade de vida da população", afirma.
O estudo sugere que os
brasileiros já compreendem essa relação. A preocupação ambiental não aparece
apenas como uma questão de consciência, mas como um tema ligado à segurança, à
qualidade de vida e à capacidade de planejamento das famílias.
Para Fernanda, o
principal alerta é que a população já percebe os riscos e já sente seus
impactos.
"O desafio não é
mais conscientizar sobre a existência do problema. O desafio é construir
respostas concretas. Os brasileiros reconhecem os efeitos das mudanças
climáticas e, ao mesmo tempo, acreditam que o país não está cuidando do meio ambiente
como deveria. Isso sugere uma expectativa crescente por planejamento, prevenção
e adaptação."
A conclusão da
pesquisa aponta para uma mudança relevante no debate climático brasileiro. Mais
do que discutir se as mudanças climáticas existem, a sociedade passou a
questionar como conviver com seus efeitos e se o país está preparado para
enfrentar uma realidade que já faz parte do presente.
Sobre a pesquisa
A pesquisa “O Brasil
de Agora - A Vida Sob Novas Condições” foi realizada pela Aerah House com 2.000
brasileiros acima de 18 anos em todas as regiões do país.
Com mais de 25
perguntas de diversas frentes, a coleta foi realizada em abril de 2026, com
amostra representativa da população brasileira por região, sexo, faixa etária e
classe social. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de
confiança de 95%.
Aerah House

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