Mostra abre para o
público em 22 de maio, no Museu do Futebol, reunindo 18 uniformes originais
usados nas Copas de 1958 a 2022
Você sabia que a Seleção Brasileira nem sempre
vestiu amarelo? O branco era a cor principal do nosso uniforme até que a
derrota na final de 1950 para o Uruguai, em pleno Maracanã, provocou a mudança
nas cores do time nacional. A origem da icônica “camisa
canarinho” será contada na exposição temporária Amarelinha, que entra em cartaz no Museu do Futebol a partir de 22 de maio, como parte
das ações especiais da instituição para o ano de Copa do Mundo da FIFA de
futebol masculino. A mostra revisita a trajetória de um símbolo que saiu dos
campos para se tornar parte da cultura brasileira e referência no imaginário
global do futebol, reunindo 18 camisas de lendários jogadores,
como Sócrates, Rivellino, Ronaldo e
Vini Jr. Localizado no Estádio do Pacaembu, o Museu é uma instituição
da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São
Paulo.
"Com camisas
de ídolos que jogaram ao longo
dos últimos 70 anos, a exposição Amarelinha vai ser uma oportunidade de gerar diálogo entre várias gerações de fãs do futebol brasileiro. Elas são testemunhos de conquistas, momentos decisivos e
também tristes que marcam a nossa história
no esporte – e na vida. Queremos que a exposição desperte o orgulho pela
alegria do nosso futebol, que está na nossa identidade como brasileiros”, afirma a secretária da
Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo,
Marília Marton.
Com curadoria do jornalista Marcelo
Duarte e da equipe do Centro de Referência do Futebol Brasileiro - núcleo do Museu do
Futebol dedicado à pesquisa e acervos –, a
mostra recebeu peças emprestadas de cinco colecionadores de
camisas: Marcelo Monteiro, Thiago Succar, Salomão Furer Jr.,
Cássio Brandão e Rodrigo Viana. Amarelinha conta com patrocínio máster da
Petrobras, patrocínio do Grupo Globo, Mercado Livre, Coca-Cola
FEMSA Brasil e Sabesp. A Temporada 2026 do Museu do Futebol é
uma realização do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura,
por meio da Lei Rouanet.
As
camisas selecionadas para a exposição estiveram efetivamente em mundiais, entre
1958 e
2022. Entre elas, há “camisas suadas”, realmente usadas por jogadores que entraram em
campo; “camisas usadas”, ou seja, vestidas por jogadores que ficaram no
banco de reserva; e “camisas preparadas”, itens que foram levados para
o torneio. São exibidos na exposição uniformes utilizados por Vinícius
Jr. nas quartas de final da Copa de 2022, e
Didi, campeão do mundo em
1962, além de uniformes usados por lendas como
Sócrates, Ronaldinho Gaúcho e Rivellino, entre outros. Especialmente para a exposição,
o Museu do Futebol vai recolocar em exibição a camisa usada por Pelé na final da Copa de 1970, contra
a Itália, quando o Brasil
se sagrou tricampeão. A peça,
que faz parte do acervo do Museu, volta à
vitrine especialmente construída para ela na Sala
Pelé, que faz homenagem ao Rei do Futebol,
na exposição principal
do Museu. Em uma vitrine ao lado, será também apresentada camisa
da Seleção Brasileira de
1994, autografada pelos heróis do tetracampeonato mundial,
em celebração a uma das maiores conquistas da
história do futebol brasileiro.
Materialidade e preservação
Amarelinha propõe a valorização das camisas não apenas pelo que representam
simbolicamente, mas também por sua materialidade e sobre as questões relacionadas
à fabricação, uso, colecionismo,
preservação e conservação - um trabalho contínuo e multifacetado
que envolve técnicas e profissionais de diversos campos. Assim, a mostra tem
módulos dedicados a apresentar o tecido: há um glossário têxtil, mostrando os vários
tipos de tecituras, uma linha do tempo mostrando o desenvolvimento das
técnicas de confecção de camisas, e uma camisa tátil, que poderá ser
tocada pelos visitantes.
“Amarelinha é uma oportunidade única de olhar para
a camisa da Seleção Brasileira para além do símbolo que todos conhecemos. Cada
uma dessas 18 peças carrega histórias de jogo, de atletas, de torcidas, de
design e de tecnologia têxtil. Reuni-las no Museu do Futebol, a partir de
coleções particulares e em diálogo com o público, é um acontecimento especial:
um convite para observar essas camisas como objetos de museu, em todas as suas
camadas de memória, informação e significado”, afirma a diretora técnica do
Museu do Futebol, Marília Bonas.
História
A mostra apresenta ainda a história da criação da camisa amarela: depois
da derrota do Brasil para o Uruguai em pleno Maracanã, na final da Copa de
1950, um concurso nacional foi criado pela
Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e pelo jornal Correio
da Manhã para substituir o uniforme da Seleção Brasileira, que até
então era branco. Um dos requisitos do concurso era que o uniforme
utilizasse as quatro cores da bandeira nacional. A proposta vencedora
foi a de Aldyr Schlee que, ironicamente, morava na
fronteira entre o Brasil e Uruguai e tinha simpatia por nossos algozes
do Maracanazo. Ele sugeriu o uso do amarelo ouro na camisa,
com gola e punhos em verde, e o calção azul cobalto. O branco entrou nos
meiões.
Toda essa história é mostrada na exposição por meio
dos desenhos de Aldyr, além de experiências interativas analógicas e
digitais que apresentam uniformes e curiosidades das camisas de
Copas. "A história de Aldyr Schlee, criador da camisa amarela, é
bastante curiosa. Ele morava na divisa do Brasil com o Uruguai e se sentia com
o coração dividido. A parte que mais me toca é que, ao saber que o Uruguai
havia derrotado o Brasil na final da Copa de 1950, Aldyr não entendia se as
lágrimas eram de alegria ou tristeza. Amarelinha é uma chance
rara de ver tantas camisas históricas reunidas. O alto valor das relíquias da
Seleção Brasileira tem levado essas peças para fora, compradas por grandes
colecionadores internacionais.", disse Marcelo Duarte, curador da
exposição.
Interatividade
A área interativa da exposição convida o público a participar de forma simples
e direta. Por meio de um totem, o visitante escolhe o conteúdo que deseja
explorar e acompanha a exibição em uma tela de projeção. É possível optar por
dois caminhos, um é de visualização de fichas de todas as seleções que já
participaram de Copas, que contém ilustrações de seus uniformes e informações
relevantes e o outro é acessar uma seleção de curiosidades
relacionadas às peças mais significativas das edições das Copas do mundo.
Entre as curiosidades apresentadas, o público
poderá conhecer, por exemplo, histórias sobre partidas marcantes em que
determinadas camisas foram utilizadas, detalhes sobre jogadores que vestiram
esses uniformes e informações sobre mudanças no design ao longo das
décadas. Um conteúdo pensado em parceria com o FutBox. A proposta
é oferecer uma experiência dinâmica, que amplia o entendimento sobre os itens
expostos e aproxima o visitante das narrativas que envolvem cada camisa ou
seleção.
"Há tempos que o Museu do Futebol trabalha
pontualmente com o universo das camisas de times em suas programações culturais
e projetos expositivos. Porém, com a exposição Amarelinha, chegou a hora de
celebrar e apresentar ao público mais amplo o icônico universo do objeto mais
aclamado do futebol: as camisas da seleção com suas curiosas histórias,
texturas e visualidades. É com alegria que realizamos não somente as exibições
das peças, mas debatemos toda a cadeia criativa, de produção e até da natureza
dos tecidos que originam as Amarelinhas e suas correlatas boleiras.",
finalizou Maíra Machado, coordenadora do Núcleo de Exposições e Programação
Cultural do Museu do Futebol.
Conheça a exposição módulo a módulo
Amarelinha é dividida em três eixos: Antes da Amarelinha, Camisa: vestimenta,
expressão, documento e Seleções e Copas.
Antes da Amarelinha aborda a criação da camisa amarela em 1953, após a rejeição do
uniforme branco usado até a Copa de 1950. O núcleo apresenta documentos,
imagens e um audiovisual sobre o concurso vencido por Aldyr Garcia Schlee, além
de contextualizar o impacto da derrota de 1950 na construção desse novo símbolo.
Camisa: vestimenta, expressão,
documento reúne as 18 peças centrais da exposição e
propõe um olhar ampliado sobre a camisa, para além da função esportiva. As
peças revelam identidades, contextos culturais e momentos marcantes do futebol
brasileiro. O eixo inclui, ainda, uma instalação com verbetes sobre o
universo têxtil e uma mesa sensorial, onde o visitante pode observar, por meio
de microscópio digital e painéis táteis, as diferenças entre
tecidos como algodão e poliéster.
Seleções e Copas apresenta uma linha do tempo que relaciona as transformações das
Copas do Mundo à evolução dos uniformes. O espaço reúne curiosidades,
informações sobre as 84 seleções que já participaram do torneio e depoimentos
de jogadores sobre o significado da camisa em diferentes gerações.
SERVIÇO
Museu do Futebol
Exposição temporária Amarelinha
De 22 de maio a 6 de setembro de 2026.
Museu do Futebol
Praça Charles Miller, s/n - Pacaembu - São Paulo
De terça a domingo, das 9h às 18h (entrada permitida até as 17h)
Toda primeira terça-feira do mês, até as 21h (entrada até 20h)
R$ 24,00 (inteira) e R$ 12,00 (meia)
Crianças até 7 anos não pagam
Grátis às terças-feiras
Garanta o ingresso pela internet:
Estacionamento com Zona Azul Especial — R$ 6,95 por três horas

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