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sexta-feira, 1 de maio de 2026

1º de Maio: retrato do trabalhador brasileiro revela desafios de jornada, saúde mental e desigualdade de gênero

Segundo o Painel de Impacto Social da VR, a estimativa anual de ganhos econômicos para as empresas-clientes supera R$ 1 bilhão, puxada pela redução de turnover e de processos trabalhistas

 

No Dia Mundial do Trabalho (1º de maio), a VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, divulga um retrato do mercado formal de trabalho brasileiro. Os dados são provenientes do Painel de Impacto Social da VR, ferramenta proprietária que monitora indicadores internos e externos com base em informações de mais de 4 milhões de trabalhadores e mais de 100 mil empresas-clientes dos serviços de RH digital, benefícios, mobilidade, serviços financeiros, entre outros. O levantamento permite uma leitura das condições e dos desafios enfrentados no mercado, tanto para quem emprega quanto para quem é empregado. O estudo abrange quatro frentes: jornada e escala, gestão de riscos, saúde mental e desigualdade de gênero.
 

Jornada e escala como variáveis estratégicas 

Antes de tudo, é preciso diferenciar uma questão que pode estar confundindo o debate. A jornada reflete a quantidade de horas trabalhadas e as respectivas pausas associadas ao período. Já a escala define a estrutura e como essas horas estão distribuídas. A partir dessa diferenciação, os dados indicam que uma parcela relevante da força de trabalho está inserida em modelos mais intensos, composta predominantemente por homens (74%), jovens entre 25 e 39 anos (47%) e pertencentes à classe C (64%).
 

Entre os usuários dos serviços de marcação de ponto e gestão de escala da VR, 4 em cada 10 atuam no modelo 6x1. Os setores com maior concentração desse regime são Comércio (49%), Bares e Restaurantes (16%) e Saúde (8%), evidenciando uma variedade de segmentos da economia. Mesmo dentro desse modelo, há diferenças: 23,3% estão em faixa de excesso moderado, enquanto 5,3% cumprem jornadas em nível considerado de excesso mais significativo. Em comparação com a escala 5x2, 13,2% estão na faixa de excesso moderado e 0,6% em níveis mais elevados.
 

Os dados também mostram um contingente de trabalhadores com vale-transporte acima de R$ 700 por mês, o que pode indicar deslocamentos mais longos. Dessa forma, o formato de escala, isoladamente, não explica os impactos observados, que dependem também de fatores como organização das pausas, carga de horas, dimensionamento das equipes e distância entre casa e trabalho.
 

Gestão e Riscos 

A relação entre modelo de escala e impacto no desempenho, seja individual ou no negócio, não é diretamente proporcional. Empresas que adotam o mesmo modelo podem apresentar resultados distintos. Nesse contexto, o modelo de escala, isoladamente, não é suficiente para explicar os impactos observados, sendo necessário considerar a forma como o trabalho é configurado no dia a dia.
 

Os dados do Painel de Impacto Social da VR apontam que empresas que adotaram monitoramento estruturado e gestão preventiva de riscos operacionais e de saúde conseguiram reduzir os processos trabalhistas em até 34,7%. Somando turnover, processos trabalhistas e outras frentes do ecossistema, o impacto econômico anual estimado para as empresas-clientes supera R$ 1 bilhão.
 

Saúde mental em alerta 

Os transtornos mentais passaram a ocupar uma posição importante no ambiente de trabalho e revelam um quadro de adoecimento mais frequente e, por vezes, mais complexo. Entre 2023 e 2025, os transtornos de ansiedade seguiram como o principal grupo de afastamentos por saúde mental, variando pouco no triênio, entre 54% dos diagnósticos em 2023, 52% em 2024 e 49% em 2025.
 

No mesmo período, os transtornos depressivos também ficaram relativamente estáveis, na faixa de 29% a 31% dos diagnósticos. Já os transtornos mistos ansioso-depressivos apresentaram uma leve subida, saindo de 14% em 2023 para 19% em 2024 e 18% em 2025. Essas combinações de CIDs (Código Internacional de Doenças) foram registradas nos mesmos atestados médicos apresentados pelos trabalhadores, grande parte diretamente pelo SuperApp VR para justificar a ausência.
 

Também chama atenção o avanço dos quadros ligados ao trabalho, como burnout, estresse e fadiga, que passaram da faixa de 1,5%–2,5% em 2023 para 6%–8% em 2025. Os afastamentos por saúde mental registram uma ausência média de 11 a 14 dias por ocorrência. Nos recortes de jornada analisados, trabalhadores em escala 6x1 apresentam cerca de 2% a mais de afastamentos do que os que estão em 5x2, mas esse dado, isoladamente, não explica o adoecimento.
 

Desigualdade de gênero no ambiente corporativo 

A desigualdade de gênero aparece em diferentes dimensões nos dados analisados. No primeiro trimestre de 2026, 7 em cada 10 afastamentos por depressão ocorreram entre mulheres, que ainda lidam com a sobrecarga no cuidado familiar: 68% dos atestados médicos para acompanhar filhos ou outros familiares em consultas e tratamentos foram registrados por mulheres, evidenciando o acúmulo de responsabilidades dentro e fora do ambiente de trabalho. Esse cenário indica que a sobreposição entre carreira e cuidado, impacta diretamente a trajetória profissional feminina e reforça uma vulnerabilidade estrutural do mercado

Ao mesmo tempo, os dados mostram que mulheres empreendedoras também contratam mais mulheres: a participação feminina nas contratações sobe de 44,8% para 53,8% quando a liderança do negócio é uma mulher.
 

Há, porém, uma dimensão mais grave dessa desigualdade. Entre 2024 e 2026, os afastamentos relacionados à violência contra a mulher cresceram 152%, sendo 85% dos casos associados a agressões físicas. Os dados reforçam que a violência, muitas vezes tratada como um problema restrito ao ambiente doméstico, também impacta diretamente o mundo do trabalho.


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