Novo
movimento no setor de comunicação aponta para uma mudança menos sobre responder
e mais sobre executar
Durante
anos, os chatbots ocuparam o centro das estratégias digitais de atendimento.
Prometeram escala, agilidade e redução de custos. Entregaram parte disso, mas
também acumularam frustrações: respostas limitadas, fluxos engessados e pouca
capacidade de resolver problemas mais complexos.
Agora,
começa a ganhar força uma nova abordagem: agentes de Inteligência Artificial
capazes não só de conversar, mas de agir. É nesse contexto que a Sinch passa a
estruturar sua oferta em torno do conceito de agentic conversations, uma camada
que permite colocar esses agentes para operar em canais como WhatsApp, RCS,
SMS, voz e e-mail, conectados aos sistemas das empresas.
A
mudança não é apenas tecnológica, mas de expectativa. Se antes a IA era usada
principalmente para responder perguntas, agora a cobrança é outra: resolver
demandas completas, mesmo quando envolvem múltiplas etapas, dados internos e
diferentes canais.
No
Brasil, onde o uso de aplicativos de mensagem é massivo e o RCS começa a
avançar, esse tipo de transição tende a acontecer mais rápido. Ao mesmo tempo,
a popularização da IA generativa acelerou o interesse por soluções que consigam
ir além da interface conversacional.
Mas
há um ponto menos visível nessa discussão: fazer um agente funcionar no mundo
real é mais difícil do que fazê-lo responder bem. Para executar tarefas, esses
sistemas precisam acessar dados, acionar processos e operar com segurança. Também
precisam lidar com volume, falhas, regras regulatórias e riscos como fraude ou
uso indevido.
É
justamente nessa camada que a Sinch posiciona sua atuação: menos como
fornecedora de um agente específico e mais como infraestrutura para que
diferentes agentes possam operar em canais de comunicação. “Existe uma
diferença grande entre um agente que responde bem e um que consegue realmente
concluir uma ação”, afirma Daniel Morris, Chief Product Officer da Sinch.
“Quando você entra na execução, entram também questões de segurança, integração
e confiabilidade.”
A
proposta da empresa é permitir que as companhias avancem nesse modelo sem
ficarem presas a uma única tecnologia ou fornecedor. Isso inclui desde o uso de
ferramentas próprias até a integração com soluções desenvolvidas internamente
ou por parceiros.
O
movimento também antecipa um aumento relevante no volume de interações. Se
agentes passam a executar tarefas, a tendência é que mais etapas da jornada do
cliente migrem para canais conversacionais, ampliando o tráfego em mensagens,
voz e e-mail. Com isso, a discussão deixa de ser apenas sobre inteligência
artificial e passa a envolver infraestrutura, governança e controle.
A
pergunta que começa a surgir não é mais se a IA consegue conversar bem — mas se
ela consegue operar com consistência em ambientes reais, onde cada interação
pode envolver dados sensíveis, regras específicas e consequências concretas. É
nesse espaço mais complexo que a próxima fase da comunicação entre empresas e
clientes começa a se desenhar.
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