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terça-feira, 21 de abril de 2026

Nova descoberta sobre microbioma intestinal e avanço com células-tronco reposicionam debate sobre Parkinson

Casos de Parkinson podem dobrar até 2050 no mundo: além dos avanços medicamentosos, estudos clínicos com recrutamento ativo, ultrassom e marca-passos cerebrais ampliam o controle dos sintomas


A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa em crescimento no mundo. Estudo publicado na revista científica britânica British Medical Journal (BMJ), em 2025, liderado pelo neurologista Tao Feng, da Peking University Third Hospital, e baseado em dados do Global Burden of Disease, projeta que o número de pessoas vivendo com a doença pode chegar a 25,2 milhões até 2050 — um aumento de 112% em relação a 2021. O envelhecimento da população é apontado como o principal fator para esse avanço, seguido pelo crescimento populacional e por mudanças na prevalência da doença.

Uma nova frente de pesquisa amplia o entendimento sobre a doença. Estudo da Yale School of Medicine, publicado recentemente na revista Nature Microbiology, indica que o microbioma intestinal pode interferir diretamente na eficácia da levodopa, principal tratamento do Parkinson². Ao mesmo tempo, avanços internacionais, como a aprovação pelo Ministério da Saúde do Japão de uma terapia baseada em células-tronco pluripotentes induzidas, apontam para uma nova etapa no tratamento, com foco na reposição de neurônios produtores de dopamina³.

“O Parkinson deixou de ser analisado apenas como uma doença neurológica isolada. Hoje, falamos de um processo que envolve também fatores sistêmicos, como o intestino e a resposta inflamatória do organismo”, afirma o neurologista da Dasa e coordenador do Núcleo da Memória do Alta Diagnósticos, dr. Diogo Haddad.

A doença é marcada pela degeneração progressiva de neurônios produtores de dopamina, comprometendo o controle dos movimentos e outras funções do sistema nervoso central.

“O grande desafio é que ela começa antes dos sintomas clássicos. Quando o tremor aparece, muitas vezes o processo já está em curso há anos. Por isso, reconhecer sinais precoces e ampliar a investigação é fundamental”, diz Haddad.

Além dos sintomas motores — como tremores, rigidez e lentidão —, o especialista chama atenção para manifestações menos conhecidas. “Alterações no olfato, distúrbios do sono e constipação intestinal podem surgir antes e impactam diretamente a qualidade de vida. Esses sinais ainda são subvalorizados.”
 

O diagnóstico pelo DNA

Na prática clínica, o diagnóstico continua sendo predominantemente clínico, apoiado pela resposta à levodopa e por exames complementares para excluir outras condições. Em casos selecionados, a investigação genética pode ser incorporada, especialmente quando há suspeita de início precoce ou histórico familiar.

Entre os exames disponíveis, destacam-se o Painel NGS para Doença de Parkinson de Início Precoce, que avalia múltiplos genes associados à condição, e o Sequenciamento Completo do Gene PARK2 - NGS, mais direcionado a casos de Parkinson juvenil.

“Esses testes ajudam a identificar casos nos quais a carga genética é predominante para a ocorrência da doença, que provocam um início mais precoce, e uma evolução e resposta medicamentosa diferente da habitual.”, explica Gustavo Guida, médico geneticista na Dasa Genômica. “Eles ampliam a capacidade de entender o paciente e orientar a família”, completa.
 

Terapias por estímulos cerebrais

Se o diagnóstico evolui, o tratamento também passa por transformação. A base ainda é medicamentosa, com reposição de dopamina, mas novas abordagens vêm ganhando espaço, especialmente em pacientes que não respondem mais adequadamente às terapias tradicionais.

“A estimulação cerebral profunda, conhecida como marca-passo cerebral, já é uma realidade consolidada. O ultrassom focado surge como alternativa não invasiva, com resposta rápida para controle de tremores”, afirma o neurologista.
 

Pesquisas clínicas avançam nas descobertas sobre a doença

Esse cenário também impulsiona a pesquisa clínica no Brasil. Instituições e empresas como a Dasa mantêm estudos em andamento voltados ao Parkinson, com recrutamento ativo de voluntários. As iniciativas são conduzidas por centros como o CPClin, responsáveis por estruturar protocolos e ampliar o acesso a novas abordagens terapêuticas.

Atualmente, um dos estudos em curso seleciona homens e mulheres entre 50 e 85 anos, diagnosticados nos últimos três anos, em tratamento exclusivamente com levodopa ou Prolopa, sem histórico de quedas frequentes ou diagnóstico de demência. O cadastro para participação está disponível em: https://lps.cpclin.com.br/pesquisa-2026

“A pesquisa clínica conecta o que está sendo desenvolvido no laboratório com a prática. É onde conseguimos validar novas abordagens e oferecer alternativas para pacientes que muitas vezes já esgotaram as opções disponíveis”, completa dr. Haddad.

Para o especialista, o avanço da ciência aponta para uma mudança estrutural no cuidado. “O futuro do Parkinson passa por diagnóstico mais precoce, medicina personalizada e maior acesso à pesquisa. A doença continua desafiadora, mas hoje existem mais caminhos do que havia há poucos anos.”

  

Referências

  1. GLOBAL BURDEN OF DISEASE STUDY. Global, regional, and national burden of Parkinson’s disease, 1990–2021. BMJ, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 13 abr. 2026.
  2. VERDEGAAL, A. et al. Drug–microbiome interactions affect levodopa metabolism. Nature Microbiology, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 13 abr. 2026.

3.    NATURE. Japan approves stem cell therapy for Parkinson’s disease. Nature, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 13 abr. 2026.


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