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terça-feira, 21 de abril de 2026

Problema cerebral tratável pode estar por trás de casos confundidos com Alzheimer

Hidrocefalia em adultos pode afetar até 2% da população idosa e ainda é subdiagnosticada, alertam especialistas
 

Dificuldade de memória, alterações na marcha e episódios de confusão mental costumam acender um alerta imediato para doenças como Alzheimer, especialmente em idosos. No entanto, em alguns casos, esses sinais podem estar relacionados a uma condição neurológica diferente, e potencialmente tratável: a hidrocefalia de pressão normal. 

Mais comum em pessoas acima dos 60 anos, a doença é caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos cerebrais, levando à compressão de estruturas importantes do cérebro. De acordo com estudos publicados em periódicos como o Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry e dados da Hydrocephalus Association, a hidrocefalia de pressão normal pode afetar entre 1% e 2% da população idosa, embora muitos casos permanecem sem diagnóstico adequado devido à semelhança com outras doenças neurodegenerativas. 

“O grande desafio é que os sintomas da hidrocefalia se confundem com os de doenças como Alzheimer e Parkinson, o que pode levar a atrasos no diagnóstico. A diferença é que, no caso da hidrocefalia, existe tratamento e possibilidade real de melhora”, explica Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). 

Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade para andar, muitas vezes descrita como uma marcha lenta, arrastada ou instável, alterações cognitivas, como perda de memória e dificuldade de concentração, e incontinência urinária. Esse conjunto é conhecido como a “tríade clássica” da doença. 

“O paciente começa a ter dificuldade para caminhar, apresenta lapsos de memória e, em alguns casos, perda do controle urinário. Esses sintomas podem evoluir gradualmente, o que contribui para que sejam atribuídos ao envelhecimento ou a outras doenças”, destaca o especialista. 

Em relação ao perfil dos pacientes, estudos indicam que a condição afeta homens e mulheres, com leve aumento de incidência com o avanço da idade, especialmente após os 65 anos. O envelhecimento é o principal fator de risco, o que reforça a necessidade de atenção em países com população cada vez mais longeva. 

Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil deverá ter mais de 30% da população com 60 anos ou mais até 2050, cenário que pode ampliar o número de casos e a necessidade de diagnóstico adequado. 

O diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada, exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, e testes específicos que avaliam a resposta à retirada do líquido cefalorraquidiano. A partir dessa investigação, é possível diferenciar a hidrocefalia de outras condições neurológicas. 

A principal forma de tratamento é cirúrgica, com a implantação de uma válvula que drena o excesso de líquido do cérebro para outra parte do corpo, geralmente o abdômen. Quando indicada corretamente, a intervenção pode trazer melhora significativa, principalmente na marcha e na qualidade de vida do paciente. 

“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Em muitos casos, conseguimos reverter ou melhorar significativamente os sintomas, o que não acontece em doenças neurodegenerativas como o Alzheimer”, reforça o neurocirurgião. 

Diante desse cenário, especialistas alertam que a hidrocefalia de pressão normal deve ser considerada como diagnóstico diferencial em pacientes com sintomas cognitivos e motores. “Reconhecer os sinais e encaminhar para avaliação especializada pode mudar completamente a trajetória do paciente”, conclui o médico.
  


Sociedade Brasileira de Neurocirurgia –SBN
Site: portalsbn.org
Instagram sbn.neurocirurgia


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