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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Estudo revela a disparidade no acesso ao tratamento da DPOC no Brasil

Municípios com menor IDH enfrentam dificuldades no acesso a tratamentos e a escassez de especialistas agrava os desafios de diagnóstico e cuidado

 

Um estudo recentemente apresentado no congresso ISPOR (International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research) revela que o acesso ao tratamento de doenças respiratórias, especialmente a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), está relacionado ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)[1] dos municípios brasileiros. 

A pesquisa, realizada pela biofarmacêutica Chiesi com base nos dados públicos disponíveis no DATASUS e a média do IDH nos municípios, chegou a uma conclusão importante: integração, universalidade e equidade que são princípios que orientam o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda são um desafio em algumas regiões do país. 

O levantamento mostra que, apesar da existência de uma Diretriz Clínica para a gestão da DPOC, com orientações claras para recomendação e fornecimento dos medicamentos aos pacientes, há uma relação significativa entre o IDH dos municípios e o acesso ao tratamento. Um IDH mais baixo apresenta a pior consistência de dispensação e acesso aos medicamentos. Em localidades com menor IDH, como Melgaço (PA), Fernando Falcão (MA) e Atalaia no Norte (AM), a dispensação consistente de medicamentos foi de apenas 44,7%, comparado a 51,3% nos municípios com IDH mais elevado, a exemplo de São Caetano (SP), Águas de São Pedro (SP) e Florianópolis (SC)[2]. Os municípios com pior IDH também tiveram pior acesso aos tratamentos: 72,6% versus 78,1%. 

A utilização de medicamentos essenciais como a associação de broncodilatadores (LABA/LAMA), que promovem o relaxamento dos músculos para manter as vias aéreas abertas, também apresentou discrepâncias: 28,2% nas cidades com IDH baixo contra 26,99% nas de IDH alto. A maior taxa de utilização desses medicamentos em municípios menos desenvolvidos pode indicar uma pior condição clínica dos pacientes, em vez de melhor acesso aos medicamentos. 

O estudo também mostra uma discrepância na notificação dos diagnósticos. Foram identificados 252.463 pacientes, abaixo da prevalência estimada no Brasil de 17% da população[3], revelando a subnotificação e subdiagnóstico da DPOC. Uma das causas pode ser a carência de pneumologistas no Brasil. O país conta com apenas 4.021 pneumologistas[4] e a distribuição desses especialistas é desigual, com as regiões Norte e Nordeste, que possuem menor IDH, enfrentando a escassez de profissionais, o que resulta em diagnósticos tardios e tratamentos inadequados[5]. 

A escassez de pneumologistas e a desigualdade no IDH entre as regiões brasileiras representam grandes obstáculos para o diagnóstico e o tratamento eficaz das doenças respiratórias. “Além de elevar os custos de tratamento e comprometer a qualidade de vida dos pacientes, especialmente devido ao diagnóstico tardio, a desigualdade no acesso aos cuidados também gera um grande impacto na morbidade. Os sintomas frequentes resultam em limitações físicas e mentais, aumentando o risco de piora no quadro, hospitalizações e até morte prematura", analisa o Dr. Ricardo Amorim Corrêa, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). 

Quando diagnosticadas precocemente, as doenças respiratórias podem ser tratadas de forma mais eficaz, evitando complicações graves e aumentando a expectativa de vida. No entanto, a falta de acesso a especialistas e a exames fundamentais, como a espirometria, resulta em diagnósticos tardios, dificultando o controle das condições[6]. 

O levantamento considerou os dados entre 2017-2019 e 2022-2023, omitindo 2020-2021 devido ao potencial impacto da COVID-19.

 

Mais opções de tratamento para os pacientes de DPOC 

Em setembro de 2024, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a inclusão das terapias triplas fixas para o tratamento da DPOC na rede pública de saúde.

Mas a discussão da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), documento que orienta a conduta de tratamento da DPOC a ser seguida no Brasil está atrasada. Já se esgotou o prazo máximo de 180 dias que o Ministério da Saúde tem para disponibilizar a tecnologia, a partir da decisão de incorporação[7]. 

Hoje a terapia tripla fixa está disponível em alguns estados, como Goiás, Pernambuco e Minas Gerais, que foram pioneiros na disponibilização e têm PCDTs próprios. 

"A ampliação do arsenal terapêutico para o tratamento da DPOC no SUS pode minimizar iniquidades de acesso ao tratamento no país, sobretudo em cidades com menor IDH e maior vulnerabilidade. As terapias triplas, por reunirem em um único dispositivo inalatório três medicamentos, também podem facilitar a adesão do paciente e o controle da doença", finaliza o Dr. Corrêa.

 

Grupo Chiesi
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[1] De Menezes, F., Oliveira, W. A., Sauter, I. P., & Sarmento, T. T. (2024). Inequities in COPD Treatment Access Across Brazilian Municipalities: A Population-Based Analysis. ISPOR EU, 2024. Chiesi Brasil, São Paulo, Brazil.

[2] Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil [homepage na internet]. PNUD Brasil, Ipea e Fundação João Pinheiro [Acesso em 10 mar, 2025]. Disponível em: Link

[3] Cruz MM, Pereira M. Epidemiology of Chronic Obstructive Pulmonary Disease in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Ciênc saúde coletiva [Internet]. 2020Nov;25(11):4547–57.Disponível em: Link

[4] Scheffer M C, et al. Radar da Demografia Médica no Brasil. Informe Técnico N º 1. Setembro/2023. 26 páginas. São Paulo, SP: FMUSP, AMB.

[5] Associação Médica Brasileira [homepage na internet]. Associação Médica Brasileira e FMUSP lançam novo estudo sobre oferta e distribuição de médicos e de especialistas no Brasil [acesso em 11 abr 2025] Disponível em: Link

[6] Global Initiative for Obstructive Lung Disease – GOLD [homepage na internet]. Global strategy for prevention, diagnosis and management of copd: 2025 report [acesso em 05 maio 2025]. Disponível em: Link

[7] Ministério da Saúde [homepage na internet]. Conitec - Perguntas Frequentes [acesso em 12 set 2024]. Disponível em: Link



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