
Crédito foto: Noelia Nájera
Montagem com dramaturgia de Victor Nóvoa e
direção de Luiz Fernando Marques (Lubi) aborda questão climática e
ancestralidade a partir da jornada de um entregador que retorna à ilha onde
nasceu
Memória,
ancestralidade e resistência conduzem a trama de Macuco, espetáculo que
estreia no dia 16 de julho, quarta-feira, às 20h, no Auditório do Sesc Pinheiros.
Com dramaturgia de Victor Nóvoa e direção e cenografia de Luiz Fernando
Marques (Lubi), a montagem é protagonizada por Edgar Castro
e Vitor
Britto, e conta com a participação especial da atriz Cleide Queiroz
em vídeos e direção de produção de Helena Cardoso. A temporada segue
até 30 de agosto com sessões às quintas, sextas e sábados, às 20h.
Na
peça, Sebastião é um entregador de aplicativo que se aproxima da velhice
enquanto carrega memórias que insistem em reaparecer. Um incêndio criminoso
ocorrido há mais de 50 anos o forçou a deixar a vila de pescadores onde nasceu.
Em sonho, uma revoada de macucos - pássaros da Mata Atlântica ameaçados de
extinção - anuncia que sua mãe, Cleide do Ilhote, está em risco por causa de um
novo incêndio. A partir daí, ele inicia uma jornada de retorno à ilha onde
cresceu, confrontando o apagamento de sua ancestralidade, a destruição de sua
comunidade tradicional e as marcas da repressão sofrida na infância, incluindo sua
relação homoafetiva com Bernardo.
Com
forte preocupação socioambiental, a montagem também se destaca por reunir em
sua equipe criativa artistas oriundos de diversas partes do litoral brasileiro,
territórios diretamente atravessados pelas questões retratadas em cena. “Das
inúmeras urgências do nosso tempo, penso que o teatro precisa refletir os
problemas socioambientais - e Macuco discute isso a partir da destruição
da Mata Atlântica e das comunidades tradicionais que ali vivem”, afirma o
dramaturgo Victor Nóvoa, descendente do bairro Macuco, em Santos, que
ficcionaliza memórias de seus familiares caiçaras. “A personagem central é
atravessada por camadas de violência, identidade, desejo e pertencimento. É um
retorno ao território e à memória afetiva — e também uma crítica à
transformação da ilha em um resort.”
A
cenografia, também assinada por Lubi, é marcada por um grande mastro com uma
vela de barco que gira 360 graus e serve de suporte para projeções. “Essa vela
que se movimenta o tempo todo é como o próprio tempo da peça — contínuo,
incontrolável, e que nos lembra que precisamos agir antes de sermos levados
pela correnteza”, comenta Helena Cardoso, diretora de produção e assistente de
direção do espetáculo. A trilha, os sons do mar e o canto do macuco compõem uma
ambiência sensorial que dissolve as fronteiras entre sonho e realidade. O
desenho de luz é de Matheus Brant; figurinos de Rogério Romualdo;
adereços de Beatriz Mendes; e automação de cenário de Djair Guilherme.
A filmagem fica a cargo de Paulo Celestino.
Macuco reúne elementos do teatro narrativo e da
experimentação audiovisual para construir uma encenação contemporânea composta
por memórias pessoais e coletivas, ancestralidade e fabulação. Para Lubi, a
proposta estética também é um gesto político. “O cinema nasceu do teatro. Hoje,
ele virou símbolo da era das telas — passiva, individual. Quando misturo os
dois, crio atrito, falha, espaço para o público se reposicionar e reconstruir a
experiência. Não quero só a atenção de quem assiste, quero a participação”,
explica o diretor. Essa fricção entre linguagens serve como metáfora para o
convite coletivo que o espetáculo propõe. “A questão climática é uma tirania do
homem sobre a natureza que volta contra nós. O teatro nos permite provocar o
‘ai de mim’ coletivo, que leva à ação: quem colocamos no poder, o que
valorizamos, como reagimos. Só o coletivo nos tira desse sufocamento.”
Sinopse:
Sebastião, um entregador de aplicativos às vésperas
da velhice, é levado de volta à ilha onde nasceu após sonhar com um novo
incêndio que ameaça sua mãe, Cleide do Ilhote. A viagem o obriga a encarar
traumas antigos, disputas fundiárias, a destruição de sua comunidade
tradicional e a memória de uma relação interrompida com Bernardo. Tudo guiado
pelo presságio de uma revoada de macucos — pássaros em extinção que habitavam
sua infância.
Ficha Técnica:
Idealização e Dramaturgia: Victor Nóvoa
Direção e Cenografia: Luiz Fernando
Marques (Lubi)
Direção de Produção e
Assistência de Direção: Helena Cardoso
Elenco: Edgar Castro
e Vitor
Britto
Atriz convidada (em
vídeo): Cleide Queiroz
Figurinos: Rogério
Romualdo
Aderecista: Beatriz Mendes
Cenotécnica: Ronaldo
Gonçalves Alves (Colab Ateliê)
Automação de cenário: Djair Guilherme
Desenho de luz: Matheus Brant
Assistência de
iluminação: Letícia Nanni
Música instrumental: Marcos Coin
Colaboração de
movimento: Ana Vitória Bella
Imagens projetadas:
Excertos das obras Homenagem a Turner
(2002), Herança (2007) e Ocean/Atlas (2014) de Thiago Rocha
Pitta
Registros na Ilha
Diana: filmagem de Paulo Celestino e montagem de Luiz Fernando
Marques (Lubi)
Assistente de produção
- Filmagem: Giuliana Maria
Fotos: Noelia Nájera
Assessoria de Imprensa:
Adriana
Balsanelli
Redes Sociais: Jorge Ferreira
Espaço de ensaio: Vila Ouro Preto
Serviço:
Macuco
Estreia
dia 16 de julho, quarta-feira, às 20h.
Temporada:
De 17 de julho a 30 de agosto, de
quinta a sábado, às 20h.
Duração:
70 minutos
Classificação
indicativa: 12 anos
Ingressos:
R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00 (meia)
e R$ 15,00 (credencial plena)
Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195
Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 10h às 21h30;
sábados das 10h às 21h; domingos e feriados das 10h às 18h. Mais informações: www.sescsp.org.br
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