45% das brasileiras já vivenciaram alguma situação
de assédio no Carnaval. 27% dos entrevistados ainda acreditam que uma mulher
sozinha na festa está à procura de alguém
Pesquisa
do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, revela que 8 a cada 10
mulheres brasileiras temem sofrer algum tipo de assédio no período de Carnaval.
O levantamento, que ouviu 1.333 brasileiros entre 3 e 17 de fevereiro, aponta
também que 45% das mulheres já passaram por uma situação de assédio durante o
Carnaval. 85% dos brasileiros acreditam que ainda existe assédio nesta época do
ano e que a responsabilidade de inibir esse tipo de abordagem é de todos. Além
disso, 96% dos brasileiros consideram importante a realização de campanhas de
combate ao assédio durante o Carnaval.
“A
ideia de que o Carnaval é um espaço de liberdade esbarra em uma realidade
incômoda: para muitas mulheres, essa liberdade vem com restrições impostas pelo
assédio. Para se proteger, elas precisam adotar estratégias em um momento que
deveria ser de diversão: planejar rotas mais seguras, evitar certos horários,
andar em grupo, etc. Mas isso não é certo. A responsabilidade pelo assédio não
pode recair sobre as vítimas, e sim sobre toda a sociedade, especialmente sobre
os homens. No fim das contas, não se trata de precaução individual, mas de um
crime que precisa ser combatido coletivamente”, afirma Renato Meirelles,
presidente do Instituto Locomotiva.
Mesmo
com um entendimento cada vez mais difundido sobre o que é assédio, ainda há uma
parcela da população que perpetua crenças e comportamentos enraizados que
legitimam abordagens invasivas e reforçam a cultura do assédio no Carnaval. De
acordo com levantamento do Instituto Locomotiva, 27% dos brasileiros ainda
acreditam que quem está pulando Carnaval sozinho necessariamente quer ficar com
alguém. Entre os homens, essa percepção é ainda mais forte, chegando a
33%.
Além
disso, 21% dos entrevistados acreditam que, no Carnaval, "ninguém é de
ninguém", sugerindo que os limites do consentimento são relativizados
durante a festa. Para 19% dos entrevistados, se uma mulher veste pouca roupa no
Carnaval, é porque "está querendo beijar". O número cresce para 25%
entre os homens. Ainda mais alarmante, 12% acreditam que não há problema em um
homem "roubar" um beijo de uma mulher que esteja alcoolizada –
percentual sobe para 16% entre os homens.
"A maioria dos brasileiros reconhece que o assédio no Carnaval ainda é um problema recorrente e que combatê-lo é uma responsabilidade coletiva. Mas enquanto houver quem acredite que uma mulher sozinha está ‘à disposição’ ou que a roupa que ela usa justifica abordagens invasivas, essas práticas continuarão acontecendo. O respeito não pode depender do contexto, tem que ser a regra”, reforça Meirelles.
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