No Mercado Livre, a adoção do Pix
teve expansão em torno de 130% e causou uma redução de 33% no uso de boleto no
segundo trimestre
IMAGEM: Marcello Casal/Agência Brasil
O Pix chegou ao mercado em 2020
como uma opção que daria fim às transferências bancárias por DOC e TED,
facilitando os pagamentos entre pessoas. Com isso, essas opções de envio de
recursos que antes garantiam tarifas aos bancos viram sua importância desabar.
Agora, o Pix pode fazer outras vítimas, desta vez no e-commerce: o pagamento em
boleto.
Para as varejistas, o Pix não
só tem potencial de reduzir e até substituir o boleto, como também de aumentar
o número de vendas no comércio eletrônico e diminuir o abandono de compras.
Os pagamentos com boletos não
são realizados em 50% das vezes, segundo a Associação Brasileira de Comércio
Eletrônico (ABComm). Além disso, a falta de flexibilidade nos pagamentos pode
levar a um carrinho abandonado.
Segundo a empresa de pagamentos
Adyen, 52% dos consumidores brasileiros dizem que desistiram de fazer uma
compra porque não podiam pagar do jeito que queriam.
Segundo o Estudo de Pagamentos
GMattos, apenas dois anos após seu lançamento o Pix já divide o segundo lugar
nas formas de pagamento, ao lado dos boletos. A aceitação do Pix tem potencial
para chegar a 92% nos próximos anos, prevê a consultoria.
Em janeiro de 2021, o Pix
apresentava 16,9% de aceitação entre os comércios virtuais do Brasil; em julho
deste ano, alcançou 76,3%.
No Mercado Livre, a adoção do
Pix teve expansão em torno de 130% e causou uma redução de 33% no uso de boleto
no segundo trimestre, ante igual período no ano passado. Na plataforma, lojas
oficiais de marcas como Samsung, Nike e Hering já aceitam pagamentos via Pix.
Com 30 milhões de usuários
ativos e 10 milhões de vendedores, o Mercado Pago, banco digital do mesmo grupo
da varejista argentina, fornece sistema de pagamento para lojas físicas e
digitais e já tem um quarto de todas as transações feitas via Pix. Além de diversas
lojas on-line, a empresa faz os pagamentos via Pix nas farmácias da rede Pague
Menos e nas lojas físicas da C&A.
Daniel Davanço, líder de
pagamentos para empresas do Mercado Pago no Brasil, avalia que as vendas dos
lojistas que aceitam Pix subiram de 20% a 25% mais do que as daquelas que ainda
não tinham o Pix como meio de pagamento neste ano.
"A conversão do Pix hoje é
acima de 75%. O mundo on-line abraçou o Pix de forma muito rápida, porque
melhorou a experiência para todos os lados", diz.
A APOSTA DE GIGANTES
Varejistas como a Via (ex-Via
Varejo) já oferecem pagamentos por Pix desde o ano passado, inclusive nas lojas
físicas de Casas Bahia e Ponto. Recentemente, a companhia passou a usar o Pix
também para facilitar os acertos em casos de renegociação de dívidas.
Já o Magazine Luiza oferece
pagamentos via Pix em seu site e aplicativo, mas também investe em uma
alternativa a ele. A empresa criou, dentro da Fintech Magalu, sistema de
pagamentos que promete ser mais veloz e prático do que o Pix porque não requer
que o consumidor acesse aplicativo de banco ou copie e cole códigos de barras.
As transferências são feitas
por meio do Iniciador de Transação de Pagamento, modalidade oferecida pelo
Banco Central que permite a integração dos sites e aplicativos de empresas de
varejo com os sistemas bancários, no conceito de "open finance".
O método de pagamento foi
implementado no site KaBuM, que vende eletrônicos e foi comprado pelo Magazine
Luiza em 2021 por cerca de R$ 3,5 bilhões.
Robson Dantas, líder da operação
da Fintech Magalu, vê potencial de o iniciador de pagamentos ser mais simples
do que o Pix para pagamentos on-line e para reduzir ainda mais a desistência de
compras.
"A experiência facilita
muito a vida do usuário, mas essa ferramenta ainda tem um caminho a percorrer
até chegar ao ponto que estamos com o Pix. No fim deste ano, devemos ver uma
consolidação do uso do Pix", afirma.
O Mercado Pago e as grandes
varejista do País também já fazem testes com o iniciador de pagamentos. O
boleto ainda deve ter sobrevida conforme o Pix se tornar mais comum entre os
brasileiros, mas pode se tornar uma opção de nicho.
Além de reduzir a desistência
de compras, o Pix deve ser estimulado por ter menores taxas para as varejistas
do que outros meios de pagamento. "Tirar 0,1% do valor de uma venda para
um varejista pode significar ganhos milionários", diz Lorain Pazzetto,
líder de open finance da empresa de tecnologia para varejo Grupo FCamara.
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