E não atenda à ligação da tia Iracema.
Sim, ainda
há tempo de ser feliz e se realizar profissionalmente. De gerar resultados sem
torrar a paciência da galera na internet e das plateias.
Tenho uma
teoria. A “pandemia coach”, que assola o mundo, é um vírus adormecido, que pode acometer todos, desde desempregados a quem não
tem emprego, desde os que estão com tempo de sobra até os que não estão fazendo
coisa alguma. Desde os que estão infelizes até os que não têm felicidade alguma.
O vírus é
forte. Fiz uma pesquisa com amigos de redes sociais. Eles não sabem, mas
secretamente eu fiz. Descobri que nove em cada dez que se separaram passaram a
dar dicas de relacionamento. Nove em cada dez que não conseguem comer bem nem
manter rotina de exercícios passaram a dar dicas de alimentação, bem-estar,
saúde e ginástica. Mas a “cepa” mais aguda dessa doença tem nome e sobrenome: o
coach de palco.
Você
conhece o tipo. Ele fracassou nos empregos, jamais teve uma empresa de verdade,
não reúne um único e mísero case
empresarial nem de sucesso e muito menos de fracasso (ou seria o contrário?).
Daí ele senta um belo dia e pensa: “O que posso fazer da minha vida?”. Pimba!
Bingo! Eureka! Ele acaba de despertar o “vírus coach” em sua versão mais
temida. Chega à
conclusão óbvia que atingiu minha pesquisa: 11 a cada 10 amigos que fracassaram
no mundo corporativo se tornaram coaches empresariais, dando dicas
especialmente para essa “gurizada startupeira”.
No
Instagram ele coloca uma foto do Leonardo DiCaprio com uma frase do Ford. Uma
foto de Peaky Blinders e uma frase a respeito de resiliência. Uma imagem do
Luis Fernando Verissimo com um texto do Caceta & Planeta. Ah sim, quando
não usam frases de terceiros e se aventuram na própria redação, lançando mão da
palavra “assertivo” em quantidade. E claro, fazem de forma “assertiva” e
completamente errada (Google, please!).
O problema desse vírus é que ele encontra hospedeiro,
ou hospedagem: no cérebro da tia Iracema. Todo projeto de coach tem uma tia
Iracema que acha tudo genial e incentiva o sobrinho a continuar. Existe muita
tia Iracema nesse mundo. Ou talvez o vírus transforme as pessoas em tias
Iracemas, só que ainda não é claro para os cientistas.
O fato é
que eles sobem aos palcos (os eventos precisam deles), bradam palavras de
ordem, chacras e receitas de sucesso sempre baseadas no intangível, como os
hábitos do empreendedor, seu comportamento como líder, suas crenças religiosas
e a relevância da mesa de pingue-pongue e do videogame como gatilhos para a
inovação no ambiente empresarial.
O segredo é não os contrariar. Tampouco perguntar a
respeito de produto, preço, margem, praça, vendas, etc. Porque daí outro vírus
os acomete: o da gagueira.
Não faça,
eu suplico. Quando sentir que o coach que há em você estiver despertando
aumente a dose de melatonina, liga a Netflix (mas passe rápido pelo
documentário do Osho, pelo amor de Deus, se não o vírus ativa), puxa o
travesseiro. Faça alguma coisa!
Ops, estou
dando dicas no final do texto. Vou desligar porque já me senti até assertivo e
quase certeiro. O telefone está tocando. Sim, minha tia Iracema. Fui!
Jonatas Abbott - sócio e
diretor-executivo da Dinamize, empresa que oferece softwares voltados para a
automação de marketing e e-mail marketing, que está há 20 anos no mercado de
tecnologia.
Dinamize
Nenhum comentário:
Postar um comentário