Cerca de 5-10% dos cânceres de mama são hereditários e 25% estão ligados aos genes maternos BRCA1 e BRCA2
Quando se fala de câncer de mama,
principalmente no mês de outubro, quando as campanhas de conscientização ficam
mais evidentes, para muitas mulheres surge a questão: minha avó e minha mãe
tiveram câncer, qual o risco de eu ter, também?
A Profª Dra. Marise Samama - Fundadora e presidente da AMCR: Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil, explica que cerca de 5-10% dos diagnósticos de câncer de mama são hereditários e 25% estão ligados aos genes maternos BRCA1 e BRCA2.
As mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 são infrequentes na população geral, afetando de 0,1% a 0,2% das mulheres e as alterações nesses genes são responsáveis também por um total de 10 a 15% dos cânceres ovarianos.
"É possível notar que a chance de herdar o
gene com a mutação da mãe portadora é de 50% para cada filho e dessa forma os
portadores dessa mutação do BRCA1 e BRCA2 têm mais risco ao longo da vida de
desenvolver câncer de mama", explica Dra. Marise Samama.
A Dra, também comenta que as estratégias para a preservação da fertilidade das mulheres portadoras dessas mutações incluem a criopreservação de óvulos, criopreservação de tecido ovariano, diagnóstico genético pré-implantação e recepção de óvulos ou embriões. Porém, a pergunta que fica é: com esses métodos, é possível eliminar a mutação genética de uma família?
O avanço da tecnologia trouxe possibilidades de identificar, antes da gravidez, embriões livres da mutação genética BRCA relacionadas ao câncer de mama. Este tipo de solução está disponível e vem sendo utilizada na prevenção doenças genéticas que afetam um único gene, no caso específico do câncer mamário.
"O diagnóstico genético pré-implantação
(PGD) vêm sendo esta solução para rastrear a mutação do gene BRCA em embriões.
Ele exige que os casais sejam submetidos a procedimentos de fertilização in
vitro, os embriões são cultivados in vitro e testados usando PGD para a mutação
BRCA antes de serem transferidos para o útero da mulher. Desta forma, apenas
embriões sem mutação BRCA são transferidos", comenta Dra Daniela Fink,
associada da AMCR.
Para ela, esse seria um modo de prevenção do
câncer de mama na prole de pais afetados. Desta forma, aqueles que não desejam
passar o gene BRCA para a próxima geração, o método de diagnóstico genético
pré-implantação de embriões seria o recomendado.
Sobre
a Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR)
A AMCR -- Associação Mulher, Ciência e
Reprodução Humana do Brasil -- é uma entidade sem fins lucrativos,
suprapartidária. Fundada em março de 2021, pela Prof. Dra. Marise Samama,
possui 42 associadas, pós-graduadas da área da saúde, distribuídas em todas as
regiões do Brasil. A associação é fruto da vontade dessas mulheres (cientistas, médicas,
biomédicas e profissionais de saúde), que defendem a igualdade de oportunidade
entre gêneros, reconhecimento e valorização da ciência e atuação das mulheres
nas áreas de saúde feminina e Reprodução Humana. Para saber mais informações, acesse
o site.

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