Devido à pandemia de Covid-19, que teve início em março de 2020, foi necessário adotar medidas de segurança, como lockdown e quarentena. Neste cenário, o trabalho home office foi imposto para muitas empresas e começou a ganhar força. Sempre existiu grande resistência a esse formato por parte de empresas e profissões e a pandemia foi essencial para mostrar que poderia ser um caminho interessante e produtivo.
Dois anos se passaram, e as empresas se dividiram.
Algumas empresas voltaram ao modelo presencial, mas uma grande parte se manteve
no full
time home office e outras em um modelo híbrido, por acreditarem que
é mais vantajoso e prático. A decisão de continuar com formatos variados
permitiu que pessoas de lugares diferentes e distantes de onde a empresa se
localiza pudessem ser contratadas, fazendo com que o quadro de funcionários não
ficasse restrito a uma única região, além de trazer maior flexibilidade. Muitas
pessoas mudaram de casa, de cidade e até de país para reduzir gastos e ter uma
qualidade de vida maior. E também surgiram os nômades digitais, que são aqueles
que não estão fixos a nenhum lugar.
Por outro lado, boa parte das empresas, assim como
no nosso caso, sentiu que apesar dos benefícios do trabalho remoto, este fez
com que perdêssemos a proximidade com um todo, reduzindo o contato apenas aos
horários de reunião e não sendo possível conhecer de verdade as pessoas com
quem mais passamos tempo durante a semana. Por essa razão, foram adotadas
iniciativas para tentar contornar essa situação.
A nossa primeira ideia foi organizar encontros
presenciais, chamados de onsite e realizados a cada quatro/cinco
meses, com o objetivo de aumentar a conexão das pessoas, alinhar estratégias,
planejamentos e também os próximos passos. Contamos atualmente com vinte e três
colaboradores distribuídos por diferentes estados do país.
Já foram realizados três encontros presenciais, nos
quais os times foram convidados a virem à sede da empresa, localizada em São
Paulo (capital), por diferentes períodos. Testamos a duração de uma semana e
três dias. A empresa ficou responsável por arcar com todos os custos e despesas
dos profissionais, incluindo passagem, hospedagem, locomoção até o escritório e
até cuidados voltados à saúde, como o teste de Covid-19.
A equipe de People, da qual sou líder, cuida da
organização, comunicação e planejamento das atividades, com o apoio de toda a
liderança. A maioria das atividades realizadas no encontro consistem em
dinâmicas de integração e quebra-gelo, para o time se conhecer além do trabalho
e para que pessoas de diferentes áreas se conectem. Existem dinâmicas de
produto, para que todos possam entender melhor e assim ajudar a melhorá-lo, e
explicações sobre como funciona o operacional de cada área. Também trazemos
convidados externos para dar palestras, e nossos fundadores falam sobre
estratégia, negócios e planos futuros para a empresa.
Além do encontro presencial de colaboradores, temos
outras iniciativas que promovem integração, como o Donut, um bot do Slack que a
cada duas semanas escolhe pessoas do time aleatoriamente para marcar um café e
falar sobre um assunto que não seja trabalho. O Happy Hour virtual acontece a
cada duas semanas, sendo intercalado com a Hora do Cuidado, um espaço para
qualquer pessoa trazer qualquer assunto para ensinar para o time. Pode ser do
time ou convidado externo. Os temas são os mais diversos: Meditação, veganismo,
xadrez, fotografia, NFT, mês do orgulho LGBTQIAP+, entre outros.
O intuito dessas práticas é aproximar as pessoas e
tentar suavizar as consequências do trabalho home office e do isolamento. Ano
passado, fizemos um hackaton
interno, para termos ideias fora da caixa e tocar projetos que não faríamos
no dia a dia. Esse foi um evento que possibilitou conectar pessoas de
diferentes times e mostrou o quanto geramos impacto quando juntamos as
habilidades de cada um.
Com a pandemia, percebemos que cada vez mais as
pessoas não têm uma divisão super clara entre a vida pessoal e profissional. No
fundo, a pessoa é uma só. Então conhecer e conviver com o time, além das
reuniões de alinhamento ou de estratégia, pode trazer muitos benefícios. Entre
eles, gerar um ambiente de trabalho mais leve, mais inclusivo e mais empático,
onde os colaboradores podem ser quem são. Percebemos que, após os encontros e
as outras iniciativas, o time volta muito mais motivado, engajado e também se
comunicando melhor. Todos ficam mais à vontade para perguntar algo para alguém,
dar feedbacks e se abrir uns com os outros por terem tido um contato mais
próximo.
Essas integrações são capazes de gerar novas ideias e projetos, que muitas vezes não aconteceriam com o distanciamento das pessoas. Conhecer o time permite que os colaboradores se aproximem e até mesmo criem elos de confiança e identificação. Isso resulta em pessoas mais conectadas, que conversam e se comunicam melhor. Estar no ambiente presencial deixa o time mais unido, mais engajado e faz essa engrenagem, que é a nossa empresa, girar muito melhor. Essas estratégias têm dado muito certo para nós e acredito ser um importante passo também para o seu time remoto.
Fernanda Bernardo - líder de
People e Comunidades da Cumbuca, primeira
fintech brasileira a oferecer conta compartilhada gratuita via aplicativo, uma
espécie de conta conjunta reinventada. Ela é responsável por criar e
desenvolver os processos da área na Cumbuca, como: Recrutamento, Onboarding,
Desenvolvimento do Time, Analytics, Offboarding, Comunicação, Cultura. Fernanda
é formada em Sistemas de Informação pela Universidade de São Paulo (USP), e
cursando MBA em gestão de pessoas pela mesma instituição. Participa de eventos
na comunidade tech, como organizadora e também palestrante, além de produzir
conteúdos técnicos em formato de curso, post, vídeo e podcast. Possui dois
projetos pessoais: o @diabetesmaisdoce, blog sobre diabetes para mostrar que é
possível ter uma vida normal sendo diabética, que conta com o aplicativo para
auxiliar no controle da doença. E o @help4papers, para ajudar pessoas tímidas
de tecnologia a se comunicar melhor e a palestrar.
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