Conhecidas por serem agentes imunizadores que previnem doenças, as vacinas ganharam ainda mais atenção nos últimos anos por conta da pandemia do COVID-19
Através delas, foi possível melhorar a qualidade de
vida da população, reduzir custos com medicamentos e internações, e até mesmo
erradicar doenças, como é o caso da poliomielite. A primeira vacina
desenvolvida no mundo foi no final do século XVIII, por Edward Jenner, um
médico inglês que resolveu estudar a varíola. Ele constatou que algumas pessoas
eram imunes à doença, pois já tinham se contaminado com uma doença semelhante à
varíola, a varíola bovina (cowpox).
Ele decidiu então expor uma pessoa saudável à
varíola bovina, que apresentou sintomas leves, apenas febre branda e pequenas
lesões na pele. Depois de um período, ao fazer os testes com o vírus da varíola
na mesma pessoa, foi constatado que ela estava imune à doença. Foi assim então
que surgiu a primeira vacina no mundo. Com o tempo a vacina foi evoluindo e
sendo produzida de maneira cada vez mais rigorosa.
O desenvolvimento de uma vacina começa na etapa
pré-clínica, onde ela é testada em animais. Depois disso, na fase um, ela é testada
em um pequeno grupo de voluntários. Na fase dois, mais de 100 voluntários
participam para avaliar sua segurança e a resposta imune. Na fase três,
milhares de pessoas participam e são comparadas com um pequeno grupo que não
recebeu a vacina, mas sim um placebo.
“As pesquisas clínicas são
fundamentais no processo das vacinas, pois elas garantem que o produto
desenvolvido não irá causar nenhum problema para saúde pública. Os
participantes dos estudos clínicos são selecionados através de um rigoroso
processo, para garantir que os testes sejam eficientes para comprovar a
eficácia da vacina nos grupos mais necessitados”, afirma Fernando de Rezende Francisco,
Gerente Executivo da Associação Brasileira de Organizações
Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO).
Esse processo analisa o perfil do público e
também as áreas de maior transmissão do vírus. Apesar de passarem por testes
criteriosos, muitas pessoas costumam duvidar se de fato a vacina é segura e não
irá causar nenhum efeito colateral. “Por conta dos testes clínicos já terem sido
realizados com o insumo em questão, quando as vacinas ficam disponíveis para o
público, o risco de acontecer algum efeito colateral não previsto é baixo”,
diz Rezende.
Falta de legislação dificulta
pesquisas de vacinas no Brasil
Apesar de ter uma variedade genética que pode
favorecer estudos clínicos na hora de produzir uma nova vacina, não existe no
Brasil uma legislação efetiva para regulamentar as pesquisas clínicas, o que
afasta empresas interessadas em conduzir estudos no país. Isso faz com que o
Brasil deixe de gerar empregos e até mesmo perca investimentos. Existe hoje em
tramitação um projeto de lei, o PL 7.082/2017, que visa instituir o Sistema
Nacional de Ética em Pesquisa Clínica com Seres Humanos e
trazer outras melhorias para o ambiente de pesquisa clínica no Brasil.
ABRACRO - Associação Brasileira de Organizações
Representativas de Pesquisa Clínica é

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