A queda nas taxas de vacinação nos últimos anos representa uma ameaça para a saúde da população brasileira, com a possibilidade da volta de doenças já controladas ou erradicadas do território nacional. O país possui o maior programa público de imunização do mundo. Por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), são distribuídas todos os anos 300 milhões de doses de vacinas e o país conta com cerca de 40 mil salas de vacinação.
“O Brasil é um dos únicos países com mais de 200
milhões de habitantes que oferece um programa gratuito de imunização de forma
ampla. É inaceitável que a cobertura vacinal dos mais de 20 imunizantes
oferecidos pelo PNI esteja tão baixa. A vacinação é crucial para termos um país
mais saudável, livre de surtos e epidemias”, destaca Eduardo Calderari,
presidente-executivo da Interfarma – Associação da Indústria Farmacêutica de
Pesquisa.
Segundo dados levantados pela Associação por meio
do DATASUS1, a taxa média de cobertura vacinal, considerando todos
os imunizantes oferecidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), foi de 67,42% em
2020 e 60,04% em 2021, bem abaixo dos 95% de 2015. “Há anos estamos registrando
queda no índice de vacinação. A última vez que o Brasil atingiu a meta foi em
2015. Hoje estamos na iminência de ver a volta da poliomielite no país, assim
como registramos o retorno do sarampo. Em 2021, a taxa de vacinação para a paralisia
infantil foi de 69,99%, sendo que a meta é de 95% do público-alvo composto por
crianças menores de 5 anos”, alerta o presidente-executivo da Interfarma.
A pandemia de COVID-19 pode ter tido um impacto
grande na cobertura vacinal dos imunizantes oferecidos pelo Sistema Único de
Saúde (SUS), mas não explica sozinha a atual situação. “A procura pelas vacinas
já vinha caindo mesmo antes da pandemia. Pode ser um dos principais motivos
para as baixas taxas de 2022 e 2021 – ano que registramos a pior queda em 30
anos, mas não o único. Há outros fatores que explicam a baixa procura dos
imunizantes, entre eles, a difusão de notícias falsas sobre vacinação e o
crescimento dos grupos antivacinas, que fazem um desserviço para a Saúde
Pública. Também acontece de uma mãe levar o filho para vacinar e o local não
ter o imunizante disponível no momento. Você acaba perdendo a chance de vacinar
a criança e não sabe quando a mãe ou o responsável conseguirá voltar à UBS. Por
isso, a troca de Informações entre o Ministério da Saúde, as secretarias
estaduais e municipais e as UBS precisa funcionar para que não falte
imunizantes”, aponta Calderari.
A taxa de imunização das vacinas disponíveis para
adultos e gestantes também vem apresentando queda. Segundo dados do Sistema de
Informação do PNI, em 2021, a cobertura da vacina dTpa gestante foi de 43,09%,
menor do que o ano de 2019, que foi de 46,36%. “Além dos motivos já elencados
para a baixa cobertura vacinal, o governo cortou a verba para divulgar as
campanhas de vacinação. A verba publicitária da campanha da gripe deste ano,
por exemplo, foi quase 60% menor do que a verba de 2019, segundo dados
divulgados pela imprensa2. As campanhas estão ocorrendo, mas a
população não está sendo informada. A comunicação é a melhor ferramenta que
temos tanto para combater às notícias falsas quanto para informar sobre as
campanhas e as vacinas disponíveis pelo PNI”, conclui o presidente da
Interfarma.
1 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, com dados até 18/10/2022.
2 Fonte: Portal UOL. “Não vi, não tomei: governo corta verba de anúncios
e vacinação da gripe cai” em https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2022/07/23/gripe-corte-em-publicidade-campanha-de-vacinacao-governo-federal.htm
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