Pesquisar no Blog

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Aumenta o número de mortes acidentais de crianças e adolescentes por armas de fogo, afogamento, queimadura e intoxicação no país



De 2016 a 2017, o número de mortes por acidentes de crianças e adolescentes de até 14 anos caiu 1,93% no Brasil, passando de 3.733 casos fatais para 3.661, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde. 


Essa foi a menor queda na mortalidade na infância e adolescência por acidentes observada desde 2011, fato que deve ser observado com atenção pelos gestores públicos que cuidam das áreas da infância e adolescência em âmbito municipal, estadual e federal para evitar que esses casos voltem a aumentar no país. “Esse cenário reforça a necessidade de campanhas educativas contínuas e ações com o poder público para a prevenção de acidentes com crianças”, comenta Vania Schoemberner, coordenadora de Desenvolvimento Institucional da Criança Segura.

Desde 2001, ano que a Criança Segura iniciou sua atuação, houve uma redução de 40,86% no número de mortes de crianças e adolescentes por motivos acidentais no Brasil. Esse resultado é bastante animador, mas ainda há muito a ser feito pois, apesar dessa grande queda nos casos fatais, os acidentes continuam sendo a principal causa de morte de crianças e adolescentes de um a 14 anos no Brasil, superando os casos relacionados a doenças e até mesmo violência. E, especialistas afirmam que 90% dos acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção. Ou seja, ainda hoje milhares crianças perdem sua vida por razões que poderiam ser evitadas.


Dados dos acidentes com crianças em 2017

Um dos motivos que fizeram a redução da quantidade geral de óbitos acidentais das crianças e adolescentes brasileiros ser pequena é que alguns tipos de acidentes apresentaram aumento significativo no número de casos fatais de 2016 para 2017, como os relacionados ao disparo acidental de armas de fogo (+ 95%), afogamentos (+4,49%), queimaduras (+3,83%) e intoxicação (+6,76).

Por outro lado, houve redução nos casos de mortes acidentais de meninas e meninos até 14 anos no trânsito (-7,89%), sufocação (-5,93%) e quedas (-1,09%).

De modo geral, os acidentes que mais tiram vida de crianças e adolescentes no país são, respectivamente, trânsito (1.190), afogamento (954) e sufocação (777).

Entretanto, ao avaliarmos faixas etárias específicas, podemos notar que a sufocação é a principal causa de morte acidental de bebês de até um ano de idade; o afogamento é o acidente que mais tira vida de meninas e meninos de um a quatro anos; e o trânsito é a causa mais fatal para as crianças e adolescentes de cinco a 14 anos. (Veja todas as tabelas com os dados abaixo)


Aumento das mortes por afogamento

As mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos por afogamento subiram 4,49% de 2016 para 2017, movimento atípico para a constante redução de óbitos nessa faixa etária que pode ser observada desde 2009. 

Um incremento alto pode ser notado na faixa etária de menores de um ano, que passou de 21 casos fatais em 2016 para 31 em 2017, o que representa um aumento de 47,62%. Entre a faixa etária onde os casos mais se concentram, de um a quatros anos,  também houve aumento de 8%, passando de 407 casos para 439.

A classificação do tipo de afogamento que mais aumentou foi  “afogamento e submersão em águas naturais” - que inclui rios, córregos, mares, lagos etc. - , que é a que mais concentra os casos de mortes por esse tipo de acidente na infância. O número de casos subiu de 339 em 2016 para 393 em 2017.

Mortes acidentais de crianças e adolescentes por arma de fogo

Apesar de pouco representativo no total de mortes acidentais de crianças e adolescentes, o número de óbitos por disparo acidental de armas de fogo quase dobrou de 2016 para 2017, passando de 20 para 39 vítimas em um ano.

Houve aumento no número de casos na faixa etária que vai de um a 14 anos, principalmente entre meninas e meninos de um a quatro anos, onde a quantidade de casos fatais subiu 350%, passando de 2 para 9 mortes. Entre as crianças de cinco a nove anos o crescimento dos óbitos por esse motivo foi de 7 para 12 (+71,42%). Em relação à população de dez a 14 anos os casos passaram de 9 para 17 (+8,88%).

Esse dado é bastante preocupante e deve ser monitorado atentamente, principalmente com a mudança da legislação que pretende facilitar o acesso a armas de fogo no país.

 
Número de mortes de crianças e adolescentes de zero a 14 anos por tipo de acidente:

Classificação
Tipo de acidente
Nº de mortes
Trânsito
1190
Afogamento
954
Sufocação
777
Queimadura
217
Quedas
181
Intoxicação
79
Armas de fogo
39
-
Outros
224

Total
3661
Fonte: Datasus - 2017 / Análise: Criança Segura - 2019

Número de mortes por acidentes de crianças de zero a 14 anos por faixa etária:

Tipo de acidente
Menor 1 ano
1 a 4 anos
5 a 9 anos
10 a 14 anos
Total
Trânsito
92
281
324
493
1190
Queda
42
52
46
41
181
Afogamento
31
439
190
294
954
Sufocação
581
115
46
35
777
Queimadura
27
81
44
65
217
Intoxicação
5
35
19
20
79
Arma de fogo
1
9
12
17
39
Outros
20
83
67
54
224
Total
799
1095
748
1019
3661
Fonte: Datasus - 2017 / Análise: Criança Segura - 2019

Variação do número de mortes por acidentes de crianças de zero a 14 anos de 2001 a 2017:

Tipo de acidente
2001
2016
2017
Variação 2016/2017
Variação 2001/2017
Trânsito
2490
1292
1190
-7,89
-52,21
Queda
315
183
181
-1,09
-42,54
Afogamento
1548
913
954
4,49
-38,37
Sufocação
736
826
777
-5,93
5,57
Queimadura
452
209
217
3,83
-51,99
Intoxicação
92
74
79
6,76
-14,13
Arma de fogo
63
20
39
95,00
-38,10
Outros
494
216
224
3,70
-54,66
Total
6190
3733
3661
-1,93
-40,86
Fonte: Datasus - 2001, 2016, 2017 / Análise: Criança Segura - 2019

Taxa de mortes por acidentes de crianças e adolescentes de zero a 14 anos por estado:

Unidade da Federação
Taxa de morte por 100 mil habitantes até 14 anos
Roraima
24,71
Amapá
16,66
Mato Grosso
13,98
Amazonas
12,74
Mato Grosso do Sul
10,93
Goiás
10,16
Rondônia
9,98
Acre
9,97
Pará
9,88
Espírito Santo
9,64
Rio de Janeiro
9,41
Tocantins
9,26
Maranhão
8,83
Rio Grande do Sul
8,7
Paraná
8,6
Piauí
8,4
Alagoas
8,04
Distrito Federal
8,04
Santa Catarina
7,78
Pernambuco
7,28
Bahia
7,28
Sergipe
7,11
Minas Gerais
6,84
Paraíba
6,24
São Paulo
5,63
Ceará
5,51
Rio Grande do Norte
5,25
Brasil
7,9
Fonte: Datasus - 2017; IBGE / Análise: Criança Segura - 2019

Número de mortes por acidentes de crianças e adolescentes por estado:

UF
Trânsito
Queda
Afogamento
Sufocação
Queimadura
Intoxicação
Arma
de fogo
Outros
Total
RO
15
2
15
3
1
1
3
4
44
AC
10
3
7
3

1

2
26
AM
23
7
67
19
9
9
10
12
156
RR
5

13
7
2
6
2
4
39
PA
46
22
116
21
9
2
3
16
235
AP
7
1
26
3
4



41
TO
20
2
6
5
3


2
38
MA
51
10
56
21
25
4
3
14
184
PI
30
4
18
4
3
3
2
4
68
CE
36
6
42
17
9

1
9
120
RN
9
3
15
8
6


2
43
PB
17
5
14
17
8



61
PE
43
4
48
45
19
1

6
166
AL
26
5
22
8
10
1

1
73
SE
10
1
15
7
3


4
40
BA
89
14
87
29
18
7
2
17
263
MG
139
13
62
32
11
16
2
21
296
ES
30
8
14
20
3
3

4
82
RJ
70
19
44
132
9
5

24
303
SP
162
29
72
183
20
9

30
505
PR
84
5
29
64
6
1
3
10
202
SC
51
1
25
16
7
2
2
4
108
RS
67
3
38
52
10
1
6
9
186
MS
17
1
17
24
3
2

6
70
MT
50
4
33
13
3
1

8
112
GO
61
8
39
18
13
2

9
150
DF
22
1
14
6
3
2

2
50
Total
1190
181
954
777
217
79
39
224
3661
Fonte: Datasus - 2017 / Análise: Criança Segura - 2019




A Criança Segura

A Criança Segura é uma não governamental, sem fins lucrativos, dedicada à prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. A organização atua no Brasil desde 2001 e faz parte da rede internacional Safe Kids Worldwide, fundada em 1987, nos Estados Unidos, pelo cirurgião pediatra brasileiro, Martin Eichelberger.

Para cumprir sua missão, desenvolve ações de Políticas Públicas – incentivo ao debate e participação nas discussões sobre leis ligadas à criança, objetivando inserir a causa na agenda e orçamento público; Comunicação – geração de informação e desenvolvimento de campanhas de mídia para alertar e conscientizar a sociedade sobre a causa e Mobilização – cursos à distância, oficinas presenciais e sistematização de conteúdos para potenciais multiplicadores, como profissionais de educação, saúde, trânsito e outros ligados à infância, promovendo a adoção de comportamentos seguros.





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados