Pesquisar no Blog

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Insuficiência Cardíaca no Brasil: o custo bilionário da fragmentação do cuidado


A insuficiência cardíaca deixou de ser apenas um desafio da prática clínica e passou a figurar entre os principais problemas estruturais do sistema de saúde brasileiro. No país, dados nacionais sobre hospitalizações e mortalidade indicam que a prevalência autorreferida atinge 1,1% da população adulta e chega a 3,3% entre indivíduos acima de 60 anos. O problema central, no entanto, vai além da magnitude epidemiológica: está na forma como um sistema fragmentado e pouco coordenado lida com uma condição crônica, progressiva e previsível.

 

O cenário atual expõe um modelo assistencial pouco eficiente. A insuficiência cardíaca é a principal causa de hospitalização por doenças cardiovasculares no Brasil, gerando um custo de R$ 1,4 bilhão em internações para o Sistema Único de Saúde (SUS) em um intervalo recente de quatro anos. Além disso, análises econômicas amplamente divulgadas na imprensa apontam uma perda anual estimada de R$ 6 bilhões para a economia nacional. Esse montante não representa investimento em cuidado qualificado, mas o custo do desperdício.


 

A torneira aberta do desperdício

 

A raiz desse colapso financeiro e clínico está na ausência de uma linha de cuidado estruturada e contínua. Com frequência, o paciente com insuficiência cardíaca é conduzido por um ciclo recorrente de descompensações e atendimentos de resgate. O pronto-socorro acaba se tornando o principal e mais oneroso ponto de contato com o sistema, com foco no evento agudo e pouca garantia de acompanhamento após a alta.

 

A consequência direta dessa abordagem é o aumento da morbimortalidade e das reinternações. Sem acompanhamento multidisciplinar e coordenação de cuidado adequados, o paciente retorna ao sistema em condições progressivamente mais graves. Quando o quadro se agrava, o desfecho costuma ser a internação em unidade de terapia intensiva (UTI), onde o custo diário é exponencialmente maior.

 

São gastos recorrentes, sem rotina e sem continuidade. Trata-se de um modelo que trata sintomas e sinais de forma pontual, sem enfrentar a doença de maneira estruturada.

 

Esse custo sem resultado está no centro da insustentabilidade do sistema. O problema não é a ausência de prontuário integrado, mas a dificuldade de assumir responsabilidades, romper com a inércia e buscar soluções efetivas. O “querer” e o “fazer” ainda são verbos pouco explorados na medicina complexa, muitas vezes limitados pelo receio jurídico, pela alta demanda assistencial ou pela baixa remuneração frente ao esforço exigido.


 

Valor em saúde: a unificação do cuidado

 

A superação desse cenário não depende de soluções isoladas, mas da organização do cuidado em linhas assistenciais coerentes e centradas no paciente. O foco precisa migrar do órgão doente para o indivíduo, considerando suas múltiplas necessidades clínicas e o papel ativo do paciente no próprio tratamento.

 

Esse é o princípio do valor em saúde: entregar resultados que importam ao paciente, utilizando os recursos de forma racional. A coordenação do cuidado, por meio de equipes multiprofissionais integradas e alinhadas, é um dos mecanismos mais consistentes para reduzir desperdícios e melhorar resultados clínicos.

 

Quando o cuidado é coordenado, o investimento se torna mais eficiente. É nesse ponto que a ironia do sistema se revela: enquanto ainda há hesitação em investir em soluções de alto valor, o custo do manejo clínico paliativo de pacientes elegíveis se transforma em uma carga financeira pouco visível, porém significativa, como apontam análises sobre o custo do manejo clínico da insuficiência cardíaca avançada publicadas nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

 

A ciência, no entanto, é clara. Evidências brasileiras de avaliação econômica publicadas nesse mesmo periódico indicam uma relação favorável de custo-efetividade da oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) no choque cardiogênico refratário, inclusive no contexto do SUS, de acordo com parâmetros utilizados em avaliações de tecnologias em saúde.

 

Mais impressionante ainda é o HeartMate 3, o chamado “coração artificial”, uma tecnologia de ponta que devolve vida e sobrevida a pacientes com disfunção severa do ventrículo esquerdo. Seus resultados de sobrevida nos primeiros cinco anos pós-implante são comparáveis aos do transplante cardíaco, conforme demonstrado em análises publicadas na literatura internacional. Não à toa, o dispositivo foi recentemente incluído no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para pacientes inelegíveis ao transplante, um reconhecimento tardio, mas crucial, de que o investimento em intervenções de alto valor, quando coordenadas, supera o desperdício crônico da inação.

 

A coordenação do cuidado é a chave para que todos tenham a chance de acessar a terapia certa, no momento certo, transformando o gasto em investimento com resultado. É o único caminho para estancar a sangria financeira e, mais importante, para resgatar a dignidade e a sobrevida dos pacientes com insuficiência cardíaca.

 

O desafio está lançado. A solução exige coragem, organização e, acima de tudo, disposição para transformar intenção em ação. 

 



Marina Fantini - especialista em insuficiência cardíaca e cofundadora da CardioWays, hub de cardiologistas criado para ampliar o acesso a tecnologias avançadas e ao cuidado integrado da saúde do coração no Brasil.



Mitos e verdades sobre a epilepsia: o que ainda precisa ser esclarecido

Condição neurológica afeta até 2% dos brasileiros, pode se manifestar de diferentes formas e, na maioria dos casos, permite uma vida normal com diagnóstico e tratamento adequados
 

A epilepsia ainda carrega desinformação e estigmas, muitos deles sustentados por mitos que resistem ao tempo. Embora seja uma das condições neurológicas crônicas mais comuns no mundo, o tema costuma ganhar espaço na mídia apenas quando associado a situações extremas, o que contribui para uma visão distorcida da realidade vivida por cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. 

De acordo com o neurocirurgião Otávio Turolo, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), a dimensão da epilepsia costuma surpreender até quem acredita conhecer o assunto. “É uma das condições neurológicas mais comuns no mundo. Estima-se que entre 1% e 2% da população brasileira tenha a condição”, afirma.
 

Nem sempre hereditária e quase nunca como se imagina 

Um dos equívocos mais frequentes é associar a epilepsia exclusivamente à herança genética. Segundo o especialista, essa é apenas uma parte do cenário. “Embora exista uma predisposição genética em alguns casos, a maioria das epilepsias é ‘adquirida’”, explica. Traumas cranianos, AVCs, infecções como meningite, tumores ou malformações congênitas estão entre as causas possíveis. 

Outro mito bastante enraizado é a ideia de que toda crise epiléptica envolve convulsões intensas e perda de consciência. “Este é o maior mito. A crise convulsiva é apenas um tipo”, ressalta Turolo. Ele explica que há crises muito mais sutis, que podem se manifestar como breves “desligamentos”, movimentos repetitivos involuntários, formigamentos ou até percepções sensoriais incomuns, como sentir cheiros inexistentes ou a sensação de déjà vu. “Nem toda crise epiléptica é uma convulsão”, reforça.
 

Imprevisível, mas nem sempre sem sinais 

As crises, na maioria dos casos, surgem sem aviso. Ainda assim, alguns pacientes conseguem reconhecer gatilhos específicos. Privação de sono, estresse extremo, consumo de álcool e, em situações mais raras, estímulos luminosos intensos — como na epilepsia fotossensível — podem favorecer o aparecimento das crises. 

O diagnóstico, segundo o médico, começa muito antes dos exames. “O diagnóstico é prioritariamente por avaliação médica, baseado no relato detalhado do paciente e de testemunhas”, explica. Ferramentas como o eletroencefalograma (EEG), que analisa a atividade elétrica do cérebro, e a ressonância magnética, que identifica alterações estruturais, ajudam a localizar e caracterizar o tipo de epilepsia.
 

Tratamento eficaz e vida normal 

Apesar do impacto emocional que o diagnóstico costuma causar, a evolução do tratamento permite um cenário bastante positivo. “Para cerca de 70% dos pacientes, o tratamento medicamentoso é extremamente eficaz e permite uma vida completamente normal e livre de crises”, afirma Turolo. Nos casos em que os medicamentos não são suficientes — cerca de 30% dos pacientes — outras estratégias podem ser consideradas, como a cirurgia de epilepsia.
 

O que fazer diante de uma crise 

Saber como agir ao presenciar uma crise epiléptica pode evitar complicações e até salvar vidas. A orientação do especialista é clara: “O mais importante é manter a calma e proteger o paciente”. Isso inclui apoiar a cabeça com algo macio, virar a pessoa de lado para evitar engasgos, afastar objetos que possam causar ferimentos e observar a duração da crise. “Nunca coloque as mãos ou objetos dentro da boca da pessoa; ela não vai ‘enrolar a língua’ e você pode se ferir ou machucá-la”, alerta.

Embora a maioria das crises cesse espontaneamente em um ou dois minutos, existem situações que exigem atendimento médico imediato. Crises com duração superior a cinco minutos, episódios repetidos sem recuperação da consciência, gestantes, pessoas diabéticas, ferimentos graves ou a primeira crise da vida são sinais de alerta para acionar o SAMU.

  
 


Hospital Evangélico de Sorocaba


Volta às aulas: como proteger as crianças contra doenças e manter o sistema imunológico forte

Com o retorno às aulas, aumenta a circulação de vírus e outros agentes infecciosos em ambientes escolares. Entenda quais medidas ajudam a reduzir o risco de adoecimento.

 

O retorno às aulas, após o período de férias, costuma estar associado ao aumento de doenças infecciosas entre crianças e adolescentes. A convivência em ambientes coletivos, com contato próximo entre colegas e professores, favorece a circulação de vírus e outros microrganismos, especialmente no início do ano letivo.

No Sabará Hospital Infantil, observa-se aumento na procura por atendimento nesse período, principalmente por quadros respiratórios e gastrointestinais. “Entre as situações mais frequentes estão infecções por rinovírus, influenza, Covid-19, bronquiolite – especialmente em menores de dois anos –, crises de asma, além de gastroenterites virais com vômitos e diarreia”, explica Thales Araújo de Oliveira, pediatra e gerente do Pronto-Socorro e do Centro de Excelência do Sabará Hospital Infantil.

 

Por que há mais doenças na volta às aulas?

Durante as férias, o convívio social tende a ser mais restrito. No ambiente escolar, há maior interação entre crianças, compartilhamento de objetos e permanência prolongada em espaços fechados, fatores que facilitam a transmissão de agentes infecciosos. 

Além disso, muitas crianças ainda estão consolidando hábitos adequados de higiene, o que também contribui para a maior circulação de vírus. Alterações na rotina de sono e alimentação durante as férias podem influenciar a adaptação ao novo ritmo escolar. “A recomendação é retomar gradualmente os horários de sono e alimentação alguns dias antes do início das aulas, favorecendo uma adaptação mais equilibrada à nova rotina”, orienta o pediatra.

 

É possível reduzir o risco de infecções na escola?

Embora não seja possível eliminar completamente o risco de infecções, algumas medidas reduzem significativamente a transmissão:

- Higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel.

- Orientação para cobrir boca e nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar.

- Evitar compartilhar objetos de uso pessoal.

- Manter ambientes ventilados.

- Manter a vacinação atualizada. 

Caso a criança apresente febre, vômitos, diarreia ou sintomas respiratórios importantes, o ideal é mantê-la em casa até avaliação médica, evitando a exposição de outras crianças.

 

Alimentação e rotina: qual o papel na saúde infantil?

Não existe um alimento isolado capaz de “fortalecer” o sistema imunológico. O que contribui para uma resposta adequada do organismo é um conjunto de hábitos saudáveis: alimentação variada e equilibrada, hidratação adequada, sono regular e prática de atividade física compatível com a idade. 

“Esses cuidados não impedem totalmente que a criança adoeça, mas ajudam o organismo a responder melhor às infecções, reduzindo, muitas vezes, a gravidade dos quadros”, ressalta Thales A. Oliveira.

 

A importância da vacinação 

A vacinação permanece como uma das estratégias mais eficazes para proteção individual e coletiva. Manter o calendário vacinal atualizado, conforme orientações do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), é fundamental para reduzir o risco de doenças e complicações. 

 

Estudo inédito sugere que reposição hormonal na perimenopausa pode evitar envelhecimento precoce e doenças crônicas

Freepik
Pesquisa publicada em revista científica internacional propõe reposição hormonal na perimenopausa como estratégia de geroproteção e prevenção de doenças crônicas 


Um artigo publicado na revista Aging & Disease1 em 2025 traz uma nova perspectiva sobre a perimenopausa e o papel da terapia hormonal na prática clínica. Os especialistas argumentam que esse período não deve ser encarado apenas como uma transição reprodutiva ou como o início de sintomas incômodos, mas sim como uma fase biológica estratégica, capaz de determinar de forma significativa o processo de envelhecimento da mulher. 

Nesse intervalo, a redução gradual dos níveis de estrogênio e progesterona provoca uma série de mudanças no organismo. Entre elas estão o aumento da inflamação crônica, a piora da resposta à insulina, a perda acelerada de massa muscular, além de alterações cardiovasculares e cognitivas. Esses efeitos contribuem para o fenômeno conhecido como inflammaging e podem acelerar a idade biológica, muitas vezes antes mesmo da menopausa estar plenamente instalada.
 

Geroproteção e reposição hormonal

Durante a perimenopausa, o corpo feminino passa por mudanças que vão muito além do ciclo menstrual. É nesse momento que os hormônios, especialmente o estrogênio, começam a cair de forma gradual, afetando diferentes áreas da saúde. O artigo traz o conceito de geroproteção, que significa adotar medidas médicas capazes de proteger o organismo contra os efeitos do envelhecimento. Nesse sentido, a reposição hormonal, quando bem indicada e acompanhada por um médico, pode funcionar como uma espécie de “escudo” para o corpo. 

O estrogênio, por exemplo, não atua apenas na fertilidade: ele ajuda a manter o coração saudável, protege o cérebro, reduz processos inflamatórios e contribui para o equilíbrio do metabolismo. Ou seja, ao repor esse hormônio de forma adequada, é possível preservar funções essenciais do organismo e reduzir riscos futuros, como problemas cardiovasculares, perda de massa muscular ou dificuldades cognitivas. 

A ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, reforça essa visão: “A perimenopausa é uma janela biológica crítica e negligenciada, na qual se iniciam alterações metabólicas, inflamatórias, musculares, cardiovasculares e cognitivas que influenciam diretamente a forma como a mulher vai envelhecer. Esperar a menopausa para agir é, muitas vezes, perder tempo biológico.” 

“As diretrizes tradicionais ainda adotam um modelo reativo, focado na menopausa estabelecida e no alívio tardio dos sintomas. O artigo reforça a necessidade de repensar esse modelo e valorizar a perimenopausa como fase ativa de prevenção”, acrescenta a especialista.
 

Implicações práticas

O artigo destaca que a perimenopausa deve ser encarada como uma oportunidade de cuidado integral com a saúde, e não apenas como uma fase de sintomas incômodos. Isso significa que, além da terapia hormonal, quando realmente necessária e indicada por um médico, é fundamental integrar hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono de qualidade e suplementação adequada. 

Em outras palavras, esse período pode funcionar como um ponto de virada: em vez de ser visto apenas como um momento de desconforto, a perimenopausa passa a ser entendida como uma fase estratégica para investir em escolhas que vão proteger o coração, o metabolismo, os músculos e até o cérebro. Assim, cuidar dessa etapa é uma forma de garantir mais qualidade de vida e longevidade no futuro. 

“Quando bem indicada, a reposição hormonal não é apenas para tratar sintomas, mas pode atuar como estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, muscular e neurológica, integrando uma abordagem de saúde e longevidade feminina e não uma solução estética ou ‘anti-aging’ superficial”, destaca a especialista. “Reposição hormonal exige individualização e acompanhamento médico, com avaliação criteriosa de riscos, escolha adequada de via, tipo e dose hormonal, e integração com alimentação, exercício, sono e manejo do estresse dentro de um plano terapêutico global”, complementa a Dra. Ana Maria Passos.

 

 

Dra. Ana Maria Passos - Com mais de 19 anos de atuação como Ginecologista e Obstetra em Porto Alegre (RS), a Dra. Ana Maria Passos atende em sua AME Clínica, onde realiza um cuidado integral na saúde da mulher. Com pós-graduação em Nutrologia e em Longevidade Saudável, ela traz um olhar atento à alimentação equilibrada e à suplementação, focando na prevenção e nos cuidados para um envelhecimento saudável. Especialista em saúde da mulher, atua com ênfase em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, gestação e puerpério. Reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utiliza suplementação e reposição hormonal para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos. É uma fonte confiável para entrevistas, artigos e conteúdos sobre saúde feminina, buscando ampliar o acesso à informação e promover qualidade de vida por meio de acompanhamento médico regular



1RABINOVICI, J.; OONK, H. P.; HUANG, Z.; et al. Perimenopausal Hormone Replacement Treatments as a Geroprotective Approach – Adapting Clinical Guidelines. Aging & Disease, 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 09 fev. 2026.

 

Depois do Carnaval, é hora de cuidar do coração: check-up anual ajuda a evitar infarto e AVC

Infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral matam mais do que todos os tipos de câncer somados; metade dos eventos cardiovasculares poderia ser evitada com diagnóstico precoce e controle de fatores de risco, alerta especialista do Hospital Santa Catarina


Com o fim do Carnaval e a volta à rotina, muitos brasileiros retomam também as metas de saúde e a prática de atividades físicas. Especialistas alertam que incluir o check-up cardiológico no planejamento do ano é uma medida simples que pode prevenir até metade dos eventos cardiovasculares, principal causa de morte no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, e responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais.

Estimativas da entidade mostram que infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral matam mais do que todos os tipos de câncer somados. Metade dos casos poderia ser evitada com diagnóstico precoce e controle de fatores de risco. Por isso, especialistas reforçam que colocar um check-up no calendário do ano deveria ser tão importante quanto planejar férias, guardar o recibo do imposto de renda ou renovar o passaporte. 

A avaliação cardiovascular anual permite identificar alterações antes do surgimento de qualquer sintoma. O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. José Paulo Novazzi, explica que grande parte das doenças se desenvolve de forma silenciosa e progressiva: “As doenças do coração podem aparecer ao longo da vida e, em suas fases iniciais, comumente não apresentam sintomas. Em um check-up de rotina, o médico pode diagnosticar doenças cardíacas em fase pré-sintomática, iniciar tratamento específico e modificar a evolução da patologia”. 

A consulta clínica completa é sempre o primeiro passo. Nela, são avaliados hábitos, histórico familiar, queixas e sinais físicos que indicam a necessidade de exames complementares. Os exames básicos incluem glicemia, colesterol e outros marcadores metabólicos, eletrocardiograma e teste ergométrico. Dependendo da avaliação, podem ser necessários exames complementares, como ecocardiograma, monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), Holter de 24 horas para investigação de arritmias e Tilt Test nos casos de desmaios ou síncopes. 

A recomendação geral é simples: todos os adultos devem fazer acompanhamento cardiológico a partir dos 40 anos. No entanto, muitas pessoas precisam iniciar antes as medidas preventivas, como os hipertensos, diabéticos, fumantes, indivíduos com colesterol elevado, obesos ou pacientes com histórico familiar de doenças cardíacas. Quem inicia atividades físicas, como musculação ou corrida de rua, também deve realizar avaliação prévia. Crianças e adolescentes podem ser encaminhados para uma consulta cardiológica, caso pediatras identifiquem alterações clínicas ou laboratoriais que sugiram risco futuro.
 

Pistas e controle dos fatores de risco

Controlar fatores de risco faz diferença real nas estatísticas. O cardiologista reforça que “o tratamento dos fatores de risco modificáveis, como hipertensão, dislipidemia (alteração dos lipídios no sangue), diabetes mellitus, obesidade, tabagismo, estresse e sedentarismo, é fundamental. Estudos conclusivos mostram redução de eventos cardiovasculares e de mortalidade quando controlamos esses preditores da doença”. 

Além dos exames, o corpo também envia sinais que não devem ser ignorados. Dores no peito, palpitações, desmaios, falta de ar e inchaço merecem avaliação rápida. Sinais considerados “bobos”, como tontura, dor de cabeça persistente, alterações visuais ou zumbido no ouvido, podem ser as primeiras pistas de alterações cardiovasculares que merecem atenção. “Muitas vezes, as doenças do coração exibem sintomas inespecíficos em sua fase inicial. Esse fato valoriza a importância do check-up preventivo”, afirma o médico. 

A prevenção não termina na porta do consultório. Alimentação equilibrada, atividade física regular, evitar o cigarro e acompanhar os próprios resultados ao longo do tempo são hábitos que reduzem riscos e ajudam a envelhecer com vitalidade. Há idosos com mais fôlego do que jovens sedentários justamente por terem cuidado da saúde ao longo da vida, uma diferença que o Dr. Novazzi observa na prática: “Muitas vezes, nos deparamos com indivíduos mais idosos com ótima capacidade física e funcional graças ao estilo de vida adotado nos anos anteriores”. 

Em resumo, se o coração trabalha 24 horas por dia, o mínimo que você pode fazer é reservar uma hora por ano para cuidar dele. Porque, quando o check-up entra na agenda, o infarto e o AVC têm muito menos chance de entrar na sua história. O coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina - Paulista conclui: “As avaliações periódicas identificam os fatores de risco, a intervenção multiprofissional os modifica e o resultado é melhor qualidade de vida e maior sobrevida”.


Mitos ainda afastam brasileiros da prevenção contra o câncer

  

Novos dados do INCA reforçam a urgência do diagnóstico precoce e do enfrentamento de crenças que adiam o cuidado

 

Mesmo com os avanços da medicina e o maior acesso a informação, mitos ainda afastam grande parte da população da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer. O alerta se intensificou com dados recentes divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estimam 781 mil novos casos da doença por ano no Brasil no triênio 2026–2028, número que representa um aumento de aproximadamente 10,9% em relação à estimativa anterior, de 704 mil casos anuais para o período de 2023 a 2025.

 

“Não sinto nada”

Na prática, muitos tipos de câncer se desenvolvem de forma silenciosa, o que significa que a ausência de sintomas não indica, necessariamente, que a pessoa esteja saudável. Tumores de mama, próstata, intestino e tireoide, por exemplo, podem evoluir lentamente por anos antes de provocar sinais evidentes. “Grande parte dos diagnósticos acontecem justamente nos exames de rotina, quando o paciente não sente nada. Esperar os sintomas pode significar perder o melhor momento para o tratamento”, explica o oncologista Carlos Fruet.

 

“Sou jovem”

“A idade deixou de ser um fator de proteção”, alerta Fruet. Acreditar que o câncer é uma doença restrita aos idosos é um mito recorrente. Os dados recentes, porém, contrariam essa percepção. Segundo o Painel Oncologia, do DataSUS, o número de diagnósticos entre pessoas de 18 a 50 anos cresceu 284% entre 2013 e 2024, chegando a 174,9 mil novos casos anuais, o que tem mudado o perfil da doença no país. 

“Maus hábitos adquiridos precocemente, como tabagismo, consumo de álcool, alimentação baseada em ultraprocessados, obesidade e sedentarismo, têm impacto direto nesse cenário.”, continua o médico.

 

“Não tenho histórico familiar”

A ausência de casos na família também costuma gerar uma falsa sensação de segurança. Dados do INCA indicam que apenas de 5% a 10% dos casos de câncer têm origem hereditária. “O histórico familiar aumenta o risco, mas não tê-lo não significa estar imune. O câncer pode surgir influenciado por fatores como os hábitos de vida”, afirma o médico.

 

“Depois eu vejo”

A rotina corrida faz com que os exames preventivos fiquem em segundo plano, o que contribui para diagnósticos tardios. Nesse contexto, os hábitos saudáveis ganham ainda mais importância.

 

“Exame sempre acha problema”

O receio de descobrir alterações ainda afasta muitas pessoas dos consultórios, mas a lógica deve ser justamente o oposto. Quanto mais cedo uma doença é identificada, maiores são as chances de tratamento eficaz e menos agressivo. “A detecção precoce amplia significativamente as chances de um desfecho positivo e de tratamentos menos invasivos”, finaliza Fruet.


Seis sinais de que os sintomas de saúde que você sente são intermitentes

Especialista alerta que os casos podem ocorrer de diferentes formas e diz quando deve receber atenção redobrada

 

Sintomas que são classificados como “intermitentes” ocorrem em distintas fases da vida e podem se apresentar de maneiras diferentes. De um modo geral, eles atingem o corpo humano em um período de “vem e vai”, ou seja, o paciente tem a sensação de que é algo recorrente, mas que logo terá fim. No entanto, o enfermeiro Lucas Bernardes, da Cuidare Brasil, alerta para que os casos recebam atenção redobrada.

 

Para o especialista, os sinais podem representar um desafio para diagnósticos, pois o paciente pode estar ou não com o sintoma no momento da consulta. Ele afirma que a intermitência acontece quando o corpo está momentaneamente compensando uma falha ou reagindo a um fator externo temporário. Apesar disso e embora alguns indícios sejam inofensivos, Bernardes pontua que sua recorrência pode indicar uma condição implícita, na qual a avaliação profissional se faz necessária.

 

“Muitas vezes, o paciente só percebe que algo não vai bem quando esses episódios começam a se repetir. Como eles não seguem um padrão fixo, acabam passando despercebidos em uma avaliação pontual. O organismo até consegue se ajustar por um tempo, mas essa adaptação não significa que esteja tudo resolvido. Quando os sinais retornam, é um indicativo claro de que vale a pena olhar com mais atenção”, explica.

 

O especialista indicou seis sinais de que os sintomas apresentados são recorrentes e por que devem receber atenção. Confira:

 

Efeito “vai e vem”: é o principal indicador. Por vezes, ele melhora sozinho, mas Bernardes pontua que não se configura em um avanço por si só. A principal razão é que a condição logo torna a incomodar o paciente.

 

Surgem em momentos parecidos: mesmo que não evidente à primeira vista, o especialista ressalta que muitos sintomas retornam após situações específicas. “Pode acontecer em casos de esforços físicos, noites mal dormidas, alimentação irregular ou períodos de estresse. A repetição de cenários ajuda a identificar que não se trata de um evento isolado”, diz.

 

Intensidades alternadas: a intermitência raramente se apresenta do mesmo modo. Em alguns momentos, surgem de maneira leve; em outros, tornam-se mais incômodos, o que pode gerar confusão sobre a real gravidade do quadro.

 

Sequência imprevisível: diferente de condições contínuas, “os sinais não se apresentam diariamente ou em intervalos regulares”, esclarece Bernardes. Ele(a) ainda analisa que muitos deixam de relatá-los ou têm dificuldade em descrevê-los com precisão durante uma consulta.

 

Adaptação do paciente: com o tempo e com a recorrência, o paciente acaba se adaptando à situação de desconforto. É um dos motivos para que a situação passe a ser normalizada e, consequentemente, não seja trata. 


Subestimados: para o(a) especialista, os sinais costumam ser encarados como passageiros ou sem importância, justamente por não estarem sempre presentes. A percepção ainda pode atrasar a busca por orientação profissional e dificultar a identificação precoce de “condições que poderiam ser tratadas simplesmente”, conclui.


Ortopedista alerta para a necessidade de cuidar de ossos e músculos

 

Ações básicas do dia a dia como andar, levantar da cama, virar a cabeça de um lado para o outro, manter-se de pé, agachar, dançar e praticar esportes são possíveis graças à força de um sistema que, invisível aos olhos, funciona como suporte, motor e proteção do corpo humano. Com o aumento da estimativa de vida da população, cuidar da saúde de ossos e músculos tem se tornado, mais que questão estética, uma necessidade para quem deseja ter autonomia e capacidade de trabalho por mais tempo.

No entanto, para muitas pessoas, a consulta com o ortopedista só é prioridade quando a dor ou o desconforto não passam de jeito nenhum ou quando o acidente é grave a ponto de demandar atendimento de urgência. Segundo o médico ortopedista do Hospital Evangélico, especialista em cirurgia de joelho, mestre pela UFMG e atual membro da Comissão de Apoio Científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho (SBCJ), Marcelo de Carvalho Amorim, é preciso desmistificar essa ideia de uma vez por todas porque, em se tratando de ossos e músculos, o ideal é não esperar que dores/desconfortos/machucados se agravem. “Cuidar do sistema osteomuscular é fundamental para ter uma vida saudável”, frisa.

Então, por que não incluir o ortopedista no check-up anual, principalmente se existe aquela dor antiga no joelho, ombro, cotovelo, punho, quadril ou na coluna, com inchaço, vermelhidão e calor nessas regiões? A visita ao especialista também será importante para quem sofre com dificuldade ou perda de movimento, deformidades visíveis ou instabilidade articular, formigamento ou dormência nos braços e pernas e para quem sofreu uma queda ou pancada intensas.

Além desses problemas o ortopedista também cuida de pacientes com doenças degenerativas (artrose), inflamações (tendinites, bursites), lesões esportivas variadas, deformidades (escoliose, pés planos), dores crônicas nas costas, joelhos, ombros, osteoporose (prevenção e tratamento) e reabilitação pós-lesão ou cirurgia.


Prevenção

Para ter um sistema osteomuscular que funcione de forma satisfatória há três pilares de cuidados. O primeiro deles é a alimentação balanceada, rica em cálcio (laticínios, vegetais verde-escuros) e vitamina D (exposição solar, peixes gordurosos) para ossos fortes.

A prática de atividade física regular desde os primeiros anos de vida é recomendação antiga. Para adultos e idosos, deve incluir exercícios com carga (caminhada, musculação) que estimulam a formação óssea, fortalecem os músculos e previnem as quedas.

O controle de hábitos reconhecidamente nocivos para a saúde como tabagismo e ingestão de bebidas alcoólicas em excesso também é importante porque esses produtos prejudicam a densidade óssea. Na outra ponta, manter o peso saudável alivia a carga sobre as articulações e evita danos maiores ao longo da vida.


Acidentes

Seja em casa, no trabalho ou mesmo na rua, cada ambiente tem a sua carga de riscos para acidentes. Adotar uma postura mais segura é o primeiro passo para prevenir tais ocorrências. Mas quando há quedas, especialmente com idosos, ou quando há dor ou inchaço significativo, é preciso recorrer a uma avaliação médica.

Aquela “virada de pé” que causa dor ou inchaço imediato ou impede o apoio também é outro caso que merece atenção. Dores por repetição (LER/DORT) que surgem após tarefas domésticas ou laborais repetitivas e que não melhoram são problemas que devem ser levados para o ortopedista. O mesmo vale para quem carrega peso e depois sofre dias com dor na coluna.

“Uma torção ou luxação mal curadas podem levar a instabilidade crônica da articulação, que fica “frouxa” e suscetível a novas lesões, artrose precoce, dor crônica, fraqueza muscular e novas lesões em outras áreas do corpo, para compensar uma articulação já comprometida. O tratamento correto das lesões ortopédicas é fundamental para restaurar a função e evitar problemas futuros”, ressalta Marcelo de Carvalho Amorim.

Acidentes que se repetem indicam que há uma causa subjacente que precisa ser investigada por meio de avaliação médica especializada, investigação das causas – instabilidade residual, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, frouxidão ligamentar ou condições neurológicas em idosos e/ou fatores ambientais – para a definição de um tratamento personalizado que pode incluir fisioterapia para fortalecer e reabilitar, uso de órteses (talas, palmilhas, tornozeleiras etc). Parte do tratamento é a mudança no estilo de vida e, quando necessário, cirurgia para reparar as estruturas ou para implantar próteses.

“As lesões repetidas são um sinal de que algo no organismo precisa de atenção. A reabilitação, após lesão ou cirurgia, é fundamental. A fisioterapia é tão importante quanto o tratamento em si”, ressalta. E para completar, se a parte do corpo que dói já é conhecida, a especialidade médica da Ortopedia e Traumatologia dispõem de diversas subespecialidades, o que facilita o diagnóstico bem como a indicação de um tratamento mais avançado caso a caso. 

  

HE – Hospital Evangélico de Belo Horizonte

 

Fevereiro Laranja reforça alerta: Brasil deve registrar mais de 12 mil novos casos de leucemia por ano até 2028

 Especialista destaca diferenças entre leucemias na infância e na vida adulta e reforça a importância do diagnóstico precoce

 

O mês de fevereiro marca a renovação de um compromisso vital com a saúde pública brasileira através da campanha Fevereiro Laranja, que ganha contornos de urgência diante dos dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). No relatório "Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil", divulgado no início deste mês, projeta-se a ocorrência de 12.220 novos casos de leucemia para cada ano do triênio, um cenário que exige atenção redobrada.

 

A incidência mantém-se ligeiramente superior na população masculina, com 6.540 casos previstos, contra 5.680 em mulheres, reforçando a necessidade de políticas públicas que alcancem diferentes perfis demográficos. Enquanto a leucemia linfoide aguda (LLA) permanece como o subtipo predominante na infância e adolescência, a leucemia mieloide aguda (LMA) consolida-se como o desafio mais comum entre o público adulto, exigindo estratégias de tratamento cada vez mais personalizadas.

 

A médica hematologista da Afya Ipatinga, Dra Marita de Novais Costa Salles, comenta que a leucemia apresenta diferenças importantes conforme a faixa etária, tanto em relação ao tipo mais frequente quanto ao comportamento da doença, às estratégias terapêuticas e ao prognóstico.

 

“Na infância, a leucemia linfoide aguda (LLA) é a forma mais comum. Felizmente, nessa faixa etária, os índices de cura são elevados. As crianças, em geral, toleram melhor esquemas intensivos de quimioterapia e, quando indicado, o transplante de medula óssea. Além disso, os protocolos pediátricos são bastante estruturados e apresentam excelentes resultados, o que contribui para um prognóstico mais favorável”.

 

Entre a população adulta, a hematologista informa que especialmente acima dos 60 anos a leucemia mieloide aguda (LMA) torna-se mais frequente. Nessa população, o tratamento precisa ser individualizado, levando em consideração o estado clínico, doenças associadas e alterações genéticas da leucemia. Sendo necessário ajustar a intensidade da quimioterapia para reduzir riscos de complicações. Em pacientes idosos, o transplante de medula óssea, que pode ser potencialmente curativo, nem sempre é viável devido às condições clínicas e aos riscos do procedimento, o que pode impactar o prognóstico.

 

O cenário internacional corrobora a gravidade global das neoplasias hematológicas. De acordo com a organização americana Blood Cancer United, estima-se que quase 1,76 milhão de pessoas vivam com cânceres no sangue nos Estados Unidos, onde uma nova pessoa é diagnosticada a cada três minutos. A organização estima que a leucemia e doenças correlatas causaram mais de 56 mil mortes no território americano no ano passado, o que equivale a um óbito a cada nove minutos. 


 

Diagnóstico precoce: sinais que podem salvar vidas 

 

Ficar atento aos sinais que o corpo apresenta é fundamental para possibilitar o diagnóstico precoce da leucemia, o que aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento. Dra Marita de Novais explica que muitas vezes, os sintomas podem ser confundidos com problemas comuns do dia a dia, mas quando são persistentes ou aparecem de forma associada, merecem investigação médica.

 

“Alguns sinais e sintomas são comuns às leucemias agudas e devem servir de alerta. Entre eles estão cansaço excessivo, fraqueza e palidez, geralmente relacionados à anemia. Podem ocorrer infecções frequentes ou de difícil controle, já que os leucócitos (células de defesa do organismo) passam a não funcionar adequadamente”. 


Outro sintoma importante são os sangramentos, como gengivais ou nasais, e o aparecimento de manchas roxas na pele, decorrentes da queda no número de plaquetas. “Além disso, pode haver aumento dos linfonodos (popularmente conhecidos como “ínguas”). Em crianças, a dor óssea também pode ser um sinal de alerta. Ao perceber a combinação desses sintomas, é fundamental procurar avaliação médica para investigação adequada e diagnóstico precoce”, conclui a hematologista da Afya Ipatinga.

 

Preservativo feminino: mitos, verdades e proteção sexual

A prevenção é um dos pilares do cuidado com a saúde sexual, e o preservativo segue como uma das formas mais eficazes de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez não planejada. Além do modelo masculino, há também o preservativo feminino, uma alternativa segura e prática, ainda pouco difundida.


Inserido internamente, ele atua como método de barreira, adaptando-se ao canal vaginal e protegendo também parte da região externa da genitália. Quando utilizado corretamente, tem eficácia semelhante à do preservativo masculino e pode oferecer proteção adicional por cobrir a vulva.


Entre os diferenciais estão a possibilidade de colocação horas antes da relação, evitando interrupções, e o fato de não ser feito de látex, sendo indicado para pessoas com alergia a esse material.


Apesar das vantagens, mitos e desinformação ainda limitam sua adesão. Não há evidências de que cause infecções, corrimentos ou alterações no pH vaginal quando usado de forma adequada. Ele pode ser combinado com outros contraceptivos e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso à prevenção.


Segundo a professora de ginecologia da Afya Vitória, Madalena Oliveira, o método é confortável, seguro e amplia o protagonismo da mulher na prevenção, ao permitir maior autonomia nas decisões sobre a própria saúde sexual.

 

Principais dúvidas sobre o preservativo feminino respondidas pela ginecologista

 

1.“Ele protege tanto quanto o masculino?”

Sim. Quando utilizado corretamente, apresenta eficácia semelhante e pode oferecer proteção adicional por cobrir a região externa da genitália.

 

2.“Pode ser usado com outro método anticoncepcional?”

Sim. Pode ser associado a métodos hormonais ou ao DIU, garantindo dupla proteção: contra ISTs e contra a gravidez.

 

3.“Pode ser colocado antes da relação?”

Sim. Pode ser inserido horas antes do contato sexual, o que facilita o uso.

 

4.“É indicado para quem tem alergia ao látex?”

Sim. É feito de poliuretano, material adequado para pessoas com sensibilidade ao látex.

 

5.“Pode causar infecção ou alterar o pH vaginal?”

Não é comum. Quando usado corretamente, não provoca infecções nem alterações no pH.

 

6.“Existe risco de falha?”

Como qualquer método contraceptivo, há risco principalmente em caso de uso inadequado. A orientação profissional é importante.

 

7.“Protege contra todas as ISTs?”

Reduz significativamente o risco de ISTs transmitidas por contato sexual.

 

8.“Quem usa DIU pode utilizar?”

Sim. Não há contraindicação; ele pode ser usado como proteção adicional contra ISTs.


 

Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Posts mais acessados