O comércio eletrônico voltado ao setor pet segue em ritmo de crescimento no Brasil, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor e pela consolidação da digitalização do varejo. Para ilustrar o crescimento, somente entre maio e junho de 2025, plataformas de e-commerce como AliExpress, Shopee e Mercado Livre divulgaram aumento de até 300% na venda de produtos voltados para animais de estimação.
Mesmo diante desse cenário positivo, o aumento da
concorrência levanta um questionamento estratégico para empreendedores e
investidores: o e-commerce pet já atingiu um nível de saturação ou ainda há
oportunidades relevantes de expansão?
Para Hugo Galvão de França Filho, diretor da Enjoy
Pets, o mercado vive um momento de amadurecimento. “Existe uma competição
intensa no modelo tradicional, principalmente quando falamos de grandes players
disputando preço e logística em escala nacional. Mas isso não significa que o
mercado esteja saturado. Há espaço significativo para nichos bem-posicionados,
que entregam experiência, curadoria e relacionamento”, afirma.
Segundo o especialista, segmentos como alimentação
natural, produtos funcionais, suplementos, linhas hipoalergênicas, itens
personalizados e modelos de assinatura recorrente apresentam crescimento
consistente e maior potencial de fidelização. No entanto, com a entrada de
marketplaces especializados e grandes varejistas no segmento pet, a disputa por
preço se intensificou, e a experiência do cliente se tornou um ativo
fundamental para construírem relacionamentos de longo prazo.
Outro fator que reforça o potencial de crescimento
é a expansão do consumo pet em cidades médias e regiões onde a oferta física
ainda é limitada. Nesses casos, o e-commerce amplia o acesso a produtos premium
e especializados. “Existe um Brasil pet que ainda não foi totalmente explorado
no digital. A interiorização representa uma oportunidade concreta para empresas
que estruturam bem sua operação”, avalia Galvão.
O especialista também destaca que logística
eficiente, política clara de trocas, presença ativa nas redes sociais e uso
estratégico de dados deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos
básicos para competir no ambiente digital. Para empresas conseguirem espaços no
mercado, o e-commerce pet exige hoje planejamento estruturado, análise
constante de indicadores, construção sólida de marca e estratégias voltadas à
retenção.
Com consumidores cada vez mais conectados e
dispostos a investir no bem-estar dos animais de estimação, o setor pet digital
mostra que está mais competitivo, mas longe de estar esgotado. Empresas que
compreendem o comportamento do tutor e atuam de forma inteligente em nichos
específicos conseguem encontrar amplo espaço para crescimento no setor.

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