Condição rara e progressiva impacta entre 2 e 4 vezes mais mulheres do que homens
Fevereiro é um mês que levanta a conscientização sobre doenças raras e, entre elas, a Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) uma condição progressiva e potencialmente fatal, caracterizada pelo aumento da pressão na circulação pulmonar. Essa condição ocorre quando as artérias que transportam o sangue do coração para os pulmões se tornam mais espessas, dificultando o fluxo sanguíneo. Como consequência, o lado direito do coração precisa realizar um esforço muito maior para bombear o sangue, o que pode levar à insuficiência cardíaca direita.
Por
apresentar sintomas comuns a outras doenças respiratórias, como asma, o
diagnóstico costuma ser feito por exclusão e, geralmente, leva mais de
dois anos para ser confirmado. Os pacientes geralmente
relatam falta de ar (78%), cansaço (65%), dor ou pressão no
peito (33%) além de palpitações e inchaço nas pernas.
Impacto Desproporcional em Mulheres
A
HAP afeta significativamente mais as mulheres do que os homens, com uma
ocorrência de 2 a 4 vezes maior no público feminino, especialmente em
idade fértil.
- Riscos na Gravidez: A
gestação para mulheres com HAP é extremamente perigosa, apresentando taxas
de mortalidade materna de até 56% e mortalidade
neonatal de até 13%.
- Saúde Mental: O
fardo da doença é elevado independentemente da região geográfica, com
cerca de 80% das mulheres relatando a depressão como um dos
principais desafios enfrentados durante o tratamento. O impacto negativo
na maternidade também é um fator de grande relevância para as pacientes.
Novo tratamento foi lançado no Brasil em 2025
No
ano passado, chegou ao Brasil o sotatercepte, o primeiro
medicamento biológico e o primeiro inibidor de sinalização da
activina aprovado pela ANVISA, sendo uma nova via de tratamento para a HAP7.
- Mecanismo de Ação:
Diferente de terapias anteriores, ele atua no equilíbrio entre a
sinalização pró e antiproliferativa, regulando a proliferação das células
vasculares. Isso promove a remodelação arterial e ventricular reversa,
afinando as paredes vasculares e melhorando a hemodinâmica.
- Benefícios Clínicos: Estudos
mostraram que o medicamento aumenta a capacidade de exercício, melhora a
classe funcional dos pacientes e reduz o risco de eventos de piora clínica.
Em estudo clínico que avaliou apenas pacientes mais graves, houve redução
de morte, transplante de pulmão e hospitalização no grupo que usou
sotatercepte. Devido aos resultados expressivos, ele foi incluído em
recomendação mundial de tratamento da HAP, em associação com outras
medicações para a doença.
MSD
Nenhum comentário:
Postar um comentário