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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Inclusão digital dos idosos avança no Brasil, mas aumento de fraudes acende alerta para segurança online

Mais conectados, mais expostos: avanço digital dos idosos amplia autonomia, mas exige cuidados contra fraudes
 

A ampliação do acesso à internet entre pessoas com 60 anos ou mais vem promovendo mudanças profundas nos hábitos de consumo, comunicação e convivência familiar, ao mesmo tempo em que levanta novos desafios relacionados à segurança no ambiente digital. Segundo dados do IBGE, a proporção de idosos conectados saltou de 24,7% em 2016 para 66% em 2023, um avanço que reflete ganhos relevantes em autonomia, inclusão social e qualidade de vida, mas que também amplia a exposição a golpes e fraudes online.

“Esse crescimento não é apenas tecnológico, é social. O idoso conectado ganha independência para acessar bancos, serviços públicos, saúde e comunicação, reduzindo a dependência de familiares e fortalecendo a autoestima e a participação ativa na sociedade”, afirma Rodrigo Fernandes, supervisor de Operação – Prevenção a Fraudes da DM, prestadora de serviços financeiros

Segundo ele, a inclusão digital também contribui para reduzir o isolamento social. “Aplicativos de mensagens, videochamadas e redes sociais aproximam esse público de familiares e amigos, o que tem impacto direto na saúde mental e no bem-estar emocional.”

No entanto, o avanço da conectividade também amplia a exposição a golpes. Dados da Serasa Experian indicam um aumento de quase 12% nas tentativas de fraude contra idosos em 2024, colocando essa faixa etária entre as mais visadas por criminosos digitais.

Entre os golpes mais comuns estão:

  • Perfis falsos no WhatsApp se passando por filhos ou netos pedindo dinheiro com urgência;
  • Phishing com boletos falsos, renegociações fraudulentas e mensagens sobre INSS ou benefícios;
  • Golpe da falsa central bancária, com criminosos se passando por atendentes;
  • Engenharia social por telefone, com abordagem técnica e institucional;
  • Golpe do romance, com criação de vínculos emocionais para extorsão financeira.

“Os fraudadores exploram tanto a menor familiaridade com práticas de segurança digital quanto fatores emocionais, como confiança em autoridades, senso de urgência e vínculos afetivos. É uma combinação perigosa”, explica Fernandes.

Além dos riscos financeiros, a transformação digital também vem alterando a dinâmica familiar. Com mais autonomia, os idosos passam a depender menos de filhos e netos para tarefas digitais, criando relações mais equilibradas.

“A interação deixa de ser apenas ‘faz isso para mim’ e passa a ser ‘me ensina como funciona’. Dessa forma, fortalece o diálogo entre gerações, reduz a sobrecarga dos mais jovens e aumenta a autoestima do idoso”, destaca.

Para garantir que a inclusão digital aconteça de forma segura, o especialista defende ações coordenadas entre poder público, empresas de tecnologia e instituições financeiras. “É fundamental investir em capacitação contínua em segurança digital, com linguagem simples, exemplos práticos e foco nos riscos reais do dia a dia. Além disso, produtos e aplicativos precisam ser pensados com design inclusivo, alertas claros e camadas adicionais de proteção para esse público”, afirma.

Segundo Fernandes, campanhas educativas em canais acessíveis, atendimento humanizado e integração entre governo, empresas e operadoras para bloqueio de números e disseminação de alertas também são medidas essenciais. “A inclusão digital do idoso não pode ser apenas sobre acesso, mas sobre acesso com segurança. Quando educação, tecnologia acessível e proteção caminham juntas, criamos um ambiente mais justo, autônomo e seguro para essa população”, conclui.


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