Mais conectados, mais expostos: avanço digital dos
idosos amplia autonomia, mas exige cuidados contra fraudes
A
ampliação do acesso à internet entre pessoas com 60 anos ou mais vem promovendo
mudanças profundas nos hábitos de consumo, comunicação e convivência familiar,
ao mesmo tempo em que levanta novos desafios relacionados à segurança no
ambiente digital. Segundo dados do IBGE, a proporção de idosos conectados
saltou de 24,7% em 2016 para 66% em 2023, um avanço que reflete ganhos
relevantes em autonomia, inclusão social e qualidade de vida, mas que também
amplia a exposição a golpes e fraudes online.
“Esse
crescimento não é apenas tecnológico, é social. O idoso conectado ganha
independência para acessar bancos, serviços públicos, saúde e comunicação,
reduzindo a dependência de familiares e fortalecendo a autoestima e a
participação ativa na sociedade”, afirma Rodrigo Fernandes, supervisor de
Operação – Prevenção a Fraudes da DM, prestadora de serviços financeiros
Segundo
ele, a inclusão digital também contribui para reduzir o isolamento social.
“Aplicativos de mensagens, videochamadas e redes sociais aproximam esse público
de familiares e amigos, o que tem impacto direto na saúde mental e no bem-estar
emocional.”
No
entanto, o avanço da conectividade também amplia a exposição a golpes. Dados da
Serasa Experian indicam um aumento de quase 12% nas tentativas de fraude contra
idosos em 2024, colocando essa faixa etária entre as mais visadas por
criminosos digitais.
Entre
os golpes mais comuns estão:
- Perfis falsos no WhatsApp se passando por filhos ou netos pedindo
dinheiro com urgência;
- Phishing com boletos falsos, renegociações fraudulentas e mensagens
sobre INSS ou benefícios;
- Golpe da falsa central bancária, com criminosos se passando por
atendentes;
- Engenharia social por telefone, com abordagem técnica e
institucional;
- Golpe do romance, com criação de vínculos emocionais para extorsão
financeira.
“Os
fraudadores exploram tanto a menor familiaridade com práticas de segurança
digital quanto fatores emocionais, como confiança em autoridades, senso de
urgência e vínculos afetivos. É uma combinação perigosa”, explica Fernandes.
Além
dos riscos financeiros, a transformação digital também vem alterando a dinâmica
familiar. Com mais autonomia, os idosos passam a depender menos de filhos e
netos para tarefas digitais, criando relações mais equilibradas.
“A
interação deixa de ser apenas ‘faz isso para mim’ e passa a ser ‘me ensina como
funciona’. Dessa forma, fortalece o diálogo entre gerações, reduz a sobrecarga
dos mais jovens e aumenta a autoestima do idoso”, destaca.
Para
garantir que a inclusão digital aconteça de forma segura, o especialista
defende ações coordenadas entre poder público, empresas de tecnologia e
instituições financeiras. “É fundamental investir em capacitação contínua em
segurança digital, com linguagem simples, exemplos práticos e foco nos riscos
reais do dia a dia. Além disso, produtos e aplicativos precisam ser pensados
com design inclusivo, alertas claros e camadas adicionais de proteção para esse
público”, afirma.
Segundo
Fernandes, campanhas educativas em canais acessíveis, atendimento humanizado e
integração entre governo, empresas e operadoras para bloqueio de números e
disseminação de alertas também são medidas essenciais. “A inclusão digital do
idoso não pode ser apenas sobre acesso, mas sobre acesso com segurança. Quando
educação, tecnologia acessível e proteção caminham juntas, criamos um ambiente
mais justo, autônomo e seguro para essa população”, conclui.
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