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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Início da quaresma aquece turismo religioso e impulsiona economias regionais no Brasi

Foto profissional
Caminhos Franciscanos - Vale do Mucuri

Com planejamento e identidade territorial, destinos de fé transformam espiritualidade em geração de renda, emprego e fortalecimento das economias locais

 

Com o início da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa no calendário cristão, cidades que têm a fé como principal ativo econômico começam a registrar aumento no fluxo de visitantes. Romarias, vias-sacras, retiros espirituais e celebrações penitenciais intensificam a movimentação em destinos tradicionalmente ligados ao turismo religioso, consolidando o segmento como vetor estratégico de desenvolvimento regional.

 

Mais do que expressão espiritual, a fé se traduz em geração de renda, fortalecimento do comércio local e estímulo ao empreendedorismo.

 

Minas Gerais: fé que estrutura rotas e fortalece empreendedores 

Em Minas Gerais, iniciativas como o Caminho de Nossa Senhora da Lapa, em Vazante, e os Caminhos Franciscanos, no Vale do Mucuri, evidenciam como a estruturação de rotas de peregrinação pode redefinir a dinâmica econômica de pequenos municípios. O que antes eram povoados com fluxo restrito passaram a integrar o mapa do turismo de fé, recebendo visitantes que percorrem mais de 900 quilômetros em busca de espiritualidade, acolhimento e autenticidade.

 

“Estamos falando de comunidades pequenas, que hoje se organizam para receber peregrinos de diferentes regiões do país. Os Caminhos Franciscanos se tornaram referência justamente por unir tradição religiosa, hospitalidade bem estruturada e gestão integrada entre igreja, empreendedores e poder público”, afirma Santuza Macedo, especialista em turismo e operadora do setor.

 

Segundo ela, quando há planejamento e identidade bem definida, o turismo religioso deixa de ser apenas evento pontual e passa a se consolidar como estratégia permanente de desenvolvimento regional.

 

Fé que movimenta bilhões no mundo 

O fenômeno não é isolado. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), entre 300 e 330 milhões de viagens internacionais por ano estão ligadas a motivações religiosas. Estimativas de mercado apontam que o segmento movimentou aproximadamente US$ 286 bilhões em 2024, com projeção de ultrapassar US$ 670 bilhões até 2030.

 

No Brasil, onde 86% da população se declara cristã segundo o IBGE, o potencial é expressivo. Dados do Ministério do Turismo indicam que 37% dos brasileiros já realizaram viagens motivadas pela fé, e 18% apontam destinos religiosos como preferência principal, atrás apenas de sol e praia.

 

Aparecida e Cachoeira Paulista: alta temporada espiritual 

Durante a Quaresma, destinos como o Santuário Nacional de Aparecida registram aumento nas excursões organizadas, sobretudo nos fins de semana e na proximidade da Semana Santa. Em 2024, o maior templo mariano do mundo recebeu mais de 9 milhões de devotos ao longo do ano, consolidando-se como epicentro do turismo religioso na América Latina.

 

A poucos quilômetros dali, a Comunidade Canção Nova também intensifica sua programação litúrgica no período, atraindo milhares de fiéis para retiros e encontros espirituais.

 

O calendário quaresmal amplia o tempo de permanência dos visitantes e estimula setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio popular.

 

Turismo religioso como estratégia de desenvolvimento 

Para Santuza Macedo, o crescimento observado neste período confirma uma tendência estruturada.

 

“O turismo religioso acompanha o calendário litúrgico e ganha força na Quaresma, quando há maior busca por reflexão e reconexão espiritual. Quando existe planejamento, sinalização adequada, capacitação de empreendedores e integração entre os atores locais, a fé se transforma em desenvolvimento sustentável.”

 

Segundo ela, o avanço do setor passa por profissionalização e integração com experiências culturais e gastronômicas, ampliando o tempo de permanência.

 

“O peregrino contemporâneo quer vivência espiritual, mas também organização, conforto e informação. Estruturar rotas bem definidas, fortalecer o acolhimento e capacitar pequenos negócios são passos fundamentais para que as cidades aproveitem plenamente esse potencial.”

 

Impacto direto nas economias locais 

Durante a Quaresma, cidades que concentram santuários e rotas de peregrinação registram:

  • aumento na ocupação hoteleira;
  • crescimento nas vendas do comércio popular;
  • fortalecimento da economia informal;
  • geração de empregos temporários;
  • ampliação da visibilidade turística regional. 

Mais do que um movimento sazonal, o turismo religioso consolida-se como segmento estratégico para o Brasil. E, com o início da Quaresma, essa engrenagem econômica movida pela fé volta a girar com intensidade, reafirmando que espiritualidade e desenvolvimento caminham lado a lado.

 


Santuza Macedo - empreendedora e especialista em turismo, com ampla experiência nacional e internacional. CEO da Diamond Viagens, atuou em Orlando (EUA), onde se especializou em experiências personalizadas na Disney e no turismo familiar. Hoje, lidera projetos e consultorias que envolvem roteiros nacionais e internacionais, cruzeiros, excursões e viagens sob medida, conectando brasileiros a destinos que unem conforto, cultura e propósito. Seu trabalho tem como foco transformar o ato de viajar em uma experiência completa, planejada com segurança, encantamento e estratégia.


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