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terça-feira, 1 de setembro de 2026

O que colocamos no prato também importa para a saúde mental

Especialista da Prati-Donaduzzi ajuda a compreender a relação entre intestino, cérebro e alimentação

 

Celebrado em 31 de agosto, o Dia do Nutricionista reforça a atuação desse profissional na promoção da saúde e chama a atenção para um aspecto que vem sendo investigado pela ciência: a relação entre alimentação, intestino e saúde mental. 

Tão importante quanto seguir os tratamentos adequados para os transtornos mentais, é olhar para outros fatores que contribuem para o bem-estar. A alimentação é um deles, e estudos sobre o chamado eixo intestino-cérebro ajudam a compreender como o que acontece no intestino pode estar relacionado ao funcionamento cerebral. 

A nutricionista da Prati-Donaduzzi, Joice Rauber, ressalta que, quando se trata de saúde mental, diferentes fatores devem ser considerados. “A alimentação não substitui tratamentos ou outros cuidados necessários, mas contribui para fornecer nutrientes importantes para o funcionamento adequado do organismo e do sistema nervoso". 

Joice cita estudos que investigam o eixo intestino-cérebro e têm identificado diferenças na microbiota intestinal de pessoas com e sem diagnóstico de depressão e ansiedade, reforçando a existência de uma conexão que envolve alimentação, sistema nervoso e saúde mental. 

Entre eles está uma revisão integrativa publicada em 2023 no Brazilian Journal of Health Review, que apontou, em pacientes com depressão, menor diversidade da microbiota e maior presença de marcadores inflamatórios. Um dos estudos analisados acompanhou 40 pacientes com diagnóstico de depressão. Após oito semanas, o grupo que recebeu suplementação com probióticos apresentou redução significativa na pontuação da Escala de Depressão de Beck em comparação ao grupo placebo. 

A nutricionista explica que intestino e cérebro mantêm uma comunicação de mão dupla, por meio de um eixo que envolve os sistemas nervoso, imunológico e neuroendócrino. “A microbiota intestinal participa dessa interação e está relacionada a mecanismos envolvidos no funcionamento cerebral e em processos associados ao humor, ao sono e à resposta ao estresse”, complementa. 

Joice ressalta que esses resultados não significam que determinados alimentos ou probióticos possam ser considerados tratamentos para transtornos mentais. A principal orientação está na qualidade do padrão alimentar como um todo. 

“Não existe um alimento isolado capaz de prevenir ou tratar um transtorno mental. O mais importante é manter uma alimentação equilibrada, respeitando as necessidades de cada pessoa e buscando orientação profissional quando necessário”, afirma. 

No dia a dia, a nutricionista recomenda priorizar verduras, legumes, frutas, grãos, castanhas, ovos, leite e derivados, fontes de gorduras saudáveis e carnes magras. Já alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas e cafeína devem ser consumidos com moderação.
 

Saúde mental exige cuidado integrado 

A alimentação é parte de um conjunto mais amplo de cuidados. Sono adequado e atividade física também contribuem para a saúde integral, assim como o acompanhamento de profissionais e, nos casos em que há indicação, o tratamento medicamentoso. 

A saúde do sistema nervoso central (SNC) também está entre as frentes de atuação da Prati-Donaduzzi. A farmacêutica possui medicamentos destinados a diferentes condições neurológicas e psiquiátricas e vem direcionando esforços ao desenvolvimento de novas apresentações para esse segmento, considerando aspectos como facilidade de administração, adesão ao tratamento e necessidades dos pacientes.

 

Prati-Donaduzzi


Câncer infantojuvenil: diagnóstico rápido pode fazer a diferença entre a doença e a cura

Leis estabelecem prazos de até 30 dias para exames de investigação e 60 dias para o início do tratamento após a confirmação do câncer; especialistas defendem que, na oncologia pediátrica, o ideal é reduzir ainda mais esse intervalo

 

O câncer infantojuvenil reúne um grupo de diferentes doenças que podem atingir crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. E o Setembro Dourado, campanha que reforça a importância do rápido diagnóstico, e que nesse ano conta com a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), com a Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (CONIACC) e com o Instituto Desiderata, chama a atenção da população e das autoridades. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no triênio 2026-2028, o Brasil deverá registar 7.560 novos casos de câncer em crianças e adolescentes por ano, sendo 3.960 em meninos (52,4%) e 3.600 em meninas (47,6%). O câncer já é a principal causa de morte por doença entre brasileiros nessa faixa-etária, respondendo por 8% dessas mortes, mas apesar da gravidade, o cenário também é marcado por uma perspectiva importante: segundo o INCA, cerca de 80% das crianças e dos adolescentes com câncer podem ser curados quando a doença e diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados.

 

Leucemias, tumores cerebrais e linfomas estão entre os mais frequentes

O câncer infantil é diferente do câncer do adulto. Na infância e na adolescência, as doenças malignas atingem com maior frequência o sistema hematopoético, o sistema nervoso central e os tecidos de sustentação. As leucemias estão entre os principais diagnósticos, seguidas pelos linfomas e tumores do sistema nervoso central. Também fazem parte desse grupo os neuroblastomas, tumores de Wilms, retinoblastomas, tumores de células germinativas, osteossarcomas e outros sarcomas. “Os sintomas muitas vezes são inespecíficos e podem ser confundidos com problemas comuns da infância”, comenta a presidente da SOBOPE e oncologista pediátrica, Dra. Mariana Bohns Michalowski, ao explicar que cansaço e palidez persistentes, manchas roxas sem motivo aparente, dores que não melhoram, aumento de gânglios, perda de peso, inchaços, alterações neurológicas, vômitos persistentes e dores de cabeça frequentes estão entre os sinais que merecem avaliação médica. “É importante ressaltar que a presença desses sintomas não significa que a criança e o adolescente tenham câncer, mas a persistência deve motivar a investigação.” 

De acordo com a Dra. Mariana, embora essas doenças não possam ser prevenidas por meio de mudanças de hábitos ou de programas de rastreamento populacional, o reconhecimento precoce dos sinais e dos sintomas, aliado a uma avaliação clínica adequada e ao encaminhamento ágil para serviços especializados, é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

 

Lei dos 30 dias e Lei dos 60 dias. Conhece?

A legislação brasileira estabelece prazos para acelerar o percurso do paciente com suspeita e confirmação de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A chamada Lei dos 30 dias (Lei 13.896/2019) determina que, quando a principal hipótese diagnóstica for uma neoplasia maligna, os exames necessários para esclarecer o diagnóstico devem ser realizados em até 30 dias, desde que haja solicitação fundamentada pelo médico responsável. O prazo se refere à realização dos exames necessários à elucidação diagnóstica, e não significa que todo câncer, obrigatoriamente, terá seu diagnóstico definitivo concluído em um mês. 

Nesse percurso, o médico patologista exerce papel fundamental. É ele o especialista responsável pela análise de células e tecidos obtidos, por exemplo, em biópsias e peças cirúrgicas, permitindo confirmar e caracterizar muitos tipos de câncer e fornecer informações essenciais para a definição do tratamento. 

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Dr. Gerônimo Jr. apesar dessa importância, o Brasil ainda conta com um número relativamente reduzido de patologistas em comparação com especialidades médicas mais numerosas, além de uma distribuição desigual desses profissionais pelo território nacional. 

Dados da Demografia Médica 2025 apontam que a escassez é especialmente relevante em regiões como Norte e Nordeste e em cidades do interior, onde o acesso ao diagnóstico anatomopatológico pode representar um desafio adicional para o cumprimento oportuno da jornada diagnóstica. ”O futuro do diagnóstico do câncer depende da formação de uma nova geração de patologistas. Nosso compromisso é fortalecer o ensino da especialidade e ampliar o acesso da população a diagnósticos cada vez mais precisos e oportunos”, diz. 

Já a Lei dos 60 dias (Lei 12.732/2012) estabelece que o paciente com neoplasia maligna comprovada tem direito de iniciar o primeiro tratamento no SUS em até 60 dias contados a partir da confirmação do diagnóstico em laudo patológico, ou em prazo menor quando a necessidade terapêutica estiver registrada no prontuário. O primeiro tratamento é considerado iniciado com cirurgia ou com o começo da radioterapia ou da quimioterapia, de acordo com o caso. 

Na oncologia pediátrica, entretanto, especialistas defendem que cumprir o limite legal não deve ser entendido como o objetivo ideal. Estudo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia, com dados de crianças e adolescentes tratados no Brasil entre 2017 e 2021, mostrou que 79,29% iniciaram o tratamento em até 30 dias após o diagnóstico. O próprio estudo destaca que, pela agressividade de algumas neoplasias pediátricas, é importante reduzir ainda mais esse intervalo.

 

SOBOPE


O que a balança não mostra: alimentação ajuda a preservar força, autonomia e independência

No Dia do Nutricionista, especialista explica por que o cuidado
 nutricional deve acompanhar diferentes momentos da vida.
 Créditos: Divulgação MedSênior
No Dia do Nutricionista, especialista explica por que o cuidado nutricional não se resume ao emagrecimento e deve acompanhar diferentes momentos da vida 

 

O peso corporal é apenas uma das informações avaliadas em uma consulta com o nutricionista. Há aspectos importantes que a balança não consegue mostrar, como perda de massa muscular, deficiência de nutrientes, redução da força e dificuldades que podem afetar a recuperação ou a capacidade de realizar atividades cotidianas. 

Essa avaliação ganha ainda mais relevância com o avanço da idade. Dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 12% das pessoas idosas estão abaixo do peso adequado, enquanto mais da metade apresenta excesso de peso. Embora diferentes, os dois cenários exigem atenção, pois podem estar associados a desequilíbrios nutricionais e a impactos sobre a saúde e a autonomia. 

Celebrado em 31 de agosto, o Dia do Nutricionista reforça a importância de ampliar o olhar sobre o trabalho desse profissional. Sua atuação abrange desde a prevenção e o acompanhamento de condições crônicas até o cuidado durante internações e a recuperação após a alta hospitalar. 

Segundo Giselli Prucoli, nutricionista da MedSênior, uma alimentação adequada não deve ser tratada apenas como uma estratégia para perder peso, mas como parte do cuidado contínuo com a saúde. 

“O nutricionista não atua apenas quando existe uma condição de saúde ou quando o objetivo é emagrecer. A alimentação influencia diferentes processos do organismo e pode contribuir para a prevenção, o controle de condições já existentes e a preservação da capacidade funcional. Por isso, o plano alimentar precisa considerar a rotina, as preferências, o estado de saúde e os objetivos de cada pessoa”, explica.
 

Comer bem também significa preservar a autonomia 

Ao longo do envelhecimento, o organismo passa por transformações que alteram suas necessidades nutricionais. Mudanças no apetite, no paladar, na mastigação, na absorção de nutrientes e na composição corporal podem exigir adaptações na alimentação, mesmo quando o peso aparentemente permanece estável. 

A atenção à ingestão de proteínas, vitaminas, minerais, fibras e líquidos ajuda a preservar a massa muscular, a força, a saúde óssea e a disposição. Também contribui para prevenir a desnutrição e a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular. 

Sem acompanhamento, essas alterações podem passar despercebidas até começarem a interferir na rotina, aumentando a dificuldade para caminhar, levantar-se de uma cadeira, subir escadas ou realizar tarefas sem ajuda. 

“Envelhecer com saúde está diretamente relacionado à possibilidade de continuar fazendo escolhas e realizando as atividades do dia a dia com independência. A alimentação adequada ajuda a manter a força, o equilíbrio e a disposição necessários para isso”, destaca Giselli.
 

Quando procurar um nutricionista? 

Não é necessário esperar que uma alteração apareça nos exames ou que o peso mude de forma significativa para buscar orientação. 

O acompanhamento nutricional pode ser adotado preventivamente e revisto sempre que houver mudanças na rotina, no estado de saúde, no apetite ou na capacidade funcional. 

A avaliação profissional pode ajudar a:

- Prevenir ou controlar condições crônicas, como diabetes, hipertensão e colesterol elevado;

- Identificar perda de peso ou de massa muscular;

- Adaptar a alimentação às mudanças do envelhecimento;

- Adequar o consumo de proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos;
- Atender a necessidades alimentares específicas;

- Recuperar o estado nutricional depois de uma internação;

- Ppreservar a força, a autonomia e a qualidade de vida. 

Mais do que definir o que deve ou não estar no prato, o nutricionista busca transformar a alimentação em uma estratégia possível de ser incorporada à rotina. Afinal, o cuidado nutricional não começa nem termina na balança: ele também pode ser percebido na força para caminhar, na recuperação após um procedimento e na independência para seguir realizando as atividades de todos os dias.


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Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla

Esclerose múltipla: avanços no tratamento ajudam

pacientes a terem mais qualidade de vida

Neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista destaca importância do combate aos estigmas e mitos
relacionados à doença, além do diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo

 

A esclerose múltipla ainda é cercada por desinformação e preconceitos que impactam diretamente a percepção sobre a doença e a vida dos pacientes. Apesar de muitas pessoas associarem o diagnóstico a limitações severas e incapacidade, os avanços da medicina nas últimas décadas têm transformado o tratamento e garantido mais qualidade de vida, autonomia e controle da condição. 

O neurologista Dr. Frederico Mennucci, do Hospital Santa Catarina - Paulista, explica que os principais desafios ainda são os mitos associados à doença. “Um dos mitos mais comuns é que se trata de uma doença devastadora e sem tratamento adequado”, afirma. Segundo o especialista, o próprio termo “esclerose” ainda carrega um forte estigma ligado ao passado, quando os recursos terapêuticos eram mais limitados.
 

Importância da detecção precoce dos sintomas

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central e pode provocar diferentes sintomas, a depender da área acometida. Entre os principais sinais de alerta estão alterações neurológicas focais que permanecem por mais de 48 horas, como: perda de força em membros, alterações de sensibilidade e episódios de visão embaçada. 

O especialista ressalta que identificar esses sintomas precocemente faz diferença no prognóstico e na evolução clínica do paciente. “Quanto mais cedo e eficiente for o tratamento, melhor o desfecho, com menos sequelas e menor chance de novos surtos”, destaca o neurologista. 

Embora exista uma predisposição familiar em alguns casos, a esclerose múltipla não é considerada hereditária. Entre os fatores de risco mais relacionados ao desenvolvimento da doença estão: sexo feminino, idade jovem, deficiência de vitamina D e ascendência europeia.

Tratamento garante novas perspectivas

Nas últimas décadas, a evolução dos tratamentos também mudou significativamente a perspectiva dos pacientes. Hoje, existem terapias mais eficazes e seguras, capazes de reduzir crises, controlar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida. “Essa é provavelmente uma das doenças em que a medicina mais evoluiu em eficiência e qualidade de tratamento nos últimos 30 anos”, afirma Dr. Frederico. 

Além do tratamento medicamentoso, o acompanhamento regular com neurologista é apontado como essencial para monitorar a evolução do quadro, orientar estratégias de reabilitação e diferenciar sintomas da doença de outras condições que também podem acometer o paciente. 

Hábitos saudáveis também exercem papel importante no controle da esclerose múltipla e na manutenção do bem-estar. Qualidade do sono, prática regular de atividade física, interrupção do tabagismo e cuidados com a saúde emocional e intestinal estão entre os fatores que podem contribuir para uma melhor evolução clínica. “É fundamental o seguimento adequado e regular, além dos cuidados com a saúde como um todo”, conclui o especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista.


Nem toda IST aparece na região genital: médico alerta para sinais que podem passar despercebidos

Lesões na boca, manchas nas mãos e pés, ínguas e alterações na pele podem estar relacionadas a infecções sexualmente transmissíveis; especialista também esclarece dúvidas sobre testosterona e ejaculação retrógrada


Quando o assunto é infecção sexualmente transmissível (IST), é comum imaginar que os primeiros sinais estarão necessariamente na região genital. Mas isso nem sempre acontece. Lesões, feridas, manchas e alterações na pele podem surgir em diferentes partes do corpo, dependendo da prática sexual e da área que teve contato durante a relação. Boca, lábios, língua, garganta, região ao redor do ânus, nádegas, virilha, mãos e pés estão entre os locais que podem apresentar manifestações.

Mosiah Machado, médico da família e comunidade e docente da disciplina de Saúde Digital do Centro Universitário Cesuca, da Grande Porto Alegre, explica que alguns sinais merecem atenção especial. Feridas ou úlceras que aparecem sem explicação, principalmente quando não provocam dor, pequenas bolhas agrupadas e dolorosas, novas verrugas, manchas espalhadas pelo corpo, secreções genitais ou anais, dor ou secreção retal, além de feridas persistentes na boca, podem estar associados a ISTs.

Um dos exemplos é a sífilis, que pode começar com uma ferida geralmente única e indolor e, posteriormente, provocar manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés. O herpes costuma provocar pequenas bolhas que se rompem e formam feridas dolorosas, enquanto o HPV pode causar verrugas genitais ou perianais. Já gonorreia e clamídia também podem atingir garganta e reto e, em muitos casos, não apresentar sintomas.

O especialista ressalta, porém, que a aparência de uma lesão isoladamente não é suficiente para confirmar ou descartar uma IST. Uma espinha ou foliculite, por exemplo, costuma estar relacionada a um folículo piloso, enquanto um pelo encravado frequentemente aparece após a depilação. Afta geralmente é dolorosa, ocorre dentro da boca e tende a desaparecer espontaneamente em uma ou duas semanas. Já uma lesão relacionada a uma IST pode persistir, aumentar, formar bolhas ou úlceras e aparecer acompanhada de outros sinais.
 

Mesmo sem sintomas, testagem pode ser necessária

Outro ponto de atenção é que muitas ISTs são assintomáticas. Por isso, não é preciso esperar o aparecimento de feridas, corrimentos ou outros sinais para procurar atendimento. A testagem é especialmente importante depois de uma relação sexual sem preservativo ou outra exposição de risco, quando um parceiro recebe diagnóstico de uma IST e em situações que demandem rastreamento periódico.

No caso de uma exposição recente ao HIV, a recomendação é procurar atendimento rapidamente, já que a PEP deve ser iniciada o quanto antes e no máximo em 72 horas. “Não tenho nada visível” não significa necessariamente que não exista uma infecção, reforça o especialista.
 

Testosterona não substitui os cuidados com a saúde sexual

A saúde sexual também envolve cuidados específicos para homens trans que fazem terapia hormonal. Segundo Mosiah, a testosterona pode provocar aumento do clitóris e alterações na sensibilidade. A menstruação geralmente diminui ou cessa, mas também podem ocorrer redução da lubrificação vaginal, ressecamento, afinamento e maior fragilidade da mucosa.

A terapia hormonal pode aumentar a libido em algumas pessoas, especialmente no início do tratamento, mas não há uma resposta única. A redução da lubrificação pode provocar ardência, fissuras, pequenos sangramentos ou dor durante relações com penetração vaginal ou frontal. Lubrificantes podem ajudar, mas sintomas persistentes precisam ser avaliados.

Um dos principais esclarecimentos é que testosterona não funciona como anticoncepcional. Mesmo sem menstruar, uma pessoa que mantém útero e ovários pode eventualmente ovular e engravidar. Além disso, a testosterona não protege contra HIV, sífilis, gonorreia, clamídia, HPV ou outras ISTs. A prevenção deve considerar as práticas sexuais e os órgãos envolvidos, podendo incluir preservativos, lubrificação, vacinação contra HPV e hepatite B e, quando indicada, PrEP.

Os cuidados ginecológicos também continuam necessários de acordo com os órgãos presentes. Pessoas que possuem colo do útero, por exemplo, devem manter o rastreamento do câncer cervical conforme as recomendações aplicáveis. Sangramentos persistentes ou que retornam após um período sem menstruação também merecem investigação.

Para o médico, um dos erros mais comuns é acreditar que o uso de testosterona significa que não há mais necessidade de acompanhamento ginecológico. O cuidado deve considerar os órgãos presentes, as cirurgias realizadas e as práticas sexuais, permitindo uma orientação individualizada sobre contracepção, prevenção de ISTs, rastreamento e conforto sexual.
 

Orgasmo seco pode ter relação com ejaculação retrógrada

Outro tema que ainda gera dúvidas é a chamada ejaculação retrógrada. A condição acontece quando, durante o orgasmo, o sêmen segue para a bexiga em vez de sair pela uretra. Isso ocorre quando o mecanismo que normalmente fecha o colo da bexiga durante a ejaculação não funciona adequadamente. Depois, o sêmen é eliminado junto com a urina e, em geral, não causa danos à bexiga.

Entre as principais causas estão cirurgias da próstata ou do colo da bexiga, alterações neurológicas, como neuropatia relacionada à diabetes ou lesões da medula, e o uso de determinados medicamentos, incluindo alguns alfabloqueadores utilizados para sintomas urinários relacionados à próstata. Alguns antidepressivos também podem interferir no mecanismo ejaculatório.

O sinal mais característico é o orgasmo com pouco ou nenhum sêmen, conhecido como “orgasmo seco”. Algumas pessoas também podem perceber que a primeira urina depois do orgasmo fica mais turva. No entanto, a redução do volume de sêmen não significa necessariamente ejaculação retrógrada, e a confirmação pode ser feita, quando necessário, pela pesquisa de espermatozoides na urina após o orgasmo.

A condição também ajuda a esclarecer uma diferença importante: ejaculação, orgasmo e ereção não são a mesma coisa. A pessoa pode continuar tendo ereção e sensação de orgasmo mesmo sem exteriorizar o sêmen. O principal impacto da ejaculação retrógrada costuma estar relacionado à fertilidade, já que pouco ou nenhum sêmen chega ao exterior, embora a produção de espermatozoides continue ocorrendo. Por isso, a condição não deve ser confundida com esterilidade.

Na maioria dos casos, o tratamento não é necessário quando a pessoa não está incomodada e não deseja ter filhos. A avaliação médica é indicada quando a alteração surge sem explicação, persiste, aparece após uma cirurgia ou medicamento, preocupa em relação à fertilidade ou provoca impacto significativo na vida sexual. Quando houver suspeita de que um medicamento seja responsável, ele não deve ser interrompido por conta própria.

“A informação correta é uma das principais ferramentas para cuidar da saúde sexual. Muitas situações podem não apresentar sinais evidentes, enquanto outras manifestações podem ser confundidas com problemas comuns. Por isso, diante de uma exposição de risco, de uma alteração persistente ou de qualquer dúvida, o mais seguro é procurar avaliação profissional em vez de tentar fazer um diagnóstico pela aparência”, orienta Mosiah Machado.



Centro Universitário Cesuca
imprensacesuca@agenciamaquina.com


Mudanças climáticas já expõem 9,2 milhões de crianças no Brasil a pelo menos um mês a mais de calor perigoso por ano

Estudo publicado na revista Science Advances aponta que 32% das crianças de até 9 anos no país enfrentam ao menos 30 dias adicionais de estresse térmico; em cenário de 2°C de aquecimento, proporção pode chegar a 49%

 

Uma nova pesquisa da Vrije Universiteit Brussel (VUB) mostra que, globalmente, até 560 milhões de crianças de 0 a 9 anos — 43% das crianças dessa faixa etária — vivem pelo menos 30 dias adicionais de estresse térmico por ano devido às mudanças climáticas. A exposição supera a de qualquer outra faixa etária e é quase três vezes maior, em números absolutos, do que a registrada entre pessoas de 60 a 69 anos: 190 milhões, ou 30% dessa população, enfrentam essa ameaça adicional à saúde. 

No Brasil, as mudanças climáticas causadas pela ação humana já expõem 9,2 milhões de crianças de 0 a 9 anos — 32% dessa população no país — a pelo menos um mês adicional de estresse térmico por ano. O impacto é ainda mais expressivo quando se considera a exposição prolongada ao calor: as mudanças climáticas multiplicaram por dez o número de crianças brasileiras dessa faixa etária expostas a pelo menos cinco meses de estresse térmico perigoso por ano, de 300 mil para 3,2 milhões, o equivalente a 11% dessa população. 

“São os nossos filhos que serão mais atingidos pela crise climática. Como pais e mães que querem deixar como legado um mundo ainda com qualidade de vida para os nossos filhos, precisamos lutar pela adaptação climática nas cidades”, afirma o pediatra e sanitarista Daniel Becker. “Isso significa pressionar para que as cidades sejam muito mais arborizadas, que ofereçam sombra, inclusive nas áreas mais pobres e periféricas, com bons espaços para as crianças brincarem. São os mesmos investimentos que trazem qualidade de vida e adaptação climática, com soluções baseadas na natureza”.

O estudo é a primeira análise a quantificar como a exposição ao calor diretamente relacionada às mudanças climáticas afeta diferentes grupos etários globalmente, tanto no presente quanto em um futuro próximo. Os dados fazem parte da pesquisa publicada nesta semana na revista científica Science Advances.
 

“Nossos resultados indicam que, atualmente, quase um terço de todas as crianças brasileiras com menos de 10 anos está exposto a um mês adicional de estresse térmico por ano e que, se o aquecimento global chegar a 2°C, essa proporção aumentará para quase metade das crianças menores de 10 anos no Brasil”, destacou Rosa Pietroiusti, uma das autoras do estudo. “Os países precisam investir urgentemente em mitigação e adaptação, reduzir as emissões provenientes de fontes fósseis de energia, conter o aquecimento global e proteger os grupos mais vulneráveis das consequências do calor perigoso”.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores combinaram dados populacionais com modelos climáticos de ponta e métodos da ciência de atribuição, que permitem identificar o papel das mudanças climáticas em eventos climáticos extremos. Os dados mostram que os riscos das mudanças climáticas para a saúde já estão presentes e são distribuídos de forma desigual entre gerações e regiões do planeta.

 

Impactos na saúde

Segundo a pesquisa, o calor excessivo interfere no funcionamento normal do corpo humano, agrava doenças preexistentes e pode levar a complicações graves, como insolação, desidratação e falência de órgãos. As ondas de calor perigosas estão se tornando mais frequentes e intensas devido às mudanças climáticas, impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás. 

O estudo concentra-se no calor úmido, mais perigoso do que o calor seco porque dificulta a evaporação do suor e, consequentemente, a capacidade do corpo de se resfriar, levando a níveis perigosos de estresse térmico.

As crianças são especialmente vulneráveis ao calor extremo porque seus corpos aquecem mais rapidamente do que os dos adultos, transpiram com menos eficiência e dependem dos cuidados de outras pessoas para se proteger. O superaquecimento pode causar riscos graves à saúde, incluindo desidratação e insolação, além de impactos na aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo.

As descobertas chegam em um momento crítico para as políticas climáticas. A crise energética em curso evidenciou ainda mais os riscos da dependência de combustíveis fósseis, e 2026 já registrou algumas das ondas de calor mais severas já observadas, algumas delas virtualmente impossíveis sem a influência das mudanças climáticas.

 

Exposição das crianças brasileiras

No Brasil, quase metade das crianças pode enfrentar pelo menos um mês adicional de calor em um mundo 2°C mais quente. O estudo também projeta a exposição das crianças brasileiras em cenários de 1,5°C e 2°C de aquecimento global.

Em um mundo 1,5°C mais quente

9,5 milhões de crianças brasileiras de 0 a 9 anos, ou 38% dessa faixa etária, estarão expostas a pelo menos um mês adicional de estresse térmico por ano;

  • 2,9 milhões de crianças, ou 11%, vivenciarão pelo menos cinco meses — 150 dias — de estresse térmico total por ano.


Em um mundo 2°C mais quente

  • 8,7 milhões de crianças brasileiras de 0 a 9 anos, ou 49% dessa faixa etária, estarão expostas a pelo menos um mês adicional de estresse térmico por ano;
  • 2,5 milhões de crianças, ou 14%, vivenciarão pelo menos cinco meses — 150 dias — de estresse térmico total por ano.

Embora o número absoluto de crianças seja menor no cenário de 2°C, a proporção exposta aumenta de 38% para 49%. Isso ocorre porque as projeções consideram não apenas as mudanças no clima, mas também mudanças demográficas: a população infantil projetada é menor nesse cenário. A exposição atual, por sua vez, é estimada com base em dados populacionais de 2023.

 

Principais conclusões do estudo:

● Impactos atuais:
As mudanças climáticas quase triplicaram o número de crianças expostas a pelo menos cinco meses (150 dias) de estresse térmico total globalmente: de 120 milhões — 9% das crianças atualmente — em um mundo sem mudanças climáticas para 350 milhões, ou 27%, hoje. Esse número é quase três vezes maior do que o de adultos de 60 a 69 anos expostos a pelo menos cinco meses de estresse térmico total: 120 milhões, ou 18% dessa população.


● Disparidade geográfica:
Os maiores aumentos de calor úmido devido às mudanças climáticas estão ocorrendo em regiões tropicais e países mais pobres, onde as populações são mais jovens e, portanto, mais crianças são afetadas. Sul da Ásia, Sudeste Asiático e África Ocidental são as regiões com o maior número de crianças expostas ao estresse térmico perigoso atualmente.


● Cenários futuros:
As crianças continuarão desproporcionalmente expostas em comparação com todos os outros grupos etários, independentemente do envelhecimento da população global:


  • Em um mundo com +1,5°C: estima-se que 620 milhões de crianças de 0 a 9 anos (49%) vivenciem pelo menos um mês adicional de estresse térmico por ano, e 390 milhões (31%), pelo menos cinco meses de estresse térmico total.

  • Em um mundo com +2°C: estima-se que 650 milhões de crianças de 0 a 9 anos (59%) vivenciem pelo menos um mês adicional de estresse térmico por ano, e 420 milhões (37%), pelo menos cinco meses de estresse térmico total.


Notas

  • Como o estudo define estresse térmico
    Os dias de estresse térmico são definidos como aqueles em que o índice WBGT (Wet Bulb Globe Temperature, ou temperatura de globo e bulbo úmido) à sombra supera 28°C. Nessas condições, medidas de proteção, como redução da atividade física ou períodos estruturados de descanso, são recomendadas para prevenir doenças relacionadas ao calor.
  • O que são “dias adicionais” de estresse térmico
    Os dias adicionais correspondem ao número de dias de estresse térmico atribuíveis às mudanças climáticas causadas pela ação humana, ou seja, dias que não ocorreriam na ausência das mudanças climáticas antropogênicas.
    Essa estimativa é feita utilizando métodos de atribuição aplicados a dados de reanálise baseados em observações ou a dados de modelos climáticos globais.
  • Dados populacionais e projeções
  • A exposição atual da população ao estresse térmico é estimada utilizando dados populacionais de 2023.
  • As projeções para um mundo com 1,5°C e 2°C de aquecimento global consideram tanto as mudanças climáticas estimadas pelos modelos climáticos globais quanto mudanças demográficas sob um cenário intermediário de desenvolvimento socioeconômico.

  • Instituições participantes
    O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Departamento de Água e Clima da Vrije Universiteit Brussel (VUB), em colaboração com pesquisadores da ETH Zurique, Universidade de Oxford, Universidade de Waikato e Instituto Potsdam para Pesquisa de Impactos Climáticos.
  • Outros estudos e relatórios
    Os resultados deste estudo também contribuíram para um
    relatório recente do UNICEF, que mostrou que 550 milhões de crianças em todo o mundo estão expostas ao calor extremo atribuível às mudanças climáticas causadas pela ação humana.
    O estudo acrescenta novas evidências aos impactos já documentados das mudanças climáticas sobre a saúde humana. O
    Lancet Countdown 2025 sobre Saúde e Mudanças Climáticas destaca danos à saúde em todo o mundo associados ao calor extremo, eventos climáticos extremos, secas e doenças infecciosas cada vez mais disseminadas, além da pressão crescente sobre os sistemas de saúde.
    Os autores da VUB também contribuíram para um relatório recente da
    Save the Children, segundo o qual cerca de 100 milhões das 120 milhões de crianças nascidas em 2020 enfrentarão uma exposição sem precedentes a ondas de calor.

Calor exige atenção redobrada com bebês: 5 cuidados para manter a hidratação em dia

 

Amamentação, oferta adequada de água, roupas leves e cuidados com a pele estão entre as medidas que ajudam a proteger os pequenos nos dias de temperatura elevada 

 

Dias de calor intenso exigem atenção especial de quem tem bebês em casa. Crianças pequenas estão entre os grupos mais vulneráveis às altas temperaturas e dependem dos adultos para que necessidades como alimentação, hidratação, conforto térmico e cuidados com a pele sejam percebidas e atendidas ao longo do dia.

Essa atenção precisa ser ainda maior porque, nos primeiros meses de vida, o organismo do bebê ainda está em desenvolvimento. A pele, por exemplo, pode ser até cinco vezes mais fina do que a de um adulto, possui células menores e mais espaçadas e apresenta uma barreira protetora menos madura. Na prática, isso significa uma pele mais permeável, mais suscetível ao ressecamento e à penetração de agentes irritantes, alérgenos e microrganismos, além de maior sensibilidade aos raios UV.

O pH da pele também passa por mudanças importantes nessa fase. Mais próximo do neutro ao nascer, ele vai se tornando progressivamente mais ácido nos primeiros dias de vida, acompanhando o amadurecimento da função de proteção da barreira cutânea. Não por acaso, aproximadamente 30% das visitas aos pediatras estão direta ou indiretamente relacionadas a questões de pele.

Nos dias mais quentes, portanto, manter o bebê hidratado envolve olhar para duas frentes complementares: a hidratação do organismo e o cuidado com a pele. Calor, suor, exposição ao sol e banhos mais frequentes podem aumentar o desconforto e favorecer o ressecamento, ao mesmo tempo em que temperaturas elevadas exigem atenção maior à ingestão adequada de líquidos de acordo com cada fase da infância.

E esse cuidado começa por uma diferença importante: nos primeiros meses de vida, hidratar não significa simplesmente oferecer água. O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses, sem água, chás ou outros líquidos, inclusive em locais secos e quentes. A Organização Mundial da Saúde reforça que o leite materno contém toda a água necessária nessa fase e que, em dias mais quentes, o bebê pode querer mamar com maior frequência.

A partir dos seis meses, quando começa a introdução alimentar, a água passa a fazer parte da rotina e deve ser oferecida ao longo do dia. O Ministério da Saúde destaca ainda que crianças pequenas nem sempre reconhecem ou conseguem comunicar a sede, o que torna a participação dos cuidadores ainda mais importante durante períodos de calor.

Segundo a Dra. Márcia Varejão, pediatra, homeopata e com foco em medicina integrativa, o principal cuidado é justamente não separar esses aspectos.

“Quando pensamos em um bebê no calor, precisamos olhar para hidratação de uma forma mais ampla. Não é apenas quanto líquido ele recebe, mas também como está essa pele mais delicada, se o ambiente está muito quente, se há excesso de roupa, suor ou exposição ao sol. Alimentação, conforto térmico, pele e comportamento fazem parte do mesmo cuidado”, afirma.

A especialista reúne cinco cuidados importantes para atravessar períodos de temperaturas elevadas com mais segurança.


1. Hidrate a pele todos os dias, principalmente após o banho

Como a pele do bebê é mais fina, permeável e possui uma barreira de proteção ainda em desenvolvimento, ela tende a perder água e ficar mais suscetível ao ressecamento. Nos dias quentes, suor, banhos mais frequentes e exposição ao ambiente externo podem aumentar ainda mais essa sensibilidade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta o uso de hidratantes próprios para bebês, preferencialmente após o banho, com fórmulas adequadas à faixa etária, hipoalergênicas e sem perfume.

“Quando falamos em hidratação da pele do bebê, o objetivo é ajudar a preservar essa barreira que ainda está amadurecendo. O ideal é optar por fórmulas suaves e adequadas à idade e tornar esse cuidado parte de uma rotina simples”, explica a médica. 

Entre as opções disponíveis está a Loção Bebê Boiron, primeiro cosmético materno infantil da companhia no Brasil. Desenvolvida para uso desde o nascimento, a fórmula possui 98% de ingredientes de origem natural, é hipoalergênica, testada dermatologicamente e sem fragrância. Segundo dados da empresa, houve aumento de 41% na hidratação da pele uma hora após a aplicação.


2. Evite hábitos que favorecem o ressecamento

Hidratar a pele também significa evitar situações que prejudiquem sua barreira natural. Banhos muito quentes ou demorados, excesso de sabonete, exposição prolongada ao sol e roupas que aumentem a transpiração podem favorecer irritação e ressecamento.

“Às vezes, a preocupação está apenas em qual produto passar, mas a rotina faz muita diferença. Banhos rápidos, temperatura agradável da água, roupas leves e evitar excesso de produtos ajudam a preservar a proteção natural da pele”, afirma Márcia.


3. Até os seis meses, a hidratação vem principalmente da amamentação

Quando o assunto passa da pele para a hidratação do organismo, a idade do bebê faz toda a diferença. Para aqueles em aleitamento materno exclusivo, não é necessário oferecer água mesmo nos dias mais quentes. O leite materno já fornece a quantidade necessária, e o bebê pode procurar o peito com maior frequência quando a temperatura sobe.

“É comum que o padrão de mamadas mude nos dias de calor. O mais importante é respeitar a livre demanda e observar os sinais do bebê”, explica a especialista.


4. A partir dos seis meses, ofereça água ao longo do dia

Com o início da introdução alimentar, a água passa a fazer parte da rotina. Em períodos de temperaturas elevadas, os cuidadores precisam lembrar que crianças pequenas nem sempre conseguem reconhecer ou comunicar a sede.

“A água precisa ser oferecida várias vezes durante o dia, inclusive deixar o copinho sempre a vista da criança ajuda a criar o hábito dela se hidratar, sem esperar que a criança peça. Pequenas ofertas frequentes ajudam a criar esse hábito desde cedo”, diz Márcia.

Sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas não devem substituir a água.


5. Observe o ambiente e os sinais do bebê 

Manter uma criança hidratada também passa por evitar que ela fique exposta ao calor excessivo. Roupas leves, ambientes ventilados e redução da exposição externa nos horários mais quentes ajudam o organismo a regular melhor a temperatura.

Ao mesmo tempo, os responsáveis devem observar sinais como boca seca, redução importante da urina, irritabilidade, sonolência fora do habitual, recusa alimentar ou dificuldade para mamar.

“Não precisamos esperar que o bebê demonstre sede. Principalmente nos menores, observar comportamento, alimentação, urina, pele e estado geral é fundamental para identificar rapidamente quando algo não está bem”, alerta Márcia.

  

Boiron

 

Amamentação potencializa em 80% o desenvolvimento da fala e arcada dentária infantil, aponta especialista do Hospital CEMA

Muito além da nutrição, o ato de amamentar funciona como um treino muscular de alta performance para o bebê; especialista alerta para a importância de aliar esse cuidado ao Teste da Orelhinha, exame vital e ainda pouco incentivado

 

O esforço físico realizado pelo bebê ao sugar o leite materno atua como um dos pilares mais determinantes para uma boa dicção e uma estrutura facial saudável no desenvolvimento infantil. Especialistas do Hospital CEMA, referência em otorrinolaringologia e oftalmologia, com 50 anos de atuação no Brasil, confirmam que a amamentação transcende a nutrição, consolidando-se como o primeiro e mais importante "treino de força" da musculatura orofacial, essencial para a formação da arcada dentária, da respiração e, consequentemente, da base para a fala.

"Quando o bebê suga o peito, ele realiza um movimento muscular complexo que estimula o desenvolvimento das estruturas que permitirão a fala e a mastigação corretas. Negligenciar essa fase representa a perda de uma oportunidade biológica decisiva para a formação estrutural da criança", explica a Dra. Andreia Stadulni, fonoaudióloga e audiologista do Hospital CEMA.

 

O elo perdido entre amamentação e audição 

Se a amamentação prepara a musculatura, a audição é o motor que guia o desenvolvimento da linguagem. A especialista reforça que a percepção auditiva é o recurso que permite ao cérebro do bebê decodificar o mundo e iniciar a comunicação. É neste cenário que o Teste da Orelhinha se torna um procedimento indispensável.

Embora obrigatório por lei federal desde 2010, o exame ainda registra falhas de cobertura em diversas maternidades, deixando recém-nascidos sem o diagnóstico precoce que pode triplicar as chances de sucesso em reabilitações auditivas, quando é primordial que o exame seja feito ainda no primeiro mês de vida do bebê. 

"A audição é o guia da fala. Sem estímulo auditivo, a criança não desenvolve a linguagem oral. O teste, realizado rapidamente em ambiente hospitalar, é um procedimento indolor que define o futuro da capacidade comunicativa do bebê. Quanto antes o teste é realizado, maiores são as chances de identificar comprometimentos e, com isso, já iniciar o protocolo de atendimento para cada caso, chegando ao desfecho clínico ideal para este bebê", destaca a especialista. 

O Hospital CEMA se diferencia no setor por oferecer um fluxo de "parada única": do teste inicial ao diagnóstico e intervenção, todo o processo é centralizado, enquanto o mercado ainda oferece atendimentos separados, com múltiplas agendas e localizações, dificultando assim o acesso dessas famílias e retardando resultados, neste cenário.

Em um contexto onde a agilidade é o fator determinante entre a dificuldade de aprendizado e uma infância com plena capacidade de comunicação, a instituição atua como um elo de segurança essencial para famílias. 

"Graças à tecnologia e ao diagnóstico precoce, casos que anteriormente exigiriam o uso exclusivo da língua de sinais podem ser reabilitados com rapidez. É primordial que um bebê faça o teste da orelhinha e, com isso, tenha a chance de ouvir e, consequentemente, de se expressar plenamente", conclui a Dra. Andreia.

  

Hospital CEMA

 

Esclerose múltipla é mais comum entre 20 e 40 anos e pode afetar mulheres até três vezes mais

 No Dia Nacional de Conscientização sobre a doença, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz alerta para sintomas que podem dificultar o diagnóstico 

 

Alterações na visão, formigamentos, fraqueza muscular, desequilíbrio e fadiga intensa podem ser sinais de esclerose múltipla, doença neurológica crônica e autoimune. Mais comum entre 20 e 40 anos e até três vezes mais frequente em mulheres, a condição pode apresentar sintomas variados e intermitentes, dificultando o diagnóstico. 

No Brasil, a prevalência estimada varia de 8,7 a 15 casos por 100 mil habitantes, segundo relatório da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) publicado em 2025. A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, camada que protege as fibras nervosas e auxilia na comunicação entre o cérebro e o restante do organismo. 

“Os sintomas podem aparecer em surtos, melhorar e voltar algum tempo depois. Quando persistem ou se repetem, é importante procurar avaliação neurológica”, explica o Dr. Diogo Haddad, head do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

Não existe um exame único para identificar a esclerose múltipla. O diagnóstico considera o histórico do paciente, a avaliação neurológica e exames como a ressonância magnética. Embora não tenha cura, a doença pode ser controlada com tratamento adequado, reduzindo surtos e retardando a progressão das limitações neurológicas. 

O Dr. Diogo Haddad está disponível para entrevistas sobre os primeiros sinais da doença, os desafios do diagnóstico, os tratamentos disponíveis e os impactos da esclerose múltipla na rotina dos pacientes.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 

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