Pesquisar no Blog

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Gengiva sangrando nunca é normal e pode ser o primeiro alerta de uma doença silenciosa

Especialista alerta que um dos sintomas mais ignorados pelos brasileiros pode indicar inflamações capazes de comprometer não apenas a saúde bucal, mas também a saúde geral 

 

Sangrar durante a escovação ou ao passar o fio dental geralmente não é consequência de escovar os dentes com força nem algo comum do dia a dia. Na maioria das vezes, esse é o primeiro sinal clínico de uma inflamação gengival que pode evoluir silenciosamente para doenças periodontais e, quando negligenciada, levar até à perda dos dentes. 

Apesar disso, milhões de pessoas convivem com o sintoma sem procurar avaliação profissional. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do estudo Global Burden of Disease, cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem com doenças periodontais em todo o mundo. No Brasil, levantamentos do Projeto SB Brasil mostram que as alterações gengivais continuam entre os principais desafios da saúde bucal da população. 

“O maior problema é que o sangramento costuma aparecer muito antes da dor. Como o paciente normalmente não sente desconforto nas fases iniciais, acaba acreditando que é algo normal e adia a consulta. Quando procura atendimento, muitas vezes a doença já evoluiu", afirma Dr. Lucas Fontanari, doutor em Periodontia pela UNESP. 

Na maioria dos casos, o sangramento está associado à gengivite, inflamação provocada pelo acúmulo do biofilme bacteriano, placa que se forma naturalmente sobre dentes e gengivas. Embora reversível, a gengivite não deve ser negligenciada, pois, em indivíduos suscetíveis, a inflamação periodontal pode progredir e levar à periodontite, doença que compromete os tecidos e o osso que são responsáveis pela sustentação dos dentes. 

Além da higiene bucal inadequada, fatores como diabetes descompensada, tabagismo, alterações hormonais, estresse e predisposição genética podem aumentar o risco de desenvolvimento ou agravamento das doenças periodontais. 

"A gengiva funciona como um importante sinal de alerta do organismo. Sangramento frequente, recessão gengival, mau hálito persistente ou dentes que começam a apresentar mobilidade nunca devem ser ignorados", explica o especialista. 

Nos últimos anos, a ciência também passou a demonstrar de forma mais consistente que a saúde da boca está diretamente relacionada à saúde do organismo. Evidências científicas apontam associação entre doenças periodontais e condições sistêmicas como diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. Entre elas, a relação com o diabetes é considerada uma das mais consolidadas: pessoas com diabetes descompensada apresentam maior risco de desenvolver e agravar a periodontite, enquanto a própria periodontite pode dificultar o controle da glicemia. 

"Hoje entendemos que cuidar da gengiva não significa apenas preservar os dentes. A saúde bucal faz parte da saúde geral, e ignorar processos inflamatórios pode trazer consequências que vão além da cavidade oral", afirma Fontanari. 

Para o especialista, o diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar tratamentos mais complexos. Quanto antes a inflamação é identificada, maiores são as chances de controlar a doença, preservar os tecidos de suporte dos dentes e manter a saúde bucal ao longo da vida. 

Essa mudança de visão também vem transformando a prática odontológica. Protocolos preventivos e minimamente invasivos têm ganhado espaço por priorizarem a identificação precoce do biofilme bacteriano e sua remoção de forma mais precisa e confortável para o paciente. Entre eles está o Guided Biofilm Therapy (GBT), abordagem baseada em evidências científicas que combina diagnóstico individualizado, evidenciação do biofilme, orientação ao paciente e tecnologias específicas para sua remoção. 

"O objetivo é atuar antes que a doença evolua. Ao tornar o biofilme visível, conseguimos direcionar sua remoção de forma mais precisa e minimamente invasiva, proporcionando uma experiência mais confortável ao paciente", explica Fontanari.  

Para o especialista, a principal mensagem continua sendo a mais simples: sangramento gengival nunca deve ser encarado como algo normal. "Assim como ninguém ignora uma alteração na pressão arterial ou na glicemia, também não devemos ignorar o sangramento da gengiva. É um sinal clínico que merece investigação e pode fazer toda a diferença para evitar complicações futuras", conclui. 



Dr. Lucas Fontanari - cirurgião-dentista, mestre, especialista e doutor em Periodontia pela UNESP-FOAr e referência nacional e internacional em estética gengival, tratamento das doenças periodontais e fotografia odontológica. Coautor dos livros “Direct – Facetas em Resinas Compostas” e “Vernissage – Fotografia & Arte na Odontologia” e adepto do Protocolo GBT, atua na integração entre técnica clínica, saúde e estética, com destaque para abordagens contemporâneas em Periodontia/Imlantodontia e comunicação visual aplicada à prática odontológica. Sócio-proprietário do Instituto Odontológico Fontanari, localizado em São José do Rio Preto-SP.


EMS (Electro Medical Systems)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados