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sábado, 1 de agosto de 2026

Amigos fazem bem

 Neurocientista alerta que excesso de conexões virtuais pode aumentar a sensação de solidão e prejudicar a saúde mental


Ter centenas ou milhares de seguidores nas redes sociais não significa estar cercado de amigos. Especialistas chamam a atenção para um fenômeno cada vez mais comum: pessoas hiperconectadas digitalmente, mas emocionalmente isoladas. O resultado pode ser o aumento da ansiedade, do estresse e até da depressão, especialmente entre jovens e adultos que substituíram o convívio presencial pelas interações virtuais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a solidão e o isolamento social já são considerados fatores de risco para o adoecimento físico e mental. Estudos internacionais apontam que pessoas com vínculos sociais fortes apresentam menor risco de desenvolver transtornos emocionais, doenças cardiovasculares e declínio cognitivo. No Brasil, pesquisas também mostram que o uso intenso das redes sociais tem sido associado ao aumento da sensação de solidão, mesmo entre quem mantém grande número de contatos online.

Para o neurocientista Renê Skaraboto, da Clínica Hipnose para Todos, o cérebro humano foi desenvolvido para criar vínculos reais, baseados em convivência, confiança e presença física. "Curtidas, comentários e mensagens ajudam a manter contato, mas não substituem o encontro, o abraço, a conversa olho no olho e a sensação de pertencimento. O cérebro responde de maneira muito diferente quando vivencia relações presenciais, liberando substâncias ligadas ao bem-estar, à segurança emocional e à redução do estresse", explica.

O especialista destaca que muitas pessoas confundem amizade com coleguismo. Colegas compartilham ambientes ou interesses em comum, enquanto amigos compartilham a vida. "Uma boa reflexão é pensar para quem você ligaria em um momento de dificuldade e quem atenderia imediatamente esse telefonema. Essa resposta normalmente revela quem realmente faz parte da sua rede de apoio emocional", afirma.

Outro ponto de atenção é a realidade vivida pelas novas gerações. Muitos adolescentes e jovens adultos acreditam possuir uma ampla rede de amizades por estarem conectados em plataformas digitais e comunidades de jogos. "As amizades virtuais podem ser importantes, mas dificilmente substituem os benefícios emocionais da convivência presencial. Nosso cérebro precisa de interação humana verdadeira para fortalecer vínculos, desenvolver empatia e construir segurança emocional", ressalta Skaraboto.

O especialista recomenda reservar tempo para fortalecer os relacionamentos presenciais, cultivando encontros e conversas de qualidade. "Ligar para um amigo, marcar um café, um almoço ou uma caminhada são atitudes simples que fortalecem a saúde mental. A amizade é um dos maiores fatores de proteção emocional e precisa ser cultivada continuamente. Assim como qualquer relacionamento importante, ela exige presença, tempo e cuidado."

 

Hipnose para Todos
Renê Skaraboto - Neurocientista e Hipnoterapeuta
(41) 99692-9774
@hipnose_para_todos
www.clinicahipnoseparatodos.com.br Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Ed. Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.


8 lições de paternidade para os dias de hoje, segundo pediatra com 25 anos de consultório

Médico Fausto Flor Carvalho apresenta o que falta na educação dos filhos com base no que viu e ouviu ao longo da carreira 

 

Ninguém é preparado para ser pai. Aprende-se no susto, repetem-se os modelos herdados e, quando se percebe, os filhos já cresceram. 

Entre a jornada de trabalho, as contas e o cansaço, muitos pais descobrem tarde demais que criar um filho exige mais presença do que provisão e que boa parte das dúvidas sobre educação nunca encontra resposta pronta. 

É a esse pai, cheio de boa vontade e de incertezas, que o pediatra e psicanalista Fausto Flor Carvalho se dirige em "Bom pai, mau pai", publicado pela LC Books. Reunindo mais de duas décadas de consultório, referências da psicanálise e a própria experiência como pai de dois filhos, o autor propõe um caminho mais consciente para exercer a paternidade, sem a cobrança de acertar o tempo todo. 

A seguir, ele apresenta as lições extraídas dessa reflexão, todas aplicáveis a qualquer pai, de qualquer crença. Elas não prometem fórmulas infalíveis, mas ajudam a olhar a própria paternidade com mais honestidade e menos culpa.

 

1. Estar presente é diferente de estar por perto 

Dá para dividir o mesmo sofá e, ainda assim, estar ausente. Carvalho chama de "abandono virtual" a forma mais comum de negligência dos nossos dias: filhos que ficam em segundo plano enquanto os pais rolam a tela do celular. Presença de verdade exige olho no olho, tempo sem pressa e atenção plena. A tecnologia aproxima quem está longe e afasta quem está perto, não deixe que ela roube seus filhos.

 

2. Não seja neutro na vida dos filhos 

A neutralidade ajuda em muitas áreas da vida, mas na criação dos filhos costuma virar omissão. Crianças e adolescentes precisam de limites claros e de adultos que se posicionem, inclusive quando isso desagrada. Silenciar diante de um erro grave não é tolerância; é abrir mão da função de educar. Filho sem limite não se sente livre; sente-se perdido.

 

3. Estimule qualidades, não só corrija defeitos 

Muitos pais têm o olhar treinado para o que está errado e cego para o que está certo. O resultado são filhos que crescem ouvindo mais críticas do que reconhecimento. Identificar e nomear as forças de cada criança, como a generosidade, a curiosidade, a coragem, constrói autoestima e direção. O que você elogia num filho tende a crescer.

 

4. Cuidado com o favoritismo entre irmãos 

Poucas coisas marcam tanto quanto crescer sentindo-se o filho menos amado. O favoritismo raramente é declarado, pois mora nos detalhes, na atenção, na paciência, na foto que se tira mais de um do que de outro. Tratar cada filho de forma justa não significa tratá-los de modo idêntico, mas garantir que nenhum se sinta em desvantagem. Comparação entre irmãos planta feridas que duram décadas.

 

5. Você ensina pelo exemplo 

Filhos aprendem menos pelo discurso e mais pela observação. A forma como você trata as pessoas, lida com a frustração, cumpre a palavra e administra o próprio celular ensina mais do que qualquer sermão. Somos referência 24 horas por dia, queiramos ou não. Não adianta pedir ao filho o que você não pratica.

 

6. Ajude seus filhos a dominar os próprios impulsos 

Criar não é só proteger; é preparar. Em um mundo de gratificação instantânea, uma das maiores heranças que um pai pode deixar é a capacidade de esperar, de tolerar a frustração e de dizer "não" a si mesmo. Domínio próprio se ensina com pequenas rotinas, combinados e o exemplo de um adulto que também se controla. Quem não aprende a lidar com o "não" em casa sofre com ele lá fora.

 

7. Deixe legado, não apenas herança 

Herança são bens; legado é caráter. Bens se gastam, se dividem e, com frequência, geram conflito. O que de fato permanece é a marca que deixamos na forma de ser dos filhos, com valores, exemplos e histórias. Antes de pensar no que você vai deixar para eles, pense no que está deixando neles. O maior patrimônio de um filho é quem ele se torna.

 

8. Nunca é tarde para mudar 

A forma de criar pode ser revista, ajustada e reaprendida em qualquer fase da vida. Reconhecer um erro não é fraqueza, é o primeiro passo para corrigir a rota. Cada filho e cada idade pedem uma abordagem diferente, e o pai que se dispõe a aprender está sempre a tempo de reconstruir vínculos. Você não precisa ter sido um pai perfeito, basta se dispor a ser um pai melhor a partir de hoje.

 

Assistir conteúdo adulto com o parceiro melhora a relação?

Especialista responde 

Pode ampliar o diálogo e aproximar o casal, desde que não substitua a intimidade”, afirma a sexóloga Eva


 Nas redes sociais, o consumo de conteúdo adulto costuma ser associado ao vício, à perda de desejo e ao desgaste das relações. Com celebridades e influenciadores expondo experiências e opiniões sobre o assunto, uma dúvida passou a ganhar espaço: existe uma forma saudável de incluir esse tipo de conteúdo na vida do casal?
 

Na plataforma brasileira de conteúdo adulto Fatal Fans, é possível perceber que esse universo também desperta o interesse de casais. Para Eva, sexóloga virtual da plataforma, o conteúdo pode ter um papel positivo quando é incorporado à relação de forma consensual. “Eu vejo esse consumo como uma possibilidade de o casal descobrir interesses em comum, compartilhar fantasias e experimentar novas formas de intimidade, desde que os dois estejam confortáveis com essa escolha”, explica. 

Apesar de fazer parte da vida de muitos casais, o assunto ainda costuma ser tratado com silêncio ou constrangimento. Estudos sobre o tema indicam que a ausência de conversas e de acordos claros pode aumentar os conflitos, principalmente quando um dos parceiros desconhece o consumo ou se sente desrespeitado por ele. 

Eva explica que a diferença entre uma experiência positiva e um comportamento prejudicial está no impacto provocado dentro da relação. “Eu considero um sinal de equilíbrio quando o conteúdo aproxima, desperta curiosidade e não interfere no desejo pelo parceiro. Mas, quando passa a gerar comparações, cobranças, mentiras ou se torna indispensável para a excitação, é preciso observar o que está acontecendo”, alerta. 

Para a sexóloga, falar sobre conteúdo adulto também é uma forma de cuidar da saúde sexual e emocional do casal. “Mais importante do que estabelecer se assistir é certo ou errado é compreender o lugar que esse conteúdo ocupa na relação. Quando existe liberdade para conversar, respeitar os limites e dizer sim ou não sem pressão, a escolha se torna muito mais consciente”, conclui.


Créditos: @fatal_fans | CO - Assessoria


O luto e a escrita literária



Muito se fala de novas maneiras das pessoas lidarem com o luto. Coisas que, antigamente, não eram relacionadas a esse estado de espírito. O luto era, em tempos remotos, imaginado como uma forma de depressão em que o isolamento, a apatia e o uso das roupas pretas por períodos prolongados eram os seus principais signos.

Não que isso tudo ainda seja incomum, mas o luto pode existir para além dessa caracterização um tanto quanto caricatural e ser mais um processo em que a pessoa elabora a perda de um ente querido, debruçando-se sobre algo que possa dar um destino ao vazio ocasionado por essa perda.

Uma dessas formas é a arte. A arte desponta como um meio de externalizar o que as palavras já não conseguem quando a pessoa sofre perdas importantes.

A escrita literária emerge como sendo a manifestação artística em que o luto pode ser ressignificado, já que ela permite que sejam traçados caminhos e destinos diversos para esse sentimento que, na maioria das vezes se desdobra para além da morte propriamente dita. Porque a morte, enquanto fim sem retorno, aprisiona o luto.

Mas a arte, e nesse caso, a escrita, em contrapartida, o expande e viabiliza uma transformação da perda que originou o luto. Isso é possível graças ao trabalho de recuperação da memória que a experiência literária promove por meio da reconstrução de cenários, diálogos, momentos e sentimentos que passam a ter um novo lugar: um romance, um poema, uma história escrita. Todo esse processo traz a sensação de que aquela pessoa que partiu será sempre lembrada, e isso pode amenizar a falta, a saudade.

Escrever sobre o luto revela as suas entranhas, as suas diversas faces, as suas diversas camadas, retirando o peso de ser unicamente a perda de alguém a questão preponderante. Isso faz com que esse mesmo luto encontre novo abrigo à imensa dor que lhe deu causa.

Quando alguém morre, a partida leva junto outras partes importantes da vida da pessoa que fica. A rotina ao lado daquela pessoa, um pedaço da sua própria história – são exemplos de coisas que a escrita se presta a recuperar com bastante sucesso e, com isso, ela pode apaziguar o vazio deixado por essa perda. Pois, quando escrevemos, estamos mergulhados em algo que está fora de nós mesmos, que toma corpo e, assim, passa a ter vida novamente.



Maria Carolina Amendolara - administradora e autora de “Você vai ver que eu tenho razão”, romance que reflete sobre saúde mental e luto


Agosto Dourado: impacto emocional vivido pelas mulheres quando a amamentação não acontece como o esperado

Na teoria do pediatra e psicanalista Donald Winnicott, os cuidados parentais são mais importantes do que o modo de alimentação 

 

O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado, dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Entre os dias 1º e 7, a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) reforça os benefícios do leite materno para a saúde do bebê e da mãe. Mas, em meio às campanhas de incentivo, qual seria o impacto emocional vivido pelas mulheres quando a amamentação não acontece como o esperado?

Para a psicanalista francesa radicada em São Paulo, Octavie Laroque, apresentadora do podcast Onda, a amamentação não é apenas um ato biológico, mas também uma experiência psíquica, atravessada pela história, pelos desejos, pelas expectativas e pelo contexto de cada mulher.

Quando uma mãe deseja amamentar e encontra dificuldades, a primeira investigação costuma ser fisiológica. Dor, fissuras, mastite ou problemas na pega do bebê exigem acompanhamento especializado. No entanto, nem sempre as dificuldades podem ser explicadas apenas pelo funcionamento do corpo. A experiência da amamentação também mobiliza questões emocionais e inconscientes que variam conforme a trajetória de cada mulher.

A relação com o próprio corpo, a forma como a gravidez foi vivida, a experiência do parto e até as expectativas da família podem interferir nesse processo. Quando a amamentação passa a ser vivida como uma obrigação, é comum que surjam sentimentos de culpa, insuficiência e fracasso, especialmente em um período já marcado por intensas transformações físicas e emocionais.

“Quem viveu essa situação relata que, depois de desistir de dar o peito, a introdução da mamadeira trouxe paz para a família. Proponho então deslocar o olhar sobre o ato de amamentar. Se a discussão sobre a amamentação costuma perguntar o que é melhor para o bebê, prefiro interrogar o que permite à mãe estar bem para cuidar desse bebê. Aliviar o sofrimento da mãe e do bebê é, em consequência, mais importante do que manter a amamentação a qualquer custo”, explica Octavie. 

Sob a perspectiva da psicanálise, alimentar um bebê vai além do leite. O vínculo se constrói também no contato corporal, no olhar, na voz, na forma de segurar, acolher e responder às necessidades da criança. Inspirada no psicanalista Donald Winnicott, Octavie lembra que os cuidados cotidianos são fundamentais para o desenvolvimento afetivo do bebê e não dependem exclusivamente da amamentação.

Isso não significa minimizar a importância do aleitamento materno, amplamente recomendado por seus benefícios nutricionais e imunológicos. O desafio, segundo ela, é evitar que o incentivo se transforme em cobrança e que mulheres que não conseguem, ou não desejam, amamentar sejam submetidas a julgamentos que agravam seu sofrimento emocional.

Octavie propõe ampliar a conversa sobre a amamentação e a refletir no cuidado oferecido às mulheres no puerpério. “Compreender a dimensão psíquica da amamentação exige considerar também o contexto social e cultural em que a relação entre mãe e bebê se constitui. Como a mulher é tratada durante o puerpério? O que se espera dela? O ambiente lhe permite entrar no papel materno com tranquilidade? Num país como o Brasil, onde a cultura da amamentação é particularmente forte (quase sagrada), existe espaço para que uma mãe escolha a forma como deseja cuidar do seu bebê?”. 

Em um momento em que o Agosto Dourado convida a sociedade a falar sobre amamentação, ampliar essa conversa também para a saúde mental materna pode ser uma forma de fortalecer não apenas o cuidado com o bebê, mas também com quem cuida.

“Precisamos pensar nas condições que permitem à mãe confiar em sua capacidade de construir, à sua maneira, a relação com o filho. Isso não depende apenas dela, mas também do cuidado que ela própria recebe”, conclui a psicanalista.


Hipersexual ou Assexual? Neurologista Explica Por Que Adultos com Autismo Vivem o Desejo de Formas Diferentes

Durante décadas, dois mitos cercaram a sexualidade de adultos no espectro autista. O primeiro: todo autista não tem interesse por sexo. O segundo: todos apresentam um desejo intenso e descontrolado. A realidade é mais complexa. E mais humana.

O maior estudo já conduzido sobre o tema, na Universidade de Cambridge, ouviu mais de 2.300 adultos e revelou algo que surpreende quem ainda enxerga o autismo através de estereótipos.

A maioria dos autistas tem vida sexual ativa. Cerca de 70% dos homens e 76% das mulheres autistas relatam atividade sexual, um número menor do que os 89% observados na população neurotípica, mas suficiente para derrubar por completo a ideia de que autismo equivale à ausência de desejo.

O mesmo estudo mostrou que adultos autistas têm 7,6 vezes mais chance de se identificar como assexual do que pessoas neurotípicas. Uma diferença estatística que merece atenção clínica, não julgamento moral.


O Cérebro Constrói o Desejo

Para o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), entender essa diversidade exige olhar para além da libido. O desejo sexual depende de como o cérebro interpreta estímulos, regula emoções e processa sensações corporais. No autismo, cada uma dessas etapas pode funcionar de maneira atípica.

"O desejo envolve muito mais do que hormônios. O cérebro organiza informações, interpreta o contato físico e regula emoções. No autismo, essas características variam bastante de uma pessoa para outra", explica o médico.

É justamente essa variabilidade que faz do conceito de espectro algo tão útil para compreender a sexualidade: não existe um padrão único, mas uma ampla gama de experiências.


Quando o Toque é Intenso Demais

Para alguns adultos com TEA, a intimidade física se transforma em um desafio neurológico. Abraços prolongados, beijos, cheiros e determinados toques podem disparar uma disfunção sensorial que torna o contato cansativo, às vezes doloroso. Um estudo publicado no Journal of Clinical Medicine confirmou que adultos autistas de alto funcionamento apresentam maior probabilidade de disfunções sexuais em ambos os sexos, e que as peculiaridades na percepção sensorial são diretamente responsáveis por esses problemas.

Comenta o Dr. Matheus: "A recusa ao toque tem origem neurológica, não afetiva. O cérebro daquela pessoa percebe o conjunto de estímulos como intenso demais. O parceiro precisa entender isso para não interpretar a reação como rejeição. Esse descompasso gera um custo funcional real. O parceiro se sente afastado, o autista se sente incompreendido, e o relacionamento entra em um ciclo de frustração mútua que poderia ser evitado com informação adequada”.


Quando o Desejo é Mais Intenso

Há também adultos no espectro que relatam uma busca mais frequente pela atividade sexual. Pesquisas indicam que essa vivência pode estar ligada a mecanismos de recompensa atípicos no cérebro autista, nos quais a busca por dopamina se manifesta de forma mais intensa. O neurologista ressalta que cada caso precisa ser avaliado individualmente.

"O fato de uma pessoa autista apresentar maior interesse sexual não significa que isso seja uma característica obrigatória do espectro. Pode ser uma forma de autorregulação emocional, e esse padrão precisa ser compreendido, não patologizado", ressalta Dr Matheus.

Uma revisão sistemática recente publicada na Neuropsychiatric Disease and Treatment reforça que o funcionamento psicossexual de adultos com TEA costuma ser mais difícil do que o da população neurotípica, com maior incidência de insatisfação em relacionamentos sexuais, comportamentos de risco e vitimização. Esse cenário é especialmente grave para mulheres autistas.


O Peso da Inadequação

Independentemente da intensidade do desejo, o sofrimento mais comum relatado no consultório não vem da condição em si. Vem da comparação com expectativas sociais. Adultos que cresceram ouvindo que eram "distraídos demais para relacionamentos" ou "intensos demais para serem amados" carregam uma culpa que não lhes pertence.

O Dr. Trilico observa que esse peso se estende ao entorno.  Segundo ele, quando um parceiro neurotípico não compreende a origem neurológica de uma recusa ao toque ou de um interesse sexual mais intenso, a relação sofre.

Um estudo qualitativo publicado no BMC Psychiatry constatou que problemas de comunicação e interação social atuam como barreiras concretas para relacionamentos afetivo-sexuais em adultos autistas, gerando sentimentos negativos e comportamentos de evitação que se reforçam mutuamente.

"O sofrimento geralmente está na comparação com aquilo que se considera normal", reflete o neurologista. "Quando a pessoa compreende o próprio funcionamento cerebral, a culpa tende a diminuir e o autoconhecimento aumenta. Isso beneficia não só o paciente, mas todo o seu ecossistema de relacionamento", ressalta o neurologista.


Diagnóstico como Ferramenta de Estratégia

Com o aumento dos diagnósticos de autismo na vida adulta, discutir sexualidade de forma responsável ganha urgência. Uma meta-análise publicada na Autism Research demonstrou que adultos autistas têm maior dificuldade em aderir a normas de privacidade e menor acesso à educação sexual adequada. Um dado que expõe uma falha sistêmica, não uma limitação individual.

Para o Dr. Matheus Trilico, o objetivo do diagnóstico na vida adulta não é rotular, mas abrir caminhos. Entender a própria neurobiologia permite que o paciente pare de lutar contra o próprio cérebro e comece a construir estratégias para viver com mais dignidade, inclusive na intimidade.

"Não existe uma forma certa de viver a sexualidade. O mais importante é que cada casal encontre um caminho baseado em respeito, comunicação e compreensão das necessidades de ambos", conclui o neurologista.

As peças se encaixam quando você entende como seu cérebro e mente funcionam.

  

Dr. Matheus Luis Castelan Trilico — CRM 35805/PR | RQE 24818 - Médico formado pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais conteúdos sobre TEA e TDAH em adultos estão disponíveis no portal do especialista:
Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/

 

Quase metade dos brasileiros consideram a compra de livros como um investimento, revela Serasa

Pesquisa inédita aponta que, no entanto, 70% já deixaram de comprar livros por falta de dinheiro; 

  • 54% adquiriram pelo menos um exemplar nos últimos 12 meses;
  • 51% descobrem novos livros pelas redes sociais;
  • 72% já compraram um livro após uma recomendação de influenciadores ou criadores de conteúdo.


Mesmo diante de um cenário de maior atenção ao orçamento, os brasileiros seguem encontrando espaço para os livros em seu dia a dia. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revela que 47% consideram a compra de livros um investimento, e 54% adquiriram pelo menos um exemplar nos últimos 12 meses. Ao mesmo tempo, 70% afirmam já ter deixado de comprar um livro por falta de dinheiro.

Para 81% dos entrevistados, os livros ampliam a visão de mundo e ajudam a enxergar a vida sob novas perspectivas. Além disso, 57% afirmam ler em busca de saúde mental, enquanto 56% veem a leitura como uma ferramenta de aprendizado e conhecimento.

"A pesquisa mostra que o brasileiro atribui valor aos livros e à leitura, mas também precisa fazer escolhas diante das limitações do orçamento. Esse comportamento reforça a importância do planejamento financeiro para que investimentos em educação, cultura e desenvolvimento pessoal possam fazer parte da rotina das famílias", afirma Eduarda de Moraes, especialista da Serasa em educação financeira.


Promoções impulsionam a decisão de compra

Os dados da pesquisa indicam que promoções exercem forte influência sobre a compra de livros. Entre os entrevistados, 41% afirmam comprar mais livros do que realmente precisam quando encontram descontos e ofertas. A frequência de compra também demonstra um mercado ativo: 31% dos consumidores costumam adquirir livros a cada dois ou três meses, enquanto 60% gastaram até R$200 com livros ao longo dos últimos 12 meses

 

Fonte: Serasa


Ao analisar as preferências, o livro físico é a principal escolha de 73% dos entrevistados, seguido pelo e-book (23%) e audiobook (4%). Entre quem prefere o livro físico, o prazer da experiência sensorial (folhear, cheiro de livro e textura) é o principal motivo, citado por 58%, além de facilitar a concentração, escolhido por 49%. Já nos formatos digitais, a conveniência pesa mais do que o custo: praticidade (64%) e a possibilidade de ler em qualquer lugar (60%) são os principais motivos para a escolha de um e-book, à frente do preço mais acessível (43%).

“Não existe um formato melhor que o outro: a escolha depende da rotina e das necessidades de cada pessoa. O mais importante é aproveitar promoções de forma consciente, priorizando títulos que realmente serão lidos e que caibam no orçamento, para que o desconto não se transforme em um incentivo ao consumo por impulso", comenta Eduarda de Moraes.



Redes sociais transformam o mercado editorial

A forma como os brasileiros descobrem novos livros também mudou: 51% afirmam conhecer novos títulos por meio das redes sociais, superando as indicações de amigos e familiares (43%) e os sites, blogs e newsletters (27%).

Esse movimento tem reflexos diretos nas decisões de compra, já que 72% dos consumidores já compraram um livro após uma recomendação vista nas redes sociais, enquanto 64% adicionaram títulos à lista de desejos e 45% passaram a seguir autores ou editoras depois de consumir esse tipo de conteúdo.

"As redes sociais ampliaram o acesso a recomendações e ajudaram a criar comunidades de leitores, tornando a leitura mais presente no dia a dia dos brasileiros. Ao mesmo tempo, é importante desenvolver um consumo consciente, pois nem toda tendência precisa virar compra imediata”, reforça a especialista. “Criar uma lista de desejos, esperar o momento certo para adquirir um livro e definir um orçamento para esse tipo de gasto são estratégias que permitem aproveitar esse universo sem comprometer a saúde financeira".

Para além das redes, feiras e bienais também seguem sendo um importante espaço de troca e descobertas de novas histórias. Cerca de 21% dos entrevistados listam eventos de livro como um local para descobrir novos exemplares, sendo também citado por 23% como um espaço de compra. Além disso, 44% dos entrevistados revelam ir ou já terem ido a feiras, bienais e eventos de livrarias e, outros 31% que nunca foram, possuem interesse em frequentar, mostrando também a importância de trocas presenciais para esse público.


Metodologia

A pesquisa foi realizada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, entre os dias 15 e 26 de junho de 2026, com 1.261 entrevistados de todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.


5 hábitos que destroem relacionamentos sem você perceber

Conheça os maus hábitos cotidianos que silenciosamente afastam os casais

 

Nem todo relacionamento termina por traição ou falta de amor. O desgaste costuma acontecer de forma gradual, impulsionado por comportamentos aparentemente inofensivos que, repetidos no dia a dia, enfraquecem a conexão do casal. A qualidade de uma relação se constrói muito mais nos hábitos cotidianos do que nos grandes gestos.

 

Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, maior plataforma Sugar Daddy e Sugar Baby da América Latina, explica: “A paquera e a sedução podem ser momentos muito estimulantes e prazerosos se ambos forem pessoas emocionalmente responsáveis e que queiram o melhor para o outro. Um ponto fundamental no momento em que se está conhecendo alguém são os acordos claros; o quanto antes todos forem transparentes quanto ao que buscam em um relacionamento, melhor.”

 

O desgaste raramente acontece de uma só vez. Identificar comportamentos prejudiciais antes que virem padrão é uma das formas mais eficazes de preservar a saúde da relação. “Crescemos em um mundo em que as pessoas romantizam muito o relacionamento, mas esquecem do que realmente importa: alguém que não só te ame, mas te apoie, te ajude profissionalmente, te incentive a crescer e a evoluir como pessoa” afirma o especialista.

 

Caio também defende que todo relacionamento precisa de confiança como base. “Confiança significa acreditar em alguém e saber que essa pessoa sempre estará ao seu lado nos momentos bons e ruins. Também significa ser capaz de dizer a eles o que está pensando, mesmo que seja algo difícil de falar”.

 

Cinco hábitos que podem estar sabotando seu relacionamento sem você perceber:

  1. Usar o humor para fugir de conversas importantes - Fazer piadas para aliviar tensão pode parecer inofensivo, mas quando vira padrão, assuntos importantes nunca são enfrentados. Com o tempo, o parceiro pode interpretar isso como falta de interesse.
  2. Transformar a rotina em piloto automático - É natural que os relacionamentos se tornem mais confortáveis depois da fase inicial. O problema é quando a rotina substitui completamente a novidade, os mesmos programas, sempre, podem fazer a relação perder energia.
  3. Reclamar para os amigos em vez de conversar com o parceiro - Desabafar com terceiros adia conversas necessárias e impede a resolução de conflitos. Além disso, pode gerar desconforto se o parceiro descobrir que questões íntimas estão sendo discutidas fora da relação.
  4. Duvidar constantemente das intenções do outro - Questionamentos frequentes sobre promessas e compromissos transmitem desconfiança. Mesmo que o comportamento venha de ansiedade ou experiências passadas, ele faz o parceiro se sentir desacreditado e permanentemente à prova.

5.  Transformar o relacionamento em uma disputa de pontos - Contabilizar quem se esforçou mais, quem pediu desculpas por último ou quem contribui mais cria uma dinâmica de competição onde deveria existir parceria.


Heranças emocionais travam a vida adulta, e Dia dos Pais impulsiona busca por libertação

Elainne Ourives explica como traumas inconscientes impactam amor, sucesso e dinheiro, e propõe caminhos para romper com padrões familiares

 

A repetição de relacionamentos frustrados ou a sensação de estagnação financeira na vida adulta pode estar relacionada a padrões emocionais herdados. A avaliação é da psicanalista Elainne Ourives, pesquisadora nas áreas de neurociência emocional e física quântica. Segundo ela, “muitos adultos vivem hoje os efeitos de traumas emocionais herdados de seus pais, mesmo sem terem consciência disso”. 

No contexto do Dia dos Pais, a especialista propõe uma reflexão que vai além da celebração. A data, afirma, pode representar um marco simbólico para reconhecer o que ainda se carrega inconscientemente da história familiar e decidir, com consciência, o que pode ser deixado para trás.

Esses traumas emocionais herdados, segundo Ourives, operam como “prisões vibracionais” padrões inconscientes que moldam crenças, comportamentos e formas de se relacionar com amor, dinheiro e sucesso. “É como viver no piloto automático de uma dor que nem é sua”, diz a especialista.

A ativação dessas memórias se intensifica em datas simbólicas como o Dia dos Pais, que tendem a reacender sentimentos de ausência ou de experiências mal elaboradas na infância. “Esse momento é um convite à reflexão. Ao honrar os pais, é possível também perceber que nem tudo o que se viveu precisa ser repetido”, afirma a psicanalista.


Evidências científicas da transmissão emocional

Estudos da epigenética indicam que traumas emocionais podem ser transmitidos de uma geração para outra. Pesquisa conduzida por Rachel Yehuda, da Icahn School of Medicine, mostrou que filhos de sobreviventes do Holocausto apresentavam alterações hormonais semelhantes às dos pais, mesmo sem terem vivenciado os mesmos eventos. “Isso prova que o corpo e a mente carregam registros de dor, medo e escassez como forma de sobrevivência”, explica Elainne.

As heranças emocionais não se manifestam apenas por meio de histórias explícitas, mas principalmente por comportamentos e crenças internalizadas. “Um pai emocionalmente ausente pode gerar filhos que, na vida adulta, atraem parceiros com o mesmo perfil, numa tentativa inconsciente de curar aquela ferida”, afirma Ourives.

Segundo a especialista, esse padrão também se expressa na vida financeira. “Filhos de pais que viveram dificuldades econômicas severas podem desenvolver mecanismos inconscientes de autossabotagem, como uma forma de não ‘trair’ a dor do sistema familiar.”


Padrões emocionais nos relacionamentos

A escolha de parceiros indisponíveis emocionalmente é um dos indícios mais comuns de herança emocional, de acordo com Elainne. “É comum ouvir mulheres dizendo que todos os seus relacionamentos são com pessoas frias ou distantes. Isso pode ser lealdade inconsciente ao pai ausente ou à dor da mãe abandonada”, observa a psicanalista.

Em outros casos, o bloqueio afetivo surge como mecanismo de fidelidade ao sofrimento familiar. “O inconsciente entende que, se eu for feliz, estarei traindo quem sofreu. Então, a pessoa se sabota”, afirma a especialista.

No campo financeiro, os impactos seguem o mesmo padrão. A psicanalista destaca três armadilhas recorrentes: culpa por ganhar mais do que os pais, medo de prosperar e se afastar da família e crenças limitantes como “dinheiro é difícil” ou “rico é mau”. “O inconsciente associa a ideia de sucesso à traição do sistema familiar. A mente entende que crescer é deixar para trás,  e isso ativa a culpa.”


Como identificar e romper com o ciclo

Entre os indícios mais frequentes de traumas herdados estão a repetição de relacionamentos destrutivos, medo de crescer financeiramente, sabotagem diante de oportunidades, culpa por se destacar e desejo de retroceder mesmo após avanços. “Esses são sinais de que algo interno está pedindo por ressignificação”, afirma Elainne.

O primeiro passo para romper com esses padrões, segundo ela, é desenvolver consciência. “Quando você entende que aquela reação não é sua, mas herdada, já não precisa mais repeti-la.” afirma a  pesquisadora nas áreas de neurociência emocional e física quântica.

Entre as práticas recomendadas estão a reprogramação mental, técnicas de limpeza vibracional, como a Técnica Hertz®, exercícios de perdão, visualizações e afirmações voltadas à reconexão com a identidade vibracional original. “Não se trata de rejeitar a família, mas de honrá-la sem carregar a dor”, pontua Ourives.

Elainne destaca que a decisão de romper ciclos disfuncionais pode ter efeitos coletivos. “Quando um pai decide curar suas dores, ele muda o campo vibracional da família inteira. E, quando um filho escolhe não repetir os traumas do pai, ele também cura gerações que ainda virão.” conclui a psicanalista. 

 



Elainne Ourives - Treinadora mental, psicanalista, cientista e pesquisadora nas áreas da Física Quântica, das Neurociências e da reprogramação mental; autora best-seller de 10 livros; mestra de mais de 260 mil alunos, sendo 120 mil deles alunos do treinamento Holo Cocriação de Objetivos, Sonhos e Metas, a mais completa metodologia de reprogramação mental, cocriação e manifestação de sonhos do mundo; formada pelos maiores cientistas do mundo, tais como Jean Pierre Garnier Malet, Tom Campbell, Gregg Braden, Bob Proctor, Joe Dispenza, Bruce Lipton, Deepak Chopra e Tony Robbins; multiplicadora do Ativismo Quântico de Amit Goswami; certificada pelo Instituto HeartMath; única trainer de Joe Vitale no Brasil. Autora Best Seller dos livros: DNA Milionário® (2019); DNA da Cocriação® (2020); DNA Revelado das Emoções® (2021), Co-Criador da Realidade (2022); Algoritmos do Universo (2022), Taqui-Hertz® (2022), O Meu Ano de Gratidão (2023), Gene da Juventude (2023), Visualização Holográfica (2023) e DNA do Dinheiro (2024).É ainda idealizadora do Movimento “A Vida é Incrível”, lançado para ajudar a libertar o potencial máximo das pessoas na realização de seus sonhos; e criadora da Técnica Hertz® - Reprogramação da Frequência Vibracional, que surgiu a partir de descobertas da física quântica e do estudo aprofundado das mais poderosas terapias energéticas e emocionais do mundo.
Para mais informações, acesse https://elainneourives.com.br ou pelo Instagram @elainneourivesoficial.



Etarismo: preconceito contra pessoas idosas compromete a qualidade de vida e favorece o isolamento

Especialistas explicam como a discriminação pode prejudicar a saúde mental, aumentar o isolamento social, retardar diagnósticos e comprometer o bem-estar na terceira idade

 

Envelhecer é um processo natural da vida, mas milhões de pessoas ainda enfrentam um preconceito muitas vezes invisível: o idadismo, também conhecido como etarismo. Caracterizado por estereótipos, discriminação e atitudes negativas relacionadas à idade, esse tipo de preconceito está presente em diferentes contextos, como no ambiente de trabalho, nos serviços de saúde, nas relações familiares e até nas interações do dia a dia.


Embora frequentemente se manifeste por meio de comentários considerados "inofensivos", como associar automaticamente o envelhecimento à incapacidade, à fragilidade ou à inutilidade, o idadismo reforça estigmas que limitam a autonomia, reduzem a participação social e favorecem o isolamento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 6,3 milhões de casos de depressão em todo o mundo podem ser atribuídos ao preconceito relacionado à idade. Além disso, a entidade destaca que o idadismo está associado ao aumento do risco de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, declínio cognitivo, pior saúde mental, redução da qualidade de vida e adoção de comportamentos prejudiciais à saúde.


Segundo a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, o preconceito relacionado à idade afeta diretamente a forma como o idoso percebe a si mesmo e seu lugar na sociedade. "Nossa identidade também é construída pelas mensagens que recebemos ao longo da vida. Quando alguém escuta repetidamente que está 'velho demais', que não consegue mais aprender ou que já não é útil, essas ideias podem ser incorporadas como verdades. Esse processo reduz a autoestima, enfraquece a confiança nas próprias capacidades e favorece sentimentos de tristeza, solidão e desesperança", explica.


A psicóloga ressalta que o problema não está apenas nas atitudes explícitas de discriminação, mas também em comportamentos sutis, como excluir o idoso das decisões familiares, infantilizar sua fala ou presumir que ele não é capaz de aprender novas habilidades. "O idadismo costuma acontecer de forma muito naturalizada. Ele aparece quando interrompemos um idoso antes que conclua uma ideia, decidimos por ele sem consultá-lo, respondemos perguntas em seu lugar ou presumimos que ele não conseguirá compreender uma conversa ou aprender uma nova tecnologia. Mesmo quando essas atitudes são motivadas pela intenção de cuidar, elas acabam transmitindo a mensagem de que sua opinião já não importa. Isso compromete sua autonomia, sua identidade e seu senso de pertencimento", afirma Mariana Ramos.


A diminuição da participação social, o afastamento de atividades de lazer e a perda da sensação de utilidade favorecem o isolamento social, considerado um importante fator de risco para transtornos mentais. Além disso, o preconceito contra a idade pode restringir o acesso da população idosa aos espaços de convivência, dificultar a busca por cuidados preventivos e reduzir o interesse por novas atividades, aprendizados e interações sociais, comprometendo diferentes aspectos da saúde e da qualidade de vida.


Dra. Karoline Fiorotti, professora de pós-graduação em Geriatria da Afya Vitória, destaca que a saúde mental e a saúde física caminham juntas durante o envelhecimento. Segundo ela, quando o idoso sofre discriminação constante, os efeitos podem ultrapassar o aspecto emocional e repercutir também no organismo.


"O preconceito relacionado à idade restringe a participação da pessoa idosa na sociedade e pode fazer com que muitas dificuldades sejam atribuídas apenas ao envelhecimento. Esse cenário favorece o estresse crônico, sintomas de ansiedade e depressão, além de diminuir a motivação para manter hábitos saudáveis, praticar atividade física, participar de grupos sociais e seguir corretamente os tratamentos. Como consequência, aumenta o risco de isolamento social, dependência, piora das doenças crônicas e até demência", explica.


A médica acrescenta que muitos idosos deixam de buscar atendimento de saúde ou evitam relatar sintomas por acreditarem que determinadas dificuldades fazem parte, inevitavelmente, do envelhecimento. "Esquecer não é algo normal do envelhecimento, assim como sentir tristeza constante também não. É verdade que algumas funções podem ficar um pouco mais lentas com a idade, como o raciocínio ou o aprendizado, mas alterações persistentes de memória, humor ou comportamento precisam ser investigadas. Além disso, idosos costumam apresentar sintomas menos específicos, como sonolência, perda de apetite, perda de peso, indisposição, fraqueza ou palpitações, que muitas vezes acabam sendo atribuídos apenas à idade. Isso pode atrasar diagnósticos importantes, comprometer o início precoce do tratamento e prejudicar a qualidade de vida", ressalta  Dra. Karoline.


A especialista destaca ainda que preservar a autonomia da pessoa idosa traz benefícios que vão muito além da saúde mental. De acordo com ela, idosos inseridos na família, na comunidade e nas atividades sociais tendem a apresentar melhor funcionalidade, maior adesão aos tratamentos, diagnóstico mais precoce de doenças, menor risco de quedas, preservação da massa muscular e redução da mortalidade.

 



Como combater o etarismo?


Para as especialistas, enfrentar o preconceito contra a idade exige mudanças culturais e coletivas. Valorizar a experiência acumulada ao longo da vida, incentivar a participação ativa dos idosos nas decisões que dizem respeito à própria vida e promover ambientes mais inclusivos são atitudes fundamentais para preservar o bem-estar emocional dessa população.


Além das mudanças de comportamento, a geriatra destaca que combater o idadismo também passa por reduzir barreiras que limitam a autonomia da pessoa idosa, entre elas a exclusão digital. Para a médica, ensinar idosos a utilizar aplicativos bancários, plataformas de saúde, ferramentas de telemedicina e redes sociais fortalece a independência, amplia o acesso aos serviços e favorece a inclusão social.


Dra. Mariana Ramos destaca que o envelhecimento não deve ser encarado como uma fase de perdas, mas como um período que continua repleto de possibilidades. "Cada pessoa idosa possui uma trajetória única, com valores, desejos, competências e projetos. O respeito começa quando deixamos de enxergar apenas a idade cronológica e reconhecemos essa individualidade. Envelhecer não significa deixar de aprender, sonhar ou construir novos significados para a vida. Quando a sociedade passa a enxergar a pessoa antes da idade, favorece um envelhecimento mais saudável, ativo e emocionalmente equilibrado." 


Dra. Karoline reforça que o envelhecimento deve ser compreendido como uma etapa natural da vida e que o convívio entre diferentes gerações beneficia toda a sociedade." Cada idade tem seus desafios e também suas potencialidades. Os idosos carregam uma experiência de vida que enriquece crianças, jovens e adultos. Precisamos construir ambientes mais acolhedores, acessíveis e inclusivos, valorizando suas capacidades e oferecendo condições para que continuem participando ativamente da sociedade. Acolher as dificuldades e potencializar as forças da pessoa idosa é uma responsabilidade de todos", conclui.



Palácio dos Bandeirantes se ilumina de lilás e marca início do mês de combate à violência contra a mulher

Governo de São Paulo prepara ações integradas que unem educação, esporte, cultura e segurança pública
 

Como um farol de conscientização e alerta, a fachada do Palácio dos Bandeirantes ganha a cor lilás neste 1º de agosto. A iluminação especial da sede do Governo do Estado de São Paulo não é apenas um gesto simbólico, mas o marco inicial da mobilização estadual em torno do Agosto Lilás, mês dedicado nacionalmente ao enfrentamento e combate à violência contra a mulher. 

Ao longo de todo o mês, a mobilização do Agosto Lilás contemplará uma agenda transversal em todo o estado, reunindo ações voltadas à capacitação na área da educação, eventos de lazer, cultura e esporte, além de iniciativas focadas na prevenção da violência contra a mulher e operações integradas de atendimento e segurança pública nos municípios paulistas. Como parte desta articulação, no dia 27, a Estação Motiva Cultural sediará um evento reunindo gestores públicos e a sociedade civil para debater e fortalecer o combate à violência contra a mulher. 

"O Agosto Lilás reforça uma prioridade que precisa ser diária: a violência contra a mulher não é um problema privado, mas uma questão de ordem pública e de segurança. O Estado de São Paulo assume a sua responsabilidade ao atuar com firmeza na prevenção, no acolhimento e no combate à impunidade", pontua a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni.

 

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