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terça-feira, 14 de julho de 2026

Burnout: exaustão constante e perda de interesse pelo trabalho podem indicar síndrome que afeta cada vez mais brasileiros

Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos
com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de
esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção.
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Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção 

Especialista alerta que sintomas muitas vezes confundidos com “cansaço normal” podem ser sinais de um quadro de esgotamento relacionado ao trabalho e que exige atenção

 

Depois de um dia intenso de trabalho, sentir-se cansado é esperado. O problema começa quando o descanso deixa de ser suficiente para recuperar as energias. Acordar já exausto, perder a motivação para atividades que antes faziam sentido, apresentar dificuldade para se concentrar e sentir que o rendimento caiu de forma significativa são sinais que podem indicar mais do que o desgaste da rotina. Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados à Síndrome de Burnout, condição associada ao estresse crônico no ambiente de trabalho.

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, a síndrome é caracterizada por três dimensões principais: sensação de esgotamento ou exaustão de energia; aumento do distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho; e redução da eficácia profissional. O Ministério da Saúde destaca que o Burnout é resultado da exposição prolongada a situações de trabalho emocionalmente desgastantes.

O tema tem ganhado relevância diante do crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados da Previdência Social apontam um aumento expressivo nas concessões de benefícios por incapacidade relacionados à saúde mental nos últimos anos, refletindo uma realidade que impacta trabalhadores, empresas e o sistema de saúde. Especialistas avaliam que parte desse crescimento também está relacionada à maior conscientização sobre o diagnóstico e à procura por atendimento especializado.

Para a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Suzane Skura, um dos maiores desafios é justamente diferenciar o estresse esperado da rotina profissional de um quadro que pode evoluir para o adoecimento.

"O estresse faz parte da vida e, em muitos momentos, é até esperado. O Burnout, porém, acontece quando a pessoa permanece por muito tempo exposta a uma sobrecarga emocional e física sem conseguir se recuperar. O descanso deixa de resolver, o trabalho passa a gerar sofrimento e até tarefas simples parecem exigir um esforço enorme", afirma Suzane.

Segundo a especialista, o organismo costuma emitir sinais antes que o quadro se torne incapacitante. Por isso, observar mudanças persistentes no comportamento é fundamental.

"Os sintomas nem sempre aparecem de forma intensa logo no início. Muitas pessoas começam a perceber um cansaço constante, irritabilidade, dificuldade para dormir, esquecimentos frequentes, perda de concentração e uma sensação de que nunca conseguem dar conta das demandas. Também podem surgir sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular, alterações gastrointestinais e palpitações. Quando isso se torna frequente, é importante procurar avaliação profissional", pontua a psicóloga.

Embora seja mais lembrado em profissões de alta pressão, como as da área da saúde, educação e segurança pública, o Burnout pode atingir trabalhadores de qualquer setor. Jornadas prolongadas, excesso de responsabilidades, pressão constante por resultados, falta de autonomia, conflitos interpessoais e ausência de reconhecimento figuram entre os fatores que favorecem o desenvolvimento da síndrome.

Além dos prejuízos individuais, o adoecimento mental também representa um desafio para a economia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que ansiedade e depressão provoquem a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, reforçando a necessidade de ambientes profissionais mais saudáveis e políticas de prevenção.

Na avaliação da psicóloga e docente da Afya de Pato Branco, ainda existe um estigma que faz muitas pessoas adiarem a busca por ajuda.

"Existe a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza, quando, na verdade, é uma atitude de cuidado. O Burnout não acontece porque alguém é menos competente ou menos resiliente. Frequentemente, ele acomete profissionais extremamente comprometidos, que permaneceram por muito tempo ultrapassando os próprios limites", destaca Suzane.

A psicóloga ressalta ainda que o diagnóstico deve ser realizado por profissionais habilitados e que a recuperação envolve uma abordagem individualizada, podendo incluir acompanhamento psicológico, avaliação médica e mudanças na organização da rotina e das condições de trabalho.

"Quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maiores são as possibilidades de recuperação e menor o impacto na vida pessoal, profissional e familiar. Cuidar da saúde mental também é uma forma de prevenir doenças e preservar a qualidade de vida", pontua.

Para ela, a principal mensagem é que o esgotamento persistente não deve ser encarado como parte natural da produtividade. Quando o trabalho deixa de ser apenas desafiador e passa a comprometer o bem-estar, o equilíbrio emocional e a saúde física, buscar orientação profissional pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo de adoecimento.


Julho Amarelo: por que tantas pessoas convivem anos com hepatites virais sem diagnóstico

Doenças costumam evoluir de forma silenciosa e podem permanecer décadas sem sintomas. Exames laboratoriais são fundamentais para identificar a infecção precocemente e evitar complicações graves.
 

As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Apesar de existirem exames capazes de identificar a infecção de forma simples e acessível, milhares de pessoas convivem com o vírus durante anos sem saber. Como, na maioria dos casos, a doença evolui de maneira silenciosa, o diagnóstico costuma acontecer apenas quando já existem complicações no fígado, como cirrose ou câncer hepático. 

Durante o Julho Amarelo, campanha nacional dedicada à conscientização sobre as hepatites virais, especialistas reforçam que a realização de exames laboratoriais é a principal estratégia para interromper essa trajetória silenciosa e ampliar as chances de tratamento e cura.

"A ausência de sintomas faz com que muitas pessoas não procurem atendimento médico e só descubram a infecção em exames de rotina ou durante a investigação de alterações nas funções do fígado. Esse é um dos principais motivos pelos quais o diagnóstico laboratorial tem papel tão importante no enfrentamento das hepatites virais", explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista do DB Diagnóstico. 

De acordo com o Ministério da Saúde, as hepatites B e C respondem pela maior parte dos casos de hepatite crônica no país. A infecção pode permanecer assintomática por décadas, enquanto provoca inflamação progressiva no fígado. Quando surgem sintomas como cansaço persistente, pele e olhos amarelados, dor abdominal ou urina escura, muitas vezes a doença já apresenta comprometimento significativo do órgão. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C crônica no mundo. Apesar disso, a maioria desconhece a própria condição. Estima-se que apenas uma parcela dos infectados tenha recebido diagnóstico, o que dificulta o início do tratamento e favorece a transmissão dos vírus. 

As hepatites virais são causadas por diferentes vírus e apresentam formas distintas de transmissão. A hepatite A está relacionada principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e C podem ser transmitidas por contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes, relações sexuais desprotegidas e, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. 

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais específicos, capazes de identificar tanto a presença do vírus quanto a resposta imunológica do organismo. Em situações confirmadas, exames complementares também ajudam a avaliar o grau de comprometimento do fígado e acompanhar a resposta ao tratamento. 

"O laboratório é uma peça fundamental na jornada do paciente. A confirmação da infecção, a diferenciação entre infecção ativa e contato prévio com o vírus, além do monitoramento da carga viral e da função hepática, fornecem informações essenciais para que o médico defina a melhor estratégia terapêutica", destaca a especialista. 

Além do diagnóstico precoce, a prevenção continua sendo um dos pilares no combate às hepatites. A vacinação contra a hepatite B está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), assim como medidas de segurança envolvendo materiais perfurocortantes, testagem de sangue, uso de preservativos e adoção de boas práticas de higiene.
 

DB Diagnósticos


Não é irritação, é protagonismo hormonal


Por muito tempo, a menopausa foi tratada como um problema a ser escondido. Hoje, mulheres reivindicam informação, qualidade de vida e o direito de viver essa fase sem culpa, sem estigma e sem abrir mão do próprio bem-estar. Ela interrompe uma reunião para ligar o ventilador. Dorme mal há meses. Esquece compromissos que antes administrava sem esforço. Chora por motivos que nem sempre consegue explicar. Ou simplesmente perdeu a paciência para tolerar situações que antes aceitava em silêncio. Durante muito tempo, a resposta para tudo isso foi a mesma: "é a menopausa".

A frase, quase sempre dita em tom de brincadeira ou desqualificação, ajudou a transformar uma fase natural da vida feminina em sinônimo de descontrole emocional. Mas a ciência conta uma história bem diferente. “A menopausa não é um colapso. É uma transição biológica complexa, marcada por mudanças hormonais que afetam praticamente todos os sistemas do organismo, do cérebro aos ossos, da pele ao coração”, explica Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal,  PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.

É difícil separar onde termina o efeito dos hormônios e começa a mudança de perspectiva que acompanha essa etapa da vida. Mais do que isso, ela costuma coincidir com um momento em que muitas mulheres também vivem outras transformações, filhos que deixam a casa, pais envelhecendo, auge da carreira profissional, redefinição de relacionamentos e um novo olhar sobre si mesmas.

A menopausa é oficialmente confirmada após doze meses consecutivos sem menstruar. Antes disso, porém, existe a perimenopausa, fase em que os níveis de estrogênio e progesterona oscilam intensamente. É justamente aí que surgem os sintomas que tantas mulheres descrevem como uma sensação de "não reconhecer mais o próprio corpo".

As ondas de calor são apenas a face mais conhecida do problema. Alterações no sono, ansiedade, dificuldade de concentração, redução da libido, ressecamento vaginal, fadiga persistente, ganho de gordura abdominal e oscilações de humor podem aparecer de forma simultânea e comprometer significativamente a qualidade de vida.

Apesar disso, ainda existe uma tendência cultural de minimizar essas queixas. Muitas mulheres escutam que "isso passa", "faz parte da idade" ou "é preciso aprender a conviver". Mas não deveria ser assim.

A boa notícia é que a medicina avançou. Hoje, a terapia de reposição hormonal voltou a ocupar um lugar importante no tratamento dos sintomas da menopausa, depois de anos cercada por medo e desinformação.

Os números mostram que a conversa sobre menopausa deixou de ser um tema de nicho para se tornar uma questão de saúde pública. Estima-se que mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estejam na pós-menopausa, e esse contingente continua crescendo à medida que a expectativa de vida aumenta. Cerca de 75% delas apresentam sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, e aproximadamente um quarto relata manifestações intensas o suficiente para comprometer o trabalho, o sono, a vida sexual e a saúde mental.

Depois de duas décadas marcadas pelo receio em relação à terapia hormonal, as principais sociedades médicas internacionais passaram a defender uma abordagem mais individualizada. As recomendações mais recentes da International Menopause Society (IMS) reforçam que a terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa e também desempenha papel importante na prevenção da perda óssea em mulheres elegíveis. A indicação, no entanto, deve considerar idade, tempo desde a menopausa, histórico clínico e fatores de risco individuais.

Para a cientista Izabelle Gindri, o entendimento atual é muito mais sofisticado. “Quando indicada para mulheres saudáveis, especialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, a reposição hormonal apresenta benefícios que frequentemente superam os riscos. Ela reduz as ondas de calor, melhora o sono, protege a saúde óssea, ajuda na lubrificação vaginal e pode devolver qualidade de vida a mulheres que convivem diariamente com sintomas incapacitantes”, avalia a especialista.

Isso não significa que seja uma solução universal. O tratamento precisa ser individualizado. Histórico familiar, doenças pré-existentes, estilo de vida e objetivos da paciente fazem parte da decisão. Em alguns casos, terapias não hormonais também oferecem bons resultados.

Outro avanço importante está na personalização permitindo que o tratamento seja adaptado às necessidades de cada mulher. Essa mudança de entendimento aconteceu após a reavaliação dos resultados do histórico estudo Women's Health Initiative (WHI).

 

MENOPAUSA RESSIGNIFICADA

Talvez a maior transformação não esteja nos medicamentos. Está na forma como a menopausa vem sendo ressignificada. Pela primeira vez, uma geração de mulheres se recusa a aceitar que envelhecer signifique desaparecer. Elas seguem ocupando cargos de liderança, empreendendo, redescobrindo a sexualidade, iniciando novos relacionamentos, praticando esportes e reivindicando espaço em uma sociedade que historicamente celebrou apenas a juventude feminina.

“Falar sobre hormônios deixa de ser apenas uma conversa médica. Torna-se uma discussão sobre autonomia, saúde, mercado de trabalho, autoestima e direitos. Porque talvez aquela mulher considerada "difícil" apenas tenha deixado de silenciar desconfortos, de aceitar sobrecargas e de colocar as necessidades de todos acima das suas”, reforça Izabelle Gindri.

A menopausa muda os hormônios. Mas também muda prioridades. E isso não deveria ser visto como um problema. Talvez seja justamente o começo de um novo protagonismo.


Fluxo menstrual intenso pode ser um sinal de alerta para a saúde da mulher

Nem toda menstruação intensa é motivo de preocupação, mas mudanças no padrão do sangramento devem ser investigadas. Especialistas orientam como reconhecer esses sinais

 

A intensidade do fluxo menstrual varia de mulher para mulher e pode mudar ao longo da vida, sendo geralmente classificada como leve, moderada ou intensa. Em muitos casos, essas diferenças fazem parte da fisiologia e não representam um problema de saúde. No entanto, quando o sangramento é excessivo, prolongado ou passa a interferir na rotina e na qualidade de vida, ele pode ser um sinal de alerta para condições que vão desde alterações hormonais até doenças ginecológicas que exigem diagnóstico e tratamento. Por isso, especialistas da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, orientam como reconhecer as características do fluxo menstrual e identificar quando ele foge do padrão habitual é um passo importante para a saúde feminina e para a busca por avaliação médica especializada.
 

Como funciona o fluxo menstrual?

O fluxo menstrual é resultado da descamação do endométrio, tecido que reveste o interior do útero e se prepara todos os meses para uma possível gestação. Quando a gravidez não acontece, esse revestimento é eliminado pelo organismo por meio da menstruação. Em geral, o sangramento dura entre três e sete dias e pode variar em intensidade ao longo desse período, sendo mais intenso nos primeiros dias e diminuindo gradualmente. A quantidade de sangue e o padrão do fluxo podem ser diferentes de uma mulher para outra, sem que isso represente, necessariamente, um problema.
 

Como identificar quando o fluxo menstrual é intenso?

De forma geral, considera-se intenso o fluxo que exige a troca de absorventes ou coletores em intervalos muito curtos, provoca vazamentos frequentes, elimina com frequências coágulos grandes ou se prolonga por mais de sete dias. Além do impacto na rotina, e gerar um desconforto durante a menstruação para as mulheres, o fluxo intenso pode em alguns casos quando acompanhado de outros sintomas, ser um indicativo de que algo a mais está se apresentando no organismo, sendo o recomendado a busca por orientação médica.
 

Como administrar o fluxo menstrual intenso no dia a dia?

Lidar com um fluxo menstrual intenso exige alguns cuidados para reduzir o desconforto e evitar impactos na rotina. Escolher o absorvente, coletor menstrual ou calcinha absorvente mais adequado ao volume do sangramento, manter a troca nos intervalos recomendados e acompanhar possíveis mudanças no padrão menstrual são medidas que ajudam no dia a dia. No entanto, essas estratégias aliviam os sintomas, mas não substituem a investigação da causa. Quando o fluxo é excessivo ou recorrente, o tratamento deve ser individualizado e pode incluir desde medicamentos até procedimentos específicos, dependendo do diagnóstico.

"É comum que as pacientes busquem apenas alternativas para controlar o sangramento, mas o mais importante é entender por que ele está acontecendo. Hoje, existem diferentes opções de tratamento, que vão desde medicamentos hormonais e não hormonais até procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias, quando indicadas. A escolha depende da causa do fluxo intenso, da idade da paciente, do desejo reprodutivo e do impacto que esse sangramento causa na sua qualidade de vida. O objetivo é oferecer um tratamento que seja eficaz e preserve o bem-estar da mulher." explica Altamiro Ribeiro, ginecologista do Hospital Santa Paula em São Paulo.
 

Quando esse fluxo precisa ser investigado?

Embora as variações na intensidade da menstruação possam ocorrer em diferentes fases da vida, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica. O fluxo menstrual deve ser investigado quando passa a ser significativamente mais intenso do que o habitual, dura mais de sete dias, ocorre entre os ciclos menstruais, reaparece após a menopausa ou vem acompanhado de dor intensa, fadiga, tonturas ou outros sintomas que afetam a qualidade de vida. Nesses casos, a consulta com um ginecologista é importante para identificar a causa do sangramento e descartar condições que podem exigir tratamento.

“Muitas mulheres convivem durante anos com um fluxo menstrual intenso acreditando que essa é uma característica normal do próprio corpo. Porém pode estar relacionado a alterações hormonais, miomas, adenomiose, distúrbios de coagulação e outras condições que têm tratamento quando diagnosticadas corretamente”, explica Agatha Medrado, ginecologista da clínica AMO, em Salvador.

"A principal recomendação é observar mudanças no padrão menstrual. Se a mulher percebe que o fluxo aumentou de forma importante, passou a durar mais tempo ou começou a comprometer suas atividades diárias, esse é um sinal de que a situação merece investigação. O sangramento intenso não deve ser encarado como algo normal apenas porque ocorre há muitos anos. Em muitos casos, ele é um sintoma de doenças ginecológicas que podem ser diagnosticadas e tratadas, além de aumentar o risco de anemia quando não recebe a devida atenção", explica Vitória Espíndola, ginecologista do Hospital Brasília, no Distrito Federal.
 

Quais são os tratamentos para o fluxo menstrual intenso e por que os exames de rotina são importantes

O tratamento para o fluxo menstrual intenso depende da causa do sangramento e deve ser definido após avaliação médica. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos hormonais ou não hormonais podem ser suficientes para controlar o problema. Quando o fluxo está relacionado a condições como miomas, adenomiose, pólipos ou outras alterações ginecológicas, podem ser indicados procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias. Por isso, a automedicação e o uso contínuo de medicamentos para apenas reduzir o sangramento não são recomendados sem orientação profissional.

Os exames ginecológicos de rotina desempenham um papel essencial na identificação precoce dessas alterações, muitas vezes antes mesmo do surgimento de complicações. A avaliação clínica, aliada a exames como ultrassonografia pélvica, exames laboratoriais e outros complementares quando indicados, permite esclarecer a origem do fluxo intenso e direcionar o tratamento mais adequado para cada paciente. Além de controlar os sintomas, o acompanhamento regular contribui para prevenir consequências como anemia, preservar a saúde reprodutiva e promover mais qualidade de vida.
 

Rede Américas


Lipedema não é falta de dieta. É uma doença que ainda demora para ser reconhecida

Especialista explica por que a alimentação faz parte do tratamento, mas não é a causa nem a solução isolada da doença

 

Dietas restritivas, exercícios intensos e inúmeras tentativas de emagrecer pernas ou braços fazem parte da rotina de muitas mulheres. Quando os resultados não aparecem, a conclusão costuma ser a mesma: faltou disciplina. Em muitos casos, porém, o problema nunca foi falta de esforço, mas um diagnóstico que demorou para chegar. 

O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, também nos braços. Dor, sensibilidade, inchaço, sensação de peso e facilidade para o surgimento de hematomas estão entre os sintomas mais frequentes. Apesar de atingir milhões de mulheres, a doença ainda é frequentemente confundida com obesidade, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. 

A influência hormonal é considerada um dos principais fatores envolvidos na doença. Estudos indicam que alterações na sinalização do estrogênio podem contribuir para o desenvolvimento e a progressão da doença, o que ajuda a explicar por que os sintomas frequentemente aparecem ou se intensificam durante a puberdade, a gravidez e a menopausa. 

O Consenso Brasileiro sobre Lipedema, publicado em 2025, reforça que a doença continua sendo subdiagnosticada e exige uma abordagem multidisciplinar. O documento também estima que cerca de 12,3% das mulheres brasileiras apresentem sinais compatíveis com a condição. 

Além das manifestações físicas, o impacto emocional também merece atenção. Estudo publicado em 2025 na revista Frontiers in Global Women's Health identificou que 50,9% das mulheres avaliadas apresentavam sintomas depressivos moderados ou graves, reforçando que o diagnóstico tardio pode comprometer significativamente a qualidade de vida. 

Para Flávia Lucena, nutricionista, psicóloga e especialista em comportamento alimentar, uma das consequências mais profundas do lipedema é fazer com que muitas mulheres passem anos acreditando que fracassaram, quando, na realidade, conviviam com uma doença ainda pouco reconhecida. 

"Grande parte das mulheres chega ao consultório acreditando que falhou. Elas fizeram dietas, mudaram hábitos, aumentaram a atividade física e, ainda assim, não conseguiram o resultado esperado. Quando finalmente recebem o diagnóstico, percebem que passaram muito tempo tentando resolver uma doença como se fosse falta de força de vontade." 

Segundo a especialista, a alimentação tem papel importante no tratamento, mas não deve ser encarada apenas como uma estratégia para perder peso. O plano alimentar é individualizado e busca controlar processos inflamatórios, preservar a massa muscular, aliviar sintomas e favorecer a saúde metabólica. Mais do que isso, ajuda a paciente a construir uma relação mais equilibrada com a comida e com o próprio corpo. 

"Não existe uma dieta capaz de eliminar o lipedema. O tratamento começa quando a paciente entende que cuidar da alimentação é diferente de tentar corrigir um corpo que responde de forma diferente. A comida deixa de ser uma punição e passa a ser uma ferramenta de cuidado." 

Flávia explica que essa mudança de perspectiva também transforma a relação com a alimentação. "Quando a mulher deixa de acreditar que seu corpo é resultado de falta de disciplina, ela consegue fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis. Comer deixa de ser uma tentativa permanente de corrigir o próprio corpo e passa a integrar um tratamento que considera sua saúde física, emocional e comportamental." 

O tratamento envolve acompanhamento multiprofissional e pode incluir médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos, terapia compressiva, suporte psicológico e, em alguns casos, cirurgia. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a progressão da doença, preservar a mobilidade e proporcionar melhor qualidade de vida.

 

Flávia Lucena - nutricionista e psicóloga, especialista em comportamento alimentar e criadora do Método Nutrição com Acolhimento®. Sua abordagem integra nutrição clínica funcional, psicologia comportamental e escuta aprofundada da relação das pessoas com a alimentação, promovendo uma visão que considera não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e comportamentais do ato de comer. Atua com foco na construção de uma relação mais consciente, flexível e sustentável com a alimentação, auxiliando pacientes em diferentes fases da vida por meio de atendimentos presenciais e online.


“Eu sentia um incômodo na garganta, mas achava que era uma gripe ou até sequela da Covid”, diz pacient

 

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Especialistas alertam que falta de informação ainda atrasa o diagnóstico dos tumores de cabeça e pescoço; tabagismo, álcool e HPV estão entre os principais fatores de risco

 

Uma ferida na boca que não cicatriza, uma rouquidão persistente ou um caroço no pescoço podem parecer problemas simples. Mas, quando os sintomas permanecem por semanas, podem indicar um câncer de cabeça e pescoço, grupo de tumores que surge principalmente na boca, garganta, faringe e laringe. 

Apesar da gravidade, especialistas destacam que boa parte dos casos poderia ser evitada. O desconhecimento dos sintomas iniciais e dos fatores de risco ainda contribui para diagnósticos tardios. 

Foi justamente a dificuldade de reconhecer os sinais que quase atrasou o diagnóstico do administrador Fernando Ihara, de 57 anos. Em outubro de 2025, o que parecia ser uma sinusite acabou revelando um câncer de orofaringe. 

"Eu tive muita sorte. Foi a minha esposa quem sugeriu que eu fizesse uma tomografia para investigar uma possível sinusite. Eu nunca tive sinusite, mas resolvi fazer o exame. Foi aí que tudo começou", conta. 

A tomografia mostrou alterações que levaram à investigação especializada e à confirmação do diagnóstico. Antes disso, Fernando já apresentava alguns sintomas, mas não imaginava a gravidade. 

"Eu já sentia um incômodo na garganta, mas achava que era algo comum, uma gripe ou até sequela da Covid. Com a correria do dia a dia, a gente acaba minimizando os sinais que o corpo dá." 

Segundo o oncologista Gilberto Castro, do Hospital Sírio-Libanês, esse tipo de situação é mais comum do que se imagina. 

"O câncer de cabeça e pescoço está entre os tumores mais importantes em termos de incidência e mortalidade. Ao mesmo tempo, é uma doença amplamente passível de prevenção", afirma. "Se conseguirmos reduzir o tabagismo e o consumo de álcool e ampliar a vacinação contra o HPV, a incidência desses tumores pode cair de forma drástica." 

Os primeiros sinais costumam ser discretos. "Qualquer rouquidão acima de duas ou três semanas precisa ser investigada. Da mesma forma, uma lesão na boca que não melhora ou um caroço no pescoço que continua crescendo não devem ser ignorados", alerta o especialista. 

O diagnóstico precoce pode começar com uma avaliação simples. "Muitas vezes, basta examinar a boca. Por isso, o dentista tem papel fundamental na identificação precoce da doença", explica. 

Para o oncologista Guilherme Harada, do Hospital Sírio-Libanês, nódulos cervicais, popularmente conhecidos como ínguas, também merecem atenção, especialmente nos tumores relacionados ao HPV. 

"A prevenção e a detecção precoce são pontos fundamentais quando falamos em tumores de cabeça e pescoço. A medicina bucal tem um papel importante nesse acompanhamento", afirma. 

Nos últimos anos, o câncer de orofaringe associado ao HPV tem se consolidado como uma preocupação crescente de saúde pública. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças1 (CDC, na sigla em inglês), o câncer de orofaringe se tornou um dos principais tumores relacionados ao HPV. Estima-se que o vírus esteja envolvido em cerca de 60% a 70% dos diagnósticos da doença nos Estados Unidos. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados mais de 42 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano2. Diferentemente dos tumores associados ao tabagismo e ao álcool, esses cânceres costumam atingir pacientes mais jovens e sem os fatores de risco tradicionais. 

Após o diagnóstico, Fernando passou por sessões de quimioterapia e radioterapia. Em maio deste ano, recebeu a notícia mais aguardada: o primeiro PET-CT– exame de alta precisão utilizado para investigar a presença e a extensão de tumores – realizado após o término do tratamento, apontou resposta completa à terapia. 

Hoje, ele segue em acompanhamento médico e compartilha sua experiência como forma de conscientização. 

"Primeiro, é preciso aceitar o diagnóstico. Depois, confiar na equipe, seguir as orientações e continuar lutando. O medo existe, mas não pode ser maior do que a vontade de seguir em frente.” E complementa: "Quando recebemos um diagnóstico de câncer, percebemos que muitos dos problemas do dia a dia deixam de ter importância. Saúde muda tudo. Por isso, não ignore os sintomas. Respeite o seu corpo", finaliza. 

Para Castro, a mensagem é simples: "Suspeitou de alguma lesão ou sintoma persistente? Procure um médico ou dentista e faça a investigação o mais rápido possível. O diagnóstico precoce é o que mais aumenta as chances de sucesso no tratamento", conclui. 


Hospital Sírio-Libanês
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Dia Mundial do Cérebro: neurocirurgião explica cuidados da infância ao envelhecimento


Celebrado em 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro reforça a importância de prevenir doenças neurológicas e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Para o neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP Dr. Fernando Gomes, no entanto, cuidar do cérebro exige uma política pública que acompanhe a população durante toda a vida — e não apenas quando a doença já está instalada. 

O especialista defende a ideia de ações integradas para crianças, adultos e idosos. A proposta parte de uma visão ampla: a saúde cerebral começa no desenvolvimento infantil, passa pela proteção emocional durante a vida adulta e inclui prevenção, diagnóstico e tratamento no envelhecimento.

“Durante muito tempo, esperamos a doença aparecer para começar a cuidar do cérebro. Precisamos inverter essa lógica. Saúde cerebral deve ser tratada como prioridade de Estado, presente na escola, na UBS, no ambiente de trabalho, na família e no atendimento ao idoso”, afirma Fernando Gomes.
 

Na infância: identificação precoce

Reconhecer sinais de autismo, TDAH, atrasos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e alterações comportamentais é uma necessidade urgente. “Quanto mais cedo uma criança é acolhida, avaliada e estimulada, maiores são as chances de desenvolver comunicação, autonomia, aprendizado e qualidade de vida. O que não pode acontecer é a família ficar perdida entre filas, laudos e encaminhamentos que não se conectam”, explica o médico que afirma que ter atenção aos primeiros sinais garante que a criança consiga se tratar e se desenvolver melhor. “O diagnóstico precoce é o que vai abrir a porta para orientação, tratamento, inclusão e suporte à família.”
 

Principais sinais de alerta: atraso na fala, dificuldade de interação social e contato visual, não responder ao nome, movimentos repetitivos, sensibilidade excessiva a estímulos, dificuldade de atenção, hiperatividade, queda no rendimento escolar, dificuldades de aprendizagem, mudanças de comportamento, isolamento, dificuldade para fazer amigos e problemas de coordenação motora.

"O mais importante é observar se esses sinais são persistentes, aparecem tanto em casa quanto na escola e passam a interferir no aprendizado, na convivência e na autonomia da criança. O objetivo não é rotular, mas garantir uma avaliação precoce e o cuidado adequado", destaca o Dr. Fernando Gomes.
 

Adultos: prevenção de doenças emocionais

Cada vez mais o mundo conectado e sobrecarregado de tarefas abre espaços para ansiedade, depressão, burnout, isolamento social, violência, uso abusivo de substâncias e sobrecarga mental.

“Não podemos tratar o adoecimento emocional apenas como um problema individual. Muitas vezes, ele está relacionado às condições de trabalho, à sobrecarga, à falta de acesso ao cuidado e à ausência de uma rede de apoio”, ressalta.

Sinais de alerta: tristeza ou ansiedade persistentes, cansaço constante, alterações no sono, dificuldade de concentração, perda de interesse pelas atividades, esgotamento físico e emocional, queda no desempenho e isolamento social.

"Quando esses sintomas persistem e começam a interferir na rotina, é fundamental buscar ajuda. O diagnóstico e o cuidado precoces fazem toda a diferença", ressalta o Dr. Fernando Gomes.

Segundo o neurocientista, proteger a saúde cerebral do adulto também exige olhar para sono, atividade física, alimentação, vínculos sociais e ambientes de trabalho mais saudáveis.

“Cuidar do cérebro não é apenas tratar uma doença neurológica. É criar condições para que a pessoa possa viver, trabalhar, dormir, se relacionar e envelhecer com equilíbrio.”
 

Idosos: nem toda perda de memória é Alzheimer

O médico alerta que alterações de memória, dificuldade para caminhar, quedas, mudanças de comportamento e perda de independência não devem ser automaticamente atribuídas à idade. “Nem toda perda de memória é Alzheimer. Existem doenças neurológicas que se parecem com demência, mas podem ter tratamento, controle e, em alguns casos, até reversão, quando identificadas a tempo”, afirma.

Sinais de alerta nos idosos: perda de memória que interfere na rotina, dificuldade para caminhar, quedas frequentes, mudanças de comportamento, perda de autonomia e incontinência urinária.

"Esses sintomas não devem ser vistos como parte natural do envelhecimento. Algumas doenças, como a Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN), podem ser tratadas e até revertidas quando diagnosticadas precocemente", alerta o Dr. Fernando Gomes.

“Uma criança acompanhada na escola, um adulto acolhido antes de adoecer gravemente e um idoso diagnosticado corretamente fazem parte da mesma política: cuidar da saúde do cérebro ao longo da vida. O cérebro precisa ser tratado como prioridade desde a infância até o envelhecimento.”



Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Desde 2012 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Link


Mitos e verdades sobre incontinência urinária ajudam mulheres a identificar sinais e buscar tratamento

Uroginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, explica que a perda involuntária de urina não deve ser normalizada e deve ter tratamento individualizado

 

Perder urina ao tossir, espirrar, rir, fazer esforço físico ou sentir uma vontade súbita e incontrolável de ir ao banheiro ainda é uma realidade cercada por silêncio, vergonha e desinformação. A incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina, pode impactar a rotina, a autoestima, a vida social, a prática de atividades físicas e até a sexualidade das mulheres. Apesar disso, muitas pacientes demoram a procurar ajuda por acreditarem que o problema é “normal” após a gestação, com o avanço da idade ou durante a menopausa.

Segundo o Dr. Carlos Del Roy, uroginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, esse é justamente um dos principais desafios no cuidado feminino. “A incontinência urinária é muito mais comum do que se imagina, mas não deve ser tratada como algo natural ou inevitável. Quando a mulher deixa de sair de casa, evita roupas claras, reduz a ingestão de água ou abandona atividades por medo de perder urina, estamos diante de um impacto importante na qualidade de vida”, explica.

O especialista reforça que existem diferentes tipos de incontinência urinária. A chamada incontinência de esforço ocorre, geralmente, quando há perda de urina durante situações que aumentam a pressão abdominal, como tossir, espirrar, rir, carregar peso ou praticar exercícios. Já a incontinência de urgência está relacionada à vontade repentina e difícil de controlar de urinar. Em alguns casos, os dois quadros podem aparecer juntos.

Para esclarecer dúvidas frequentes e estimular as mulheres a buscarem avaliação médica, o Dr. Carlos Del Roy responde a seis mitos e verdades sobre o tema.


1. “Perder urina depois da gravidez é normal”

Mito
A gestação e o parto podem aumentar o risco de alterações no assoalho pélvico, mas isso não significa que a perda de urina deva ser considerada normal ou ignorada. “É comum que algumas mulheres apresentem sintomas após a gestação, mas comum não é sinônimo de normal. Quando há perda urinária, mesmo em pequenas quantidades, é importante investigar”, afirma o uroginecologista.


2. “Incontinência urinária só acontece em mulheres mais velhas”

Mito
Embora o envelhecimento e a menopausa possam estar associados ao enfraquecimento da musculatura pélvica e a alterações hormonais, mulheres jovens também podem apresentar incontinência urinária. Fatores como gestação, parto, obesidade, constipação intestinal, tosse crônica, prática inadequada de exercícios de alto impacto e histórico familiar podem contribuir para o problema.


3. “Segurar a urina por muito tempo pode piorar o quadro”

Verdade
Adiar repetidamente a ida ao banheiro pode prejudicar a percepção adequada dos sinais da bexiga e favorecer hábitos urinários inadequados. Da mesma forma, urinar “por precaução” o tempo todo, sem vontade real, também pode atrapalhar o funcionamento normal da bexiga. “O equilíbrio é importante. A mulher não deve viver refém do banheiro, mas também não deve ignorar sinais persistentes do corpo”, orienta o médico.


4. “Exercícios para o assoalho pélvico podem ajudar”

Verdade
O treinamento dos músculos do assoalho pélvico pode ser uma estratégia importante para reduzir perdas urinárias, desde que seja feito com orientação adequada. Esses exercícios ajudam a melhorar força, resistência, coordenação e controle da musculatura que sustenta bexiga, útero e reto.

“Nem toda mulher consegue contrair corretamente essa musculatura sozinha. Por isso, a avaliação especializada é essencial. Em alguns casos, a fisioterapia pélvica tem papel fundamental no tratamento”, explica o Dr. Carlos Del Roy.


5. “Beber pouca água melhora a incontinência”

Mito
Reduzir drasticamente a ingestão de líquidos pode parecer uma solução, mas pode causar outros problemas, como urina mais concentrada, maior irritação da bexiga e risco de infecções urinárias. “Muitas mulheres começam a beber menos água para evitar escapes, mas isso não trata a causa do problema. O ideal é avaliar o padrão urinário, os sintomas e os hábitos da paciente”, afirma o especialista.


6. “Incontinência urinária tem tratamento”

Verdade
O tratamento depende do tipo e da intensidade dos sintomas, além da idade, histórico de saúde, rotina e expectativas da paciente. As opções podem incluir mudanças comportamentais, fisioterapia pélvica, reeducação vesical, medicamentos e, em situações específicas, procedimentos ou cirurgia. Para quadros de urgência, por exemplo, podem ser indicadas orientações comportamentais, fisioterapia, medicamentos e outras abordagens em casos refratários.

“Hoje temos um arsenal terapêutico amplo. O mais importante é que a mulher saiba que não precisa conviver com o problema em silêncio. O tratamento deve ser individualizado e pensado de acordo com a realidade de cada paciente”, reforça o médico.

Além dos sintomas físicos, a incontinência urinária carrega um peso emocional importante. Muitas mulheres sentem vergonha de falar sobre o assunto, inclusive durante consultas médicas. Algumas deixam de viajar, fazer atividade física, ter relações sexuais ou participar de eventos sociais por medo de acidentes. Para o Dr. Carlos Del Roy, quebrar esse tabu é parte fundamental do cuidado.

“A incontinência urinária ainda é um tema cercado por constrangimento, mas precisa ser tratado com naturalidade, acolhimento e informação. Muitas mulheres sofrem por anos antes de buscar ajuda, quando poderiam ter melhora importante com o acompanhamento correto. Existe solução, existe tratamento e, acima de tudo, existe cuidado pensado para que essa mulher se sinta segura para falar sobre o que está vivendo”, conclui.



Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

 

Principal causa de cegueira tratável, catarata afeta 25% dos brasileiros acima de 50 anos

Oftalmologista alerta que esperar a doença avançar prejudica a qualidade de vida e torna o procedimento mais arriscado; diagnóstico precoce permite corrigir até graus antigos de visão

 

A catarata atinge cerca de 25% dos brasileiros com mais de 50 anos, o que representa mais de 14 milhões de pessoas, segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de cegueira tratável no mundo, a doença ainda esbarra em desafios que vão além do envelhecimento populacional: o diagnóstico tardio e a desinformação. Um dos principais obstáculos é a crença popular de que é necessário esperar a catarata "amadurecer" para realizar a cirurgia, um mito que atrasa o tratamento e aumenta os riscos para o paciente.

"Essa ideia vem da época em que a técnica cirúrgica era mais rudimentar e a catarata muito avançada facilitava a remoção, já que o cristalino era retirado inteiro", explica o Dr. Hallim Féres Neto, oftalmologista, diretor da Prisma Visão e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). "Hoje é o contrário: a catarata 'madura' demais torna a cirurgia mais trabalhosa, aumenta o tempo de ultrassom e o risco de complicações. A indicação atual é funcional, operamos quando a catarata começa a atrapalhar a vida do paciente, seja para dirigir, ler ou trabalhar."

Os primeiros sinais de que a visão está sendo comprometida incluem embaçamento que não melhora com a troca dos óculos, sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir à noite, cores desbotadas e trocas frequentes de grau. Adiar a busca por ajuda médica ao notar esses sintomas tem impacto direto na qualidade de vida e na segurança."A catarata muito avançada endurece, exigindo mais energia de ultrassom na cirurgia e aumentando o risco de complicações. Em casos extremos, pode causar glaucoma e inflamação ocular", alerta o médico. Ele lembra ainda que estudos mostram que idosos com catarata não operada sofrem mais quedas, fraturas e isolamento social. "Não faz sentido adiar quando há indicação", pontua.

Além de reverter a perda de visão substituindo a lente natural opaca (cristalino) por uma lente artificial transparente, a cirurgia moderna tornou-se também uma oportunidade para a correção de erros refrativos. Durante o procedimento, é possível corrigir graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia (vista cansada) que o paciente carregou a vida inteira.

"Muitos pacientes enxergam melhor depois da cirurgia do que enxergavam com óculos antes da catarata", destaca o Dr. Hallim. Ele pondera, no entanto, que o objetivo realista é alcançar a melhor visão possível para a faixa etária do paciente, e não "devolver a visão dos 20 anos de idade". Além disso, pessoas com doenças na retina, glaucoma avançado ou córneas muito irregulares geralmente não são boas candidatas às lentes multifocais, tendo como prioridade a qualidade visual e não a independência total dos óculos.

Para garantir o melhor resultado, a definição da lente intraocular exige uma avaliação minuciosa e personalizada. "É uma decisão conjunta entre médico e paciente. Do lado técnico, avaliamos exames como biometria, topografia da córnea e saúde da retina. Do lado pessoal, entram o estilo de vida e as prioridades do paciente: quem dirige muito à noite tem necessidades diferentes de quem passa o dia lendo ou no computador", detalha o oftalmologista.

O mercado oferece opções que vão desde as lentes monofocais até as de foco estendido (EDOF) e trifocais, cada uma com vantagens e limitações específicas em relação ao alcance visual e a possíveis efeitos noturnos, como halos de luz. "O paciente precisa entender todos os detalhes antes da cirurgia, não depois", conclui o especialista. 



Dr. Hallim Féres Neto - Oftalmologista Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Instagram: drhallim
Portal: https://www.drhallim.com.br


Clareamento dental com receitas caseiras pode danificar os dente

Especialista alerta para os riscos das tendências que viralizam nas redes sociais e reforça que o procedimento deve ser feito com acompanhamento profissional

 

Bicarbonato de sódio, carvão ativado, casca de banana, óleo de coco e até misturas com limão. Nas redes sociais, especialmente no TikTok, receitas caseiras prometem dentes mais brancos em poucos dias e acumulam milhões de visualizações. O problema é que, por trás da promessa de um sorriso perfeito, muitos desses métodos podem provocar desgaste do esmalte dentário, aumento da sensibilidade e outros danos que, em alguns casos, são irreversíveis. 

A busca por dentes mais claros está diretamente ligada à autoestima e à estética. No entanto, especialistas alertam que o clareamento dental é um procedimento que exige avaliação profissional e não deve ser substituído por receitas encontradas na internet. 

Segundo Renato Machado, coordenador do curso de Odontologia da Universidade São Judas, integrante do maior e mais inovador ecossistema de educação de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, o principal risco das chamadas receitas milagrosas é que elas utilizam substâncias abrasivas ou ácidas, capazes de comprometer a estrutura do dente. "Muitas pessoas acreditam que, por serem ingredientes naturais ou de fácil acesso, eles não oferecem riscos. Mas isso não é verdade. O uso inadequado pode desgastar o esmalte dentário, provocar sensibilidade, favorecer o aparecimento de trincas e até aumentar o risco de cárie ao longo do tempo", explica. 

O especialista ressalta que nem todo dente pode ser submetido ao clareamento sem uma avaliação prévia. Antes de iniciar qualquer tratamento, é necessário verificar a presença de cárie, infiltrações em restaurações, retração gengival ou outras alterações que possam comprometer a segurança do procedimento. "O clareamento não é uma técnica padronizada para todos. Cada paciente apresenta características diferentes, e somente o cirurgião-dentista consegue indicar o método mais adequado e acompanhar sua evolução", afirma. 

Outro ponto importante é que o clareamento profissional acontece de forma gradual. O objetivo é permitir que o dente responda ao tratamento sem sofrer agressões desnecessárias, reduzindo a ocorrência de sensibilidade e preservando a saúde bucal. "O resultado não aparece da noite para o dia. Existe um tempo biológico que precisa ser respeitado para que o clareamento ocorra de forma segura. Tentar acelerar esse processo, seja aumentando o tempo de aplicação dos produtos ou recorrendo a receitas caseiras, pode causar exatamente o efeito contrário ao esperado", destaca Machado. 

Para quem deseja conquistar um sorriso mais branco com segurança, o professor recomenda alguns cuidados importantes: 

  • Evite utilizar receitas caseiras ou produtos sem registro e orientação profissional. 
  • Não misture substâncias como bicarbonato, limão, carvão ativado ou água oxigenada na tentativa de clarear os dentes. 
  • Procure um cirurgião-dentista antes de iniciar qualquer tratamento estético. 
  • Siga corretamente o tempo de uso e as orientações quando o clareamento for realizado com moldeiras supervisionadas. 
  • Mantenha uma boa higiene bucal e reduza o consumo excessivo de café, vinho tinto, refrigerantes à base de cola e cigarro, que favorecem o escurecimento dos dentes. 

O coordenador explica ainda que muitos pacientes acreditam que quanto mais branco o dente ficar, melhor será o resultado. No entanto, o objetivo do clareamento é recuperar a tonalidade natural do sorriso, preservando a estrutura dentária e a saúde da boca. "Um sorriso bonito é consequência de dentes saudáveis. O clareamento deve ser encarado como um procedimento de saúde e estética, nunca como uma solução improvisada. Antes de seguir qualquer dica das redes sociais, vale lembrar que alguns minutos de um vídeo podem resultar em problemas que exigirão meses de tratamento odontológico", conclui. 

 

São Judas

Ânima Educação


Juros seguem elevados no Boletim Focus e reforçam o pior cenário de crédito da América Latina, aponta UBS B

Manutenção dos juros e crédito mais restrito reforçam alerta para organização financeira no segundo semestre


O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central confirmou a manutenção de um ambiente de juros elevados no país. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 14% ao ano, na divulgação anterior, enquanto a projeção para o IPCA recuou de 5,33% para 5,30%, permanecendo acima do centro da meta de inflação. O resultado reforça a expectativa de que o custo do crédito continue elevado pelos próximos meses, mantendo a pressão sobre consumidores e empresas.

A perspectiva se soma a um retrato que já preocupa especialistas. Um estudo divulgado pelo UBS BB apontou que o Brasil apresenta, atualmente, a pior dinâmica de crédito da América Latina, resultado da combinação entre juros altos, maior seletividade das instituições financeiras e dificuldades na capacidade de pagamento de famílias e empresas. Ao mesmo tempo, o ambiente inflacionário continua pressionando o orçamento dos brasileiros, reduzindo o poder de compra e limitando a capacidade de organização financeira.

"Esse retrato é preocupante porque mostra que o Brasil chega a esse novo ciclo com o crédito já em situação frágil. Ou seja, o encarecimento do crédito não está incidindo sobre uma economia equilibrada, mas sobre um sistema que já opera no limite", afirma Rodrigo Mandaliti, presidente do IGEOC.

Segundo o especialista, o principal risco desse cenário é a naturalização do endividamento como estratégia para compensar a perda de renda causada pela inflação. "Quando os preços sobem e o crédito fica mais caro, muitas famílias recorrem ao cartão de crédito ou a outras linhas de financiamento para equilibrar as contas do mês. O problema é que, frequentemente, uma dificuldade momentânea acaba se transformando em um compromisso financeiro ainda maior no futuro. Por isso, a recomendação é revisar o orçamento, priorizar a quitação de dívidas mais caras e evitar o uso recorrente de crédito emergencial sempre que possível", explica.

Os efeitos também atingem diretamente o setor produtivo, especialmente pequenas e médias empresas que dependem de capital de giro para manter operações ou financiar investimentos. Com recursos mais caros e maior rigor na concessão, o planejamento financeiro passa a ser ainda mais importante.

"Empresas que planejam expansão ou renovação de dívidas precisam simular diferentes cenários de taxa antes de fechar operações, já que um ciclo de juros elevados por mais tempo altera significativamente a equação de custo e retorno de qualquer investimento financiado", destaca.

Diante de um mercado de crédito considerado o mais pressionado da América Latina e de projeções que mantêm a Selic em patamar elevado, especialistas defendem uma postura de cautela. Para Mandaliti, o momento exige organização financeira.

"Agora, é preciso tomar decisões concretas de planejamento financeiro. Quem está com dívidas em aberto deve buscar renegociação antes que o custo suba ainda mais, e quem pensa em financiar algo deve avaliar se pode esperar um cenário de juros mais favorável. Adiar essa análise só aumenta o risco de comprometer o orçamento por um período ainda mais longo", conclui.

 

Instituto GEOC


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