Sedentarismo, ausência de aquecimento e
excesso de esforço aumentam o risco de lesões graves nos tradicionais jogos
entre amigos, alerta ortopedista do Hospital São José
A tradicional "pelada" de fim
de semana é um dos esportes favoritos dos brasileiros. No entanto, fora das
competições profissionais e dentro dos campos amadores, uma simples partida
pode representar o único momento de atividade física da semana para muitos
brasileiros.
Após passar dias inteiros em frente ao
computador ou sentado no escritório, o corpo pode ser submetido a movimentos
intensos em uma partida de futebol, que incluem arrancadas, mudanças bruscas de
direção e disputas de bola que podem resultar em lesões importantes. Segundo o
ortopedista do Hospital São José, Dr. Robson Pinto, o esporte é uma preocupação
importante nos consultórios médicos.
“Os riscos osteomusculares são enormes,
já que muitos praticantes não fazem nenhum outro exercício físico além do
futebol durante a semana. Além disso, riscos cardiológicos são muito grandes
também para pessoas sedentárias entre os 35 e 50 anos. A atividade física
regular é sempre a melhor alternativa para diminuir estes riscos”, afirma o
ortopedista.
Entre os problemas mais frequentes estão
as lesões nos joelhos, que concentram boa parte dos atendimentos após partidas
recreativas. De acordo com o médico, os músculos da parte anterior e posterior
da coxa também são bastante afetados, principalmente devido à exigência de
força e explosão durante o jogo. “As lesões mais frequentes são na articulação
dos joelhos. Também observamos muitas lesões dos músculos anteriores e
posteriores da coxa e lesões ligamentares, que muitas vezes exigem cirurgia,
longo tempo de recuperação e meses de fisioterapia”, completa o Dr. Robson.
Além do sedentarismo, outro fator
importante para lesões está na ausência de aquecimento prévio antes de realizar
os exercícios. Mesmo entre jogadores experientes, ainda é comum entrar em campo
logo após chegar ao local da partida, sem qualquer preparação física. O hábito
aumenta significativamente o risco de distensões e estiramentos musculares.
Para o ortopedista do Hospital São José, o aquecimento e alongamento adequados
são indispensáveis antes do início da partida.
Uma torção no tornozelo, uma fisgada na
coxa ou uma dor intensa no joelho são situações comuns nas partidas entre
amigos. Nesses casos, insistir em permanecer em campo também pode agravar o
problema. "O ideal é interromper totalmente a atividade, fazer repouso e
aplicar gelo no local da lesão. Parar logo no início dos sintomas pode evitar
lesões mais severas”, recomenda o especialista. O médico lembra, no entanto,
que nem sempre o organismo consegue emitir sinais antes que a lesão aconteça.
Embora pequenas dores possam melhorar
com repouso, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica imediata,
como o surgimento de edemas (inchaço) nas articulações, hematomas e a
incapacidade de se apoiar sobre o membro lesionado.
Para quem não abre mão da partida de
sábado ou domingo, a principal recomendação é manter uma rotina de atividade
física ao longo da semana, realizar aquecimento antes dos jogos e respeitar os
limites do corpo. “O esporte amador, quando bem orientado, deve ser estimulado
por todos os profissionais de saúde. Para evitar lesões osteomusculares e
cardiológicas, é importante realizar consultas com especialistas. Para atletas
entre 35 e 50 anos, essa avaliação deveria ser obrigatória, evitando muitas
alterações indesejadas”, conclui o Dr. Robson Pinto.
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