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quinta-feira, 18 de junho de 2026

O perigo do esquecimento histórico para a democracia

Quando uma sociedade não se lembra de suas violências, ela perde a capacidade de reconhecer os sinais de sua repetição 

 

Hoje, podemos acessar as histórias e lutas de muitos de nossos ancestrais europeus, africanos e indígenas graças à tradição oral que possuíam, de repassar suas lendas, crenças, culturas, leis e memórias de geração em geração, e, com o surgimento da escrita, algumas foram registradas posteriormente em livros.   

Somadas às tradições orais, a paleontologia e a arqueologia contribuem também para a formação da identidade dos povos, com suas diferenças e características próprias, definindo de fato quem são: a sua personalidade, às quais tribos pertencem, quais lutas empreenderam, quais erros cometeram e que levaram a tragédias, principalmente contra a própria liberdade, a vida e a autorrealização.  

Na ponta encontram-se os museus. Dados da Unesco mostram que hoje existem cerca de 104 mil museus em todo o mundo. Em 1975, eram apenas 22 mil. Esse crescimento tem demonstrado a importância de se lutar contra o esquecimento e preservar a memória não só com acervos artísticos, documentos e coleções científicas, mas também com peças de passados obscuros. É o caso do museu de Auschwitz-Birkenau (Polônia), instalado no local onde existiu o maior campo de extermínio nazista, hoje transformado em memorial para que ninguém se esqueça das atrocidades ali cometidas em nome do totalitarismo, recebendo atualmente mais de 2 milhões de visitantes por ano.  

Sobre o totalitarismo, a filósofa e escritora Hannah Arendt (1906–1975), nascida alemã, mas de origem judia, escreveu em seu livro “As origens do totalitarismo”: “O ideal do governo totalitário é transformar os homens em algo de tal modo desumanizado que eles se tornam incapazes de distinguir entre fato e ficção, entre verdade e mentira”.  

No Brasil, temos o Memorial da Resistência de São Paulo, localizado no mesmo edifício onde funcionou o Deops/SP (Departamento de Ordem Política e Social), fundado em 1924 e extinto aos poucos ao longo da década de 1980. Em 2015 foi criado o Memorial da Democracia, um museu virtual que registra casos de repressão política no Brasil e que trata o golpe militar de 1964 como “a maior tragédia histórica da política brasileira com mais de 400 brasileiros mortos pelos órgãos de repressão e outros milhares torturados, com direitos de expressão e de manifestação suprimidos”. 

Enfim, deixo aqui a reflexão de um filósofo da atualidade, o Elias Dourado, mestre em Filosofia e doutor em Comunicação Social pela Universidade de Brasília (UnB): “O esquecimento é perigoso porque ele não apaga apenas fatos antigos. Ele reorganiza o presente. Quando uma sociedade esquece suas violências, ela perde a capacidade de reconhecer os sinais de sua repetição. O passado não volta exatamente igual, mas retorna por máscaras novas: discursos autoritários, naturalização da desigualdade, desprezo pelos direitos humanos, perseguição de minorias, violência política, racismo, revisionismos e ataques às instituições democráticas. Por isso, preservar a memória histórica não é culto ao passado. É uma forma de proteger o futuro”. 

Eis, portanto, porque o esquecimento histórico é muito perigoso para a democracia. 

  

Maria Félix Fontele - jornalista, escritora e autora de “Labirintos do caos”, livro de contos de ficção especulativa que reflete sobre as relações entre memória e esquecimento no Brasil.

 

Menos itens no carrinho mudam a lógica operacional dos supermercados

  Empresários do setor intensificam controle de custos e revisão de estoques para enfrentar o consumo mais cauteloso 

 

A alta dos preços dos alimentos voltou a pressionar a operação dos supermercados brasileiros. Em março, o grupo alimentação e bebidas subiu 1,56% e teve um dos maiores impactos sobre a inflação oficial do país, segundo o IBGE. Ao mesmo tempo, embora o consumo dentro dos lares siga em crescimento, o comportamento de compra mudou, com consumidores mais sensíveis a preço, mais seletivos nas escolhas e com menor disposição para compras volumosas. 

Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, a reação do setor tem exigido ajustes operacionais rápidos e decisões mais estratégicas. “O supermercadista precisou abandonar qualquer lógica automática de operação. Não basta vender mais fluxo. Hoje, a sobrevivência está ligada à capacidade de entender o novo comportamento do consumidor e adaptar a loja com rapidez, sem perder margem”, afirma.


Operação mais enxuta e decisões mais estratégicas

O consumidor continua comprando, mas leva menos itens, comparam mais preços, substituem marcas e distribuem melhor os gastos ao longo do mês. Para os supermercadistas, isso reduz previsibilidade, pressiona margens e exige respostas mais rápidas na operação. Estratégias baseadas apenas em volume perderam força, abrindo espaço para uma gestão mais criteriosa sobre estoque, precificação e eficiência operacional.

Na prática, a principal mudança para o empresário está na forma de interpretar o desempenho da operação, loja cheia já não significa necessariamente bom resultado financeiro. Com tickets mais pressionados e comportamento de compra mais fragmentado, a rentabilidade passou a depender menos do fluxo e mais da capacidade de ajustar rapidamente decisões comerciais e operacionais conforme a movimentação real do consumidor.

Diante desse movimento, Márcio reúne algumas dicas de ajustes práticos para aliviar a pressão e facilitar a vida do empresário no cenário atual.

  1. Revisar mix e estoques
    Com compras mais seletivas, manter produtos de baixo giro ou com rentabilidade comprometida passou a representar custo maior, a revisão do sortimento busca reduzir desperdícios e melhorar o aproveitamento do capital de giro.
  2. Ajustar precificação com mais frequência
    A volatilidade nos preços dos alimentos exige revisões comerciais mais constantes para evitar perda de margem e manter competitividade diante de um consumidor altamente sensível a preço.
  3. Reforçar controle sobre custos e desperdícios
    Perdas operacionais que antes tinham impacto diluído passaram a pesar mais no resultado. Energia, logística, vencimentos, rupturas e despesas internas entraram com mais força no radar da gestão.
  4. Investir em fidelização e promoções mais estratégicas
    Com menor espaço para descontos generalizados, redes têm buscado ações mais direcionadas para aumentar a recorrência e estimular compras sem comprometer a rentabilidade.


Margem virou indicador de sobrevivência 

Segundo Goulart, o erro de parte do setor foi acreditar que o aumento no fluxo de consumidores significaria melhora automática no caixa. “Muitas lojas seguem cheias, mas com tickets pressionados e compras mais fragmentadas. Se o empresário olha apenas movimentação e não acompanha margem, ruptura, giro e custo operacional, pode ter uma falsa percepção de crescimento.”

A mudança também exige decisões menos intuitivas e mais baseadas em indicadores de operação. Para o especialista, o comportamento do consumidor impôs uma nova lógica ao setor. “Quem continuar operando como se estivesse em outro momento econômico tende a perder competitividade de forma silenciosa”, conclui. 

  


Márcio Goulart - diretor da Meta Assessoria Empresarial e atua na liderança das frentes de tecnologia e processos da empresa. Ao longo dos últimos anos, foi um dos responsáveis pela modernização da operação, com a implementação de automações e soluções que ampliaram a eficiência e a capacidade de atendimento. Sua atuação está voltada à conexão entre tecnologia e gestão, apoiando empresários na organização de dados, na melhoria de processos e na tomada de decisão. Com foco em resultado, trabalha no desenvolvimento de estruturas que permitam maior previsibilidade, controle e crescimento sustentável nos negócios.
Para mais informações, acesse instagram


Meta Assessoria Empresarial
Para mais informações, acesse o site metassessoria.



Fontes de pesquisa

IBGE
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/46378-transportes-e-alimentacao-elevam-o-ipca-de-marco-para-0-88


Kantar


Brasil tem 17,9 milhões de pessoas com perfil viajante; 8 em cada 10 buscam milhas, aponta Serasa Experian


• Levantamento da área de Marketing Solutions da datatech mostra que, apesar da queda no volume de viajantes, o público está mais planejado, digital e atento a benefícios;

• Público com propensão a resgate de milhas avançou 31,7 p.p. em relação a 2025, enquanto mais da metade dos viajantes já se enquadra no perfil de “caçadores de desconto”;

• Estudo também revela maior presença de consumidores maduros e diferentes oportunidades para marcas de turismo, de pacotes promocionais a experiências premium 

 

O Brasil tem 17,9 milhões de pessoas com perfil viajante, segundo novo levantamento da área de Marketing Solutions da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Realizado por meio do Insights Hub, plataforma que transforma dados comportamentais, socioeconômicos, de afinidade e de capacidade de pagamento em inteligência acionável para marcas, o estudo identifica audiências estratégicas e apoia campanhas mais precisas. Embora o total tenha recuado 6% em relação à edição de 2025, quando o levantamento era de 19 milhões de brasileiros, o estudo revela um público mais qualificado financeiramente e mais planejado na forma de consumir viagens. 


Em 2026, os viajantes brasileiros reforçam a busca por economia e conveniência digital: 8 em cada 10 têm afinidade com resgate de milhas, número quase duas vezes maior frente a 2025. Já os “caçadores de desconto” representam 53,9% do público com propensão a viajar, avanço de 22,1 p.p. em relação ao ano anterior. O comportamento online também segue consolidado, com 91,7% demonstrando propensão a compras digitais, patamar praticamente estável ante 2025 (92,2%) e que mantém o digital como canal central para pesquisa, comparação e contratação de serviços de turismo. Confira abaixo o comparativo entre os resultados de 2026 e 2025:

 


“Os dados indicam que o viajante brasileiro está mais estratégico na forma de consumir turismo, planejando melhor suas escolhas, comparando oportunidades e combinando conveniência digital com a busca por benefícios, como milhas e descontos. Para as marcas, esse comportamento reforça a importância de ir além da afinidade com viagens e usar inteligência de dados para entender capacidade de pagamento, momento de consumo e preferências, criando ofertas mais relevantes, personalizadas e com maior potencial de conversão”, afirma a CMO e Vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, Giovana Giroto.

 

Segundo a executiva, o crescimento dos perfis que buscam descontos e fazem resgate de milhas indica um consumidor mais planejado e abre oportunidades para companhias aéreas, redes hoteleiras, agências, plataformas de turismo e programas de fidelidade. “Hoje, não basta identificar quem tem intenção de viajar. É preciso entender como esse consumidor se comporta, qual é sua capacidade de pagamento e quais benefícios fazem sentido para ele. Esse olhar permite que marcas criem campanhas mais eficientes, reduzam dispersão de mídia e aumentem a chance de conversão com ofertas realmente relevantes”, complementa a executiva da datatech.


 

Perfil geracional fica mais maduro em 2026

 

A análise etária mostra que os Millenials (geração Y) seguem como os mais representativos entre os viajantes, com 39,5% da base em 2026, apesar da leve queda de 1,1 p.p. frente ao ano anterior. Já a Geração X avançou de 25,0% para 26,4%, e os Boomers, de 13,4% para 15,5%, enquanto a Geração Z recuou 2,2 p.p. O comparativo indica uma maior presença de públicos maduros, perfil que tende a combinar mais estabilidade financeira e planejamento na hora de viajar. Confira os dados por geração:

 

 

Renda e capacidade de pagamento revelam diferentes perfis de oportunidade


O recorte financeiro dos viajantes em 2026 mostra uma base heterogênea, com espaço tanto para ofertas acessíveis quanto para produtos de maior valor agregado. Embora a maior faixa de renda seja a de consumidores com ganhos acima de R$ 10 mil mensais, que representam 32,5% do público analisado, a capacidade de pagamento mostra um comportamento mais distribuído: 38,8% têm disponibilidade de até R$ 1 mil, enquanto 25,3% apresentam capacidade acima de R$ 5 mil. Segundo Giroto, os dados indicam que renda mais alta não elimina a busca por planejamento, comparação e adequação da oferta ao orçamento disponível.

 

Essa combinação reforça a importância de segmentar o público viajante para além do interesse em turismo. De um lado, mais da metade (53,3%) tem capacidade de pagamento de até R$ 2 mil, o que abre espaço para campanhas com foco em pacotes promocionais, parcelamento, milhas e benefícios. De outro, quase quatro em cada dez viajantes têm renda acima de R$ 8 mil, o que favorece estratégias voltadas a experiências premium, viagens internacionais, hospedagens diferenciadas e ofertas personalizadas. Confira abaixo o detalhamento de renda e capacidade de pagamento:

 



 


Metodologia

A pesquisa “Perfil Viajante 2026” foi realizada com base em uma amostra de 17.875.489 pessoas com perfil viajante, em uma base de mais de 188 milhões de CPFs. A metodologia envolveu o cruzamento de dados comportamentais, de afinidade, socioeconômicos e de capacidade de pagamento por meio do Insights Hub, solução de inteligência da Serasa Experian. Todas as informações foram tratadas conforme as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

 

Experian
experianplc.com


A Nova Lei do Seguro e os rumos regulatórios do mercado securitário brasileiro


A Lei nº 15.040/2024 inaugura uma nova organização normativa para os contratos de seguro e recoloca em pauta o debate sobre previsibilidade, transparência e alcance da proteção securitária no país.

 

O seguro é a prática secular que nunca envelheceu, ele permanece relevante. Uma das atividades econômicas mais antigas da civilização, com registros que remontam a vários séculos antes da era moderna, quando comerciantes já buscavam dividir os riscos das viagens marítimas e das trocas comerciais. O que começou como um mecanismo rudimentar de proteção entre navegadores e mercadores atravessou épocas, revoluções industriais, transformações tecnológicas e crises globais. O seguro não apenas sobreviveu, mas evoluiu.

 

Longe de ser uma instituição ultrapassada, ele se reinventa continuamente. Hoje, é uma sofisticada engenharia de gestão de riscos, apoiada em dados, tecnologia e modelos atuariais avançados, sustentando silenciosamente decisões econômicas, investimentos e a estabilidade de famílias e empresas.

 

Por que uma nova lei?

 

Em um contexto marcado por transformações tecnológicas, uso intensivo de dados, inteligência artificial e crescente padronização contratual, o Direito Securitário passou a conviver com novas dinâmicas operacionais e desafios interpretativos. O setor de seguros, pela sua relevância econômica e complexidade técnica, já operava apoiado em normas esparsas, regulações infralegais e entendimentos jurisprudenciais consolidados.

 

A Lei do Novo Marco Legal do Seguro surge nesse cenário como um movimento de organização normativa. Sem substituir o Código de Defesa do Consumidor ou alterar a orientação firmada pelos tribunais superiores, o novo diploma estabelece uma base legal específica para o contrato de seguro, oferecendo um referencial mais sistematizado para a interpretação de direitos, deveres e limites contratuais.

 

Previsibilidade regulatória e organização normativa

 

A possível redução de cláusulas ambíguas e de interpretações indefinidas tem capacidade de impactar a dinâmica da litigiosidade no setor, ao oferecer critérios mais objetivos para a leitura das obrigações contratuais.

 

A previsibilidade, além de conceito jurídico, possui reflexos diretos na dinâmica econômica do setor. Em um ambiente que depende de análise de dados, subscrição digital e padronização contratual, a segurança normativa se relaciona à eficiência operacional e à coerência das relações contratuais. 

 

Boa-fé, transparência e redução de ambiguidades

 

Entre os pilares do novo marco está a consagração explícita da boa-fé objetiva como dever permanente das partes, aplicável às fases pré-contratual, contratual e pós-contratual.

 

A norma fortalece os deveres informacionais, impactando diretamente a análise e aceitação do risco, a troca de informações relevantes e a regulação de sinistros. A transparência passa a ter contornos mais objetivos, especialmente na redação das apólices, na delimitação das coberturas e na fundamentação de negativas.

 

A redução de cláusulas ambíguas e de interpretações indefinidas pode impactar a dinâmica da litigiosidade no setor, ao oferecer critérios mais objetivos para a leitura das obrigações contratuais.

 

Mudanças práticas no funcionamento do contrato de seguro

 

A lei introduz avanços procedimentais relevantes. O prazo máximo de 25 dias para aceitação ou recusa da proposta, com previsão de aceitação tácita na ausência de manifestação, confere maior segurança à fase pré-contratual e impõe mais sistematização aos processos de subscrição.

 

A distinção entre indenização securitária e despesas de salvamento estabelece que gastos razoáveis para evitar ou mitigar o dano não se confundem automaticamente com o limite indenizatório, salvo previsão contratual, reduzindo controvérsias recorrentes na regulação de sinistros.

 

Além disso, a possibilidade de ação direta do terceiro prejudicado contra a seguradora, especialmente nos seguros de responsabilidade civil, consolida entendimento já sedimentado na jurisprudência e traz maior coerência ao sistema.

 

Rumos institucionais e alcance social do seguro

 

A depender de sua interpretação e aplicação, a nova lei insere-se em um processo mais amplo de evolução do mercado segurador, relacionado ao desafio de ampliar o alcance da cobertura securitária no país.

 

A experiência histórica mostra que sociedades que escolhem lidar de forma estruturada com seus riscos desenvolvem maior capacidade de planejamento e estabilidade. Elementos que, associados à organização econômica de longo prazo, poderão contribuir para um Brasil mais próspero. 

 

Marina Mota Pigatto - Diretora de Expansão do Grupo Caburé Seguros, onde atua há quase dez anos, liderando estratégias de crescimento e inovação. É bacharel em Direito, com formação em negociação e contratos, e especialização em Leadership & Business com foco em Transformação Digital pela Universidade de Stanford. Participou da criação do primeiro aplicativo de Seguro de Vida do Brasil, premiado como inovação do setor, e hoje conduz iniciativas que atendem mais de 2,3 milhões de segurados em todo o país.



Muito além da neve: lagos revelam outro lado do inverno em Bariloche


Destino argentino revela como o ciclo da natureza une montanhas brancas e navegações panorâmicas em uma única e surpreendente experiência de viagem

 

Durante o inverno, é fácil associar Bariloche apenas à neve, imaginar montanhas totalmente cobertas de gelo, estações de esqui e paisagens brancas. Mas existem outros protagonistas que transformam a experiência na Patagônia argentina e que ainda passam despercebidos por muitos visitantes: os lagos e rios. 

Espalhados entre montanhas nevadas e florestas andinas, eles revelam um lado menos comentado do destino. Enquanto a neve atrai os turistas, são as águas cristalinas do Nahuel Huapi e de outros lagos da região que proporcionam algumas das experiências mais marcantes da viagem, como navegações panorâmicas, gastronomia à beira d'água, caminhadas contemplativas e cenários onde a água pode ser observada em diferentes estados da natureza. 

O contraste ajuda a explicar o fascínio. A mesma água que cai em forma de neve sobre a Cordilheira dos Andes alimenta os lagos que moldam a paisagem patagônica. É justamente essa convivência entre neve, gelo e água que cria um cenário raro, capaz de oferecer ao visitante duas das principais atrações do inverno em uma única experiência. 

Segundo o Emprotur (Ente Misto de Promoção Turística de Bariloche), cresce a procura por atividades que vão além dos esportes de inverno. Passeios lacustres, experiências gastronômicas exclusivas e roteiros de contemplação ganham espaço entre os visitantes brasileiros, especialmente aqueles que viajam em família, casais ou grupos em busca de uma viagem mais completa. 

"Os lagos são parte essencial da identidade de Bariloche. Durante o inverno, eles oferecem uma perspectiva diferente da Patagônia, com paisagens e experiências que unem natureza, tranquilidade e exclusividade", afirma Eric Guzmán, presidente do Emprotur Bariloche.

 

Experiências sobre as águas

Entre as atividades mais procuradas está a navegação pelo Lago Nahuel Huapi, que permite conhecer diferentes pontos da região, incluindo ilhas, bosques e mirantes naturais. O passeio oferece uma visão privilegiada da Cordilheira dos Andes e das montanhas cobertas de neve. 

Entre os roteiros mais tradicionais está a excursão para a Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes, onde os visitantes percorrem trilhas em meio a uma floresta única, conhecida pelos característicos troncos de coloração canela. Durante o inverno, o contraste entre a vegetação e as montanhas nevadas cria cenários propícios para fotos diferenciadas. 

Outra opção é o passeio para Puerto Blest e a Cascada de los Cántaros, combinado com a navegação pelo Lago Frías. O roteiro permite conhecer uma das áreas mais preservadas do Parque Nacional Nahuel Huapi, cercada por florestas andinas e águas de tonalidade esverdeada, resultado da presença de minerais provenientes dos glaciares da região. 

Para quem busca experiências menos convencionais, a exploração do Brazo Tristeza oferece uma imersão em áreas de natureza praticamente intocada. 

Já os visitantes que desejam exclusividade encontram a possibilidade de realizar passeios em veleiros privados, a experiência combina contemplação, conforto e vistas privilegiadas da paisagem patagônica.

 

Inverno além das pistas

A diversidade de experiências contribui para ampliar o tempo de permanência dos turistas na cidade. Muitos visitantes combinam dias de esqui e snowboard com passeios lacustres, circuitos gastronômicos, visitas a cervejarias artesanais e atividades de bem-estar. 

“A tendência acompanha uma mudança no perfil do viajante, que busca destinos capazes de oferecer diferentes formas de aproveitar a temporada de inverno. Em Bariloche, os lagos cumprem esse papel ao proporcionar momentos de desaceleração e contato profundo com a natureza”, confirma Guzmán. 

Com conectividade aérea recorde para a temporada de inverno, Bariloche terá voos diretos a partir de São Paulo (Guarulhos e Campinas), Belo Horizonte e Porto Alegre. A oferta inclui mais de 30 frequências semanais e aumento de operações em companhias como LATAM, Azul, GOL e Aerolíneas Argentinas, ampliando o acesso dos brasileiros ao destino. Com isso, a expectativa é que milhares de visitantes descubram que o inverno em Bariloche vai muito além da neve. Entre montanhas, lagos glaciais e bosques centenários, a cidade reafirma sua posição como um dos destinos mais completos da América do Sul.

  

Emprotur Bariloche  

 

Geolocalização no celular vira estratégia para levar consumidores de volta às lojas físicas

 Geolocalização no celular vira estratégia para levar consumidores de volta às lojas físicas 

 

Solução desenvolvida pela Ótima Digital para a rede de moda Eskala combinou imagens de coleções e segmentação por localização para ampliar o fluxo nas unidades físicas 

 

Uma mensagem na palma da mão com a coleção mais próxima, enviada no momento em que o público estava a poucos quilômetros da loja. Essa foi a iniciativa que levou a taxa de conversão da rede Eskala a 51% com ROI 18% superior aos envios de SMS utilizados anteriormente pela varejista. O resultado, obtido por meio de solução de RCS com geolocalização da Ótima Digital, aponta um caminho que o varejo físico começa a trilhar para reconquistar clientes no ambiente virtual.

O comportamento do comprador ajuda a explicar por que a aposta faz sentido. Dados da pesquisa Consumo de Moda no Brasil, da Opinion Box, mostram que 47% dos consumidores gostam de experimentar ou tocar nas roupas antes de decidir, enquanto 30% afirmam ter mais insegurança ao comprar pela internet. O desafio, portanto, é lembrar de que o espaço existe e está perto.

Foi para resolver esse problema que a Eskala, que possui 42 unidades em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, recorreu à Ótima Digital, referência em mensageria e automação. Antes da implementação, a comunicação era concentrada exclusivamente em SMS para anunciar novidades e promoções. Com o RCS, a estratégia ganhou imagens das peças e recursos interativos, com conteúdos direcionados a pessoas próximas aos estabelecimentos. Para mensurar os resultados com precisão, o projeto adotou um modelo de atribuição capaz de relacionar o impacto das campanhas às conversões registradas, por meio do número de telefone ou CPF previamente autorizados no cadastro.

"Hoje a tendência é mais do que alcance. As marcas querem entender quantos usuários foram impactados ou visitaram o estabelecimento, além do reflexo das ativações nas transações. O uso de segmentação por localização e ações orientadas por dados amplia essa capacidade de mensuração", afirma Marcos Guerra, especialista em experiência e conversão do Grupo Ótima Digital.

"O RCS ajudou a criar o interesse já no primeiro contato pelo celular, aproximando o público das nossas coleções. Depois, a pessoa vai até a unidade para visualizar os itens pessoalmente e decidir com segurança", destaca Ricardo Rigonatti, diretor de comercial e marketing da Eskala.

O case da varejista ilustra um movimento mais amplo no setor. Diferentemente do SMS convencional, o RCS permite o envio de conteúdos visuais, botões de interação e elementos de identidade dentro da própria mensagem - funcionalidades que, combinados à inteligência de proximidade, transformam o smartphone em uma ferramenta de atração para o varejo físico, e não apenas para o on-line.

 

Grupo Ótima Digital


A forma como você responde pode influenciar na contratação? Entenda como a IA avalia entrevistas

Tecnologia tem analisado tom de voz, pausas e estrutura das respostas para entender preparo e autenticidade dos candidatos

 

Antes, a avaliação dos candidatos para uma vaga de emprego dependia quase inteiramente da percepção humana. Agora, plataformas de IA ajudam a identificar nuances sutis, como ritmo da fala, pausas que revelam insegurança, variação de tom e até a lógica utilizada para formular cada resposta, complementando a análise feita pelo recrutador e ampliando a precisão do processo seletivo.

 

Christian Pedrosa, fundador e CEO da DigAÍ — empresa que oferece soluções de Inteligência Artificial para processos seletivos por meio de triagens via texto e áudio —, o objetivo não é “flagrar” o candidato. A prioridade é traduzir reações que, combinadas, oferecem uma leitura mais completa do profissional.

 

“Isso permite que os times de RH identifiquem candidatos com alta capacidade de adaptação, clareza emocional, coerência, resiliência e até predisposição à colaboração, competências cada vez mais valorizadas e difíceis de medir em processos tradicionais”, afirma.

 

A tecnologia utilizada nesse tipo de avaliação combina inteligência emocional computacional, data insights e análise de linguagem natural. O áudio, por exemplo, capta sinais vocais sutis, que são cruzados com modelos treinados para reconhecer padrões estatisticamente relacionados ao comportamento profissional. A DigAÍ utiliza esse conjunto de análises para ajudar empresas a identificar alinhamento cultural, clareza comunicativa e consistência nas respostas, incluindo momentos em que há descompasso entre o que o candidato diz e como diz.

 

Para quem participa dos processos seletivos, essa mudança reforça a importância da autenticidade. Respostas excessivamente decoradas, tom engessado e postura artificial, que sempre foram percebidos por recrutadores experientes, agora se tornam ainda mais evidentes para sistemas de IA.

 

Já para as empresas, a tecnologia representa a chance de reduzir vieses, qualificar decisões e entender candidatos de forma mais precisa, indo além da chamada “sensação” durante a entrevista. 

 

“A tecnologia não substitui a análise humana, mas amplia o que conseguimos enxergar. Quando cruzamos o que é dito com os padrões de comportamento, conseguimos compreender não só a resposta, mas a qualidade do raciocínio e a forma como o candidato sustenta aquilo que afirma. É uma evolução que traz transparência para o processo e decisões mais justas para todos os lados”, conclui Pedrosa.

 

DigAÍ

 

Guia do anfitrião: como preparar a casa para os jogos sem paranoia com a sujeira

Pesquisa aponta que 40% das pessoas evitam receber convidados devido ao estresse com a faxina; especialista defende que uma "casa vivida" faz parte da celebração e mostra como otimizar a limpeza

 

Com a segunda partida do Brasil marcada para esta sexta-feira (19), muitas casas voltam a se transformar em ponto de encontro para amigos e familiares. Mas, entre a organização dos petiscos e os preparativos para receber os convidados, a limpeza ainda é fonte de preocupação para muita gente. A pressão para manter a casa organizada e pronta para receber visitas é um comportamento observado em diferentes países e culturas. Um levantamento realizado no Reino Unido, por exemplo, revelou que 40% dos entrevistados evitam receber visitas devido ao estresse associado à arrumação da casa. 

Para mudar essa perspectiva, a regra de ouro é entender que uma "casa vivida" faz parte da celebração. A bagunça não deve ser encarada como um problema central, mas sim como a consequência natural de um encontro feliz. Para ajudar os anfitriões a curtirem os jogos sem estresse, Elvis Barreto, Head de Pesquisa e Desenvolvimento na Reckitt Industrial, fabricante de Veja, listou orientações práticas para lidar com a limpeza de forma inteligente. 

Confira:
 

1. O Pré-jogo: Foco no aconchego e na perfumação 

Antes dos convidados chegarem, não é necessário fazer uma faxina pesada, já que a casa acaba se sujando durante o evento. O segredo é focar na sensação de acolhimento: recolhendo o lixo, tirando os objetos espalhados do caminho e liberando espaço nos sofás. Como o olfato é um sentido que desperta as memórias, finalize a preparação passando um pano úmido com um limpador perfumado de longa duração no piso da sala e do banheiro. Isso cria imediatamente uma atmosfera de "casa limpa e preparada" para receber, sem exigir horas de esfregão.
 

2. Durante a partida: Acidentes acontecem (e está tudo bem) 

Na hora do gol ou nos momentos de tensão, é comum que a cerveja derrame na mesa, o amendoim e a pipoca caiam no chão ou o molho do petisco respingue na bancada. Para não gerar estresse, tenha sempre um limpador multiuso e um rolo de papel toalha por perto. Essas soluções permitem que você limpe a sujeira imediatamente com apenas uma borrifada, evitando que os líquidos sequem ou manchem as superfícies, garantindo que você volte rapidamente para a frente da TV.
 

3. O Apito Final: Desengordurando sem sofrimento 

Depois que os amigos vão embora, a cozinha costuma ser o cenário do caos, repleta de louças, respingos de fritura e restos de petiscos. O ideal é não deixar a sujeira acumular para o dia seguinte, pois a gordura esfria e gruda nas superfícies, dobrando o seu trabalho. Aplique um desengordurante potente no fogão, nas bancadas e na pia logo após o uso: produtos com alto poder de quebra de moléculas de gordura fazem o trabalho pesado por você, permitindo que a limpeza seja finalizada em poucos minutos.
 

4. Dica de ouro: Fuja das "misturinhas" 

Na tentativa de limpar a casa mais rápido, muitas pessoas recorrem a tutoriais da internet que misturam ingredientes como vinagre, bicarbonato, água sanitária e detergente. Além de muitas vezes inativar o poder de limpeza uns dos outros, gerando mais esforço físico, essas misturas caseiras podem liberar gases tóxicos perigosos. Confie sempre em produtos desenvolvidos em laboratório e testados para as superfícies específicas da sua casa.

 

Veja  

¹Tipo do serviço de medição (RETAIL INDEX EVOLUTION) / Período: YTD’24 – (JAN’24 ATÉ JUN’24) / Abrangência geográfica (Total Brasil) / Mercado: CP 102 – DESINFETANTES – MARCA / Canais reportados: TOTAL BRASIL INA + C&C  

²Leitura SCANNTECH - PDV’s YTD’24 (JAN’24 a AGO’24) 

Antes de usar, leia as instruções do rótulo.

Seduc-SP abre inscrições para o processo seletivo de docentes da educação técnica da rede pública estadual

 Vagas são para o cadastro de reserva, com salários no valor de R$ 5.565 para uma jornada de 40 horas semanais 

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) está com inscrições abertas para o processo seletivo simplificado de professores que queiram atuar na educação técnica profissional da rede pública estadual. A seleção, organizada pela FGV Conhecimento, visa criar um cadastro de reserva de docentes a serem contratados durante o ano letivo de 2027. Os candidatos podem se inscrever em até dois eixos, sendo R$ 60,00 a taxa de inscrição para cada um deles, até as 16h do dia 19 de junho de 2026, no site da banca organizadora.

O processo seletivo para a educação técnica profissional está dividido em seis eixos: Gestão e Negócios; Saúde e Meio Ambiente; Turismo, Hospitalidade e Lazer; Informação e Comunicação; Recursos Naturais; e Controle e Processos Industriais.

Serão quatro etapas: prova objetiva, contendo 30 questões de múltipla escolha; prova discursiva, com uma questão dissertativa a ser respondida em até 20 linhas, sendo ambas de caráter eliminatório e aplicadas no mesmo dia; prova prática, que consistirá na gravação de uma videoaula pelo próprio candidato, com duração de 5 a 7 minutos, cujos critérios de correção serão clareza da explicação, uso de exemplos e antecipação de dúvidas dos alunos; e avaliação de títulos, que considerará a formação acadêmica complementar e a experiência profissional na área, sendo as duas últimas etapas de caráter exclusivamente classificatório.

Acesse o edital completo e o link para a página de inscrição podem ser acessados em Link, que traz também mais informações sobre o processo seletivo.


Na era da IA, o diferencial será humano

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Transformações tecnológicas sempre alteraram a forma como trabalhamos. A diferença é que, desta vez, estamos diante de sistemas capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em poucos segundos. Isso provoca uma sensação inédita de concorrência com algo que se aproxima de processos antes considerados exclusivamente humanos. 

A discussão sobre inteligência artificial costuma girar em torno das profissões que desaparecerão e das novas exigências do mercado de trabalho. Embora esse debate seja importante, ele deixa em segundo plano quais capacidades humanas precisarão ser fortalecidas desde a infância para que as próximas gerações possam viver de forma autônoma em um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes. 

Curiosamente, à medida que as máquinas se tornam mais eficientes, características antes consideradas subjetivas passam a ganhar valor estratégico. Pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva, capacidade de colaboração e inteligência socioemocional deixaram de ser apenas habilidades desejáveis e tornaram-se competências essenciais. 

Isso ajuda a explicar um dado interessante: embora sejam os principais usuários dessas ferramentas, 66% dos jovens afirmam não confiar totalmente nas respostas geradas pela inteligência artificial (Ipsos, 2026). Mesmo entre aqueles que cresceram cercados pela tecnologia, permanece a percepção de que informação não é sinônimo de discernimento. 

Discernimento não nasce do acúmulo de respostas prontas, porque ele se desenvolve por meio da experiência, da reflexão, do contato com diferentes perspectivas e da capacidade de duvidar antes de chegar a conclusões. Trata-se de um processo que envolve maturação intelectual e emocional, algo que não pode ser terceirizado a uma ferramenta. 

Por essa razão, preparar crianças para o futuro não significa expô-las cada vez mais cedo às telas ou treiná-las para competir com algoritmos. Significa ajudá-las a desenvolver aquilo que os algoritmos não conseguem reproduzir. A criatividade, por exemplo, não surge apenas da produção de ideias. Ela depende de repertório, imaginação, experimentação e contato com situações reais.  

Sob a perspectiva do desenvolvimento emocional, existe ainda outro desafio. Crianças que crescem recebendo respostas instantâneas podem ter menos oportunidades de exercitar a espera e a elaboração do pensamento. A educação do futuro tem menos relação com o domínio das tecnologias e mais com a preservação de experiências humanas que favorecem a autonomia. Quanto mais avançados forem esses sistemas, mais necessário será formar pessoas capazes de construir critérios próprios diante de respostas vazias tão acessíveis.  

Nenhuma sociedade se sustenta apenas por velocidade ou acesso à informação. Ela depende também da responsabilidade em projetar futuros possíveis. São essas dimensões que conferem sentido ao conhecimento e que tornam a educação ainda mais decisiva em tempos de transformação tecnológica 

 

Silmara Casadei - doutora em Educação, psicanalista e autora de O Pequeno Mundo Criativo.


O futuro da hospitalidade passa pelo sentimento de pertencimento do hóspede

O perfil do hóspede mudou. Hoje, ele não busca apenas consumir um produto ou serviço; busca identificar-se com valores, propósitos e experiências. Mais do que se hospedar, ele quer sentir que faz parte daquele ambiente. 

 

Durante muito tempo, a hospitalidade foi medida pela qualidade da estrutura, pela eficiência do atendimento ou pela quantidade de serviços oferecidos. Tudo isso continua sendo importante, mas já não é suficiente.

O perfil do hóspede mudou. Hoje, ele não busca apenas consumir um produto ou serviço; busca identificar-se com valores, propósitos e experiências. Mais do que se hospedar, ele quer sentir que faz parte daquele ambiente. Ou seja, o que realmente diferencia uma experiência completa é a capacidade de gerar pertencimento e memória; é fazer o hóspede se sentir acolhido pelo ambiente que escolheu durante suas viagens.

Em um mundo cada vez mais conectado, acelerado e impessoal, os hóspedes buscam algo que vai além do conforto físico. Eles querem se sentir acolhidos. Querem encontrar ambientes que transmitam segurança, identificação e bem-estar. Em outras palavras, querem se sentir em casa, mesmo estando longe dela.

A hospitalidade precisa estar atenta a essa transformação. Mas como atender a essa nova expectativa? A resposta está na capacidade de personalizar experiências e demonstrar cuidado nos detalhes. Elementos sensoriais, atenção às preferências individuais e soluções que reflitam a identidade de cada empreendimento, seja por meio de linhas temáticas, fragrâncias exclusivas ou amenidades especiais, contribuem para criar uma conexão genuína com o hóspede. São esses pequenos gestos que transformam uma estadia em uma experiência memorável e reforçam o sentimento de pertencimento e a fidelidade do cliente.

Essa transformação pode ser observada em diferentes segmentos da hospedagem, dos hotéis tradicionais ao mercado de aluguel por temporada (short-term rental), que cresce de forma consistente no Brasil e no mundo. Independentemente do modelo de hospedagem escolhido, existe uma expectativa comum entre os viajantes: viver experiências autênticas e criar conexões genuínas.

É justamente nesse contexto que a hospitalidade ganha uma dimensão ainda mais humana. Falar sobre hospitalidade hoje não é apenas falar sobre serviços. É falar sobre emoções. Sobre memórias. Sobre a capacidade de transformar uma estadia em uma experiência significativa.

Os detalhes ganharam um papel fundamental nessa construção. Uma recepção acolhedora, uma comunicação próxima, um ambiente cuidadosamente preparado, uma fragrância agradável, um produto pensado para proporcionar conforto ou uma atenção especial às necessidades do hóspede podem parecer gestos simples. Mas são esses elementos que criam a sensação de cuidado e fazem com que o hóspede se sinta verdadeiramente bem-vindo.

Na prática, pertencimento significa fazer com que o cliente perceba que aquele espaço foi preparado para ele. Que existe intenção em cada escolha. Que alguém pensou em como tornar sua experiência mais agradável, confortável e memorável.

Esse movimento acompanha também uma mudança importante no comportamento do consumidor. Os hóspedes estão cada vez mais conectados a marcas que demonstram propósito, autenticidade e cuidado genuíno. Eles valorizam empresas que conseguem criar vínculos emocionais, e não apenas relações comerciais.

Por isso, acredito que a hospitalidade do futuro será cada vez mais baseada em conexões humanas. A tecnologia continuará sendo uma importante aliada para tornar processos mais eficientes, mas dificilmente substituirá aquilo que realmente gera encantamento: a capacidade de fazer alguém se sentir acolhido.

O conceito de shopper figital e as discussões trazidas pelo Marketing 7.0 reforçam essa realidade. O relacionamento com o cliente já não acontece apenas no ambiente físico ou exclusivamente no digital. Ele acontece em ambos. O encantamento começa muitas vezes na comunicação assertiva, em um conteúdo relevante ou em uma experiência de compra online e consolida-se presencialmente por meio do acolhimento, da sensorialidade e da atenção aos detalhes.

Nesse cenário, o desafio das marcas não é apenas oferecer produtos ou serviços de qualidade. É construir experiências capazes de despertar sentimentos positivos e gerar identificação.

Porque, no fim das contas, as pessoas podem esquecer o quarto em que ficaram, a categoria da hospedagem que escolheram ou até mesmo alguns serviços que utilizaram. Mas dificilmente esquecem a sensação de terem sido acolhidas.

E talvez essa seja a maior missão da hospitalidade contemporânea: fazer com que cada hóspede, independentemente de onde esteja, encontre um lugar onde se sinta verdadeiramente em casa.

  

Renata Carvalho de Oliveira - diretora comercial da Realgems Cosméticos & Amenities.


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