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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Automóvel revolucionou a estrutura das cidades brasileiras no século XX

Acervo FuMTran

As grandes avenidas, a expansão das cidades, a integração entre regiões e boa parte da infraestrutura que conecta o Brasil têm relação direta com a chegada do automóvel ao país. Embora hoje faça parte do cotidiano dos brasileiros, o veículo foi inicialmente restrito às elites e esteve associado à modernidade e ao progresso no país, influenciando decisões que ajudaram a definir os rumos do desenvolvimento econômico, urbano e industrial nacional.

 

Ao longo do século XX, o crescimento da frota de carros no país impulsionou a construção de estradas e rodovias, alterou o planejamento urbano e estimulou um modelo de desenvolvimento baseado no transporte rodoviário. Paralelamente, a instalação das montadoras e o fortalecimento da indústria automobilística transformaram o setor em um dos principais motores da industrialização brasileira, com reflexos na geração de empregos, na transferência de tecnologia e na formação de uma ampla cadeia produtiva.

 

Para a Fundação Memória do Transporte (FuMTran), a história do automóvel está diretamente ligada à forma como o Brasil estruturou a infraestrutura de seus municípios ao longo das últimas décadas. “O automóvel mudou a organização das cidades brasileiras. Houve uma tendência ao espalhamento urbano, com bairros sendo planejados e construídos para acomodar os carros, com ruas mais largas e a necessidade de estacionamentos. Isso contribuiu para a modernização e a transformação do espaço urbano”, afirma o presidente da FuMTran, Antonio Luiz Leite.


A popularização dos automóveis alterou a forma como os brasileiros passaram a se deslocar e a ocupar os espaços urbanos. Com maior autonomia de mobilidade, tornou-se possível morar mais longe dos centros tradicionais, impulsionando a formação de novos polos residenciais, comerciais e industriais. “O automóvel representou uma nova forma de mobilidade social, possibilitando maior liberdade de deslocamento para as pessoas e influenciando hábitos, comportamentos e estilos de vida. Ao mesmo tempo, contribuiu para mudanças estruturais na forma como as cidades cresceram e se organizaram”, observa Leite.

 

Mais do que transformar a mobilidade, o automóvel ajudou a acelerar uma das mais importantes etapas da industrialização brasileira. A partir da década de 1950, a chegada de grandes montadoras fortaleceu o parque industrial nacional e estimulou o desenvolvimento de uma ampla cadeia produtiva, envolvendo setores como siderurgia, metalurgia, química, vidro, borracha e serviços. Além de gerar empregos e atrair tecnologia, a indústria automobilística contribuiu para diversificar a economia brasileira e reduzir sua dependência da agricultura.

 

Na avaliação da FuMTran, o legado do automóvel permanece visível na estrutura das cidades e na matriz de transportes brasileira. “As rodovias tiveram papel fundamental na integração nacional e no desenvolvimento econômico, mas os desafios atuais mostram a importância de ampliar a integração entre os diferentes modais. Compreender essa trajetória histórica é essencial para planejar soluções mais eficientes e sustentáveis para o futuro da mobilidade e da logística no Brasil”, conclui o presidente da fundação.

 

A lei fiscal sob risco e as revelações do TCU sobre as contas presidenciais de 2025


O Tribunal de Contas da União, ao apreciar as contas presidenciais relativas ao exercício de 2025, aprovou-as com ressalvas e, nesse mesmo julgamento, lançou luz sobre uma prática que vem corroendo silenciosamente a disciplina das finanças públicas no Brasil. Segundo a Corte de Contas, o Poder Executivo editou ou sancionou dez medidas de renúncia de receita ao longo do ano sem observar integralmente as exigências legais que condicionam a concessão de benefícios tributários, entre elas a estimativa de impacto orçamentário e financeiro, a memória de cálculo detalhada e a indicação das respectivas medidas compensatórias. De um universo de 21 desonerações instituídas no período, quase a metade nasceu sob o signo da irregularidade. 

As exigências descumpridas não constituem mera formalidade burocrática. Elas decorrem de comandos normativos de hierarquia constitucional e legal concebidos justamente para evitar que decisões de curto prazo comprometam a sustentabilidade das contas públicas. O artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias determina que toda proposição legislativa que crie ou amplie despesa obrigatória ou renúncia de receita seja acompanhada da estimativa de seu impacto orçamentário e financeiro. No mesmo sentido, o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal condiciona a concessão de incentivos tributários à demonstração de que a renúncia foi considerada na previsão de receitas e à existência de medidas de compensação. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, por sua vez, exige memória de cálculo detalhada, definição de metas e objetivos, indicação expressa das compensações e limitação temporal dos benefícios. 

Entre as normas apontadas pelo TCU figuram o Programa de Aceleração da Transição Energética, o Programa Acredita Exportação, a ampliação da destinação dos recursos do Fundo Social e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter. A origem das dez desonerações consideradas irregulares distribui-se entre os Poderes: cinco tiveram origem parlamentar, quatro partiram do próprio Executivo e uma resultou de iniciativa compartilhada. Todas, porém, foram editadas ou sancionadas pelo presidente da República. A sanção presidencial não é um ato meramente protocolar. Trata-se do momento em que o chefe do Executivo exerce controle político e jurídico sobre a norma, assumindo responsabilidade pela sua compatibilidade com a Constituição e com o ordenamento fiscal. 

Foi diante desse cenário que o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, utilizou uma das expressões mais contundentes do julgamento ao afirmar que a lei fiscal está sendo assassinada pelo aumento de gastos sem compensação. A metáfora pode soar dura, mas traduz a preocupação institucional com a erosão gradual das regras destinadas a preservar o equilíbrio das contas públicas. Quando exceções se tornam frequentes e benefícios fiscais passam a ser concedidos sem a observância dos requisitos legais, o resltado prático é o esvaziamento da força normativa da legislação fiscal.

 

As ressalvas apontadas pelo TCU não se limitaram às desonerações. O Governo Central encerrou 2025 com déficit primário de aproximadamente R$ 58,7 bilhões. Entretanto, para fins de verificação da meta fiscal, cerca de R$ 48,7 bilhões em despesas foram excluídos do cálculo, produzindo um resultado formal significativamente distinto da situação efetiva das contas públicas. Embora a exclusão tenha ocorrido dentro dos mecanismos autorizados pelo ordenamento, o dado evidencia a crescente distância entre o resultado fiscal apresentado e a realidade financeira enfrentada pelo Estado. 

O Tribunal também identificou um hiato superior a R$ 300 bilhões entre o esforço fiscal projetado e aquele necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública. O relator das contas, ministro Benjamin Zymler, destacou que a combinação entre crescimento da dívida e rigidez estrutural das despesas exige atenção permanente do Congresso Nacional, do governo e da sociedade. A dívida bruta do governo federal encerrou o exercício em patamar próximo a R$ 10 trilhões, correspondente a cerca de 78% do Produto Interno Bruto. 

O problema, contudo, não é episódico. O próprio TCU registra reiteradamente, desde 2014, o descumprimento das exigências legais relativas à criação de benefícios tributários. A repetição do fenômeno ao longo de diferentes governos revela uma distorção institucional mais profunda: a consolidação de uma cultura política em que a responsabilidade fiscal é frequentemente relativizada diante de conveniências momentâneas. A exceção converte-se em regra, e os limites legais deixam de funcionar como barreiras efetivas ao aumento de gastos ou à redução de receitas sem contrapartidas. 

O Supremo Tribunal Federal também vem reforçando a importância desses mecanismos de controle. Ao analisar a desoneração da folha de pagamentos, a Corte exigiu a demonstração do impacto financeiro e a indicação de medidas compensatórias, consolidando entendimento segundo o qual a responsabilidade fiscal não é mera opção administrativa, mas requisito constitucional para a validade de determinadas políticas públicas. A fiscalização das renúncias de receita, portanto, já não pertence exclusivamente aos órgãos de controle e ao Legislativo, integrando também o âmbito do controle de constitucionalidade. 

Há ainda uma evidente dimensão política nesse debate. Enquanto o Executivo critica a aprovação de chamadas pautas-bomba pelo Congresso Nacional e reivindica responsabilidade fiscal dos parlamentares, o próprio governo figura como autor ou sancionador de medidas que apresentam as mesmas irregularidades que condena. Essa contradição enfraquece o discurso oficial e reduz a capacidade de convencimento da área econômica perante o Parlamento, sobretudo quando cobra dos demais atores públicos o cumprimento de deveres que ela própria não observou integralmente. 

Do ponto de vista jurídico, importa recordar que a Lei de Responsabilidade Fiscal jamais proibiu a concessão de benefícios tributários. O que ela estabeleceu foi um regime de exceção controlada. O incentivo fiscal permanece legítimo como instrumento de desenvolvimento econômico, estímulo setorial ou promoção de políticas públicas. O que a legislação exige é transparência quanto ao seu custo e neutralidade em relação ao equilíbrio das contas públicas. A compensação não é obstáculo à política econômica; é condição para sua legitimidade. 

Essa lógica materializa um princípio fundamental de responsabilidade intergeracional. Sem mecanismos de compensação, os benefícios concedidos no presente acabam financiados por endividamento crescente, transferindo para as futuras gerações o custo de decisões que não participaram da construção. A disciplina fiscal existe justamente para impedir que esse processo ocorra de forma invisível e politicamente conveniente. 

O alerta emitido pelo Tribunal de Contas da União transcende, portanto, a tecnicalidade orçamentária. O que está em jogo é a credibilidade das instituições fiscais brasileiras. Quando as regras são continuamente flexibilizadas ou ignoradas, o arcabouço fiscal perde eficácia e passa a existir apenas no plano formal. A consequência não se limita aos relatórios contábeis. A deterioração da confiança na política fiscal eleva os juros de longo prazo, aumenta o custo de financiamento da dívida pública, reduz a capacidade de investimento do Estado e impõe ônus adicionais à sociedade. 

Passados 25 anos da edição da Lei de Responsabilidade Fiscal, o desafio continua sendo menos normativo do que institucional. As regras existem, são conhecidas e foram reiteradamente validadas pelos órgãos de controle e pelo Supremo Tribunal Federal. O problema está na disposição política de cumpri-las. Cabe ao Executivo, ao Legislativo e aos órgãos de fiscalização restaurar a efetividade de um sistema concebido para proteger o interesse público e garantir a sustentabilidade das contas nacionais. Do contrário, permaneceremos presos a um ciclo recorrente de expansão de gastos sem planejamento, benefícios sem compensação e endividamento crescente, no qual o contribuinte continua pagando a conta de governos que arrecadam muito, gastam muito e, frequentemente, gastam mal. 



Marcelo Aith - advogado criminalista. Doutorando Estado de Derecho y Gobernanza Global pela Universidad de Salamanca - ESP. Mestre em Direito Penal pela PUC-SP. Latin Legum Magister (LL.M) em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP. Especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidad de Salamanca.


4 dicas para estruturar o crescimento do seu negócio

Administradora e especialista em Liderança e Capital Humano pela New York University aponta que falta de estrutura, clareza financeira e posicionamento estão entre os principais desafios para um crescimento sustentável

 

Aumentar o faturamento não significa, necessariamente, crescer de forma sustentável. Em muitos casos, empresas avançam em receita sem consolidar processos, organização financeira e estrutura operacional, o que compromete o futuro do negócio, a previsibilidade e limita a capacidade de escala. 

Para novos empreendedores, saber como criar uma base é muito importante. Organizar um negócio no início, torna o crescimento mais acelerado e evita que grandes mudanças tenham que ser planejadas quando o negócio é maior. A questão é que nem todos sabem como fazer isso, e esse é o poder dos mentores. 

De olho no público feminino, que segundo o Sebrae abriu mais de 2 milhões de negócios em 2025, representando 42% dos novos CNPJs no país, a estrategista de carreira e criadora de um ecossistema de mulheres empreendedoras Thaís Roque, aponta quatro frentes essenciais para estruturar o crescimento e evitar que o aumento da demanda se transforme em sobrecarga. Confira:


1 - Clareza financeira

Sem domínio sobre custos, margens e fluxo de caixa, decisões estratégicas passam a ser tomadas com base em percepção. Estruturar indicadores e acompanhar resultados de forma recorrente é o primeiro passo para ter previsibilidade.

“Crescer sem estrutura é um dos maiores riscos para quem empreende. Muitas vezes, o faturamento aumenta, mas a gestão, especialmente financeira, não acompanha. Isso cria um ciclo de esforço constante sem ganho proporcional”, explica Thaís.


2 - Precificação

A dificuldade em sustentar o valor de produtos ou serviços impacta diretamente a rentabilidade. Definir preços com base em custos, posicionamento e estratégia reduz a dependência de negociação e melhora a consistência da receita.

“Existe uma diferença importante entre crescer e sustentar o crescimento. Quando o negócio não tem base, e isso passa pela forma como você precifica o seu trabalho, qualquer aumento de demanda vira sobrecarga e deixa de ser sustentável”, afirma.

3 - Estrutura e processos

Negócios que crescem sem processos definidos se tornam dependentes da operação manual e do esforço individual. Organizar rotinas, responsabilidades e fluxos de trabalho é o que viabiliza escala sem sobrecarga.


4 - Posicionamento de mercado

Empreendedoras que não ocupam um lugar claro no mercado enfrentam maior dificuldade para gerar demanda. Um posicionamento consistente reduz a necessidade de convencimento e fortalece a atração de clientes.

Segundo a estrategista, estruturar o negócio é o que permite transformar a expansão com consistência. “Não é sobre trabalhar mais, e sim sobre estruturar melhor. Quando a empreendedora entende seus números, define processos e se posiciona com clareza, a operação ganha previsibilidade e o crescimento se torna sustentável e escalável”, conclui Thaís.

 

Thaís Roque - Com passagens por empresas como Nestlé, Accenture e Pão de Açúcar, Thaís viveu os dilemas de quem tem um bom currículo, mas busca realização. Formada em Administração e especializada em Liderança e Capital Humano pela NYU (New York University), ela criou a comunidade Founders Confraria e aceleradora de negócios TR Circle, e hoje atua como mentora de mulheres que buscam acelerar seus negócios e crescer financeiramente. Além da atuação com empreendedoras, Thaís é autora de dois livros e apresentadora do podcast De Carona na Carreira, onde entrevistou dezenas de grandes nomes brasileiros do empreendedorismo e cargos executivos.

 

São João no bolso: 38% gasta até R$ 300 e 73% já perdeu festa por falta de dinheiro


Pesquisa da meutudo revela que 58% não comemora a data e que a principal barreira é financeira, mas quem celebra faz questão de manter a tradição dentro do que o bolso permite
 

 

Para muita gente, a Festa Junina é sinônimo de forró, comida típica e celebração. Para 73% dos participantes de uma pesquisa da meutudo, porém, ela também carrega uma outra marca: a de ter ficado de fora. 

Esse é o percentual de pessoas que já deixaram de ir a uma festa ou viagem junina várias vezes por falta de dinheiro. O levantamento, realizado em maio de 2026 com mais de 2 mil participantes, mapeia como o público se relaciona financeiramente com a maior festa popular do país.


58% não comemora e a principal razão é o dinheiro

Mais da metade dos respondentes, 58%, afirma não comemorar a Festa Junina. Entre os motivos, a falta de dinheiro extra aparece como principal barreira, citada por 36% dos participantes. 

O dado revela que a ausência da celebração não é, na maioria dos casos, uma escolha de estilo de vida. É uma limitação financeira.

Entre os que não comemoram, 53% afirmam preferir descansar em casa durante o período. O número pode indicar tanto uma preferência genuína quanto uma adaptação à impossibilidade de participar. 

O padrão se confirma no comportamento ao longo do tempo: 73% já ficaram de fora de festa ou viagem junina várias vezes por não ter dinheiro disponível.


Quem celebra faz com pouco: 38% gasta até R$ 300 na temporada toda

Entre os que comemoram, o orçamento é enxuto. A faixa mais comum de gastos durante toda a temporada junina é de até R$ 300, citada por 38% dos respondentes. A celebração acontece, mas dentro de limites financeiros bem definidos.

Alimentação e bebidas típicas concentram a maior parte dos gastos, com 46% apontando esse como o item que mais pesa no bolso durante a temporada. 

As comidas juninas são também o elemento mais citado como favorito da festa, mencionado por 77% dos que comemoram. O consumo de roupas típicas e ingressos para eventos pagos fica em segundo plano para a maioria.


73% já perdeu festa junina por falta de dinheiro e o impacto vai além do bolso

O dado mais expressivo da pesquisa não é sobre quem gasta. É sobre quem ficou de fora. Sete em cada dez respondentes já deixaram de participar de uma festa ou viagem junina várias vezes ao longo da vida por não ter dinheiro. 

A recorrência do "várias vezes" é o que torna o número especialmente significativo: não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão que se repete ano após ano.

O cenário reforça que datas comemorativas populares, como a Festa Junina, ainda têm um custo real de participação. Para parte significativa do público, esse custo se apresenta como uma barreira concreta, não como uma decisão de não querer participar.

 

Além da produtividade: Por que o redesenho de processos será o verdadeiro ROI da IA em 2026


A Inteligência Artificial (IA) atingiu um novo patamar de maturidade e aplicabilidade. As ferramentas existem, os casos de sucesso são conhecidos e o potencial de impacto já foi demonstrado em diferentes setores. Ainda assim, a maioria das empresas permanece à margem dessa transformação. Segundo um estudo, apenas cerca de 13% das organizações globais utilizam agentes de IA em seus fluxos de trabalho, um contraste significativo entre capacidade tecnológica e adoção prática.

 

Hoje já é possível construir sistemas capazes de executar tarefas complexas com autonomia crescente. A chamada IA Agêntica permite que softwares tomem decisões, executem ações e interajam com sistemas corporativos sem intervenção humana constante. A evolução vai além do ambiente digital: a convergência entre IA, sensores avançados e biotecnologia cria o que vem sendo chamado de Living Intelligence, enquanto a chamada IA Física leva a inteligência algorítmica para robôs e sistemas industriais capazes de operar em ambientes reais.

 

O verdadeiro obstáculo, porém, não é tecnológico. O que impede a adoção em larga escala é um conjunto de fatores organizacionais relativamente conhecidos: medo de substituição de empregos, ausência de indicadores claros de retorno e dificuldade de integrar novas tecnologias a processos legados. Em muitas organizações, a IA ainda é tratada como um projeto experimental, quando na prática deveria ser encarada como parte da infraestrutura operacional.

 

Outro fator crítico é a capacitação digital. Pesquisas indicam que profissionais que compreendem como funcionam os agentes de IA tendem a enxergá-los como ferramentas de apoio, enquanto a falta de treinamento aumenta a percepção de risco e ameaça. A alfabetização em IA deixa de ser uma iniciativa opcional e passa a ser um requisito para que as organizações consigam transformar tecnologia em resultado concreto.

 

A experiência das companhias que avançaram nesse caminho aponta para uma conclusão clara: o maior retorno da IA não vem da automação de tarefas isoladas, mas do redesenho de processos completos. A transição da automação tradicional para a chamada automação inteligente envolve rever fluxos operacionais, reduzir redundâncias e comprimir ciclos de decisão. Em muitos casos, a principal mudança não está na tecnologia, mas na forma como o trabalho é organizado.

 

Esse redesenho precisa ser acompanhado por mecanismos de confiança. Tecnologias como marcas d’água digitais para conteúdo sintético surgem como elementos essenciais para garantir segurança e autenticidade em um ambiente cada vez mais automatizado. Sem confiança, a adoção de sistemas autônomos tende a permanecer limitada a projetos isolados.

 

Por isso, o desafio central de 2026 não será escolher as melhores ferramentas de IA. O verdadeiro desafio será liderar a transformação organizacional necessária para que essas ferramentas funcionem. Isso envolve definir métricas claras, investir em capacitação e criar estruturas capazes de orquestrar sistemas cada vez mais complexos.

 

O ecossistema em torno da IA continua avançando, mas os benefícios de adotá-la já foram comprovados. A questão agora é como as empresas conseguirão adaptar-se a este novo panorama. O diferencial competitivo não estará apenas na tecnologia adotada, mas na capacidade de redesenhar processos e preparar pessoas para trabalhar ao lado de sistemas autônomos.




Tadashi Hata - Technology Observatory Head da GFT Technologies


STF confirma obrigação de shopping centers oferecerem espaço adequado para amamentação


Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçou os direitos das mulheres trabalhadoras ao confirmar o entendimento de que shopping centers devem disponibilizar local apropriado para que empregadas possam amamentar ou deixar seus filhos durante o período de amamentação. 

A decisão, tomada por unanimidade, manteve posicionamento já estabelecido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e fortalece garantias constitucionais relacionadas à proteção da maternidade, da infância, da saúde da mulher trabalhadora e da dignidade no ambiente de trabalho. 

O entendimento firmado pelo STF reconhece que a responsabilidade pela disponibilização da estrutura necessária não recai apenas sobre os lojistas individualmente, mas também sobre os próprios shopping centers, que administram os espaços coletivos onde milhares de trabalhadores exercem suas atividades diariamente. 

Na prática, ficou confirmado que empreendimentos que contem com pelo menos 30 mulheres empregadas, com mais de 16 anos, devem garantir local adequado para acolhimento das crianças durante a fase de amamentação, conforme previsto na legislação trabalhista. 

Segundo Victor Hugo Brait, advogado do Barroso Advogados Associados e especialista em Direito do Trabalho, a decisão representa um importante avanço na interpretação das normas de proteção à maternidade. "A decisão do STF reforça que a proteção à maternidade deve ser observada de forma efetiva no ambiente de trabalho. O entendimento reconhece a realidade dos grandes centros comerciais e amplia a responsabilidade dos empreendimentos na garantia de condições adequadas para que as trabalhadoras possam exercer seus direitos durante o período de amamentação", explica. 

Para o especialista, o julgamento também traz maior segurança jurídica sobre um tema que vinha sendo objeto de discussões entre empresas e trabalhadores. "O Supremo consolida uma interpretação mais atual da legislação trabalhista, alinhada aos princípios constitucionais de proteção à maternidade e à infância. Trata-se de uma decisão que impacta diretamente a gestão dos shopping centers e reforça a necessidade de adequação às exigências legais", afirma. 

Além dos aspectos sociais e trabalhistas, a medida também exige atenção dos empreendimentos quanto ao cumprimento das obrigações legais. A ausência de estrutura adequada poderá resultar em questionamentos judiciais, autuações e passivos trabalhistas.

Com a decisão, o especialista avalia que o STF estabelece um importante precedente para fortalecer políticas de apoio à maternidade e promover ambientes de trabalho mais inclusivos e compatíveis com as demandas das relações laborais contemporâneas.


Especialistas discutem se dados usados para treinar inteligência artificial podem realmente ser apagados

Debate sobre direito ao esquecimento ganha novos desafios com avanço de sistemas generativos

 

Depois que uma foto, uma gravação de voz ou um vídeo são utilizados para treinar uma inteligência artificial, ainda é possível remover completamente esses dados do sistema? 

A pergunta, que até pouco tempo parecia distante da realidade, começa a mobilizar especialistas em tecnologia, privacidade e direito digital diante da expansão acelerada das plataformas de IA generativa. 

Ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e vozes artificiais dependem de grandes volumes de dados para treinamento. O problema, segundo especialistas, é que muitas dessas informações são capturadas do ambiente digital sem que os usuários compreendam totalmente como serão utilizadas no futuro. 

Para Marino Catarino, professor de Inteligência Artificial da Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, a dificuldade técnica de rastrear conteúdos incorporados aos modelos de IA deve se transformar em um dos principais debates jurídicos da próxima década. 

“A legislação garante ao cidadão o direito de solicitar exclusão e revogação do uso de seus dados. Porém, quando essas informações já foram absorvidas por redes neurais complexas, a remoção prática se torna extremamente difícil”, explica o professor. 

Segundo o especialista da ESEG, o desafio não está apenas na exclusão do arquivo original, mas principalmente em identificar como aquele dado influenciou o aprendizado do sistema. 

Isso acontece porque modelos de inteligência artificial operam a partir de padrões estatísticos construídos durante o treinamento, tornando praticamente impossível localizar de maneira simples onde cada informação foi incorporada. 

Além da discussão sobre privacidade, o avanço da IA também levanta questionamentos sobre autoria, responsabilidade e criação de identidades sintéticas hiper-realistas. 

“Nos próximos anos, teremos debates intensos sobre responsabilidade civil de algoritmos, direito autoral em conteúdos produzidos por IA e limites éticos para criação de identidades digitais artificiais”, afirma Marino Catarino. 

Embora o Marco Legal da Inteligência Artificial ainda esteja em discussão no Brasil, empresas e plataformas digitais já começam a enfrentar pressão internacional por maior transparência no uso de dados e no funcionamento de sistemas automatizados. 

Na avaliação do professor da Faculdade ESEG, o avanço da IA obrigará governos, empresas e tribunais a repensarem conceitos tradicionais de privacidade e proteção de dados. 

“O direito ao esquecimento entra em uma nova dimensão quando falamos de inteligência artificial. Não se trata apenas de apagar um conteúdo da internet, mas de entender se uma máquina realmente consegue ‘desaprender’ aquilo que já utilizou”, conclui Marino Catarino.


Taboola lança a solução de monetização para IA, por trás do DeeperDive, para plataformas globais

Nova solução permite que desenvolvedores de IA generativa, chatbots e assistentes virtuais transformem consultas de usuários em receita imediata por meio de anúncios nativos de alta intenção

 

A Taboola, líder global em oferecer performance em escala para anunciantes, divulgou nesta terça-feira a abertura do motor de monetização por trás do DeeperDive — um dos motores de respostas em Inteligência Artificial Generativa de crescimento mais rápido do mundo — para desenvolvedores de IA conversacional, chatbots e assistentes virtuais. A novidade é voltada para desenvolvedores de IA conversacional, chatbots e assistentes virtuais, permitindo que essas companhias transformem instantaneamente as consultas de seus usuários em novas fontes sustentáveis de receita.

 

A tecnologia, que já atua integrada a muitos dos principais publishers do mundo, converte conteúdos editoriais de confiança em uma experiência conversacional e interativa que permite aos leitores explorar as reportagens com maior profundidade. Para os veículos de mídia, o DeeperDive funciona como um canal para capitalizar sobre o comportamento do público que busca interações dinâmicas, inserindo anúncios de alta intenção diretamente na página de resultados gerada pela IA. Quem viabiliza essa demanda é o Realize, plataforma de anúncios de performance da Taboola que conecta diretamente dezenas de milhares de anunciantes a esses novos espaços.

 

“O futuro da internet será cada vez mais conversacional e agêntico. Embora as empresas de IA tenham feito um progresso incrível construindo produtos que os consumidores adoram, muitas ainda buscam modelos de negócios sustentáveis. Os usuários não vão assinar todos os serviços de IA que utilizam, o que cria uma oportunidade significativa para que a publicidade e o comércio ajudem a financiar a inovação", afirma Adam Singolda.

 

Na prática, a solução viabiliza a rentabilização de plataformas ao capitalizar sobre o comportamento de busca em tempo real. Como exemplo, se um usuário pergunta a um assistente virtual sobre o processo de compra de um imóvel, o sistema exibe de forma nativa um anúncio altamente relevante de financiamento imobiliário, criando uma combinação natural entre utilidade prática e publicidade contextualizada.

 

Para entregar esse ecossistema, a solução combina Large Language Models (LLMs), sistemas de recuperação de informações e dados de intenção proprietários, gerando dezenas de milhões de respostas mensais para mais de 7 milhões de usuários. Toda essa base é suportada pela computação acelerada da NVIDIA, garantindo alto rendimento e baixíssima latência para otimizar continuamente a qualidade das interações e a entrega de mídia. 


"O DeeperDive provou que as experiências de IA podem conectar usuários com sucesso a conteúdos de credibilidade e anúncios comerciais relevantes. Estamos agora levando essa infraestrutura de monetização para todo o ecossistema de IA ajudando aplicativos, agentes e serviços baseados em LLM a crescerem, enquanto geramos valor para usuários, anunciantes e publishers”, conclui Singolda.




A patologia dos penduricalhos: a erosão do teto constitucional e o Estado de castas

O léxico de Aurélio Buarque de Holanda define "penduricalho" como um objeto pendente, destinado ao adorno. No cenário da administração pública brasileira, contudo, o termo sofreu uma transfiguração semântica perversa: longe de ser um ornamento, tornou-se o instrumento jurídico-financeiro por excelência para contornar o Texto Constitucional. Essa manobra permite que uma elite do funcionalismo — espalhada pelos três Poderes — usufrua de remunerações que ignoram o teto estabelecido pelo art. 37, XI, da Carta de 1988, transfigurando o que deveria ser exceção em uma regra de privilégios. 

Essa deformação fundamenta-se em um drible hermenêutico que transmuda verba remuneratória em indenizatória. Sob o manto de "auxílios", "abonos" e "gratificações de acervo", essas rubricas tornam-se imunes à incidência do Imposto de Renda e, convenientemente, são excluídas do cálculo do teto salarial, hoje fixado em R$ 46.366,33. Enquanto o profissional da iniciativa privada submete cada centavo de sua renda à tributação progressiva, cerca de 53 mil servidores públicos rompem a barreira do teto, custando anualmente R$ 50 bilhões aos cofres públicos, conforme dados recentes que expõem as vísceras de um sistema de castas. 

A sofisticação nomenclatural desse fenômeno é surpreendente, com levantamentos da “Transparência Brasil” indicando mais de 3 mil denominações distintas para tais benefícios. Do "Auxílio iPhone" ao exótico "Auxílio Panetone" — este último, felizmente, glosado pelo STF —, a criatividade normativa parece não encontrar limites quando o objetivo é o autotratamento privilegiado. Tamanha discrepância torna-se ainda mais vergonhosa quando confrontada com a realidade regional, onde o Brasil ocupa uma oitava posição melancólica em valor de salário-mínimo na América do Sul, superando apenas nações em crises profundas, como a Argentina e a Venezuela. 

Este cenário de desigualdade institucionalizada revela um Estado que sofre de gigantismo crônico e ineficiência distributiva. Consumimos entre 12,8% e 13,4% do PIB com a máquina pública, um índice significativamente superior à média de 9% dos países da OCDE. Essa diferença, que beira os R$ 370 bilhões anuais, representa o capital que falta à educação básica, ao saneamento e à segurança pública, áreas fundamentais para a dignidade do cidadão comum que, em sua maioria, ganha pouco e financia o banquete alheio. 

A audácia desse corporativismo atingiu um novo ápice com a recente tentativa do Congresso de institucionalizar um "trem da alegria" para servidores legislativos, prevendo ganhos de até R$ 77 mil e regimes de folga desproporcionais. A decisão, aprovada por votação simbólica, ignorou solenemente o arcabouço fiscal e o princípio da moralidade administrativa, agindo como se o Parlamento estivesse acima da realidade econômica do país. Foi necessária a pronta intervenção do Judiciário, através do Ministro Flávio Dino, para sustar esse excesso e impedir que a catarse de privilégios ofuscasse a sobriedade republicana. 

Em última análise, o episódio dos penduricalhos serve como um alerta de que o Brasil precisa, urgentemente, ser "reestatizado". É imperativo resgatar o interesse público das garras de novos "donatários" que tratam o Erário como se fossem as capitanias hereditárias do século 21. A Constituição não pode ser um documento de intenções poéticas ou um escudo para abusos; ela deve ser a norma de eficácia plena que impeça a consolidação de um país dividido entre súditos e uma elite imune ao sacrifício e à ética da responsabilidade.

  

Samuel Hanan - engenheiro com especialização em macroeconomia e finanças. Foi vice-governador do Amazonas e é autor de obras sobre o desenvolvimento brasileiro. *Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças. É empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. https://samuelhanan.com.br


Viagens em grupo estão em alta, segundo pesquisa, mas detalhe ainda transforma férias em dor de cabeça

Freepik
CEO da Top Transfer alerta que falhas nos deslocamentos continuam entre os principais motivos de atrasos, desencontros e estresse em viagens pelo Rio de Janeiro  

 

Viajar com amigos, reunir a família para um feriado prolongado ou organizar uma comemoração fora da cidade está nos planos de cada vez mais brasileiros em 2026. Na Top Transfer, empresa especializada em mobilidade turística no Rio de Janeiro e em destinos como Ilha Grande, Angra dos Reis e Búzios, o aumento na procura por deslocamentos para grupos acompanha uma tendência observada em todo o setor de turismo: as viagens compartilhadas seguem em alta, mas os problemas de logística continuam entre as principais causas de atrasos, desencontros e estresse durante as férias.  


O movimento acompanha um comportamento identificado pela Booking.com. Segundo pesquisa divulgada este ano, 59% dos brasileiros pretendem realizar ao menos uma viagem em família em 2026, enquanto viagens entre amigos e grupos multigeracionais também aparecem entre as modalidades mais desejadas pelos viajantes. À medida que mais pessoas passam a viajar juntas, cresce também a necessidade de planejar deslocamentos, horários e bagagens com a mesma atenção dedicada à hospedagem e aos passeios.  


Para Junior de Camargo, CEO da Top Transfer, existe um padrão que se repete com frequência: os viajantes dedicam semanas à escolha da hospedagem, dos restaurantes e dos passeios, mas deixam o transporte para os últimos dias antes do embarque.

 

"Todo mundo planeja onde vai ficar, onde vai comer e o que vai fazer. O deslocamento normalmente fica para depois. Só que é justamente ele que conecta toda a viagem. Quando a logística dá errado, o problema acaba afetando o restante da experiência."

 

Além disso, o empresário destaca que o planejamento interfere até mesmo na segurança. “Por isso, reservar um transfer privado com antecedência faz diferença principalmente para grupos. Além de garantir um veículo compatível com o número de passageiros e bagagens, o serviço oferece um motorista preparado, que conhece os trajetos, os horários de maior movimento e as particularidades de cada destino." 


 

A confusão costuma começar ainda no aeroporto

 

O primeiro desafio muitas vezes aparece poucos minutos depois do desembarque. Quem chega ao Rio em grupo precisa lidar com bagagens, diferentes ritmos entre os viajantes e a necessidade de reunir todo mundo rapidamente para seguir viagem. Na prática, nem sempre isso acontece.

 

Quando o transporte já está previamente reservado, o grupo desembarca sabendo exatamente onde encontrar o motorista, qual veículo irá utilizar e como será feito o deslocamento. Isso reduz o tempo de espera, evita desencontros e proporciona mais conforto desde o início da viagem. 

 

"Muita gente acha que é só sair do aeroporto e pedir alguns carros por aplicativo. Mas quando você está com dez, quinze ou vinte pessoas, a situação muda completamente. Os carros chegam em horários diferentes, param em lugares diferentes e ainda existe a questão das malas. É aí que começam os atrasos e os desencontros", explica Junior.

 

Segundo o empresário, o problema costuma ser ainda mais evidente quando o grupo desembarca no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), principal porta de entrada para turistas que seguem viagem para outras regiões do estado.


 

O erro que quase todo grupo comete

 

Ao contrário do que muita gente imagina, o trânsito nem sempre é o principal responsável pelos atrasos. Na avaliação de Junior, um dos maiores erros é acreditar que um grupo se movimenta na mesma velocidade de um casal ou de uma família pequena.

"O que leva cinco minutos para duas pessoas pode levar quinze para um grupo. Sempre tem alguém que vai ao banheiro, para para comprar uma água, pegar um café ou resolve entrar numa loja. Não é falta de organização. É simplesmente a dinâmica natural de viajar com muitas pessoas."

 

Esse comportamento costuma impactar especialmente conexões, passeios com horário marcado, embarques em embarcações, shows, eventos e atrações turísticas.

 

"Muita gente monta o cronograma pensando apenas no tempo de deslocamento do carro. Só que existe também o tempo de deslocamento do grupo. Quando você entende isso e cria uma margem de segurança nos horários, boa parte dos problemas deixa de existir."


 

A bagagem que ninguém planeja

 

Outro detalhe frequentemente ignorado pelos viajantes está dentro do porta-malas. Segundo Júnior, muitas pessoas calculam apenas o número de passageiros e esquecem de considerar o espaço necessário para acomodar malas, carrinhos de bebê, equipamentos esportivos e outros objetos.

 

"É muito comum todo mundo caber no veículo e as bagagens não. Isso acontece mais do que as pessoas imaginam." A situação pode ficar ainda mais complicada na volta para casa. "As pessoas planejam a bagagem da ida, mas esquecem da volta. Quem passa alguns dias viajando acaba comprando lembranças, roupas, presentes ou outros itens. Muitas vezes a bagagem que sai do destino é bem maior do que a que chegou."


 

Aplicativos resolvem para uma pessoa. Nem sempre para vinte

 

Os aplicativos de transporte fazem parte da rotina de milhões de brasileiros e funcionam bem para deslocamentos individuais ou em pequenos grupos. O cenário muda quando várias pessoas precisam chegar juntas ao mesmo local e no mesmo horário.

 

"Conseguir um carro normalmente é fácil. Conseguir cinco carros ao mesmo tempo já é outra história. E mesmo quando isso acontece, cada um pode seguir um caminho diferente, chegar em horários diferentes ou desembarcar em pontos distintos."

 

Segundo o empresário, esse tipo de situação costuma gerar problemas principalmente em aeroportos, rodoviárias, praias, centros de convenções, eventos e locais muito movimentados.


 

Planejamento ainda é a melhor estratégia

 

A recomendação é que os deslocamentos sejam definidos assim que passagens, hospedagem e roteiro principal estiverem fechados. Quanto maior o grupo e mais disputada a época do ano, mais importante se torna a antecedência. "Quem deixa para resolver tudo na última semana corre mais risco de não encontrar o veículo adequado ou de precisar adaptar os planos."



Como evitar catástrofes naturais em um mundo cada vez mais imprevisível?

Enchentes históricas, secas prolongadas, ondas de calor recordes e incêndios florestais cada vez mais frequentes têm transformado eventos antes considerados excepcionais em uma realidade recorrente – expondo a vulnerabilidade de cidades, empresas e populações inteiras diante de fenômenos naturais cada vez mais intensos. Embora não seja possível controlar o meio ambiente, existem decisões que governos, empresas e a sociedade como um todo podem tomar para minimizar os efeitos desses eventos, além de aumentar a capacidade de adaptação da sociedade, mesmo diante de um mundo cada vez mais imprevisível. 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que os últimos 11 anos (2015–2025) foram os mais quentes já registrados, demonstrando que não se trata de eventos isolados, mas de uma tendência contínua de aquecimento global. Somente no primeiro semestre de 2025, de acordo com outro levantamento da Munich Re, os desastres naturais geraram US$ 131 bilhões em prejuízos globais, valor muito acima da média histórica. 

Se os números deixam claro que o problema está se agravando, a solução, por outro lado, está longe de ser simples. Reduzir a frequência e a intensidade dessas catástrofes naturais exigiria uma mudança coordenada de comportamento em escala global, envolvendo governos, empresas e a população no geral - através de ações como acelerar a transição para fontes de energia renováveis, rever modelos de produção e consumo, e criar incentivos econômicos que favoreçam práticas mais sustentáveis.  

Na teoria, o caminho parece evidente. Na prática, porém, ele esbarra em interesses econômicos e disputas geopolíticas. A própria China ilustra essa complexidade: por mais que o país já tenha reconhecido a importância da agenda climática como algo extremamente estratégico para o futuro, ainda depende, fortemente, de combustíveis fósseis para sustentar seu crescimento econômico e garantir segurança energética durante a transição. Ou seja, mesmo quando existe consciência sobre o problema, a velocidade da mudança é limitada por desafios econômicos e estruturais que não podem ser ignorados. 

Por parte das empresas, adotar e seguir metodologias de gestão que auxiliem na otimização de riscos e estabelecimento de medidas preventivas baseadas em dados é uma das medidas mais importantes de ser seguida nesse sentido. Normas como a ISO 14001, por exemplo, de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), ajudam as organizações a identificarem, monitorarem e reduzirem os impactos que suas operações causam ao meio ambiente, criando processos mais sustentáveis e alinhados às exigências de um cenário cada vez mais complexo, além de predizer possíveis cenários de catástrofes que possam impactar seus processos. 

Mais do que uma questão de conformidade ou reputação, trata-se de compreender como as atividades do negócio afetam o ecossistema e quais riscos ambientais podem surgir a partir dessas interações. Com isso, conseguem antecipar ameaças, desenvolver planos de contingência e tomar decisões mais assertivas que contribuam para um modelo de desenvolvimento mais resiliente e sustentável. 

Ter um planejamento urbano mais adequado a esses eventuais desastres também precisa entrar na agenda da sociedade mundial, uma vez que, hoje, muitas grandes cidades estão extremamente vulneráveis a eventos climáticos que já se tornaram recorrentes. São Paulo é um exemplo disso: bastam algumas horas de chuva mais intensa para que ocorram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia, congestionamentos generalizados e alagamentos em diferentes regiões. 

Em muitos casos, os problemas não decorrem apenas da força da natureza, mas da falta de manutenção preventiva e da ausência de investimentos consistentes em infraestrutura resiliente. Nesse contexto, sistemas de monitoramento climático e alertas antecipados também desempenham um papel fundamental, pois permitem identificar riscos com antecedência, orientar a população e reduzir perdas humanas e materiais. Embora não impeçam a ocorrência dos fenômenos, essas ferramentas ajudam a transformar desastres potenciais em situações mais controláveis e menos devastadoras. 

Por fim, a educação também precisa fazer parte dessa discussão, pois uma sociedade preparada responde melhor aos momentos de crise. Considerando que o acesso à informação ainda seja desigual ao redor do mundo, é fundamental investir em programas de conscientização, campanhas educativas, treinamentos e simulações que ensinem como agir diante de enchentes, deslizamentos, ondas de calor, incêndios e outros eventos extremos desde cedo. 

Países que convivem com terremotos há décadas, como exemplo, incentivam que as crianças aprendam nas escolas protocolos de segurança e participem, regularmente, de exercícios de evacuação e resposta a emergências - o que resulta em uma população mais preparada, capaz de reagir com maior rapidez, reduzir riscos e colaborar de forma mais eficiente nesses cenários.  

Não existe uma solução única para evitar catástrofes naturais, tampouco a expectativa realista de eliminar completamente seus riscos. O que existe é a oportunidade — e a responsabilidade — de reduzir seus impactos por meio de decisões mais conscientes e planejadas. Isso passa pelo compromisso das empresas com práticas sustentáveis e gestão de riscos, por investimentos em infraestrutura e planejamento urbano, e pela formação de uma população mais preparada para enfrentar situações de emergência. 

  

Alexandre Pierro - doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.

 

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