Pesquisar no Blog

segunda-feira, 1 de junho de 2026

"Não existe dose segura de anabolizantes para ganho de massa muscular", alerta professor de Medicina

Uso de anabolizantes para ganho de massa muscular
 pode provocar efeitos colaterais severos
Na esteira da morte de fisiculturista, médico e docente da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) alerta para os efeitos colaterais dos esteroides, como infarto, AVC e infertilidade

 

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, com apenas 22 anos, reacendeu o alerta para o uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos. Marco Aurélio Marins Aguiar, professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico e especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ressalta que não existe dose segura de anabolizantes para ganho de massa muscular. E adverte: a substância provoca efeitos colaterais severos, como insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), infertilidade, entre outros. 

Influenciador digital e fisiculturista, Gabriel Ganley foi encontrado morto no dia 23/5. O jovem, que tinha 1,7 milhão de seguidores no Instagram e publicava conteúdo sobre musculação e preparação física, teve morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica, quadro que pode ter sido causado pelo uso de anabolizantes. 

O professor da UMC explica que essas substâncias têm a capacidade de promover o desenvolvimento celular ou tecidual e estão presentes naturalmente no corpo humano, mas ressalva: 

"Entretanto, só podem ser prescritas em caso de deficiência hormonal comprovada, em doses fisiológicas de reposição para manter os hormônios em níveis normais”. 

Aguiar esclarece que a prescrição de esteroides com a finalidade estética ou de ganho de massa muscular é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), conforme a resolução 2.333/2023: 

"Vale lembrar que, muitas vezes, o uso de anabolizantes é feito em razão de um falso diagnóstico de deficiência hormonal, utilizando doses para manter os níveis hormonais mais elevados, mas sem a deficiência comprovada", comenta. 

O endocrinologista explica que um hormônio natural que possui essa capacidade anabolizante é a testosterona, presente nos homens; nas mulheres, é o hormônio estrogênio.
 

Riscos

"Quando se fala em uso de substâncias anabolizantes com a finalidade estética, elas promovem um aumento da massa muscular em intensidade e velocidade muito maiores do que a obtida por meio da atividade física isoladamente”, explica. 

Porém, quando utilizadas sem a indicação precisa de reposição hormonal masculina, podem causar efeitos adversos extremamente perigosos, que podem aparecer no curto e no longo prazo: risco aumentado de doenças cardiovasculares severas, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, além do risco aumentado do desenvolvimento de câncer, principalmente do fígado. 

Há também riscos de mudança de humor, com maior tendência à irritabilidade e agressividade, além de calvície, acne, aumento da gordura no fígado, tanto em homens como em mulheres: 

"Em homens, dentre os efeitos colaterais estão a atrofia dos testículos, infertilidade, aumento de mamas. Em mulheres podem ocorrer engrossamento irreversível da voz, aumento irreversível no tamanho do clitóris, atrofia das mamas, infertilidade”, cita o médico e professor da UMC.
 

Academia faz bem?

O docente ressalta que a musculação é uma excelente atividade física, que promove ganho ou manutenção da massa muscular, com consequente ganho na qualidade de vida, sendo indicada em qualquer idade, com a supervisão profissional. Mas alerta: 

"Associada a exercícios aeróbicos, a musculação é uma excelente estratégia para manutenção da saúde, em geral. O que não pode ocorrer é a utilização de substâncias com riscos potenciais à saúde
para acelerar e intensificar o processo de ganho muscular", conclui o endocrinologista.
 

 

Marco Aurélio Marins Aguiar - professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico e especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)


Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic

Especialista aponta que o sistema regulatório brasileiro se apoia em diferentes mecanismos de controle para garantir segurança sanitária e acesso responsável ao medicamento

 

A aprovação, pela Anvisa, da primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para tratamento de diabetes tipo 2 abriu uma nova discussão no setor da saúde sobre concorrência farmacêutica, acesso à medicação, judicialização e responsabilidade civil envolvendo medicamentos de alta complexidade. O medicamento, registrado com o nome Ozivy, surge após a expiração da patente do Ozempic e marca um novo momento regulatório no mercado brasileiro. Para Anna Júlia Goulart, especialista em Direito da Saúde, a queda da patente produz impactos importantes sobre a concorrência, mas com particularidades técnicas relevantes.

“A expiração da patente não cria um ‘precedente’ jurídico em sentido próprio, mas produz efeito direto sobre a concorrência. Enquanto vigente a proteção patentária, conferida pela Lei de Propriedade Industrial, o titular detém exclusividade de exploração comercial. Expirado o prazo, o princípio ativo cai em domínio público e pode ser explorado por terceiros, observados os requisitos sanitários.” A especialista ressalta que a semaglutida possui uma característica regulatória específica por se tratar de um produto biológico.

“Por se tratar de produto biológico, não existe a categoria de genérico na regulação brasileira. O registro do Ozivy foi concedido como medicamento novo, na categoria de análogo sintético de produto biológico. Isso significa que cada concorrente precisa de registro próprio, com comprovação autônoma de eficácia, segurança e qualidade, e não de mero registro simplificado por bioequivalência.”

A chegada de novas versões da semaglutida também pode gerar reflexos no aumento ou redução da judicialização da saúde, especialmente em ações envolvendo fornecimento pelo SUS e planos de saúde aponta Anna Júlia.

“O efeito provável é mais indireto do que direto. A judicialização para fornecimento depende de fatores como registro na Anvisa, incorporação ao rol - Conitec, no SUS e rol da ANS, na saúde suplementar - e indicação aprovada para a condição do paciente.”

Segundo a advogada, a ampliação da oferta pode contribuir para redução de custos e facilitar futuras incorporações administrativas.

“A entrada de novas versões tende a reduzir custos, o que pode favorecer a incorporação administrativa e, por consequência, diminuir a pressão por judicialização. Por outro lado, mais opções registradas com indicação para diabetes tipo 2 reforçam ações individuais quando há prescrição para essa indicação. Cabe destacar que, conforme o registro divulgado pela Anvisa, o Ozivy tem indicação aprovada apenas para diabetes tipo 2, não para obesidade isoladamente, o que limita pleitos voltados ao emagrecimento.”

Outro ponto que ganha relevância é a discussão sobre responsabilidade civil em casos de efeitos adversos relacionados ao uso desses medicamentos. “Depende de contra quem se discute a responsabilidade. Na relação entre fabricante e paciente-consumidor, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor, que estabelece responsabilidade objetiva do fabricante pelo fato do produto, art. 12 da Lei, independentemente de culpa. O fabricante se exime apenas se provar que não colocou o produto no mercado, que o defeito inexiste ou que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, art. 12, § 3º.”

Para Anna Júlia Goulart, a ampliação do acesso aos medicamentos precisa ocorrer sem flexibilização das exigências sanitárias e regulatórias. “O equilíbrio se sustenta na premissa de que ampliação de acesso não dispensa controle sanitário. O Ozivy passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade exigido pela agência reguladora — ou seja, maior oferta no mercado decorre de aprovação técnica, não de flexibilização de exigências.”

A especialista afirma que o sistema regulatório brasileiro se apoia em diferentes mecanismos de controle para garantir segurança sanitária e acesso responsável. “Três eixos sustentam esse equilíbrio: o controle de entrada, pelo registro sanitário com avaliação técnica rigorosa, especialmente relevante por se tratar de análogo sintético de biológico, categoria de alta complexidade; o controle de preço, pela atuação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa que o Ozivy ainda precisa cumprir antes da comercialização; e o controle posterior, pela farmacovigilância e pela fiscalização de prescrição e dispensação, que coíbem uso fora de indicação. O acesso ampliado é legítimo desde que ocorra dentro dessa estrutura, e não à margem dela.”

 

Fonte: Anna Júlia Goulart - Graduada em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Anna Júlia possui pós-graduação em Direito à Saúde pelo Instituto Israelita Albert Einstein e atualmente é mestranda em Direito Constitucional no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP Brasília).

 

Ranking aponta os ‘top 10’ melhores hospitais públicos do Brasil em 2026

Magnific
Premiação nacional avaliou qualidade assistencial, a eficiência no uso dos recursos e satisfação dos pacientes em hospitais 100% SUS; iniciativa envolveu OPAS/OMS, DataSenado e instituições da área da saúde 

 

Um levantamento nacional que analisou milhares de unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) revelou os 10 melhores hospitais públicos do Brasil em 2026. O resultado foi anunciado na manhã desta sexta-feira (29/5), durante cerimônia realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília (DF), no evento de premiação dos Melhores Hospitais Públicos do Brasil.

A iniciativa é do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a OPAS/OMS, Instituto Ética Saúde (IES), Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O primeiro lugar do ranking ficou com o Hospital Estadual de Sumaré (SP), seguido pelo Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (GO), em segundo, Centro de Referência da Saúde da Mulher (SP), em terceiro, Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP), em quarto e Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro (MG), em quinto.

Em sexto lugar ficou o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP), seguido pelo Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP), em sétimo, Hospital Estadual de Sapopemba (SP), em oitavo, Hospital Municipal Cidade Tiradentes (SP), em nono, e Hospital Geral de Itapevi (SP), em décimo.

Embora o ranking dos “top 10” tenha forte concentração no estado de São Paulo — responsável por oito das dez instituições premiadas — a relação específica dos hospitais mais bem avaliados pelos usuários apresentou distribuição geográfica um pouc mais heterogênea.

Mais do que uma simples premiação, o levantamento buscou identificar modelos de excelência hospitalar no SUS, considerando não apenas estrutura e produção assistencial, mas também eficiência operacional, segurança, qualidade do atendimento e percepção dos próprios usuários do sistema público de saúde.

“O prêmio nasce com o propósito de reconhecer experiências de excelência existentes no SUS e valorizar hospitais públicos que conseguem aliar qualidade assistencial, eficiência e compromisso com o paciente. O Brasil possui centros hospitalares públicos altamente qualificados e isso precisa ser divulgado para que seja conhecido pela sociedade”, afirma o médico sanitarista Renilson Rehem, ex-presidente do Ibross e idealizador da premiação.

O processo de avaliação começou com um universo de 5.279 hospitais que atendem o SUS no país. A partir desse total, foram pré-selecionadas unidades públicas com mais de 50 leitos e atendimento exclusivamente voltado ao SUS. Após a aplicação dos critérios técnicos, chegou-se à lista dos 100 melhores hospitais públicos brasileiros, da qual saíram os 10 primeiros colocados.

A seleção considerou hospitais gerais — adultos e pediátricos — e também unidades especializadas em cardiologia, oncologia, ortopedia e maternidade, vinculadas às esferas federal, estadual ou municipal. Hospitais psiquiátricos e de longa permanência ficaram fora da análise.

Na avaliação foram considerados indicadores como acreditação hospitalar, taxa de mortalidade ajustada, percentual de internações de alta complexidade, disponibilidade de leitos de UTI, taxa de ocupação e tempo médio de permanência dos pacientes internados.

Na etapa final do ranking, o estudo passou a incorporar também critérios relacionados à eficiência hospitalar, compliance institucional e satisfação dos usuários. A análise de eficiência foi realizada com apoio do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD/UFMG), por meio da metodologia DEA (Data Envelopment Analysis), utilizada internacionalmente para medir eficiência relativa em organizações complexas.

 

Avaliação dos usuários

Outro diferencial da premiação foi a realização de uma ampla pesquisa independente de satisfação dos pacientes conduzida pelo Instituto DataSenado. O estudo ouviu pacientes — ou acompanhantes — que receberam alta hospitalar em novembro de 2025 nas instituições participantes da premiação.

A pesquisa foi realizada entre 14 e 20 de abril de 2026 e submetida previamente ao Comitê de Ética em Pesquisa, devido ao tratamento de dados pessoais e sensíveis dos participantes. Dos 100 hospitais elegíveis para essa etapa, 64 encaminharam as informações necessárias para a realização das entrevistas e 56 atingiram quantidade estatisticamente válida de respostas para compor a avaliação final.

As entrevistas foram feitas por telefone, por meio da metodologia CATI (Computer-Assisted Telephone Interviewing), sistema assistido por computador que utiliza questionário estruturado e protocolos padronizados de abordagem para reduzir vieses e aumentar a confiabilidade dos resultados.

A satisfação dos usuários foi medida a partir da nota atribuída pelos pacientes à qualidade do hospital, em uma escala de zero a dez. A pergunta central da pesquisa foi: “Em uma escala de 0 a 10, em que 0 significa muito ruim e 10 significa excelente, qual a nota que você dá para a qualidade do hospital?”.

Nesse quesito, o Hospital Regional de Piracicaba (SP) apareceu em primeiro lugar, seguido pelo Hospital Universitário Walter Cantídio (CE), em segundo, Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP), em terceiro, Hospital Universitário Oswaldo Cruz (PE), em quarto, e Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (ES), em quinto.

O sexto lugar entre as unidades mais bem avaliadas pelos usuários ficou com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP), seguido pelo Hospital Estadual de Américo Brasiliense, em sétimo, Hospital Regional de Registro (SP), em oitavo, Hospital Municipal da Vila Santa Catarina (SP), em nono, e Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé (MS).

Segundo Renilson Rehem, a proposta da premiação também é estimular a melhoria contínua da qualidade da assistência pública hospitalar no país.

“Queremos incentivar a disseminação de boas práticas de gestão, assistência e governança no SUS. Ao reconhecer hospitais que se destacam em eficiência, qualidade e experiência do paciente, criamos referências positivas para todo o sistema público de saúde”, afirma.

 

Melhores Hospitais Públicos do Brasil

  1. Hospital Estadual de Sumaré (SP)
  2. Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (GO)
  3. Centro de Referência da Saúde da Mulher (SP)
  4. Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP)
  5. Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro (MG)
  6. Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP)
  7. Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP)
  8. Hospital Estadual de Sapopemba (SP)
  9. Hospital Municipal Cidade Tiradentes (SP)
  10. Hospital Geral de Itapevi (SP)


Melhores Hospitais na Avaliação dos Usuários

1.   Hospital Regional de Piracicaba (SP)

2.   Hospital Universitário Walter Cantídio (CE)

3.   Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo (SP)

4.   Hospital Universitário Oswaldo Cruz (PE)

5.   Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (ES)

6.   Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (SP)

7.   Hospital Estadual de Américo Brasiliense (SP)

8.   Hospital Regional de Registro (SP)

9.   Hospital Municipal da Vila Santa Catarina (SP)

10.       Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé (MS)


Conheça o caminho que a fumaça do tabaco percorre no corpo e os riscos a diferentes órgãos

O fumo já é responsável por pelo menos 14 tipos de câncer, mas as consequências podem ir muito além do surgimento de tumores, inclusive em não-fumantes

 

O Brasil registrou pela primeira vez desde 2007 um aumento no número de fumantes adultos, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, o que mais chamou atenção nesse levantamento, foi a proporção de aumento entre as mulheres (crescimento de mais de 2%), que também são as maiores consumidoras dos cigarros eletrônicos. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país gasta anualmente mais de R$67 bilhões com despesas médicas relacionadas a doenças causadas pelo tabagismo. 

Sabe-se que qualquer forma de tabaco expõe o corpo a componentes tóxicos. Um exemplo disso, é que apenas um único cigarro pode conter mais de 4 mil substâncias tóxicas, muitas delas com ação cancerígena. A fumaça que libera esses agentes, seja no ar ou no organismo, tem poder de causar danos a vários órgãos, gerando doenças que vão muito além do câncer de pulmão, o 3º tumor mais frequente em homens e 4º em mulheres no país. 

O Dr. Helano Freitas, oncologista e vice-líder do centro de referência em tumores de pulmão do A.C.Camargo Cancer Center destaca o passo a passo do percurso da fumaça pelo corpo e seus impactos no organismo. “Todos os órgãos que têm contato direto com a fumaça e os componentes tóxicos do tabaco estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de um câncer”, afirma.

 

O caminho da fumaça

A fumaça do cigarro percorre um caminho destrutivo pelo organismo e deixa marcas desde o primeiro contato. Segundo especialistas, a boca é a porta de entrada dessa agressão: dentes amarelados, manchas, mau hálito, predisposição a cáries e risco elevado de câncer de lábios, boca e língua estão entre os primeiros efeitos visíveis. 

Na sequência, a fumaça atinge faringe e laringe, podendo causar inflamações como faringite e laringite, além de aumentar a probabilidade de tumores nessas regiões. Já nos pulmões, o impacto é ainda mais severo: cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao tabagismo. As substâncias tóxicas inaladas, entre elas: aminas aromáticas, nitrosaminas e metais pesados como cádmio e chumbo, entram na corrente sanguínea, passam pelo fígado e seguem para os rins e bexiga, ampliando a predisposição a tumores urológicos. 

Além das doenças pulmonares graves, como enfisema, bronquite e pneumonia, o tabaco também é um fator determinante para doenças cardiovasculares. A nicotina chega ao coração e ao cérebro em segundos, elevando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Parte da fumaça é deglutida com a saliva, expondo estômago e intestinos. Nesse processo, aumentam-se espécies reativas de oxigênio, responsáveis por danos ao DNA e inflamação crônica, que favorecem cânceres do estômago e do pâncreas. O tabaco ainda altera a flora intestinal, estimulando bactérias pró-inflamatórias e a formação de metabólitos carcinogênicos. 

“O tempo de exposição ao tabagismo é um fator crucial. Quanto mais se fuma, mais substâncias se acumulam, atacando órgãos e contribuindo para a transformação de células normais em células cancerígenas”, explica o oncologista.

 

Fumo passivo também é perigoso

O perigo não se restringe apenas a quem fuma. A exposição ambiental à fumaça do tabaco aumenta em 20 a 30% o risco de câncer e em 25 a 30% o risco de doenças cardiovasculares, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC). A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o fumo passivo é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano, atingindo principalmente mulheres.

  

A.C.CAMARGO CANCER CENTER

 

5 causas de perda auditiva entre jovens x dicas de como evitá-las

Jovens precisam redobrar cuidados com a audição para evitar perda auditiva precoce

 

A perda auditiva entre jovens tem aumentado nos últimos anos, principalmente devido à hábitos comuns da rotina moderna. O uso prolongado de fones de ouvido em volume alto e a exposição frequente a ambientes barulhentos estão entre os principais fatores que podem comprometer a saúde auditiva de forma gradual e silenciosa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de jovens no mundo estejam em risco de desenvolver perda auditiva evitável.

 

A fonoaudióloga e diretora de Marketing e Produtos Latam da WSA, Gisele Munhoes explica: 

 

“O principal vilão está no uso inadequado de fones de ouvido. Escutar música em volume alto por longos períodos, especialmente com fones intra-auriculares, pode danificar as células sensoriais do ouvido interno responsáveis pela captação dos sons. Como essas estruturas não se regeneram, o prejuízo pode ser permanente”. 

 

Além dos fones, frequentar shows, festas, baladas e ambientes barulhentos sem proteção também aumenta o risco de perda auditiva precoce. Assim como a exposição constante a ruídos urbanos intensos, videogames em volume elevado e o hábito de dormir ouvindo música. 

Segundo a profissional, identificar os fatores de risco e adotar medidas preventivas é essencial para preservar a audição ao longo da vida.

 

Principais causas de perda auditiva em jovens e como evitar

 

1. Uso prolongado de fones de ouvido em volume alto

Escutar música por muitas horas seguidas, especialmente acima de 60% do volume máximo, pode causar danos às células auditivas internas.

Como evitar:

  • Mantenha o volume em níveis moderados; 
  • Faça pausas a cada hora de uso; 
  • Prefira fones com isolamento acústico, que reduzem a necessidade de aumentar o som; 
  • Evite dormir com fones ligados. 

 

2. Exposição a ruídos intensos (festas, shows e baladas)

Ambientes com som elevado podem provocar zumbido temporário e com repetição frequente, perda auditiva permanente.


Como evitar:

  • Utilize protetores auriculares em eventos; 
  • Afaste-se das caixas de som; 
  • Faça intervalos em áreas silenciosas durante festas e shows; 
  • Dê descanso aos ouvidos após exposições intensas. 

 

3. Infecções de ouvido não tratadas

Otites e inflamações podem gerar complicações e afetar estruturas importantes da audição quando negligenciadas.


Como evitar:

  • Procure atendimento médico ao sentir dor, secreção ou sensação de ouvido tampado; 
  • Não use objetos para “cutucar” o ouvido; 
  • Mantenha boa higiene e cuidados após piscina ou praia; 
  • Siga corretamente o tratamento indicado. 

 

4. Uso inadequado de medicamentos ototóxicos

Alguns remédios podem causar efeitos colaterais auditivos, especialmente quando usados sem orientação.


Como evitar:

  • Nunca se automedique; 
  • Utilize medicamentos apenas com prescrição médica; 
  • Informe ao médico caso perceba zumbido ou redução auditiva durante o tratamento; 
  • Respeite doses e tempo de uso. 

 

5. Fatores genéticos

Em alguns casos, alterações hereditárias podem influenciar a audição desde o nascimento ou ao longo da vida.


Como evitar ou monitorar:

  • Realize exames auditivos periódicos se houver histórico familiar; 
  • Faça triagem auditiva em crianças; 
  • Busque acompanhamento especializado ao notar sinais de dificuldade para ouvir. 

“Cuidar da audição desde a juventude ajuda a evitar impactos futuros na comunicação, desempenho profissional, aprendizado e qualidade de vida. A recomendação é incluir a saúde auditiva na rotina de cuidados preventivos, com avaliação periódica e atenção aos primeiros sinais de alteração”, complementa Gisele Munhoes.

 

WSA

 

 

Para além do nódulo: saiba quais os outros possíveis sintomas do câncer de mama

Índice liderado pelo Instituto Natura aponta que 37% das brasileiras só conhecem o nódulo na mama como indicativo de câncer, mas existem outros sintomas relevantes; rastreio contínuo de sinais da doença ajuda a detectá-la precocemente, aumentando as chances de bom prognóstico

 

Cuidar da saúde e rever hábitos são atitudes que fazem a diferença em qualquer momento do ano. Para pessoas do sexo feminino com mais de 40 anos ou indicação médica, é importante que a mamografia conste entre os exames de rotina. 

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente e o que mais mata mulheres em todo o Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Apesar disso, dados do Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama 2025, ferramenta criada pelo Instituto Natura e pela Avon para medir o nível de conhecimento da população sobre a doença e o cuidado com a saúde das mamas, apontam que a maioria das mulheres brasileiras não está bem informada sobre a doença, sendo que 37% delas só conhecem o nódulo na mama como possível indicativo de tumor.

 

Quais possíveis sintomas o câncer de mama provoca?

A mastologista Juliana Francisco, consultora médica do Instituto Natura, esclarece que alterações na pele, como vermelhidão, inchaço ou aspecto de casca de laranja, retração, inversão e/ou saída de secreção no mamilo são possíveis sintomas de câncer de mama, além do nódulo na região do seio ou da axila.

“É essencial conhecer o próprio corpo e ficar atenta a mudanças nas mamas para identificar esses possíveis sintomas, mas isso não exclui a necessidade de fazer a consulta anual com o ginecologista e os exames de rotina, principalmente a mamografia”, afirma a médica.

 

Quais devem ser os exames de rotina para detectar um câncer de mama?

A Sociedade Brasileira de Mastologia e o Ministério da Saúde recomendam, considerando as características da população brasileira, que a mamografia seja realizada anualmente a partir dos 40 anos de idade em mulheres de risco habitual.Já em mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau, o início do rastreamento deve ser individualizado, podendo ser indicado cerca de dez anos antes da idade do diagnóstico do familiar, respeitando-se, em geral, a idade mínima de 30 anos. 

Além disso, havendo sintomas, o exame de mamografia, ou outro exame diagnóstico indicado, deve ser feito em qualquer idade e até 30 dias após o pedido médico, de acordo com a Lei dos 30 dias (Lei nº 13.896/2019) o mesmo prazo vale para a biópsia, exame que confirma se há tumor maligno ou benigno.

 

Quais cuidados tomar em 2026 para reduzir as chances de desenvolver um câncer de mama?

O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama revelou que 17% das mulheres brasileiras acreditam que a prática do autoexame é uma forma de reduzir o risco de desenvolver a doença. Esse dado evidencia uma confusão conceitual importante: conhecer o próprio corpo e identificar rapidamente alterações é uma estratégia de detecção precoce, enquanto a redução de risco envolve medidas que efetivamente diminuem a probabilidade de surgimento do câncer. 

O câncer de mama tem fatores de risco não modificáveis - como o histórico familiar, a menarca precoce e a menopausa tardia -, mas muitos outros estão ligados ao estilo de vida, como a obesidade, o sedentarismo e o consumo de álcool, que podem ser alvo de estratégias preventivas para reduzir a probabilidade de desenvolvimento da doença. 

“A conscientização a partir de informações de qualidade é fundamental não só para que as mulheres tenham os instrumentos para lutar por seus direitos, garantir seus acessos a exames e conhecer melhor seus corpos tentando buscar uma detecção precoce, como também para adotarem hábitos de vida mais saudáveis. Esses hábitos são importantes para a redução dos riscos de desenvolver a doença e também para, caso recebam um diagnóstico, saberem os direitos que a amparam diante deste desafio.”, afirma Mariana Lorencinho, Gerente de Políticas Públicas de Saúde das Mulheres no Instituto Natura. 

Para ajudar a diminuir o risco de câncer de mama, a mastologista Juliana orienta: “mantenha-se ativa, pratique exercícios regularmente, alimente-se de forma equilibrada, com muitas frutas e vegetais, evite bebidas alcoólicas e, se possível, amamente, pois a amamentação também protege a saúde das mamas”.

 

Metodologia do Índice de Conscientização

O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama é uma ferramenta perene lançada pelo Instituto Natura e a Avon - que há mais de 22 anos desenvolvem iniciativas em prol da saúde e dos direitos das mulheres - em 2025 para medir o nível de conscientização da população do Brasil e da Argentina sobre a doença e o cuidado com a saúde das mamas. A expectativa é de que os dados sejam atualizados a cada ano, permitindo um acompanhamento contínuo do cenário.

Em 2025, os dados do Brasil foram coletados pela Somatório Inteligência a partir de entrevistas com 2.662 mulheres acima de 18 anos em todas as regiões do país. O levantamento contou com controle de cotas por faixa etária, classe econômica (sendo que há subparticipação das classes D e E devido à não aceitação em participar da pesquisa - na maioria dos casos, por falta de confiança em falar do assunto), unidades federativas e porte dos municípios de residência. O erro amostral é de 1.9%, com um nível de confiança de 95%. 

As entrevistas aconteceram entre 6 de julho e 10 de agosto de 2025, metade delas presencialmente e metade por telefone. As regiões do país com maior número de participantes são a Sudeste (43%), Nordeste (26%) e Sul (15%). Norte e Centro-Oeste são as regiões de residência de 8%, cada uma, do total de mulheres ouvidas.



Instituto Natura

Avon
www.avon.com.br


IA na reprodução humana: Dr. Alfonso Massaguer explica o que a tecnologia já transforma e onde a Ciência ainda não chego

Especialista da Clínica Mãe defende uso criterioso e transparente da inteligência artificial, que já está disponível para as pacientes, mas ainda não atua na principal limitação da fertilidade humana 

A inteligência artificial chegou à medicina reprodutiva — e veio para ficar. Mas o que ela realmente entrega para as pacientes que buscam engravidar? Quais são seus limites atuais? E como um casal em tratamento de fertilidade deve avaliar essa tecnologia na hora de tomar decisões? 

O Dr. Alfonso Massaguer (CRM 97335 | RQE 42794), fundador e diretor da Clínica Mãe, referência nacional e internacional em reprodução humana assistida, propõe uma reflexão necessária: usar a IA com inteligência significa entender, com clareza, o que ela pode e o que ela ainda não pode fazer.
 

O que a IA já faz na prática
 

Na Clínica Mãe, a inteligência artificial já faz parte das ferramentas disponíveis para as pacientes. Sua aplicação mais consolidada está na análise e seleção de embriões: algoritmos processam dados morfológicos e de desenvolvimento embrionário para identificar qual embrião apresenta maior potencial de implantação — um auxílio real na tomada de uma das decisões mais delicadas do processo de fertilização in vitro.

"A inteligência artificial é, sem dúvida, uma ferramenta presente e cada vez mais relevante. Já a oferecemos para nossas pacientes e acreditamos no seu potencial. Em algumas situações, ela nos ajuda a encurtar o caminho para identificar o melhor embrião para transferência, e isso tem valor real dentro do processo", afirma o Dr. Alfonso Massaguer.
 

Onde a ciência ainda não chegou
 

Com toda a sua capacidade analítica, a inteligência artificial ainda não alterou uma das variáveis mais determinantes na reprodução humana: a qualidade dos óvulos e dos embriões. E é aqui que o Dr. Alfonso convida para uma reflexão honesta — especialmente em um momento em que a IA é amplamente comunicada como revolução no setor. 

"A IA nos ajuda a selecionar o melhor embrião disponível, mas ela não melhora a qualidade desses embriões. Ela não cria matéria-prima. E na reprodução humana, a qualidade da matéria-prima, os óvulos, continua sendo a principal limitação para muitas pacientes. É importante que as pessoas entendam isso para fazerem escolhas conscientes sobre seu tratamento", explica o especialista. 

Para o médico, a transparência sobre esse ponto não é uma crítica à tecnologia, mas uma responsabilidade ética com as pacientes. Mulheres e casais em tratamento de fertilidade estão em um momento de grande vulnerabilidade emocional e financeira, e merecem informação precisa sobre o que cada recurso pode oferecer de fato. 

"Quando a IA representa um custo adicional, é fundamental que a paciente saiba exatamente qual benefício ela está adquirindo e em que contexto clínico esse benefício se aplica ao seu caso. Nossa missão é sempre colocar a informação correta acima de qualquer outra consideração", completa.
 

Uma tecnologia com futuro e com limites presentes 

O posicionamento do Dr. Alfonso está longe de ser pessimista em relação à inteligência artificial. Pelo contrário: ele reconhece o potencial transformador da tecnologia e acompanha de perto sua evolução no cenário global da medicina reprodutiva. O que defende é que o entusiasmo legítimo com as possibilidades futuras não obscureça a clareza sobre o que está disponível hoje. 

Na Clínica Mãe, a IA integra um protocolo que sempre foi marcado pela individualização e pela humanização do atendimento — características que, para o Dr. Alfonso, nenhuma tecnologia substitui. Com mais de centenas de gravidezes de sucesso em 15 anos e pacientes recebidos de diversos países, a clínica segue referência justamente por equilibrar inovação e responsabilidade médica.

 

Dr. Alfonso Massaguer (CRM 97335 | RQE 42794) - formado pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização pelo Hospital das Clínicas. Membro das sociedades americana e europeia de reprodução humana, fundou e dirige a Clínica Mãe — referência nacional e internacional no tratamento de infertilidade e em procedimentos de alta complexidade.
  

Posts mais acessados