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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Rotatividade no C-Level: qual o momento certo para reposicionar executivos?

Nos últimos anos, a estabilidade no topo das empresas deixou de ser uma constância para se tornar uma variável estratégica. Afinal, em um ambiente de negócios marcado pela transformação digital, avanço da inteligência artificial, novas demandas do mercado e pressão constante por resultados, executivos passaram a enfrentar desafios que exigem adaptação contínua — inclusive na própria posição que ocupam dentro das organizações. Porém, surge uma dúvida frequente ao se deparar com este momento: o que avaliar nessa movimentação do C-Level? 

Existem três fatores que costumam ser levados em consideração na rotatividade desses executivos: se o profissional segue performando dentro do esperado pela organização, se o próprio executivo(a) ainda se sente motivado e desafiado em sua posição e deveres, ou se há algum tipo de conflito na construção dos objetivos de curto prazo com os de médio e longo prazo, capaz de gerar desmotivação. 

Em qualquer um deles, seja pela quebra de expectativa em seus entregáveis ou a percepção de que entrou em uma rotina que não lhe proporciona mais nenhum tipo de aprendizado significativo que o permita continuar progredindo em sua carreira, abre margem para uma queda de produtividade e empenho que são extremamente prejudiciais para todos os lados. 

A necessidade de atualização constante, inclusive, já é reconhecida pelos próprios líderes: cerca de 72% dos gestores estão buscando fontes e métodos de aprimoramento de suas competências para que estejam cada vez mais preparados para lidar com o dinamismo do mercado atual, segundo uma pesquisa da edX. Se colocar nesta posição de vulnerabilidade a favor de uma capacitação contínua é um dos comportamentos mais importantes para evitar uma insistência de um executivo em sua cadeira, sem que haja mais um alinhamento estruturado. 

Para identificar a necessidade dessa troca, é fundamental revisitar e avaliar os entregáveis do(a) executivo(a) de tempos e tempos, o que deve passar pelo crivo de várias esferas internamente. O conselho, por exemplo, precisa participar dessa avaliação, tendo uma maior diversidade de visões sobre cada executivo antes de tomar qualquer decisão. 

Aqui, mais do que avaliar a performance do(a) executivo(a) C-Level durante seu período histórico, e não apenas uma janela pontual, é crucial compreender os motivos que podem ter desencadeado qualquer quebra de expectativa – seja questões externas de mercado, falta de apoio interno na própria empresa, falta de feedbacks, dentre muitos outros. Essas respostas trarão um norte mais seguro para identificar uma eventual necessidade de reposicioná-lo ou não, desde que esteja pronto para assumir um novo desafio que o permita continuar crescendo em sua carreira. 

Agora, mesmo com todo o preparo e análise, ainda assim, muitas movimentações tendem a desencadear certa insegurança organizacional entre os times. Em ambientes com culturas meritocráticas, por exemplo, que não promovem um profissional que apresenta grande dedicação e grandes resultados, outros profissionais podem questionar os motivos dessa falta de “reconhecimento”, podendo até mesmo se sentirem frustrados. E, a melhor forma de evitar qualquer desentendimento nesse sentido, é mantendo a máxima transparência e clareza possível a respeito das decisões tomadas. 

Toda cadeira executiva é feita de altos e baixos, o que reforça a importância de sustentar a transparência entre o que se espera de cada uma das partes, mantendo uma comunicação objetiva e clara a todo o momento e, acima de tudo, maturidade ao entender que a rotatividade dessa posição é algo natural de ocorrer em algum momento dessa jornada. Com esses cuidados aliados a um plano de carreira bem estruturado, as chances de conduzirem essa movimentação minimizando inseguranças e conflitos serão potencializadas, mantendo uma boa governança interna a favor do crescimento corporativo contínuo. 




Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

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As rotas do FFLVO de resultado: da inteligência operacional à paixão que gera valor

 O setor de FFLVO (Frutas, flores, legumes, verduras e ovos) é o coração pulsante do supermercado. É a seção que desperta os sentidos, transmite frescor, saúde e cuidado, e que mais aproxima o varejo do consumidor. Segundo a ABRAS, frutas, legumes e verduras já respondem por até 40% do faturamento dos supermercados brasileiros, e lojas com maior participação de produtos frescos no mix podem alcançar até 15% mais lucro que a média do setor.

Para 2026, a expectativa é de oferta mais ajustada, preços mais firmes e espaço crescente para produtos de maior valor agregado. Mas capturar esse valor exige uma mudança de mentalidade. Os três painéis deste Fórum são as três rotas dessa transformação.

Nos vários eventos pelo Brasil, a IFPA propõe traçar rotas da Inteligência comercial: da compra estratégica à exposição que vende, da Comunicação estratégica à conquista do ‘shopper’ de FFLVO e a colaboração entre fornecedores e supermercados para construir o segmento de produtos frescos que gera resultados.

A primeira rota do FFLVO de resultado começa onde tudo começa na operação: na decisão de compra e na forma como o produto chega à gôndola.

Uma análise recente da ABRAPPE identificou um padrão preocupante no varejo alimentar brasileiro: compras baseadas em "feeling" ainda são a regra em grande parte das operações de FLV. Replicar o pedido da semana anterior ou confiar exclusivamente na experiência do comprador pode funcionar em períodos estáveis, mas o FFLVO não opera em linha reta — clima, sazonalidade, comportamento regional, qualidade do fornecedor e giro por categoria impactam diretamente o desempenho. Sem dados consistentes, a loja compra errado, que pode significar excesso, ruptura ou perda acelerada.

O problema se estende à exposição. Layout é engenharia de venda, produtos de maior margem e melhor giro precisam ocupar pontos quentes, enquanto itens sensíveis exigem exposição pensada para reduzir manuseio excessivo e deterioração, que chega a 4,73% de perdas, a maior taxa entre todas as seções do supermercado. Em casos reais analisados, perdas chegaram a 12% antes de intervenções estruturadas — e, após 90 dias de ajustes em compras, exposição e controle por subcategoria, houve redução significativa das perdas e melhoria clara da margem.

Varejistas que já adotam modelos preditivos baseados em inteligência artificial conseguem reduzir perdas em até 25% e rupturas em até 30%.

A segunda rota do FFLVO de resultado enfrenta um dos maiores gargalos do setor: a dificuldade de comunicar valor ao consumidor para além de preço e frescor. Enquanto outras categorias do supermercado, como vinhos, queijos, cervejas artesanais, até água engarrafada trabalham segmentação, storytelling e diferenciação de marca com sofisticação crescente, o FFLVO ainda compete com mensagens genéricas que perdem espaço para a comunicação agressiva de snacks, doces e ultraprocessados.

O dado mais revelador é que, enquanto os preços médios dos alimentos no varejo aumentaram entre 30% e 40% desde 2019, o valor dos produtos frescos subiu apenas cerca de 18% por quilo no mesmo período. Em alguns casos, os preços atuais são até menores que os de sete anos atrás. Mesmo com reajustes mais moderados, a demanda avança lentamente. Isso demonstra que o problema não é preço, mas é falta de conexão com a forma como o consumidor descobre e escolhe alimentos hoje.

Paralelamente, a saudabilidade é a principal macrotendência do mercado de alimentos em 2026, segundo levantamento que compilou 682 tendências de 80 fontes globais. O consumidor está cada vez mais atento à saúde, ao bem-estar e à funcionalidade dos alimentos, mas só será beneficiário de fato se souber comunicar esse valor no ponto de venda, nas redes sociais e na jornada de compra.

A terceira rota do FFLVO de resultado aborda a dimensão mais transformadora, e talvez a mais negligenciada da cadeia: a colaboração estratégica entre quem produz e quem vende. Historicamente, a relação entre fornecedores de FFLVO e supermercados no Brasil foi construída sobre uma lógica transacional: negociação de preço, volume e prazo de entrega. Essa dinâmica, embora funcional, deixa sobre a mesa um enorme potencial de geração de valor compartilhado.

O trade marketing voltado para FFLVO é definido como a ponte entre o fornecedor, o varejo e o consumidor final. O cenário de 2025 tornou essa lacuna ainda mais evidente: o produtor colhe sem visibilidade da demanda real, o distribuidor opera com estoques desbalanceados, e o supermercado compra sem dados de qualidade e shelf life que permitiriam otimizar a operação. O resultado é um sistema onde todos perdem um pouco e o consumidor, no final, encontra menos frescor, menos variedade e menos valor.

A boa notícia é que modelos colaborativos já demonstram resultados concretos em outros setores do varejo alimentar. Planos de negócios conjuntos entre indústria e varejo, quando bem executados, geram crescimento de vendas, redução de rupturas e melhoria de margem para ambos os lados. Aplicar essa lógica ao FFLVO, com as adaptações necessárias para a natureza perecível e sazonal da categoria, é a fronteira de inovação que pode redefinir o setor.

Quando produtor e varejista deixam de se enxergar como pontas opostas de uma negociação e passam a se ver como parceiros de uma mesma missão, que é levar o melhor FFLVO à mesa do consumidor, a paixão que transforma o varejo se traduz em gôndolas mais inteligentes, consumidores mais satisfeitos e margens mais saudáveis para toda a cadeia.

 

Valeska Ciré - gestora da entidade global International Fresh Produce Association (IFPA) no Brasil.

 

Corpus Christi deverá movimentar R$ 6,4 bi para o turismo do estado

 

 

Corpus Christi em Tremembé
(Foto: Prefeitura de Tremembé / Nicolas Louzada @Nicloufoto)
Destinos de sol e praia, como São Sebastião, Peruíbe e Bertioga, esperam mais de 240 mil turistas. Atibaia, no interior paulista, espera mais 50 mil visitantes entre 4 e 7 de junho

 

O fluxo de visitantes esperado nos municípios paulistas durante o feriado de Corpus Christi (4 a 7 de junho) deve ficar 4,9% maior este ano, em relação ao ano passado, e gerar uma movimentação financeira direta de R$ 6,4 bilhões para a economia do turismo do estado. O levantamento é do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), ligado à Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP). 

As estimativas apontam para cerca de 3,35 milhões de turistas em trânsito durante os quatro dias. Entre os municípios com maior expectativa de recebimento de visitantes, São Sebastião lidera com previsão de 90 mil turistas, seguido por Peruíbe, com 85 mil, Bertioga, com 70 mil, Olímpia, com 66,9 mil, e Atibaia, que espera 50 mil turistas. 

Na avaliação do CIET, os números apresentam desempenho projetado igual ou superior ao observado em 2025. No panorama geral da sondagem, 74% dos municípios informaram possuir celebrações ou eventos tradicionais capazes de atrair visitantes, enquanto 63% afirmaram promover iniciativas de conscientização ambiental e 77% destacaram que o feriado contribui para preservar as tradições culturais locais. 

Entre os destinos analisados, Atibaia, Bertioga e Peruíbe se destacam por responderem positivamente à existência de eventos tradicionais durante o período. Em Atibaia, haverá confecção de tapetes e procissão religiosa; em Bertioga, a confecção de tapetes de serragem na Paróquia São João Batista, aliada à procissão do Santíssimo Sacramento, figura como o principal atrativo; já em Peruíbe, a procissão de Corpus Christi no centro e a missa campal na Praça Matriz reforçam o caráter cultural e religioso da data. “Essas manifestações culturais fortalecem a identidade local e impulsionam o turismo, contribuindo para a movimentação econômica em diversas regiões do estado”, observa a secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Ana Biselli. 

A Setur-SP listou alguns dos eventos e programações com a temática de Corpus Christi. Nas regiões de Bauru e Itapetininga, os municípios de Iacanga, Jahú, Cesário Lange e Pratânia se destacam com tapetes, missas e procissões. 

Na região de Campinas, Estiva Gerbi realiza a tradicional Festa de Corpus Christi, com destaque para a confecção dos tapetes ao longo de um percurso de aproximadamente 500 metros. A decoração será produzida totalmente com sal colorido, em um trabalho coletivo que mobiliza moradores, voluntários e integrantes da comunidade católica local. Em Indaiatuba, um dos destaques da programação é o espetáculo “Ressurreição 2026: Alegrai-vos, Ele vive entre nós!”, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. Ainda na região, Ipeúna, Lindóia, Nazaré Paulista, Pedreira e Tuiuti promovem celebrações religiosas, confecção de tapetes coloridos e festa popular para atrair o público. 

Confira também a programação na Baixada Santista e Vale do Ribeira, no Vale do Paraíba, e nas regiões de Itapeva e de Sorocaba.


 

Migração de capital: onde estão as melhores opções de emprego?

O Brasil ainda é o país das oportunidades? Notícias sobre demissões em massa, instabilidade econômica, guerras e redução de investimentos passaram a se tornar constantes, criando um contraste no mercado: de um lado, áreas que enfrentam desaceleração, cortes e retração; enquanto, do outro, vemos empresas em uma corrida ativa por talentos qualificados e vagas abertas. Em meio a esse cenário, uma percepção ganha força: as oportunidades continuam existindo — mas, nem sempre, onde costumavam estar. 

A expansão de mercados, inovação tecnológica, mudanças demográficas e novas prioridades de investimento movimentam, constantemente, o mercado global. A ascensão e queda de setores sempre fizeram parte da economia, o que tornou a capacidade de leitura de cenário e criatividade de adequação pelos profissionais algumas das habilidades mais essenciais para que consigam surfar essas ondas e continuar explorando essas oportunidades. 

O relatório “Future of Jobs 2025”, do World Economic Forum, comprova essa realidade: segundo seus dados, até 2030, estima-se que haverá uma transformação equivalente a 22% dos empregos atuais. A projeção é de 170 milhões de novos postos criados, além de 92 milhões que serão eliminados, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos globalmente. 

Crises externas e inerentes ao empresário sempre existirão. O que fará a diferença entre aqueles que continuam prosperando e os que acabam perdendo espaço será sua capacidade de elasticidade e flexibilidade, através de um mindset aberto a explorar novas perspectivas profissionais. Do contrário, se lamentar pelos momentos de instabilidade apenas fará com que fiquem para trás na corrida da prosperidade corporativa. 

O avanço da inteligência artificial talvez seja o exemplo mais claro de como a migração de capital redefine oportunidades profissionais. Ao mesmo tempo em que a IA vem acelerando ganhos de produtividade e criando funções — de especialistas em IA generativa, a engenheiros de prompts e líderes de estratégia nessa tecnologia — ela também reduz a demanda por atividades repetitivas e operacionais. Seu impacto, contudo, não ocorre de forma homogênea.  

Empresas e regiões com maior investimento nessa solução tendem a capturar mais crescimento, enquanto mercados com baixa adoção enfrentam riscos de perda de competitividade. O mesmo estudo do Fórum Econômico Mundial, como prova disso, também apontou que 60% dos empregadores esperam que o avanço digital transforme seus negócios até 2030, com a IA e Big Data aparecendo como as competências de crescimento mais acelerado no mundo. Além disso, cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até o fim da década, tornando a requalificação das skills uma necessidade estratégica. 

Em outras palavras, apesar de a IA ter otimizado certas funções, também reorganizou o valor do trabalho humano, impulsionando a criação de novas competências para sustentar a produtividade em uma economia cada vez mais híbrida entre pessoas e tecnologia. As mudanças sempre ocorrerão, e cabe a cada um de nós escolher como lidar com elas: se vitimizando, se adaptando ao cenário ou promovendo o futuro, sendo agentes e provocadores das transformações do mercado. 

Nenhum profissional estará sempre preparado e capacitado para lidar com qualquer imprevisto. Mas, aqueles que estiverem abertos a buscar conhecimento, contratar talentos qualificados para somarem aos processos, e que tenham sempre uma dose de humildade para assumir que precisará de aprimoramento contínuo, terão um conjunto de ações necessárias para que não se percam mesmo diante de uma eventual tempestade. 

 

Ricardo Haag - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.


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Primeiro emprego: veja quais habilidades estão em alta no mercado de trabalho

 

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  Empresas valorizam cada vez mais competências comportamentais, como comunicação, organização e adaptabilidade, além do conhecimento técnico

 

Conseguir o primeiro emprego tem sido um dos principais desafios para jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Em meio à competitividade e às rápidas transformações no ambiente profissional, apenas ter um diploma ou conhecimento técnico já não é suficiente para garantir uma vaga. Hoje, empresas buscam profissionais capazes de se adaptar, trabalhar em equipe e resolver problemas do dia a dia com eficiência. Pensando nisso, Leonardo Andreoli, diretor nacional da Prepara IA, rede de ensino profissionalizante pertencente ao Grupo MoveEdu, elenca quais habilidades estão em alta para quem busca ingressar no mundo corporativo. 

Um levantamento do Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF), reforça essa mudança no perfil buscado pelas empresas. Segundo o estudo, mesmo com o avanço da inteligência artificial e da digitalização, 69% das 2.800 habilidades analisadas continuam ligadas a competências cognitivas, sociais e comportamentais. O relatório também aponta que 63% das lideranças consideram as lacunas em habilidades comportamentais como a principal barreira organizacional entre 2025 e 2030. 

Entre as competências mais valorizadas estão pensamento analítico e criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança, influência social e autoconsciência. A Harvard Business Review (HBR) também destaca que habilidades humanas tendem a ter maior longevidade profissional do que conhecimentos puramente técnicos, que se tornam obsoletos mais rapidamente. Na prática, empresas de tecnologia e inovação já identificaram que profissionais de alta performance se destacam principalmente pelo repertório humano, e não apenas pelas competências técnicas. 

“Entre as habilidades consideradas essenciais atualmente está a comunicação. Saber transmitir ideias de forma objetiva, ouvir colegas e participar de reuniões ou apresentações com clareza pode fazer diferença logo nos primeiros contatos profissionais. A competência também inclui a escrita de e-mails, mensagens e relatórios de forma adequada”, explica Leonardo Andreoli. 

Ainda de acordo com o executivo, o trabalho em equipe aparece como outro ponto importante. Em ambientes corporativos cada vez mais colaborativos, empresas valorizam candidatos que saibam dividir responsabilidades, respeitar opiniões diferentes e contribuir para soluções coletivas. Já o pensamento crítico é visto como um diferencial para profissionais capazes de analisar situações, identificar problemas e propor melhorias. A habilidade ajuda na tomada de decisões e na busca por soluções mais estratégicas dentro das empresas. 

A adaptabilidade também ganhou espaço entre as competências mais procuradas. Com mudanças constantes em ferramentas, processos e formatos de trabalho, profissionais que conseguem aprender rapidamente e lidar bem com novas situações tendem a se destacar. Além disso, organização e gestão do tempo seguem entre os fatores mais observados pelos recrutadores. Cumprir prazos, planejar tarefas e evitar retrabalho são características valorizadas mesmo em vagas de entrada. Especialistas em recrutamento destacam ainda a importância do equilíbrio entre habilidades técnicas, chamadas de hard skills, e competências comportamentais, as soft skills. Conhecimentos em ferramentas digitais, Excel, programação ou marketing, por exemplo, continuam relevantes, mas precisam estar acompanhados de boa comunicação e capacidade de colaboração. 

“Para quem busca o primeiro emprego, a recomendação é investir no desenvolvimento dessas competências desde cedo. Projetos voluntários, cursos livres, atividades em grupo e até experiências acadêmicas podem ajudar na construção dessas habilidades práticas. Na hora de elaborar o currículo, o candidato deve ir além e não listar apenas as características genéricas. O ideal é apresentar exemplos concretos de situações em que desenvolveu ou aplicou determinada competência, demonstrando resultados e participação ativa. Em um mercado cada vez mais dinâmico, desenvolver habilidades profissionais deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser requisito básico para quem deseja conquistar espaço e crescer na carreira”, finaliza o diretor nacional da Prepara IA.

 

Com nova NR-1, comunicação ajuda a enfrentar riscos no ambiente de trabalho

Norma amplia foco exige que empresas transformem canais formais em práticas efetivas 


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia as exigências sobre Segurança e Saúde no Trabalho, coloca a comunicação no centro das estratégias corporativas ao incluir os riscos psicossociais na gestão das empresas. As novas diretrizes passaram a valer a partir do dia 26 de maio e exigem das organizações não apenas adequação técnica, mas também coerência entre discurso e prática no cotidiano. Para Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker, o desafio está justamente nessa integração.

“A comunicação não resolve as questões de saúde mental, mas ela pode ser um sintoma e, muitas vezes, um intensificador”, afirma Vivian. “A NR-1 amplificou a atenção das organizações para questões psicossociais que sempre estiveram presentes no trabalho, como conflitos interpessoais, insegurança nas relações profissionais e pressão excessiva”, completa.

A norma, revisada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, passa a exigir que empresas identifiquem e monitorem fatores como sobrecarga e assédio, além de estruturar mecanismos de resposta e acompanhamento. A relevância do tema não é restrita ao Brasil. Um estudo global da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2026, aponta que mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais, como longas jornadas, insegurança no emprego e assédio no ambiente de trabalho.

Nesse cenário, a comunicação deixa de ser apenas suporte operacional e assume um papel estruturante, uma vez que é por meio dela que os riscos se tornam visíveis, são relatados e, muitas vezes, manifestam-se no ambiente de trabalho.

“Recebemos muitas demandas para resolver um suposto problema de comunicação, e o diagnóstico revela questões muito mais profundas. As formas como as pessoas se comunicam evidenciam o que está desorganizado no trabalho”, pontua.

Na prática, canais de escuta, registros de ações de capacitação e meios para que colaboradores possam reportar situações de assédio ou sobrecarga ganham destaque. Esse movimento fortalece a comunicação, essencial para atender às exigências da norma, mas também pode expor a distância entre o que está documentado e o que acontece no dia a dia.

“A NR-1 está fazendo com que as empresas adotem ferramentas para sinalizar se as pessoas estão bem ou não, para reportar casos de assédio ou sobrecarga”, explica. “Mas o quanto isso está, muitas vezes, na formalização para atender a uma norma? E como isso se sustenta nas práticas cotidianas?”, questiona.

Com a NR-1 em vigor e a fiscalização prevista para avançar após um período inicial de orientação, as empresas entram em uma fase decisiva que é transformar exigências regulatórias em práticas consistentes.

 

Vivian Rio Stella - doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP, idealizadora da VRS Academy e TEDx Speaker. Colunista da revista Você RH e professora da Fundação Dom Cabral, Escola Aberje e de curso de comunicação na Audible/Casa do Saber, Vivian é reconhecida por sua abordagem humanista, crítica e contextual, que foca na comunicação para promover colaboração, respeito e diálogo nas organizações. Ao longo dessa jornada, já realizou palestras, workshops e consultorias para mais de 300 empresas de diferentes portes e setores.

Estação Tatuapé da CPTM recebe ação de empregabilidade com vagas de estágio e aprendizagem

Divulgação
CPTM
A ação acontece nesta segunda-feira (01) com atendimento gratuito e orientação profissional


A CPTM recebe, nesta segunda-feira (01), ação de empregabilidade voltada a jovens e estudantes que buscam oportunidades de estágio e aprendizagem. A atividade ocorrerá na Estação Tatuapé, com atendimento gratuito e orientação profissional. 

Profissionais do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) irão realizar atendimento das 11h às 15h, onde os participantes poderão se cadastrar em vagas de estágio e aprendizagem, além de receber orientações sobre o mercado de trabalho e informações sobre cursos online. 

As iniciativas são voltadas a jovens de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio, técnico ou superior. Durante os eventos, os participantes também poderão esclarecer dúvidas sobre carreira e receber apoio na busca por inserção no mundo do trabalho.  


Serviço

Ação de Empregabilidade – Estágio e Aprendizagem
Local: Estação Tatuapé (Linhas 11-Coral e 12-Safira)
Data: segunda-feira (01/06)
Horário: das 11h às 15h


domingo, 31 de maio de 2026

 Dia do Meio Ambiente , pensar globalmente e agir localmente 

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado anualmente em 5 de junho. Instituída pela ONU em 1972, a data neste ano foca nas mudanças climáticas, destacando ações urgentes para a proteção do planeta.  

Em 1992, a Conferência do Rio elegeu a Agenda 21 como instrumento de construção do desenvolvimento sustentável, para conter a degradação ambiental e permitir a continuidade da vida no planeta. 

A Agenda 21 global apontou as condições da ordem mundial necessárias para a viabilização do desenvolvimento sustentável e estabeleceu os princípios para a construção das agendas 21 dos países, regiões, estados, cidades, de modo a que a adoção da sustentabilidade por todos os cidadãos do mundo pudesse mudar os rumos do crescimento econômico global ambientalmente predatório e socialmente excludente. A idéia que se consagrou foi pensar globalmente e agir localmente. 

No Brasil, desde 1981, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, tendo, a dimensão ambiental, sido ainda mais fortalecida na Constituição de 1988, o que nos legitimou a sediar, em 1992, a citada Conferência, considerado o mais significativo evento diplomático do final do século XX. 

"Nos últimos anos, o país passou por um intenso processo de regulamentação e de institucionalização para o controle das atividades degradadoras, e de tentativa de internalização da proposta do desenvolvimento sustentável nos setores públicos e privados e no cotidiano dos cidadãos", salienta Vininha F. Carvalho, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.

 

Este esforço de internalização, apesar dos resultados já colhidos pelas atitudes espontâneas de cada um dos setores, tem custado um pouco a fluir, dada à dificuldade natural de incorporação, pela sociedade, da inovação que representa construir agendas de compromisso para a sustentabilidade. 

Os efeitos sociais e ecológicos da globalização têm sido largamente debatidos pelos acadêmicos e líderes comunitários. As análises feitas por eles nos mostram que a nova economia está gerando um sem-número de conseqüências danosas, todas elas ligadas entre si: o aumento da desigualdade e da exclusão social, o colapso da democracia, uma deterioração mais rápida e mais extensa do ambiente natural, e uma pobreza e numa alienação cada vez maiores. 

A Gestão Ambiental visa ordenar as atividades humanas para que estas originem o menor impacto possível sobre o meio. Esta organização vai desde a escolha das melhores técnicas até o cumprimento da legislação e a alocação correta de recursos humanos e financeiros. 

A utilização descontrolada de agrotóxicos e prática de queimadas, por exemplo, deveriam ser rigorosamente proibidos, tendo em vista seus impactos nefastos sobre o meio ambiente. O primeiro, destruindo e poluindo o solo e subsolo e, o segundo sobre, contribuindo para o incremento do efeito estufa, e consequentemente, como as rápidas e severas mudanças climáticas. 

"Diante do cenário de degradação ambiental aliado com a desigualdade social que vivemos, precisamos refletir e agir , sobre o meio ambiente e a necessidade de buscarmos um novo modelo de desenvolvimento sustentável, para que o mundo utilize de maneira mais racional os recursos naturais e que também se busque uma melhor distribuição de renda, já que muitos dos problemas ambientais estão relacionados com a miséria", finaliza Vininha F. Carvalho.

 

Brasil concentra 95,5% dos casos de leishmaniose visceral nas Américas e alerta para a proteção dos cães


Zoonose grave, que pode ser fatal para humanos e pets, tem os cães como principal reservatório em áreas urbanas

 


O Brasil enfrenta um desafio crítico de saúde pública que muitas vezes passa despercebido pelos responsáveis de pets nos grandes centros urbanos: a leishmaniose visceral. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revelam que o país é responsável por 95,5% dos registros da doença em todas as Américas. Considerada uma zoonose grave, ou seja, infecção transmitida entre animais e humanos, a enfermidade registou nos últimos anos uma média de 2.000 novos casos anuais em pessoas no Brasil, com uma taxa de letalidade preocupante de aproximadamente 8,5%, segundo o Ministério da Saúde.
 

A transmissão ocorre principalmente pela picada do mosquito-palha infectado pelo protozoário Leishmania. No ambiente doméstico, o cachorro é o principal reservatório do parasita. Isso significa que, embora o animal não transmita a doença diretamente para o humano, ele é a fonte onde o mosquito se infecta para depois espalhar a enfermidade.


O perigo silencioso do outono

Diferente do que muitos responsáveis de pets acreditam, o risco de transmissão da leishmaniose não termina com o verão. No outono, a queda das folhas e o aumento da umidade residual criam o criadouro perfeito para o mosquito-palha, que se reproduz em locais ricos em matéria orgânica, úmidos e com pouca luz. 

Esse cenário climático tem impulsionado a expansão da doença para grandes centros urbanos e municípios anteriormente considerados livres do parasita. "A leishmaniose deixou de ser uma preocupação restrita ao ambiente rural. Hoje, ela é uma realidade nas metrópoles, com incidência em todo o território nacional, o que coloca a vigilância em estágio de atenção máxima independentemente da sazonalidade", alerta Kathia Soares, médica-veterinária da MSD Saúde Animal.

O maior desafio, segundo a especialista, está no fato de que os sinais clínicos podem demorar a aparecer e, muitas vezes, serem confundidos com outras doenças. “Feridas que não cicatrizam, crescimento anormal das unhas, perda de peso e apatia são sinais de alerta importantes. O diagnóstico nem sempre é simples, e muitos animais acabam evoluindo a óbito em decorrência das complicações da infecção. Por isso, a prevenção contínua é a forma mais eficaz de proteger a saúde do animal e reduzir a circulação do parasita no ambiente”, explica Kathia.


Prevenção

Diferente de outras enfermidades, a leishmaniose canina não possui cura parasitológica. Uma vez infectado, o cão portará o protozoário pelo resto da vida. "O tratamento disponível hoje controla as manifestações clínicas e melhora a qualidade de vida, mas o pet continua sendo uma fonte de infecção e pode ter recaídas, sem falar é claro, no custo emocional e financeiro que são altíssimos. Por isso, a prevenção não é apenas uma escolha, é uma responsabilidade com a vida do animal e da família", reforça Kathia. 

Estudos de larga escala e as diretrizes do Brasileish – grupo que reúne especialistas das áreas de saúde animal, humana e ambiental para promover conhecimento e estratégias de controle da leishmaniose no Brasil, sob o conceito de Saúde Única - apontam o uso de coleiras com ação repelente e inseticida como uma das medidas mais eficazes em saúde pública. De acordo com o Ministério da Saúde, a utilização em larga escala dessas coleiras em regiões endêmicas é capaz de reduzir significativamente a incidência da doença em humanos. 

A especialista destaca que além do uso contínuo da coleira com ação repelente e inseticida, é essencial que o responsável cuide do manejo ambiental, mantendo quintais e jardins limpos, sem acúmulo de folhas ou frutos apodrecidos, que funcionam os criadouros do mosquito. A médica-veterinária também orienta que se evite passeios ao entardece/anoitecer e amanhecer, períodos de maior atividade do vetor, e sugere a instalação de telas de malha fina em janelas e canis. 

"Proteger o cão com a coleira com ação repelente e inseticida é, na prática, interromper o ciclo da doença na comunidade. É um gesto de cuidado que transcende o bem-estar individual e se torna um ato de preservação da saúde pública", conclui.
 

Inovação a serviço da Saúde Única 

Para apoiar a sociedade no combate a essa zoonose, a MSD Saúde Animal oferece em seu portfólio a coleira Scalibor®, presente no mercado há 25 anos, sendo referência mundial em proteção contra o mosquito-palha. Inclusive, o produto é componente do manejo integrado do Sistema Único de Saúde (SUS) sendo distribuído gratuitamente em municípios prioritários como ferramenta de combate e controle da Leishmaniose Canina. 

Com duração de ação de 4 meses, a Scalibor® é a única no mercado com estudos científicos que comprovam que seu uso em larga escala na população canina contribui diretamente para a redução de casos de leishmaniose também em humanos. Ao integrar inovação com a consciência do responsável, a companhia reforça que a proteção do pet é o elo fundamental para uma vida mais longa e saudável para toda a família.



MSD Saúde Animal
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Declarações Prospectivas da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA
Este comunicado à imprensa da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA (“empresa”) inclui “declarações prospectivas” de acordo com o significado das disposições de segurança da U.S. Private Securities Litigation Reform Act (Lei Norte-Americana de Reforma de Litígios de Ações Privadas) de 1995. Essas declarações são baseadas em suposições e expectativas atuais da direção executiva da empresa e estão sujeitas a riscos e incertezas significativos. Se as suposições subjacentes forem incorretas ou houver riscos ou incertezas, os resultados reais podem diferir substancialmente daqueles contidos nas declarações prospectivas. Os riscos e incertezas incluem, mas não estão limitados a, condições gerais da indústria e da concorrência, fatores econômicos gerais, incluindo taxa de juros e flutuações da taxa de câmbio; o impacto da epidemia global do novo coronavírus (COVID-19);impacto da regulamentação da indústria farmacêutica e legislação de saúde nos Estados Unidos e internacionalmente; tendências globais para contenção de custos com a saúde; avanços tecnológicos, novos produtos e patentes obtidas por concorrentes; desafios inerentes ao desenvolvimento de novos produtos, incluindo a obtenção de aprovações regulatórias; capacidade da empresa prever com precisão as condições futuras de mercado; dificuldades ou atrasos de produção; instabilidade financeira das economias internacionais e de risco à soberania; dependência da eficácia das patentes da empresa e outras proteções para produtos inovadores; e exposição a litígio, incluindo litígios de patentes e/ou ações regulatórias. A empresa não assume nenhuma obrigação de atualizar publicamente qualquer declaração prospectiva, seja como resultado de novas informações, eventos futuros ou de qualquer outra forma. Outros fatores que possam fazer com que os resultados difiram substancialmente daqueles descritos nas declarações prospectivas podem ser encontrados no Relatório Anual de 2020 da empresa, no Formulário 10-K e outras submissões da Empresa junto à Securities and Exchange Commission (SEC) (Comissão Norte-Americana de Valores Mobiliários), disponível no site da SEC (www.sec.gov).


CasAdote reforça debate sobre adoção responsável diante do aumento de animais em situação de vulnerabilidade no Brasil

Levantamentos do setor de proteção animal apontam milhões de cães e gatos vivendo sem responsável definido no país; abandono e adoções impulsivas seguem entre os principais desafios das organizações 



O crescimento do número de cães e gatos em situação de vulnerabilidade no Brasil tem ampliado o debate sobre adoção responsável e permanência dos animais nos lares. Em São Paulo, a CasAdote, centro permanente de adoção localizado na Vila Madalena, afirma que parte dos desafios enfrentados pelas organizações de proteção animal está relacionada a adoções realizadas sem planejamento de longo prazo.

Dados de entidades do setor pet e da proteção animal apontam que o Brasil possui atualmente cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivendo em condição de vulnerabilidade, incluindo animais abandonados, resgatados ou sem responsável definido. Os levantamentos também indicam que aproximadamente 185 mil animais vivem sob tutela de ONGs e grupos independentes de proteção animal.


Segundo a CasAdote, fatores como mudança de residência, dificuldades financeiras, alteração na rotina familiar e desconhecimento sobre os custos permanentes de manutenção estão entre os principais motivos relatados em casos de abandono ou devolução após adoções.

A organização informa que o processo de adoção inclui entrevistas, avaliação de perfil familiar e orientações sobre adaptação, rotina veterinária, custos permanentes e período de convivência. A proposta é reduzir adoções impulsivas e aumentar a permanência dos animais nos lares.

O tema também mobiliza o poder público. A Prefeitura de São Paulo mantém campanhas permanentes de incentivo à adoção responsável e programas de atendimento veterinário gratuito para animais adotados em ações municipais.

De acordo com a legislação brasileira, abandono e maus-tratos contra animais são crimes previstos na Lei Federal nº 9.605/1998. Em 2020, a Lei nº 14.064 ampliou a pena para maus-tratos contra cães e gatos, estabelecendo reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda.

A CasAdote afirma que a convivência presencial e contínua entre visitantes e animais ajuda no processo de escolha e adaptação. O espaço funciona como centro permanente de adoção e convivência, reunindo cães e gatos resgatados por ONGs e protetores parceiros.

Levantamentos do mercado pet também indicam que o Brasil possui uma das maiores populações de animais domésticos do mundo, com mais de 160 milhões de pets entre cães, gatos, aves e outros animais de companhia.

Segundo a CasAdote, a discussão sobre adoção responsável envolve não apenas o resgate dos animais, mas também conscientização da população, políticas públicas e planejamento familiar antes da decisão pela adoção.


Quando é a hora de dar um pet para o seu filho?

Especialistas explicam os benefícios da convivência com animais na infância e os cuidados que as famílias devem considerar antes da adoção


O desejo das crianças por um animal de estimação costuma surgir cedo, seja após conviver com amigos que têm pets, assistindo a filmes ou simplesmente demonstrando interesse por cuidar de um bichinho. Mas a decisão de adotar um animal exige planejamento, alinhamento familiar e avaliação da rotina da casa. 

Segundo Marcelo Freitas, psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), a convivência com pets traz benefícios importantes para o desenvolvimento emocional, social e até cognitivo das crianças. Mas os pais e responsáveis devem agir de forma consciente, e refletir se a família está realmente preparada para assumir essa responsabilidade. 

“Os pets favorecem o desenvolvimento da empatia, da afetividade e do senso de responsabilidade. A criança aprende, na prática, que existe um outro ser com vontades e necessidades de alimentação, atenção, carinho e cuidados. Isso contribui para a construção de vínculos afetivos mais saudáveis e para o amadurecimento emocional”, explica. 

A convivência com animais também pode ajudar crianças a lidarem melhor com emoções, ansiedade e até frustrações do dia a dia. Outro ponto importante é que o vínculo com os animais pode ensinar valores importantes de forma natural, como respeito, cuidado, paciência e compromisso. 

“A presença de um pet também tende a estimular brincadeiras, interação e reduzir o tempo excessivo diante das telas e dispositivos. É verdade que o animal não substitui relações humanas, mas pode funcionar como uma importante fonte de acolhimento emocional. Além disso, muitas crianças que têm animais de estimação se sentem mais seguras, confiantes e até mais comunicativas, impactando positivamente o relacionamento com outras crianças e adultos”, afirma o especialista. 

Segundo Freitas, a convivência com um animal pode ser ainda uma oportunidade importante para ensinar responsabilidade às crianças, desde que as tarefas sejam compatíveis com a idade e sempre supervisionadas pelos adultos. “A criança pode participar de pequenas rotinas, como ajudar a colocar água e comida, acompanhar passeios, organizar os brinquedos do pet ou participar dos momentos de cuidado. Isso contribui para desenvolver compromisso, organização e senso de cuidado com o outro”. 

Mas é fundamental que os pais entendam que a responsabilidade principal nunca deve ser transferida para a criança, e não se pode cobrar dela atitudes e tarefas das quais ela não está preparada emocionalmente e fisicamente para desempenhar. “O adulto é quem deve ser o responsável principal pelo bem-estar do animal. Questões como saúde, higiene, alimentação adequada, gastos e bem-estar do animal precisam permanecer sempre sob responsabilidade dos adultos”, alerta o psicólogo. 

Se a família decidir não adotar um pet naquele momento, é importante conduzir essa conversa com honestidade e acolhimento, sem tratar a decisão como punição ou desvalorização do desejo da criança. “Os pais podem explicar, de forma didática e adequada para a idade, que ter um animal exige tempo, rotina, recursos financeiros e disponibilidade emocional. Mostrar que a decisão envolve responsabilidade ajuda a criança a compreender limites e a lidar melhor com frustrações. Além disso, existem outras formas de estimular o contato saudável com animais, como conviver com pets de familiares, participar de atividades educativas ou visitar espaços apropriados”, acrescenta.
 

Pet não é brinquedo! 

Já do ponto de vista prático, a adoção de um animal exige planejamento e adaptação da rotina familiar. Segundo Julia Vieira, veterinária responsável pelos animais da PetFarm do colégio Progresso Bilíngue de Indaiatuba (SP), antes de escolher um pet é importante avaliar fatores como espaço disponível na casa, tempo para cuidados diários, custos envolvidos e perfil da família. 

É importante que os adultos façam uma reflexão prática e sincera sobre o que essa adoção vai representar no dia a dia da casa: quem será responsável pelos cuidados do animal se a família costuma viajar nos finais de semana e nas férias; ou ainda, o sofrimento que o bicho pode ser exposto, sem companhia, em casos onde a família passa pouco tempo em casa. 

“Um pet precisa de tempo, atenção, acompanhamento veterinário, alimentação adequada, higiene e cuidados constantes. Muitas famílias pensam apenas no momento da chegada do animal, mas é importante lembrar que ele fará parte daquela rotina”, explica Julia. 

A veterinária destaca ainda que a escolha do animal não deve ser feita apenas com base no desejo da criança ou na aparência do pet. “Nem sempre o pet que a criança deseja é o ideal para aquela realidade. Animais muito agitados, por exemplo, podem não ser adequados para famílias com crianças muito pequenas. Da mesma forma, algumas espécies demandam cuidados específicos e uma rotina mais estruturada. Por isso, pesquisar antes e entender as necessidades do animal é essencial para evitar frustrações e dificuldades futuras”, afirma. 

Porte, nível de energia, necessidade de espaço e perfil comportamental fazem diferença na adaptação. A profissional destaca que o conhecimento da etologia — ou seja, do comportamento natural de cada espécie — é fundamental para garantir bem-estar tanto ao animal quanto à família. Compreender como aquele pet se comunica, interage, gasta energia e reage ao ambiente ajuda na escolha mais adequada e contribui para uma convivência mais saudável, segura e respeitosa. 

Outro cuidado importante é preparar a criança para construir uma convivência saudável e respeitosa com o pet desde o início, evitando acidentes domésticos, como quedas, mordidas e arranhões, tanto da criança como do animal. “Os adultos devem ensinar desde cedo que o pet não é brinquedo. É importante orientar a criança a respeitar o espaço do bicho, evitar brincadeiras bruscas e entender sinais de desconforto ou estresse. A interação precisa ser supervisionada, principalmente nos primeiros meses e com crianças menores”, alerta. 

A veterinária também reforça a importância da adoção responsável, que precisa ser encarada como uma escolha de longo prazo. “Antes de levar um animal para casa, a família deve refletir se conseguirá oferecer qualidade de vida ao pet ao longo de toda a vida dele, às vezes por quase duas décadas ou mais. Em muitos casos, esperar o momento mais adequado pode ser a decisão mais consciente e responsável tanto para a criança quanto para o animal”, recomenda. 

A seguir, a veterinária elenca opções de adoção que fazem mais sentido diante de cada rotina e configuração familiar:
 

Famílias com crianças pequenas: costumam se adaptar melhor a animais mais dóceis, pacientes e sociáveis. Entre os cães, raças como Labrador, Golden Retriever, Beagle e Cavalier King Charles Spaniel geralmente apresentam perfil mais amigável para convivência familiar e toleram melhor interações constantes e brincadeiras.
 

Famílias mais ativas: podem se identificar com cães de maior nível de energia, que gostam de passeios, atividades físicas e brincadeiras frequentes. Raças como Border Collie, Labrador, Golden Retriever, Australian Shepherd e Jack Russell Terrier costumam demandar mais estímulo físico e mental no dia a dia. Nesses casos, é importante que os tutores tenham tempo disponível de no mínimo cerca de duas horas diárias para gastar a energia do animal e estimular o pet fisicamente e mentalmente, evitando estresse e comportamentos destrutivos.
 

Famílias com pouco espaço ou rotina mais reservada: os gatos podem ser uma boa alternativa. Os gatos passam a demandar menos manejo externo, como passeios diários, quando a família consegue adaptar a casa para as necessidades do animal como espécie - pensando em verticalização de ambientes, esconderijos e locais adequados para higiene e alimentação (caixas de areia e fontes de água).

Além disso, muitos felinos apresentam personalidade mais tranquila, observadora e seletiva nas interações, o que pode combinar melhor com ambientes mais silenciosos e rotinas menos agitadas. Ainda assim, precisam de estímulos, brinquedos, enriquecimento ambiental e respeito ao próprio espaço.
 

Contudo, antes da adoção, é importante avaliar se algum membro da família possui alergias respiratórias ou sensibilidade ao pelo, à saliva ou à descamação da pele dos animais, já que a convivência pode intensificar sintomas como rinite, espirros e irritações respiratórias em pessoas predispostas.
 

Famílias que passam muito tempo fora de casa: devem avaliar com cautela a adoção de animais que exigem atenção constante ou sofrem mais com longos períodos sozinhos. Algumas espécies e raças podem desenvolver ansiedade, estresse e comportamentos destrutivos quando ficam isoladas por muitas horas, principalmente quando há erro de manejo durante a rotina do animal, fazendo-se necessária uma pesquisa minuciosa sobre o manejo comportamental da espécie escolhida.
 

Famílias que buscam pets considerados de menor manejo: animais como peixes, hamsters e alguns roedores podem parecer opções mais simples, mas também exigem cuidados específicos com alimentação, higiene, habitat adequado e acompanhamento veterinário, além de serem animais pouco interativos e que podem sofrer durante o manejo, sendo espécies indicadas apenas para observação, e não para interação direta com os humanos.
 

Famílias sem experiência prévia com animais: o ideal é evitar escolhas impulsivas baseadas apenas na aparência do pet, modismos ou vídeos da internet. Algumas raças e espécies demandam treinamento, socialização e manejo mais complexos, o que pode dificultar a adaptação.
 

Em todos os casos: o mais importante é escolher um pet compatível com a realidade da família, considerando tempo disponível, espaço, custos, rotina e disposição para oferecer cuidado e bem-estar ao animal ao longo de toda a vida do bicho.



Julia Orteiro Vieira - médica veterinária, com atuação na clínica e pós graduanda em cirurgia de animais de pequeno porte. Além da prática veterinária, desenvolve projetos interativos voltados ao contato seguro e educativo entre crianças e animais, promovendo aprendizado, vínculo e desenvolvimento por meio de experiências lúdicas. Atua também em atividades no centro de equoterapia e em ações guiadas de educação assistida por animais no colégio Progresso Bilíngue, unindo bem-estar, conhecimento e interação de forma humanizada e segura.


Marcelo Tucci de Freitas - psicólogo clínico TCC, com especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no Brazilian International School - BIS. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.


International Schools Partnership – ISP
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