Para as portadoras desta patologia, que atinge cerca de 10% das mulheres em todo o mundo, não existe vida com qualidade sem exercícios e uma alimentação controlada, segundo o diretor do Instituto Lipedema Brasil;
O que consumir
para evitar a piora da inflamação no corpo? Exercícios físicos ajudam? O
especialista em Lipedema, dr. Fábio Kamamoto, explica
Além de crônica,
o Lipedema é uma doença progressiva, isto quer dizer que vai aumentando com o
passar dos anos. Quem tem Lipedema estágio 1 pode passar para o nível 2, 3 e
assim por diante, se não cuidar. Por isso, é fundamental e necessário que as
mais de cinco milhões de mulheres (estimativa de casos no Brasil) cuidem da
saúde do corpo de um ponto de vista holístico, ou seja, de dentro para fora.
Entendendo
melhor o Lipedema
O diretor do
Instituto Lipedema Brasil, dr. Fábio Kamamoto, é um dos pioneiros e um dos
poucos especialistas no tratamento cirúrgico da doença no país. Ele esclarece
que o Lipedema é uma doença atinge mulheres no mundo inteiro, causada pelo
acúmulo de gordura nos braços, quadris e, principalmente, nas pernas. As
principais características do Lipedema, que possui quatro estágios são: dores
frequentes nas regiões das pernas, quadril, braços e antebraços, que ficam mais
grossos e desproporcionais em comparação com o restante do corpo, no tornozelo
parece que há um “garrote” e os joelhos perdem o contorno. A mulher pode
apresentar hematomas (ficar roxa) por qualquer movimento mais brusco. Isto
acontece porque a doença provoca reação inflamatória em células de gordura
nestas regiões.
Um dos exames que facilitam o
diagnóstico é a ressonância magnética, em que é possível observar o acúmulo de
gordura ao redor dos músculos.
O poder
da dieta anti-inflamatória
Quando a mulher
com Lipedema faz dieta, ela não perde peso nos membros que estão com acúmulo de
gordura. Esta é a principal diferença para quem não tem a doença, que por meio
de exercícios contínuos consegue emagrecer. No entanto, o tratamento clínico
para as portadoras do Lipedema, que engloba não só o controle hormonal e a
fisioterapia como também o controle da inflamação do corpo, tem como objetivo
retardar a progressão da doença. E um dos pilares fundamentais deste tratamento
é a alimentação.
O nível de gordura
que uma mulher com Lipedema tem no corpo está relacionado com o nível de sua
inflamação interna e, por consequência, na piora dos sintomas da doença. “Não é
à toa que o Lipedema é comumente chamado de síndrome da gordura dolorosa. É
porque é uma doença da gordura, que está muito inflamada, e dói muito mesmo.
Fora o peso, experimente colocar 3kg daqueles de academia em cada perna. É este
desconforto diário mais a dor do toque que a mulher com Lipedema sente”, avalia
dr. Kamamoto.
O objetivo da
dieta anti-inflamatória é a diminuição da dor, do desconforto e da sensação de
peso nas pernas. Estes são os primeiros sinais satisfatórios do tratamento. O
acompanhamento clínico pode evitar a progressão acelerada da doença e
proporcionar mais qualidade de vida para estas mulheres.
O que
consumir?
A dieta
anti-inflamatória é rica em nutrientes, composta de verduras, legumes, carnes,
leguminosas como feijão, ervilha, lentilha; tubérculos como mandioca, batata,
cenoura, gengibre; raízes e rizomas; ervas e especiarias (condimentos
naturais); gorduras boas como abacate, azeite; oleaginosas como as nuts;
grãos e sementes como chia, girassol, linhaça. “Importante dizer que para
seguir uma dieta anti-inflamatória não pode consumir sódio, glúten ou bebidas
alcóolicas. E tomar água é fundamental, já que é um dos ingredientes essenciais
para desinflamar o corpo de dentro para fora”, comenta dr. Kamamoto.
Para
que praticar exercícios se não vou emagrecer?
Para quem tem Lipedema a prática de
atividade física regular atua de uma forma diferente: ela melhora do fluxo
sanguíneo e linfático. Por isso, recomenda-se exercícios de baixo impacto como
natação, caminhada, alongamento, pilates, yoga e bicicleta. “São excelentes
opções para também fortalecer os músculos, manter o corpo em movimento e gerar
estímulo para o metabolismo funcionar bem”, finaliza dr. Kamamoto.
DR.
FÁBIO KAMAMOTO – Diretor do Instituto Lipedema Brasil
e idealizador da ONG Movimento Lipedema (https://movimentolipedema.org).
Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista
em Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, com mestrado e
doutorado pela USP e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica. É um dos poucos especialistas no tratamento cirúrgico do Lipedema no
Brasil.
Instituto Lipedema Brasil
www.institutolipedemabrasil.com.br






