Durante
o verão, período marcado por altas temperaturas e maior exposição do corpo,
cresce também a pressão social por silhuetas mais magras e definidas. Roupas
mais curtas, atividades ao ar livre e a constante comparação estimulada pelas
redes sociais reforçam a ideia de que é preciso emagrecer rapidamente para se
adequar a padrões estéticos muitas vezes inalcançáveis. Nesse contexto, médicos
alertam: o emagrecimento saudável deve estar relacionado ao cuidado com a saúde,
e não à culpa ou à obsessão com o corpo.
Para o
endocrinologista Dr. Victor Coimbra, do Eco Medical
Center, a motivação inicial para perder peso costuma ser estética, mas
raramente se limita a isso. “Muitos pacientes chegam motivados por questões
estéticas, mas ao longo da consulta percebem que o excesso de peso quase sempre
vem acompanhado de alterações metabólicas, como resistência à insulina,
dislipidemia, hipertensão e aumento do risco cardiovascular”, explica.
“O
nosso papel é alinhar saúde e estética, mostrando que o emagrecimento deve
priorizar a saúde. E que a melhora estética do corpo costuma ser uma
consequência natural desse processo”, mostra o médico.
Pressão
estética se intensifica no verão
Segundo
o endocrinologista, o verão tende a ampliar a insatisfação com a imagem
corporal e a procura por soluções imediatas para emagrecer. “Existe uma pressão
social maior, mais exposição do corpo e eventos sociais, o que pode levar à
busca por soluções imediatas. Mas o emagrecimento saudável não deve ser
sazonal, nem baseado em promessas rápidas, e sim em mudanças consistentes e
individualizadas”, orienta.
Esse
contexto ajuda a explicar a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”,
medicamentos inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes e que
hoje integram protocolos clínicos no cuidado da obesidade.
“Esses
medicamentos trouxeram mais visibilidade ao tratamento da obesidade e ajudaram
a reduzir o estigma de que emagrecer depende apenas de força de vontade. Mas
também criaram a falsa ideia de uma solução simples e universal”, alerta o Dr.
Victor.
Ele
reforça que as canetas não são vilãs, mas tampouco funcionam de forma isolada.
São ferramentas importantes quando bem indicadas, com base em critérios
clínicos como IMC, presença de comorbidades, histórico metabólico e percentual
de gordura corporal. No entanto, não substituem avaliação médica,
acompanhamento contínuo e mudanças no estilo de vida.
Emagrecer
rápido não significa emagrecer com saúde
Entre
os erros mais frequentes estão dietas extremamente restritivas, uso de
medicamentos sem prescrição e a comparação constante com resultados de outras
pessoas. A expectativa de um emagrecimento milagroso costuma resultar em perda
de massa muscular, efeito sanfona, frustração e riscos à saúde.
“Emagrecer
rápido quase nunca significa emagrecer com saúde”, afirma o endocrinologista.
Por
isso, em muitos casos, o acompanhamento psicológico integra o plano de
tratamento. A relação com a comida e com o próprio corpo envolve fatores
emocionais profundos. Quando há ansiedade, compulsão alimentar ou sofrimento
psíquico associados ao peso, o suporte psicológico torna-se indispensável.
Autoimagem:
quando o corpo vira fonte de sofrimento emocional
A
psicóloga Dra. Aline de Menezes, do Eco Medical Center, destaca
que o verão intensifica uma relação que muitas pessoas já vivem de forma
delicada com o próprio corpo. “As redes sociais reforçam a sensação de que é
preciso mudar rapidamente para se encaixar em um padrão. Muitas vezes, essa
busca não está ligada à saúde, mas à pressão estética e social”, explica.
De
acordo com a especialista, o problema começa quando o desejo de mudança passa a
ser guiado pela culpa e pela comparação constante. Quando a aparência se torna
o principal critério de valor pessoal, a autoestima se fragiliza e o sofrimento
emocional aumenta. As canetas emagrecedoras, do ponto de vista psicológico,
também entram nesse debate.
“Elas
podem reforçar a ideia de soluções rápidas para uma questão que é complexa e
envolve emoções, história pessoal e relação com a própria imagem. Sem um olhar
mais amplo, alimentam expectativas irreais e a crença de que o valor pessoal
está ligado ao peso”, alerta a psicóloga.
Sinais
de alerta na busca pelo emagrecimento
Ansiedade
excessiva, culpa ao comer, rigidez alimentar e isolamento social são sinais de
que a busca pelo emagrecimento deixou de ser saudável. Conforme a psicóloga,
quando o emagrecimento vira controle, punição e sofrimento, é um alerta. Falar
em auto imagem saudável não é negligenciar o corpo, diz ela, mas construir uma
relação mais respeitosa e realista com o espelho.
Ela
reforça que nem todos precisam de psicoterapia, mas que o apoio psicológico é
fundamental quando há sofrimento emocional. “Cuidar da saúde mental é parte
essencial de qualquer processo de cuidado com o corpo. Quando o emagrecimento
afasta a pessoa da própria vida, é preciso olhar além do peso.”
Para
ambos os especialistas, tecnologia, medicamentos e estética podem caminhar juntos.
Querer um corpo mais bonito não é nenhum “pecado”. Porém, isso não pode ser uma
obsessão, uma fonte de preocupação excessiva. Deve ser algo feito com cuidado,
com orientação médica, e tendo como foco principal a saúde física e emocional.

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